21 SET às 22h19

You can't judge an apple by looking at a tree
You can't judge honey by looking at the bee
You can't judge a daughter by looking at the mother
You can't judge a book by looking at the cover
Oh can't you see, oh you misjudge me
I look like a farmer, but I'm a lover
You can't judge a book by looking at the cover
Oh come on in closer baby,
hear what else I gotta say!
You got your radio turned down too low
Turn it up!
You can't judge sugar by looking at the cane
You can't judge a woman by looking at her man
You can't judge a sister by looking at her brother
You can't judge a book by looking at the cover
Oh can't you see, oh you misjudge me
I look like a farmer, but I'm a Lover
You can't judge a book by looking at the cover
You can't judge a fish by lookin' in the pond
You can't judge right from looking at the wrong
You can't judge one by looking at the other
You can't judge a book by looking at the cover
Oh can't you see, oh you misjudge me
I look like a farmer, but I'm a lover

You can't judge a book by looking at the cover

Bo Diddley - You Can't Judge A Book By Its Cover - Very Good quality por claralele no Videolog.tv.

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11 SET às 03h39

Dia 11 de setembro de 2001 eu estava em um avião.
Voltando de Londres.
Depois de ter desistido de ir pra NY.
Eu era jovem, eu não tinha emprego, eu não tinha responsabilidades, eu não tinha nada. Fui pra Inglaterra cobrir o Reading Festival, onde tocariam os Strokes e outros - que até me interessavam mas, definitivamente, meu negócio era ver os Strokes. Deu tudo errado pra dar certo alguns dias depois, em Liverpool, onde tive o inenarrável prazer de, além de ver um dos melhores shows da minha vida num lugar com lotação de 300 pessoas, conhecer os mocinhos, beber com eles e fazer muitas trapalhadas com os amigos de ocasião Peter Doherty e Carl Barat.

Mas essa é outra história. Que eu já contei outras vezes.

Eu estava em Londres sem muito dinheiro e pensando se voltava pro Brasil ou arrumava um emprego. Eu tinha 22 anos, era um furacão de idéias e de tesão pela vida. Tinha vontade de fazer tudo. E fazia. Não que eu tenha mudado muito. Um pouco. Só um pouco.
E nessas de volto ou não volto pro Brasil, decidi que ia pra Nova York.
Porque eu sempre gostei,
Porque a passagem não era cara,
Porque eu não queria voltar,
Porque eu, naqueles dias, não me importava com nada além do presente.
Tenho amigos em NY, entre eles Renato Falcão, que é amigo do meu pai e sempre me ofereceu abrigo lá. Avisei que iria, tudo certo.
Fiz a reserva da passagem. 10 de setembro de 2001: Londres>NY. Não lembro o preço da passagem, mas lembro que era tão mais barata do que a SP>NY que eu nem hesitei.
Tinha também a passagem de volta para o Brasil, que eu não tinha desmarcado porque era uma desvairada. Acho que pensei em remarcar lá de NY, não lembro bem.
Em Londres eu basicamente andava pelas ruas, conhecia pessoas e escrevia. Estava mais ou menos na metade do meu primeiro livro, Máquina de Pinball. As coisas aconteciam muito naquela época, eu fazia coisas acontecerem e absorvia a tudo, coisas boas e coisas ruins, pessoas, coisas, música, filmes e lugares, tudo, como um mata-borrão. Tudo era matéria-prima. Saudades da época em que usava a matéria-prima só para minha própria obra. Escrever era a coisa mais importante da minha vida, mais do que comer, mais do que respirar, mais do que qualquer coisa. Eu tinha acabado de mudar para São Paulo, no começo de agosto, e era tudo muito novo, tudo muito grande, tudo muito solitário. Comecei meu primeiro livro assim que cheguei e naquela época escrevia no COL, que já estava querendo terminar - e que teve sua última edição publicada em... 11 de setembro de 2001.

Morar em Nova York sempre foi, e ainda é, um sonho meu. Sonho não; plano. Desde os 16 anos, quando botei os pés lá, senti que era minha casa. Minha idéia era mudar pra lá depois que... depois que sei lá o que acontecesse em São Paulo. Só sabia que queria morar lá.

No dia 10 de setembro eu acordei com ~alguma coisa~ me dizendo para desistir dessa loucurada de Nova York e voltar pro Brasil. Terminar o livro, pegar o Joo (meu gato que tinha uns 3 meses na época e estava na casa do Fábio Bianchini, meu amigo que me abrigava), sei lá, tomar tenência.

Cancelei tudo e voltei no dia seguinte.

Terminei meu livro. Peguei o Joo. Não tomei tenência até hoje.

11 de setembro de 2001.

photo 300x224 Eu e o meu futuro do pretérito

Embarquei tranqüilamente, vim escrevendo no vôo, vendo Pantera Cor-de-Rosa, lendo, pensando em como a viagem tinha sido legal. Em como eu tinha engordado. No menino que eu era apaixonada na época e que não queria saber de mim porque eu tinha feito uma merda. E ouvindo Strokes no discman, risos.

Cheguei no Brasil sem saber de nada, assim como todos que estavam no meu vôo. Não sei se os pilotos têm algum contato com a civilização nesse nível de saber de um atentado, imagino que não. Então todo mundo chegou sem saber de nada.

Desci do avião e não entendi nada. As pessoas estavam enloquecidas, agitadas, apavoradas.

E as televisões do aeroporto mostravam repetidamente a imagem dos aviões se chocando contra as torres gêmeas. Demorei pra entender, ninguém conseguia explicar direito, precisei comprar a edição extraordinária de um jornal pra me situar.

E se eu tivesse ido mesmo pra Nova York? Será que meu avião teria pousado? Será que eu estaria no aeroporto? Será que eu estaria no ar ainda? Será que eu teria voltado pra Londres? Será que teriam desviado a rota do meu avião e eu teria ido parar, sei lá, Kuala Lumpur? E se eu tivesse chegado de fato em Nova York, como seria? Será que eu teria voltado pro Brasil? Ficado lá para sempre? Será que eu teria feito meu blog, brazileira!preta, no dia 16 de setembro? E como seria o fim do Máquina de Pinball, já que depois de Londres a minha Camila voltou pro Brasil?

O pai da Catarina morava em Nova York nessa época. Voltou para o Brasil logo depois dos ataques. Será que a gente teria se conhecido lá de qualquer maneira?

Poderia continuar por mais 10 anos no incrível mundo do futuro do pretérito. Mas prefiro, assim como a Clara(h) de 22 anos, viver no presente. E no presente momento minha filha dorme, eu estou com sono e quero acordar cedo para ir à feira comer pastel.

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08 SET às 20h04

muita gente me escreve pedindo meus livros.
tá tudo esgotado.
consertarei isso em breve. enquanto isso, vendo os exemplares do vida de gato que ainda possuo.
tenho poucos.
depois que esses findarem, só quando sair outra edição.

vdg vida de gato

quem quiser escreve para: vidadegatoclara@gmail.com. quem está cuidando disso é a luiza.

CORRÃO

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04 SET às 15h35

Ella Fitzgerald - Easy to love por claralele no Videolog.tv.

... porque ella fitzgerald cantando cole porter dá sentido a boa parte da minha vida.

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03 SET às 18h34

.

socai 300x87 .

então combinamos de fazer mil coisas, era evidente que daria tudo tão certo, era tão bonito, tínhamos uma espécie de telepatia, pensávamos as mesmas coisas, compartilhávamos a mesma visão de mundo, de tudo. no começo ficamos assustados, ninguém viu como aconteceu e era demais, enorme, tudo muito forte, tudo incontrolável, tão certo, tão bonito. fizemos todos os pequenos planos, planos de amorzinho, planos de viver o trivial. ele exercia sobre mim um fascínio enorme, eu ficava hipnotizada, leve, parva, encantada. esqueci o resto do mundo, era só ele, ele, ele. eu achava que isso nunca mais aconteceria, igualzinho à primeira vez.
mas ele tinha medo, ele era um menino que acreditava ter uma vasta experiência na vida e no sofrimento, como todo menino acredita. eu dizia que ele precisava viver, que precisava se arriscar, que o que vale na vida é o sangue correndo nas veias. aos poucos ele foi se entregando pra mim sem notar e foram os meses mais lindos dessa vida, mesmo com toda a juventude e a insegurança e o medo e a fragilidade que nunca cediam. eu achava chegaria o momento em que ele conseguiria se ver como realmente é, único, raro, genial, o melhor.
ele não me deixava ir e não conseguia vir. nunca. uma vez. duas. três. sempre havia alguma coisa errada. fiquei inquieta. aquilo me consumia. precisava dele. queria precisar dele. ele precisava de mim também. era quase um vício inevitável, só crescia e tomava conta de tudo.
eu precisava que fosse real.
fiquei doente. ele também.
ele não vinha nunca. nunca. nunca.
aí ele ficou triste. se afastou. senti que ele ia embora. tentei impedir. não consegui.
ele nunca veio.
ele não conseguiu ver futuro comigo, ele não conseguiu ver nada. escolheu ficar com uma lá que firmava os pés dele no chão. no chão eu não sei ficar, sempre disse que só cai quem voa.
voei e me estabaquei.
foi tão perto, tão pertinho, tão quase.
ele não conseguiu tentar.
ficamos sem romance, sem começo e sem ponto final

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31 AGO às 02h22

louco 300x300 agosto

tweegram 300x300 agosto

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31 AGO às 02h18

Eu e o Gustavo jantando no Paris 6. Conversando, falando com os Ludmers que jantavam na mesa ao lado após a estréia das Bruxas de Eastwick, checando whatsapp, tuitando, comendo. Tudo em paz.

Aí o gordinho da mesa ao lado se incomoda com suas companheiras de mesa e desata a falar:

Ô, galerá! Vamos viver a vida offline! Vamos viver o agora! Vamos prestar atenção no mundo aqui fora!

Olha,
gordinho,
a gente tem uma coisa pra falar pra você.
E para todos os outros.

Uma coisa não exclui a outra. O "mundo online" não existe sem o mundo offline. Eu consigo estar numa mesa de restaurante, comer, checar meu twitter, postar no instagram, chamar alguém no voxer.
Jura que precisa escolher entre um dos dois?
Engraçado, ~escolher~ entre o mundo online e o mundo offline me soa como escolher entre um pirulito e um tijolo.
Um batom e uma meia.
Uma lagosta e um nó de pinho.
Um sapato e um monóculo.
Não faz sentido. Não pra mim. A não ser que você seja aquele rapaz gordinho e medroso que não tem coragem de sair de casa para enfrentar o mundo offline, bom, você não precisa escolher um só. Eles podem coexistir harmoniosa e pacificamente na mesma mesa de restaurante que você, seu amigo e o mundo online dele.

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20 AGO às 17h41

amargassauro4 Amargassauras Sperandus

Meu antepassado Amargasaurus cazuei

"Ame desbragadamente. Pois sem amor não dá nem pra atravessar a rua."
João Antônio

Aí eu penso: Mas eu amo. Amo amigos, amo livros, amo músicas. Amo muito, amo daquele jeito que faz o coração dar piruetas.

Só que tem aquele estado que só o ~fogo da paixão~ consegue acender. Amorzinho, sabe? E é dele que eu preciso pra querer escrever certas coisas. Não as coisas que precisam ser escritas; as coisas que eu gosto de escrever. Aquelas que sangram, que pulsam, que têm voz própria. Aquelas mesmas, sabe? Sabe? Que bom.

Há anos não sai nada assim. Nunca tive bloqueio criativo, sempre que precisei escrever algo, consegui - mesmo que não de formas muito, digamos, convencionais. O importante é o texto, né?

Isso de agora não é bloqueio criativo. É falta de tesão mesmo.

Tudo é momento. Esses textos também são momentos. Eles levam o que está em mim naquele instante, naqueles dias, naquela fase. Tem muita coisa minha que eu leio e escondo o rosto nas mãos. Como pude? Era eu, claro que era eu. Esta mesma eu aqui. Mas às vezes pensando de maneira torta, cega, errada, equivocada. Talvez eu leia este texto em alguns anos e pense a mesma coisa.

Não tem problema.

Não fico discutindo com o passado. Ele fica aí, registrado. E não acho que condene ninguém. A gente vai aprendendo coisas ao longo da vida. O tempo é meu aliado e eu não desaprendo o que já aprendi. Então pronto. A não ser que você tenha cometido um crime hediondo, vive-se com o passado.

O problema é que a falta de inspiração não afeta só essa parte criativa. Quando rola a *fagulhinha*, tudo fica bom. Você sabe, né? O mundo todo fica belo, até um pneu morto fica belo, a chuva é romântica, frio é bom, calor é bom, dormir é bom, acordar é bom... Meio difícil ter toda essa alegria de viver quando tudo que você faz é trabalhar e acordar sozinho numa casa enorme.

Mimimi.
Mi.
Mi.

É, tô amarga mesmo. Eu sei que passa, mas tá difícil, amizade. Tá bem difícil.

Esse status indisponível não serve pra mim.

E se alguém estiver pensando em me mandar ARRUMAR UM NAMORADO pode já dar um pouco de bunda sem eu ter que mandar.

Bêj.

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15 AGO às 18h48

.

cacete, que foto horrorosa. não tava bem não, gente.

vai mudar. tudo vai mudar.

só eu que não mudo.

ainda bem.

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21 JUL às 04h04

hoje eu saí do trabalho, peguei a minha carona com a @rosana (todo o tempo com ela é precioso, amo) e parei em um lugar no caminho de casa pra comer um negocinho. fazia muito tempo que eu não ia lá. é uma praça de alimentação avulsa que tem na maria antônia, perto do mackenzie, sempre cheia de universitários. negocião abrir um bar na maria antônia, aparentemente os bares estão sempre mais cheios do que a faculdade. sempre penso em dar a dica de pegar o dinheiro dos pais pra fazer alguma outra coisa mais produtiva já que vão ficar mesmo bebendo no bar, mas temo represálias.
enfim.
parei na praça de alimentação pra comer um negocinho e lembrei que era lá que eu ficava no ano passado quando estava completamente quebrada, pobre, triste, sem rumo, sem auto-estima e sem amigos. eu não tenho muitos amigos. os que eu tenho sei que são para toda a vida - ou pelo menos boa parte dela. esses não estavam por perto nessa hora. não tinha ninguém por perto. minto, tinha sim: gente que sentia prazer em me ver fodida. por algum motivo, isso faz bem a um tipo de parasita que gosta de "poder ajudar".
eu ficava horas naquele lugar consumindo tipo ÁGUA - ou nada, às vezes - pra poder usar a internet, um luxo que eu não tinha na minha casa. parece exagero, né? olha, se vocês soubessem. se soubessem da metade sobre o ano passado. METADE. envolve corte de luz, longos percursos a pé e uma angústia pinicando com o medo de que minha vida nunca mais resolvesse e eu não conseguisse mais nada. nunca mais.
mas eu não sou uma desistidora.
peguei minhas idéias e
fui tentando.
fui tentando.
fui tentando.
não é fácil ficar tentando.
é muito fácil desistir.
NADA vem de graça nesta vida, eu não sei se vocês sabem. obviamente algumas pessoas têm mais sorte do que as outras. mas se elas não souberem usar a sorte ela não servirá para absolutamente nada. outra: ninguém é sortudo o tempo inteiro. assim como ninguém é zicado o tempo inteiro. salvo raras exceções, é claro. como diz a @rosana, o status é flutuante. o nosso, no caso. já tive muito dinheiro, pouco dinheiro, nenhum dinheiro, muitas ofertas, nenhuma oferta, minha casa, casa dos outros, minha casa com outros, nenhuma casa. não me envergonho de nenhum dos meus momentos e nem tento esconder passado. não me orgulho de tudo, mas tentar varrer caco de vidro sujo de sangue pro cantinho do quarto não me parece uma solução mágica que mude o que já foi. foi, passou. assim como passou a merda da fase caótica que se instaurou na minha vida no começo de 2010 e só acabou mesmo agora.
hoje. ontem, porque já são quase quatro da manhã.
talvez meu subconsciente tenha me levado até lá pra que eu me desse conta justamente disso. tinha que ser hoje. porque está quase tudo no lugar. eu gosto da minha vida, eu gosto de mim e tenho amigos que amo p ra ca ra lho perto de mim. alguns eu conheci neste ano mas já sei que não são pessoinhas efêmeras na minha vida como foram alguns outros, alguns vários, que tentaram forçar convivência, forçar interesse, forçar identificação. agora só tenho perto gente que eu QUERO. cortei os excessos de tudo. de gente, de bebida, de pressa, de paciência.

agora sim dá pra continuar.

com as pessoas certas para os lugares certos.

o resto tem que ficar no passado mesmo. e me deixar seguir com meu presente.

(escrevi este post no iA Writer, MELHOR EDITOR DE TEXTO DA HISTÓRIA. me dá até mais vontade de voltar a escrever :~)

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