08 DEZ às 03h27

todas as minhas frases estão pálidas, débeis, esfarelando, cansadas, se debatendo pelas paredes, se arrastando pelo chão, pedindo por favor por favor por favor ar ar ar ar ar ar

fecho a porta da jaula. tranco todas lá no silêncio.

aperto a cabeça debaixo do travesseiro e não choro.

my heart beats in its cage.

The Strokes -- Heart In A Cage por claralele no Videolog.tv.

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06 DEZ às 16h10

sou péssima nisso de prestar homenagens. sempre acho que vai parecer puxassaquismo, oportunismo, ismos e ismos.

mas não dá pra não falar nada sobre meu amigo ale rocha, que morreu hoje.

escrevi uns mil parágrafos e apaguei. não quero, não consigo escrever sobre isso assim. a rosana hermann e a lele siedschlag conseguiram fazer isso lindamente. leiam. e eu só consigo dizer que o ale era um cara foda, como disse a lele. e que vai fazer muita falta.

e quero pedir para que vocês se declarem doadores de órgãos, avisem suas famílias, ajudem a convencer mais e mais gente de que, independente das suas crenças, é uma forma de salvar a vida de alguém. ou de vários alguéns.

é isso. estamos muito tristes. não tem como não ficar. mas o ale ia ficar puto de ver todo mundo arrasado e um monte de carpideiras arrancando os cabelos.

o último tweet dele antes do transplante foi: "hoje é dia de rock, bebê".

então, sei lá, toma um rock, bebê.

Ramones -- Life's a Gas por claralele no Videolog.tv.

é isso.

life is a gas, my dear friend.
rest in peace.

roque bebe lifes a gas

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02 DEZ às 08h20

Aos poucos eu volto.
Acordar neste horário desumano (quem inventou que isso era bom?), levantar, fazer um chá enquanto roda o Heartattack And Vine. Isso deve ser um bom sinal.
Acordei antes do despertador. Mesmo que seja, como ele diz, cedo demais para o circo e tarde demais para os bares, eu não senti vontade de chorar e voltar dez horas no tempo pra poder dormir mais.
Isso deve ser um bom sinal.

Aos poucos eu volto.

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30 NOV às 12h31

Jovens até 18 anos: ajudem a Tia Clara na sua pesquisa!

:D

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28 NOV às 05h52

fuckpneumonia 300x300 pneumonia, solidão e eu

resumindo: fui no SWU, vi shows incríveis, babei no mike patton, encontrei amiga querida, conversei, bebi e... tomei chuva. por umas cinco horas consecutivas. fiquei molhada por mais umas duas horas no ar condicionado da van. cheguei em casa exausta, me arrastando, largando as peças de roupa pelo caminho, a bota suja de lama, tudo. cama.

resultado: pneumonia.

demorei mais de uma semana pra descobrir.

o médico do ambulatório disse que era "uma irritação na garganta". alguns dias depois, mal conseguia respirar. não fosse uma médica amiga, eu teria sido internada com 60 graus de febre. quem mandou não ter plano de saúde? eu sei, EU SEI.

dias em casa. com dor. com febre. com uma tosse dos infernos.

eu moro sozinha. eu e os gatos. não tem ninguém pra ficar me paparicando na doença. minha família toda mora longe, meus amigos têm suas vidas e eu não consigo nem começar a pensar em exigir algo de alguém. qualquer alguém. vivi de delivery, ganhei uns chocolates, fiquei em casa, quieta, comigo.

essa pneumonia foi a melhor coisa que me aconteceu em meses. MESES.

fiquei em casa comigo.
li.
vi filmes.
pensei.

e vi que, uau, eu tinha esquecido várias coisas a meu respeito. tinha esquecido principalmente o quanto eu gosto de ficar sozinha.
e ler.
e ver filmes.
e pensar.
e escrever.

ESCREVER.

"escritora" virou uma simples legenda embaixo do meu nome nesses últimos meses.

escrever é o meu trabalho mesmo. é o que eu faço com paixão.

preciso de tempo pra escrever. tempo livre, tempo de ócio criativo, tempo comigo.

o problema nesses meses nem foi falta de tempo hábil; foi falta de tempo COMIGO. e o excesso de tempo coexistindo sem propósito em um ambiente inóspito.

já resolvi essa matemática na minha cabeça.

sem perder mais tempo.

2010 foi um ano de merda. 2011 foi um ano de estresse. 2012, se prepara, você vai ter que ser bom.

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26 NOV às 12h29

me bate, me xinga, me rouba, me tira, me larga, me ignora, chuta uma velhinha na minha frente, me MATA.
mas não me engana.

era só isso mesmo.

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21 NOV às 13h13

não dá pra deixar de ser o que eu nunca fui.

ou

não dá pra deixar de ser
o que eu nunca
fui

.

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15 OUT às 03h00

Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

.
.
.

eu tava me perguntando isso: CADÊ AS PESSOAS?
e a Mhel Marrer me lembrou desse pessoa.
é isso.
nada nunca não foi dito.

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14 OUT às 15h11

‎uma idéia: já que todo mundo se ofende MUITO com TUDO nesses gloriosos dias de hoje, sugiro que, observando o modus operandi desse filme, TOQUEM UM SINAL quando alguém for fazer uma piada grosseira para que as senhoras sensíveis e os senhores bastiões da moral cubram seus ouvidos e se poupem de escutar as atrocidades do humor contemporâneo.

pela atenção, obrigada.

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12 OUT às 17h46

gato no cerebroCapa 210x300 Um Gato no Cérebro

Eu trabalho no Portal R7. Além de fazer vídeos diários no Ex-Tricô, sou redatora de humor. Isso significa que preciso fazer plantão sábado+domingo uma vez por mês e trabalhar em feriados alternados. Hoje é um deles.

Tiram muita onda da minha cara aqui, especialmente a dona Lele Siedschlag, porque eu vim do ~underground~. Gostem ou não, vim mesmo, jamais negaria. Eu não faço idéia de quem sejam essas subcelebridades e isso é parte da graça do Ex-Tricô. Lele é a expert e eu estou genuinamente cagando pra essa gente toda. Nunca tinha assistido um BBB na vida, não sei quem já passou pelo programa, nunca tinha visto A Fazenda e olha, sinceramente, não fazia questão nenhuma de ver. Não pela qualidade do programa. É bom. Só que eu não gosto. Não me interesso por reality show. Nunca me interessei.

É bom esclarecer que eu não estou desqualificando o gosto alheio e nem falando que odeio meu trabalho. Algumas pessoas têm sérios problemas de interpretação de texto, então é bom explicar de cara, para que não encham os meus sensíveis pacovás. Dá pra gostar de reality show e traduzir Wittgenstein? Dá. Olhaí a D. Lele. Dá pra assistir BBB e se refugiar no e.e. cummings? Mas é claaaro. Pode gostar do que quiser, sabe. E eu também posso não gostar do que quiser. É uma coisa tão EVIDENTE, né? Não. Não é. Se você fala mal de algo que a pessoa gosta, ela age como se você tivesse dado um tapa na cara da vovó. Falta de dar um pouco de bunda, com certeza.

A TV aberta nunca fez parte do meu mundo. Quando eu era criança, minha família sequer possuía uma TV. Meu pai é músico, minha mãe é fotógrafa e eu cresci com outro modus operandi, uma coisa meio riponga e alternativa, sabe como? Depois veio uma TV, não lembro que idade eu tinha, mas só assistia desenhos mesmo. Não tenho memória de novela, não tenho memória de Sílvio Santos, não tenho memória de nada disso. Lembro muito de livros, teatro e cinema, nessa ordem. Ui!

Eu sei que parece drama, mas tem sido um choque considerável trabalhar num portal que fica dentro de uma emissora de TV aberta. Já trabalhei na MTV, mas é MUITO diferente. Não dá nem pra comparar. A minha participação naquele reality show, cujo nome suprimirei, não teve absolutamente nada a ver com minha vinda pro R7. Eu fui chamada por uma diretora de casting X, não teve nenhuma relação com o portal. Luiz Cesar e Lele, que conheço há anos, foram os responsáveis/culpados pelo meu atual emprego. Fazia um mês que eu trabalhava aqui quando passou o programa. A galera da TV nem sabia que eu estava aqui dentro, foi uma (grata) supresa pra eles. Pra mim já não foi tanto, viu. Mas enfim. A questão é que eu, literalmente de um dia para o outro, me vi exposta na TV aberta. QUE CHOQUE. Eu não sei lidar com esse público, não sei lidar com esse pensamento, não sei lidar com esse conteúdo. Estou aprendendo. Depois de quase um ano, acho que estou começando a entender como as coisas funcionam aqui.

E é o seguinte: tenho altas crises. Não pertenço a esse universo (a não ser como "personagem" de reality show, ou seja, aquela não está nem perto de ser eu). Meus interesses são outros. Meu foco é outro. Minhas referências são outras. Minhas ambições são outras. Só que eu passo tempo demais aqui, quase todo o meu tempo. Chego em casa acabada e querendo dormir, mal tenho tempo pra ler. Durmo com o livro na cara, sabe. Pra ler eu não posso estar morrendo de sono e desconcentração. Ler é meio sagrado pra mim. Sério mesmo, não consigo ler como se estivesse lixando as unhas.

Pois eu estava sofrendo sem um antídoto para toda essa intoxicação. Passava dias em casa vendo dois ou três filmes do Woody Allen consecutivamente, tentando achar algo que me renovasse, será que eu estou sendo suficientemente clara?

Tentei questões existenciais.
Comédias românticas.
Filmes iranianos.
Blockbusters.
Cinema nacional.
Drama.
Álcool.

Nada funcionava.

Vinha apenas um breve alívio. E depois eu voltava ao meu estado de intoxicação por excesso de informação de inconsciente social.

OQUEI. Talvez eu dramatize demais na hora de contar uma história. Vocês vão me desculpar, esse é o meu ofício.

Sei que fui COMPLETAMENTE desavisada à Sessão Comodoro, no CineSesc. Completamente. Me chamaram e eu fui, sem nem saber do que se tratava. Chegando lá, ele avisa, rindo: "te trouxe pra ver um filme totalmente sanguinário, proibido em não sei quantos países na época". Certo. Carlos Reichenbach apresentou a sessão. Antes teve a estréia de um curta, "Ivan", de Fernando Rick, estrelado por meu jovem e formoso amigo André Ceccato. Certo. Eu era a única pessoa ali que não fazia idéia do que estava por vir.

GENTE.

Vocês estão prontos pra ver o trailer? Porque assim, tem sangue, tem loucura, tem tripas, tem mais loucura e psicopatia e humor negro e EU LAVEI A PORRA DA MINHA ALMA COM SANGUE FALSO.

ERA ISSO QUE EU PRECISAVA. Loucura. Loucura criativa e desembestada. Loucura dos outros. Com a minha nós já sabemos que não é bom brincar.
E agora eu quero todos os filmes B da face da terra.
Quero sangue e palhaços alienígenas e zumbis comedores de retina.
QUERO INDICAÇÕES.

.
.
.

(Atualização: já estou amando Dario Argento, já abracei Joe D'Amato e Mario Bava, tenho uma lista ENORME de filmes para assistir e minha vida é um lugar melhor de se estar no presente momento.

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