Publicado em 20/05/2016 às 11h04

Problemas de Leitura

Amigos, Apenas para pedir desculpas a vcs pois alguns posts estão desconfigurados e não estou conseguindo colocar negritos, fazer quebras de linhas e outras coisas para deixar a leitura mais fácil.

 

Estou tentando resolver isto e em breve tudo voltará ao normal.

 

Abraços! Déco

Publicado em 20/05/2016 às 10h37

De Martino e a Revolução do Vinho Chileno.

IMG 0623 225x300 De Martino e a Revolução do Vinho Chileno.
Durante minha última viagem ao Chile, fui visitar uma vinícola que conheço faz tempo e admiro muito o trabalho deles, particularmente dos vinhos diferentes que o querido Marcelo Retamal faz. Marcelo é um dos enólogos mais competentes e reconhecidos do Chile e isto tem uma explicação simples: Consegue fazer vinhos que vão de A a Z, desde os mais simples até os mais complexos e diferentes.
A De Martino existe desde 1934. Seus vinhedos são orgânicos e divididos em 350 ha, sendo 70% próprios. Hoje a produção é de 2 milhões de litros, mas apesar do número parecer grande, há alguns vinhos que a produção é bem limitada, pois são vinhos especiais e feitos de forma quase artesanal.
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Algumas inovações são vistas logo de cara na visita, quando Retamal começa a explicar tudo: Foudres de carvalho austríaco de 5.000 litros para fermentar alguns vinhos e não ter a interferência direta da madeira das barricas pequenas, pois o caravlho austríaco é mais neutro, além de ser maior a capacidade.
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As mais de 3.000 barricas são usadas, outra inovação de Marcelo. E mais: A barrica mais nova tem 6 anos e a mais velha, mais de 20. Eles não compram barricas novas para terem vinhos diferentes, que sejam pura expressão da fruta. "não importa muito a procedência e a idade. Vemos as barricas como recipientes que nos ajudam a fazer vinhos melhores." Disse o orgulhoso Marcelo sobre o estilo dos seus vinhos.
Numa degustação maravilhosa, de 9 vinhos de estilos e tipos completamente diferentes, pude provar algumas preciosidades deste mago chileno:
Viejas Tinajas Cinsault 2014 - cor violeta clara, muita fruta vermelha e preta, azeitona. Feito em ânforas de barro, as uvas fermentam inteiras sem os cachos. Depois são prensadas e cobertas. Vinho jovem que fica pronto em 8 meses. Leve, fácil de beber.
Alto de Piedra Carmenere 2013 - 2 anos em fudres. Um Carmenere mais leve, que não tem geléia de fruta, mentol típicos do vinho chileno. Um vinho franco, pura fruta madura, sem ser enjoativo. Um vinho elegante!
Las Cruces Old Vines Field Blend 2013 (Cachapoal) - 75% Malbec, 25% Carmenere. 2 anos de Fudre. É um Field Blend, ou seja, as uvas estão misturadas no vinhedo. O Malbec geralmente está pronto para ser colhido por volta de 15 de Março. O Carmenere, por volta de 15 de Abril. Como estão misturadas e a Malbec é predominante, colhem tudo, inclusive a Carmenere mais verde. Cofermentado. Um vinho com muita cereja, aniz, herbáceo.
Limávida Old Vines Field Blend 2013 (Maule) - 85% Malbec e 15% de outras uvas, co-fermentadas (ou seja, fermentadas juntas). Um vinho absolutamente diferente. Um vinho extremamente mineral, que deixa a fruta madura de lado e dá lugar para aromas de terra misturados com a fruta. Chega a ser salino de tanta mineralidade. Um vinhaço.
Vigno 2013 - Feito com Carignan do Vale do Maule, um vinho de acidez impressionante, cor não tão intensa como se esperaria de um carignan que passou 3 meses, isso mesmo, 3 meses em contato com as cascas depois da fermentação. Um vinho franco, que como os outros, é a pura expressão do terroir.
Alto Los Toros Syrah 2011 - Um syrah que foge do tradicional. Azeitonas e cerejas predominam. Vinho de boa acidez, corpo mais leve do que o esperado para um Syrah e menos tânico. Vem do vale de Elki, ao norte, um vale que chove 90 mm ao ano. Elegância ao extremo!
Quebrada Seca Chardonnay 2013 - Um chardonnay elegante, com madeira muito sutil, mas presente, pois fermentou em barricas usadas. Depois vai para os fudres, onde fica um pouco mais de 1 ano. Muita fruta como pera, abacaxi, pêssego. Sem a madeira enjoativa e as frutas sobre-maduras dos típicos Chardonnays chilenos.
Parcela 5 Sauvignon Blanc 2015 - um vinho com puro maracujá, mas com um fundo verde bem sutil se comparado a outros Sauvignon Blanc. Um vinho muito fácil de beber.
Viejas Tinajas Muscat 2014 - Feito em ânforas de barro, são colocadas as uvas nas ânforas e em média passam 15 dias fermentando com as cascas. Depois passam 6 meses em contato com as cascas e então tiram das ânforas e ficam 6 meses mais. Um vinho daqueles considerados laranja, de cor linda, meio pêssego e que com o tempo vai ficar mais alaranjado. Lembra lichias e pêssego. Um vinhaço para que, gosta de vinhos diferentes, beber de joelhos.
IMG 0631 300x225 De Martino e a Revolução do Vinho Chileno.
Não seria igual uma simples visita se não fosse a ajuda dos amigos da Decanter, importadora dos vinhos da De Martino, e também sem a atenção e o cuidado do Marcelo. Uma experiência incrível e inesquecível.

CHEERS!!

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Publicado em 09/05/2016 às 10h34

Bebi e Gostei: Palacio de Anglona Tempranillo 2010

BOD00100 18 71x300 Bebi e Gostei: Palacio de Anglona Tempranillo 2010

 

Vinho: Palacio de Anglona Seleccíon Tempranillo 2010

Produtor: Vinos y Bodegas

Origem: La Mancha (Espanha).

Uvas: 100% Tempranillo.

Importadora: Ravin.

Preço Aproximado: R$ 71,50.

 

Já não é de hoje que a Espanha vem trazendo bons vinhos a custos acessíveis, mesmo com o boom que o dólar e os impostos deram no ano passado. Regiões não tão famosas e caras vem produzindo vinhos de ótima qualidade, mas estão ainda longe de alcançarem a fama das famosas Ribera del Duero e Rioja, ou mesmo da mais nova e moderna região do Priorato.

 

E este Palacio de Anglona é um vinho que vale cada centavo que pagamos. Um vinho de pouco mais de 70 Reais, que tem qualidade e está em seu ponto máximo e melhor de consumo. Com 6 anos de vida, sugiro comprar e beber já, pois não é um vinho de guarda. A acidez já não mais como antes, o que é normal, mas ainda está em um nível bem equilibrado. As frutas frescas deram lugar a algumas frutas secas e o alcool tá bem balanceado. Um vinho bacana para estes tempos de crise!

 

 

CHEERS!!

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Publicado em 02/05/2016 às 12h22

Odfjell: A Noruega Fazendo Bonito nos Vinhos Chilenos.

IMG 0779 300x225 Odfjell: A Noruega Fazendo Bonito nos Vinhos Chilenos.

 

Mesmo antes de me enveredar definitivamente por estes caminhos do mundo vinho, esta vinícola já era uma das minhas queridinhas, pela qualidade de seus vinhos. A Odjell é uma vinícola fundada pelo armador noruegues, Dan Odfjell, que durante uma viagem de barco, há 25 anos, se apaixonou pelo Vale do Maipo e por alí ficou, inaugurando sua vinícola, que hoje é tocada por seus filhos Dan Jr. e Laurence. Mas não é apenas uma vinícola! Existem vários conceitos por trás dela, como as práticas orgânicas e biodinâmicas (certificados desde 2013). Eles inclucive "importaram" cavalos noruegueses, os chamados Pôneis dos Fiordes, que é uma raça rara que ajuda nos trabalhos nos vinhedos.

 

 

Hoje a vinícola tem 85 hectares plantados no Maipo das uvas Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Syrah, Merlot, Carmenere. Mais
10 hectares no Vale do Maule, todos de Malbec e mais 20 hectares em Cauquenes, sul do Chile, de Carignan, Cabernet Sauvignon, Tannat, Tempranillo, Mourvedre e Petit Syrah. Com capacidade de 3 milhões de litros e uma produção 1 milhão, eles ainda são considerados uma vinícola média na produção. Mas na qualidade a coisa é grande, como em alguns vinhos que experimentei e conto abaixo. Os vinhos da Odfjell são trazidos pela Importadora World Wine.

 

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Armador Cabernet Sauvignon 2014 - o vinho de entrada da vinícola, que é melhor que muito vinho que não é de entrada de outras vinícolas. Herbáceo, ameixa, baunilha muito sutil da madeira. Muito equilibrado e um ótimo vinho! R$ 81,40.

Capítulo 2014 - Um corte bem interessante de Carignan, Cabernet Sauvignon e Malbec. Vinho bem equilibrado, com um corte diferente de tudo o que já tomei. Acidez boa, frutas vermelhas, chocolate, tabaco, macio. Final longo. R$ 112,20.

Orzada Malbec 2011 - Se colocado junto com Malbecs argentinos, vai fazer bonito. Mas é um bicho diferente. Não tem aquela potência e estrutura do argentino. É mais elegante, acidez maior, taninos mais ásperos sem incomodar. Um Malbec diferente, que faz bonito! R$ 161,70.

Orzada Carignan 2014 - um vinho fantástico, com acidez muito presente, muita fruta vermelha, mentol. Encorpado, intenso e o melhor: sem interferência nenhuma de madeira pois não passa por barrica. Um vinho diferente e único. R$ 161,70

Aliara 2011 - Por muiot tempo foi o TOP da vinícola, at;e lançarem o ODFJELL. Um corte de Malbec, Cabernet Sauvignon, Syrah e Carignan. Aqui, o DNA Chileno se mostra mais presente. Mas sem exageros. A goiaba madura e o mentol são bem presentes, mas tem também framboesas, amoras e chocolate. Um vinho de muita guarda, fresco e de final longo! R$ 294,80.

 

 

IMG 0740 225x300 Odfjell: A Noruega Fazendo Bonito nos Vinhos Chilenos.

 

Sem dúvida, uma vinícola que tem tudo para crescer cada vez mais pela qualidade dos seus vinhos, mas sem abrir mão de suas convicções e filosofia. É a Noruega fazendo bonito no vinho chileno!

 

 

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Publicado em 28/04/2016 às 09h25

O Dia Para Celebrar os Malbecs Argentinos em SP é Hoje!

Malbec 01 300x300 O Dia Para Celebrar os Malbecs Argentinos em SP é Hoje!

 

Vcs já devem ter visto em vários sites e blogs que dia 17.04 foi o Dia Mundial do Malbec. Mas o que acabou acontecendo foi que Abril virou o Mês do Malbec e as comemorações se espalham pelo Brasil e pelo mundo durante este mês. E hoje, 28 de abril é o dia de comemorar com um Mega Evento aqui em SP, organizado como sempre pela Wines of Argentina.

 

O tema do evento deste ano é a tão famosa e difundida "Gastronomia de Rua".O evento contará com um público de aproximadamente 500 pessoas, entre imprensa, gourmets, fãs de vinho e curiosos. Os food trucks, queridinhos dos paulistas, venderão 4 estilos diferentes de comidas para harmonizar com os diversos estilos de vinho que cada vinícola oferecerá.

 

Cada stand oferecerá 4 categorias de vinhos: Malbecs Jovens, Malbecs Concentrados, Blends de Malbecs e uma alternativa de brancos, rosados e/ou espumantes. O público terá a possibilidade de participar de bate-papos de 20 minutos de duração, nos quais obterão conselhos práticos e recomendações para harmonizar o Malbec com as propostas gastronômicas dos food trucks no evento.

Além disto, teremos muita música com os DJs Gabriel Salvia e Dre Guazzelli, acompanhados de um músico de Sax, que comandarão o som e agitarão a noite gourmet.

 

Vinícolas como Zuccardi, Cobos, Kaiken, Dominio del Plata, Pulenta, Rutini, Doña Paula e muitas outras estarão lá com seus melhores Malbecs!

 

O ingresso, vendido nos links abaixo, custa R$ 150,00, é individual e dá direito à livre degustação dos vinhos. E R$ 40,00 será revertido em fichas para consumo nos food trucks e entregues ao público na entrada do evento.

 

Endereço:

Vila Butantan - Rua Lemos Monteiro, 170

Horário: Das 18:00 às 0:00.

Compra de Ingressos Antecipados (HAVERÁ BILHETERIA NA PORTA):

https://www.sabiar.com/produtos/4-malbec-world-day-sao-paulo

https://semhora.com.br/evento/malbec-world-day

 

Nos Vemos lá!!

 

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Publicado em 20/04/2016 às 08h30

Aquitania: Uma Pequena Grande Vinícola Chilena.

4 50582 1416600032 300x120 Aquitania: Uma Pequena Grande Vinícola Chilena.

 

A Viña Aquitania já era velha conhecida minha, desde os tempos em que eu nem pensava em trabalhar com vinho. Sempre gostei muito do Sol de Sol Chradonnay deles, que pra mim era o melhor branco chileno que eu conhecia. E por conta disto fui visitar a vinícola em 2006. A Aquitania é uma vinícola pequena para os padrões chilenos. Produz apenas 150.000 garrafas e tem 15 hectares de vinhedos no Vale do Maipo com plantações de Cabernet Sauvignon (15 ha.) e Syrah (3 ha.). Além dos vinhedos no Maipo, onde está Santiago, são mais 18 hectares em Traiguen, sul do Chile com Chardonnay, Pinot Noir e Sauvignon Blanc.

 

Fundada em 1993 por Bruno Prats e Paul Pontallier, enólogos franceses da região de Bordeaux, conhecidos mundialmente e por Felipe de Solminhac, enólogo chileno. Nove anos depois, Ghislain de Montgolfier, enólogo da região de Champanhe se juntou ao trio que hoje faz vinhos com muita classe e estilo e estão, para mim, entre os melhores de lá. Infelizmente acabei indo numa época ingrata “afetivamente” falando, pois 2 dias antes haviam acabado de anunciar o falecimento de Paul Pontalier, motivo pelo qual as bandeiras estavam a meio pau e seus sócios haviam viajado à França.

 

IMG 0612 225x300 Aquitania: Uma Pequena Grande Vinícola Chilena.

 

Mas numa degustação deliciosa, com um cenário encravado nos pés da Cordilheira, pude provar alguns destes vinhos:

 

 

Sol de Sol Chardonnay 2011 – Mantém sua fama e sua qualidade desde que conheço ele. Um vinho bem mineral, com aromas de abacaxi, lima da pérsia e outras frutas cítricas. Fugindo do padrão “Chardonnay Amadeirado”, ele é elegante com madeira presente, mas bem sutil. Lembra um bom branco da Borgonha, pela acidez, mineralidade e pouca madeira.

 

Sol de Sol Pinot Noir 2011 – Um vinho que eu estava curioso para experimentar de novo, pois quando tomei, era outra safra. E ele está maravilhoso, fugindo do estilo “bomba de frutas vermelhas” que os Pinots chilenos em geral tem. Um vinho que tem aromas e sabor a terra, com frutas vermelhas bem sutis e pouquíssima madeira. Estes 5 anos de idade fazem deste vinho algo único, que ainda vai evoluir mais.

 

Lazuli 2011 – O vinho ícone da vinícola, é um Cabernet chileno de corpo e alma sem ser enjoativo. Com muitos aromas verdes típicos da Cabernet, como pimentão, além de fruta preta como ameixa, mas sem a goiaba e a fruta sobre madura que tanto marcaram os vinhos chilenos. Vinho para tomar agora ou guardar mais uns 5 anos pelo menos.

 

Aquitania Reserva Syrah 2015 – Um syrah diferente, sem madeira e bem interessante. Muita fruta vermelha e pimenta do reino e aos que acham que o vinho é simples por não ter aromas e estrutura que a madeira conferem ao vinho, estão enganados. Ele é complexo e fresco, com corpo ligeiramente mais leve que os syrahs mais comuns.

 

IMG 0615 300x300 Aquitania: Uma Pequena Grande Vinícola Chilena.

 

Uma vinícola que sempre tive um carinho muito grande e continuo tendo!

 

Uma vinícola que sempre tive um carinho muito grande e continuo tendo! Os vinhos da Aquitania são importados no Brasil com exclusividade pela ZAHIL IMPORTADORA.

 

 

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Publicado em 18/04/2016 às 08h30

Voltei a Beber Vinho Chileno!

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O título deste post pode parecer loucura, bairrismo, burrice ou até mesmo preconceito. Mas é verdade. Sabemos que os vinhos chilenos no brasil são os mais vendidos e tem quase 50% do Mercado de vinhos importados. Sabemos que eles tem marcas muito conhecidas e consolidadas. Sabemos também que a qualidade destes vinhos é alta. Mas nunca escondi de ninguém que meus últimos 4 anos, com muitas viagens para a Argentina, visitando Mendoza, Salta, Patagonia, La Rioja e San Juan me fizeram ver o vinho chileno de outra forma. Vendo a enorme variedade dos vinhos argentinos, tanto em tipos como estilos, fui aos poucos me enjoando um pouco do jeitão dos vinhos chilenos, com aquela fruta sobre madura e vinhos quase sempre com o mesmo perfil de geleias de goiaba e mentol no nariz e na boca, faltando um pouco de acidez. E os brancos, em sua maioria Sauvignon Blancs, com uma profusão de aspargos e herbáceos. Este, na verdade, foi o estilo de vinho que conquistou o consumidor por aqui e em muitos lugares. Então, por que mudar, não é mesmo?

 

 

Por conta deste meu cansaço, de estar saturado deste estilo de vinhos e por estar descobrindo coisas novas na Argentina, fui me afastando dos chilenos pouco a pouco, até o começo deste ano, que resolve voltar ao Chile para me atualizar um pouco sobre como andavam as coisas por lá. E qual não foi a minha surpresa ao ver no discurso e na prática que as coisas já estão mudando a passos largos e que eles mesmos viram que precisavam mudar. Em 1 semana, não bebi sequer 1 vinho no velho estilão chileno. Todos – digo todos – os vinhos que tomei, em restaurantes ou nas vinícolas, apresentam um novo estilo, mais fresco (mais acidez) e com uma fruta mais equilibrada sem ser tão “geléia”. Isto é resultado de colheitas mais cedo, para que a uva não chegue a um ponto de açúcar muito alto na hora de ser colhida e com isto possa dar vinhos com mais acidez e sabores/aromas menos enjoativos. Isto sem falar nos orgânicos, biodinâmicos e naturais que provei por lá e que realmente me fizeram zerar aquele cansaço do vinho chileno de 5 anos atrás e voltar a procurar e me animar com novas descobertas das terras de Pinochet.

 

 

Os próximos posts que escreverei por aqui serão sobre minhas visitas e descobertas durante esta semana que passei por lá. E espero que embarquem nesta viagem comigo e possam descobrir o que vou chamar de “novo vinho chileno”.

 

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Publicado em 14/04/2016 às 14h53

Os vinhos da Realeza Italiana. Ou os Vinhos da Monalisa. Ou Ambos.

IMG 0546 278x300 Os vinhos da Realeza Italiana. Ou os Vinhos da Monalisa. Ou Ambos.

 

Uma família descendente da Mona Lisa, que faz vinhos na Toscana, em uma vinícola comandada pela família Giucciardini Strozzi, mais especificamente pelas irmãs e princesas Irina e Natalia Strozzi, e que tem relações familiares que remontam ao período de Nicolau Maquiavel e da Familia Medici, família burguesa tradicional e muito influente na Italia entre 1430 e 1740.

 

Assim foram apresentados os vinhos da Tenute Giucciardini, importados pela importadora Italia Mais. Começando pelo espumante, o Cusona Brut. Um espumante único, feito 100% com Vernaccia di San Gimignano, uma uva típica da toscana. Nunca havia tomado um espumante 100% com Vernaccia e confesso que gostei. Lembra um riesling pela sua mineralidade bem intensa. Um espumante com personalidade, intendo, mas leve na boca. No mercado, deve custar por volta de R$ 190,00.

 

O Arabesque 2014 é outro vinho bem mineral e fácil de beber. Feito com 85% de Vermentino e 15% de Sauvignon Blanc, é um vinho fácil de beber, leve e que vai maravilhosamente com frutos do mar e até uma comida japonesa. Assim como o 1933 Vernaccia di San Gimignano, que é tão mineral que parece até ser meio salgado. Pra explicar bem, ele não é salgado, mas de tão mineral que é, chega a parecer. Ambos não estão ainda disponíveis por aqui, mas devem chegar por R$ 100,00 e R$ 200,00.

 

Partindo para os tintos, o Momi 2013 a R$ 255,00, é um supertoscano bem legal, feito com Sangiovese, Cabernet Sauvignon, Petit Verdot e Montepulciano d'Abruzzo. Um vinho bem macio, muita fruta e madeira bem leve.

 

O Sòdole 2009 é um baita vinho! Feito 100% com sangiovese, é produzido no sul da Toscana, perto de Montalcino. Por isso, lembra muito um Brunello! E com 7 anos ele já tem traços de evolução que deixam o vinho bem complexo e delicioso. R$ 334,00.

 

O Ocra 2014 é um vinho da região de Bolgheri e ilustra bem os vinhos daquela região, famosa pelo Sassicaia. Encorpado, intenso, com muita fruta maudra, madeira bem equilibrada e um vinho de guarda. É um corte de Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot e Syrah. Ainda não chega ao Brasil, mas deve vir por volta de R$ 250,00 - R$ 300,00.

 

Vingnarè Bolgheri Superiore 2011 é o irmão mais velho do Ocra. Com as mesmas uvas do anterior, mas sem a Syrah, tem o DNA do Ocra, mas com uma madeira mais presente e que ainda tapa um pouco a fruta. Mas daqui a uns 5 anos, vai estar mais redondo e pronto e vai ser um vinhaço. Deve chegar por volta de R$ 500,00.

 

O Millani IGT 2007 não tem preço. Sangiovese, Cabernet Sauvignon e Merlot compõe este corte que já com 9 anos, está no seu ponto ideal. Um vinho fácil e agradável de beber, ainda com acidez e alguma fruta, mas já com os aromas de evolução bem ressaltados.

 

O contexto todo foi muito bacana. Vinhos bons e pessoas com histórias interessantes. Como sempre digo, vinho é muito mais que um fermentado de uvas na taça. Vinho é história, é cultura, é experiência de vida! E estes vinhos tem tudo isto!

 

 

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Publicado em 24/03/2016 às 09h00

Os Ovos de Chocolate e os Vinhos.

Wine chocophoto 300x205 Os Ovos de Chocolate e os Vinhos.

 

Chocolate é um "bicho difícil" de harmonizar. Seu sabor intenso dificulta a combinação com o vinho, seja ele amargo ou doce. Alguns são mais amáveis ao vinho. Outros repudiam a maioria dos vinhos e precisam de maiores cuidados. O fato é que uma combinação clássica do chocolate não falha: O Vinho do Porto. Por ter uma graduação alcoólica maior e uma doçura maior também, os Vinhos do Porto fazem um bom par com os chocolates. Mas tem Portos que vão melhor e Portos que não vão tão bem.Os mais envelhecidos por exemplo, deixam a desejar pois são mais delicados, com aromas e sabores de frutas secas e de mais evolução. Então prefiram os mais jovens e intensos, como algum Vintage ou LBV mais jovens. Tawnys e Rubis, que são os mais comuns, costumam ir bem também se o chocolate não for daqueles muito doces.

 

Aliás, há alguns chocolates, aqueles com maior percentual de cacau e que são mais amargos, que podem até ir bem com vinhos secos, como um Primitivo, um Zinfandel (Primitivo e Zinfandel são a mesma uva, com nomes diferentes e cultivadas em locais distintos), um Shiraz Australiano, Syrah Argentino ou Chileno ou até mesmo um Amarone. Alías, por falar em Amarone, os Valpolicellas Ripasso, que carregam certo açúcar residual por causa do apassimento das uvas, podem ir bem com alguns chocolates também!!

 

Mas tem outros tipos de vinho muito legais, que não tomamos muito por aqui e que valem a tentativa: O Vinho Madeira, que também é um vinho fortificado português, mas é da da Ilha da Madeira, tem algumas variações de acordo com as uvas. Os mais comuns são o Sercial, Verdelho, Bual e Malmsey (Malvasia), sendo esta a ordem crescente de doçura. Para não ficar muito enjoativo, eu iria com um Verdelho ou ou Bual com chocolates mais amrgos e o Malmsey com os mais doces.

 

Banyuls (Fortificado da AOC Banyuls, localizada no Sul da França) e os espanhóis PX (Pedro Ximenez), da região de Jerez, são outras opções legais e que fogem do comum, até por serem vinhos mais difíceis de serem encontrados. Estes são mais doces e vão bem com chocolates ao leite!

 

Um fato é garantido: Prazer não faltará!!!

 

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Publicado em 23/03/2016 às 11h49

Bacalhau e Vinho: Inúmeras Possibilidades.

ssebastian2 069 300x225 Bacalhau e Vinho: Inúmeras Possibilidades.

 

Chegou a Páscoa!! E com ela um prato típico, que não é o coelho, gente! O coelho nesta época apenas traz os ovos de páscoa, mas pela tradição, não comemos o coitadinho de olhos vermelhos e pelos branquinhos. Então, já que não é o coelho, que venha o tradicional bacalhau!

 

Para começo de conversa, o mais importante: O que vou escrever aqui são formas teóricas de se harmonizar vinho com bacalhau. Mas nada, nada mesmo, substitui o gosto pessoal de cada um. Então, não tomem como verdade absoluta este ou outros posts que encontrarão por aí. Tomem como verdade o gosto pessoal de cada um!

 

Confesso também que não sou fã de bacalhau e que já perdi muitos almoços maravilhosos por conta disto, mas sabe aquela comida que não dá pra encarar? Então… infelizmente sou assim com este nobre peixe. Mas como dever de blogueiro e professional do vinho, preciso estudar mais a fundo todas as opções, características e afins, para poder ajudar a conduzir e sugerir harmonizações. Então vamos lá:

 

Falando do Bacalhau: Dentre as várias espécies de bacalhau duas são as principais: a Gadus morhua, que habita as águas frias do Oceano Atlântico, nas regiões do Canadá e do Mar da Noruega e a Gadus macrocephalus que habita o Oceano Pacífico na região do Alaska. Tem outras espécies, vindas de outros lugares, mas estes acima são os principais.

Há também outros que são os genéricos, geralmente vendidos salgados e secos, mas efetivamente estes genéricos não são Bacalhau!

 

Falando de como o Bacalhau é feito e consumido, os modos são os mais variados possíveis! Alguns mais conhecidos são o Bacalhau à Lagareiro, à Braz, à Gomes de Sá, à Espanhola, ao Forno, à Marialva, à Portuguesa e outros por aí. E eles vão dos mais leves e delicados, até os mais temperados e complexos, com acompanhamentos mil...

 

 

Falando da Harmonização: É muito difícil criar uma regra, afinal, como disse acima, os modos de se fazer um Bacalhau variam muito. E isto influencia completamente no tipo de vinho a tomar e de acordo com os próprios portugueses é um tema que está longe de ter uma única opinião entre todos. Mas se eu tiver que dar algumas dicas de harmonização, aqui vão elas:

 

1. Geralmente o azeite e o sal são bem presentes nas receitas e isto já nos diz algo importante: Evitar vinhos com muitos taninos e muito corpo, pois os taninos “brigam” com a oleosidade e com o sal da comida.

 

 

2. Quanto mais leve e suave for o Bacalhau, mais leve e suave deve ser o vinho. Os tradicionais Vinhos Verdes são boas opões neste caso. Se quiser sair de Portugal, os espanhóis da região de Rueda, feitos com a uva Verdejo ou até mesmo os mais conhecidos Sauvignon Blanc de qualquer parte do mundo são boas pedidas.

 

 

3. Para Bacalhaus mais complexos e temperados, podemos ir com vinhos mais encorpados. Um branco um pouco mais amadeirado, como os modernos brancos da região portuguesa da Bairrada ou se quiserem sair de Portugal podem servir vinhos à base de Chardonnay, que costumam ser mais encorpados.

 

4. Vc é fã dos tintos e não importa qual o prato, vai beber um tinto? Tudo bem... vc pode optar por um tinto não tão tânico como um Pinot Noir com leve toque de madeira ou até um espanhol da região da Rioja como um Crianza. Portugueses do Douro e Alentejo sem nenhuma ou pouca passagem por barrica são boas opções também.

 

 

5. Agora, se quiser encarar um vinho tinto de mais estrutura e sem abrir mão dos portugueses, o cuidado a ser tomado é o que falei acima, do azeite e do sal. Sendo um bacalhau que não pese muito nestes 2 ingredientes, pode abrir o tinto que quiser. E seja feliz!!

 

Amanhã volto para falar da harmonização com os chocolates!!!

 

Boa Páscoa e Bons Vinhos!!

 

 

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André Rossi (Déco), 37 anos, é formado pelo instituto inglês Wine & Spirits Education Trust (WSet) nos níveis 1 - Foundation, 2 - Intermediate e 3 - Advanced, cursados em Nova York. Atualmente está cursando o quarto e último nível do WSET, o “Diploma”.

É também um dos únicos cinco Brasileiros residentes no país a ser credenciado como Professor deste mesmo WSet, tendo sido aprovado pelo WSet Educator Training Program 2011, em Nova York.

Editor e Idealizador do Blog EnoDeco, que é hoje o blog oficial de vinhos do portal R7, um dos blogs de vinho mais acessados do Brasil, e que já foi indicado pelo Guia 4 Rodas 2009 como um dos 10 melhores eno-blogs do Brasil.

Colunista da Revista Cool Magazine, da Revista Online Bloggers e também Editor de Vinhos da 4a. Edição do Flavour Guide , projeto anual do crítico gastronômico Josimar Melo. É jurado e avaliador de vinhos de vários eventos e revistas especializadas.

Há 2 anos é o Relações Públicas da Wines of Argentina (WofA), associação das melhores e principais vinícolas argentinas, sendo o responsável pela comunicação, eventos, degustações e todas as ações que a WofA faz em todo o Brasil, para divulgar e comunicar o vinho argentino por aqui.

Foi o ganhador do concurso “Meu Vinho com Susana Balbo” que foi disputado por 30 blogueiros e jornalistas de vinho, onde o principal objetivo era fazer o seu próprio vinho, usando 5 variedades disponibilizadas pela mais importante e premiada enóloga argentina, Susana Balbo. Seu vinho foi escolhido entre os 30 competidores, numa degustação às cegas pela enóloga e sua equipe, tendo um vinho assinado em conjunto com Susana, o Dominio del Plata Essential Limited Edition 2011.

É Publicitário de formação e foi Diretor de Atendimento de grandes agências como W/Brasil e Lew’Lara/TBWA, tendo passado também por Young & Rubicam, DPZ, Leo Burnett e Publicis. Antes disto, trabalhou na área de marketing da importadora Expand.

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