Publicado em 27/11/2014 às 09h00

Antinori e Falesco tomam dominando a Itália.

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Antinori é um nome que dispensa maiores apresentações no mundo do vinho. Um produtor secular que produz alguns dos vinhos mais conceituados da Italia e do mundo, caso por exemplo do Solaia, do Tignanello, entre outros!

Hoje, a Antinori produz vinhos em 6 regiões italianas e um total de 12 milhões de garrafas por ano. Em cada região, uma empresa diferente faz seus vinhos isoladamente, de forma independente, mas sempre com a cabeça pensante de Renzo Cotarella, enólogo e CEO de todo o grupo Antinori.
Num almoço no delicioso Osteria Pettirosso, do sempre simpático chef italiano Marco Renzetti, pude provar alguns vinhos bacanas produzidos pela Falesco, que fica na fronteira do Lazio com a Úmbria (Região Central da Itália), pelo Prunotto (Piemonte) e pela própria Antinori (Toscana). Quem esteve conosco foi o Paulo de Carvalho, brasileiro que trabalha no Grupo Antinori. A importadora destes vinhos é a Wine Brands, que tem feito um trabalho muito legal com os Antinori e outros excelentes produtores!
O primeiro vinho, o Ferentano 2009, é um vinho produzido pelo Falesco, em Montefiascone (Lazio) com a praticamente desconhecida uva autóctone Roscetto, que lembra muito a Chardonnay em corpo, aromas e sabor. A madeira aparece bem, fruto de seus 4 meses de fermentação malolática em barricas, mas se integra bem e deixa o vinho delicioso. Custa R$ 126,00.
Partindo para os tintos, começando por um vinho que confesso, não entra ainda na minha lista de preferidos da Itália, pois quando procuro um vinho Italiano, vou atrás de rusticidade, de corpo, de potência. O Fiulot Barbera D'Asti 2012, que no dialeto piemontes quer dizer "Filhinho" é um vinho fácil, leve, mas sem perder a personalidade. Acidez bem presente e equilibrada, num vinho muito bacana! Custa R$ 109,00.
Depois, pra mim, um clássico Antinori. Il Bruciato 2011, um corte de Cabernet Sauvignon, Merlot e Syrah, feito em Bolgheri (Toscana) e que é um típico supertoscano, fácil de beber e macio. Um vinho para todas as ocasiões, desde os queijos até os pratos mais encorpados! Um vinho eclético!
O último tinto me impressionou! O Montiano 2010 é um 100% Merlot da região do Lazio, que é impressionante. Um equilíbrio entre fruta, madeira, especiarias e muita terra, aquela típica dos italianos! Vinhaço de R$ 280,00! Certeza que este vinho encara grandes Vinhos 100% Merlot muito mais caros. E vou além, como o amigo Didú Russo comentou, se colocar as cegas com um Chateau Petrus, vai dar trabalho! Custa R$ 280,00.
E a surpresa, inesperada, veio ao final. O famoso Muffato dela Sala 2008, um corte de Sauvignon Blanc, Gerchetto, Traminer e Riesling, que mesmo com 6 anos, mostra uma juventude impressionante. Servido então com o pudim de leite que chegou, ficou uma coisa inexplicável! Um vinhaço, com acidez na medida para segurar a doçura sem enjoar!!
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Publicado em 25/11/2014 às 12h46

3 Boas Novidades da Luigi Bosca na Decanter!

Evernote Camera Roll 20141030 151956 225x300 3 Boas Novidades da Luigi Bosca na Decanter!

 

Aproveitando a presença de Alberto Arizu no Brasil, pude provar com ele alguns vinhos que são novidades no mercado e que vou comentar abaixo:

Luigi Bosca Riesling 2014: um vinho que foge um pouco do que conhecemos de Riesling. Fugindo daquele tradicional e reconhecido mineral que remete a petróleo, este que é um dos únicos Rieslings comerciais argentinos (já bebi tbm o Doña Paula e o Humberto Canale Single Vineyard), tem muito floral, um mineral menos intenso e um cítrico. Muito fresco e agradável, um vinho que foge do padrão. Custa 86,00 na Decanter.
Luigi Bosca Gran Pinot Noir 2012 - Quando a elegância grita, todos respeitam. Afinal, ela é a grande responsável por alguém se impressionar  por um vinho. É o que se sente neste vinho. Madeira e equilibrada, sem excessos, acidez bacana e corpo médio e intenso. Foge dos Pinots de muita extração que são comuns na Argentina e também daqueles que é tentam imitar os estilos borgonhas. Um vinho com personalidade! Custa 120,00 Reais.
Malbec Terroir Los Miradores 2012 - Os Malbecs do Valle de Uco tem se mostrado cada vez mais diferentes e com personalidad única, em relação aos tradicionais Malbecs de Lujan e Maipu, regiões mais tradicionais do conhecidas de Mendoza. E este vinho mostra bem isto, com um estilo mais floral e menos aquela extração de geléia de frutas que conhecemos dos Malbecs argentinos. Belo vinho! Custa 114,00 Reais.
Todos eles, como já comentei, na Importadora Decanter!

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Publicado em 05/11/2014 às 19h30

5 Safras do Ícono que é um Ícone. E Vice-Versa.

Evernote Camera Roll 20141030 135459 300x300 5 Safras do Ícono que é um Ícone. E Vice Versa.

 

Toda vinícola que se preze tem seu vinho ícone, ou seja, o vinho especial, que, na maioria das vezes, representa o que ela pode fazer de melhor. As qualidades variam, assim como os estilos e preços. Mas são sempre os mais caros em suas linhas.

Em minhas experiências nas degustações que tenho ido em que os importadores e produtores apresentam seus vinhos ícones, a tônica do evento é cultuar o vinho e dizer como ele é bom, como ele é feito e quanto custa. Poucos se preocupam em parar para analisar de verdade o vinho e explicar seu conceito e principalmente, sua evolução ao longo dos anos. E foi exatamente aí que o querido e competente Alberto Arizu, dono e atual gestor da gigante e muito reconhecida Luigi Bosca entrou, junto com Adolar Hermann, dono da importadora Decanter. Aliás, cabe aqui um parênteses importante e raro no mundo do vinho: Num mercado que tem uma rotação muito grande de produtores e importadores, uma relação que tem 19 anos de duração é algo a se tirar o chapéu e servir de exemplo!
Em uma degustação vertical das 5 safras (2005 - 2009) já elaboradas do seu Luigi Bosca Icono, Alberto mostrou a evolução e consistência do maravilhoso trabalho qu sua família faz há mais de 1 século na Argentina.
5 vinhos maravilhosos vinhos, sempre com um corte de Malbec/Cabernet Sauvignon que varia de acordo com o ano, é impressionante como o mais velho e primeiro de todos, o 2005, mantém sua estrutura, fruta e acidez, contando também com toques sutis, mas complexos e deliciosos de evolução e frutas mais secas. E mostra uma guarda longuíssima pela frente ainda.
O 2006, pra mim, foi o que menos mostrou longevidade e na minha humilde opinião, será o primeiro a cair mais rapidamente. Mas hoje, sem dúvida, assim como todos os outros, esta maravilhoso para se beber.
O 2007 foi o que apresentou acidez mais latente e o 2008, safra atual em comercialização na Decanter e que custa R$ 495,00, bem como o 2009, que chegará no ano que vem, já tem mais um jeitão da Argentina atual, com muita fruta madura, madeira bem integrada e acidez muito legal. Uma boa mistura de elegância e corpulência, atributos que sempre rodeiam esta linha de vinhos.
Sem dúvida, Alberto e sua equipe tem feito um trabalho sensacional, com qualidade, modernidade sem abrir mão da tradição e muita visão de mercado.

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Publicado em 30/10/2014 às 11h51

Vinho da Semana: C’est la Vie Blanc 2013.

 

 

Vinho: C'esta la Vie Blanc 2013

C EST LA VIE BLANC CHARDONNAY E SAUVIGNON BLANC 225x300 Vinho da Semana: Cest la Vie Blanc 2013.

Produtor: Maison Albert Bichot

Origem:  Languedoc (França).

Uvas: Chardonnay e Sauvignon Blanc.

Importadora: Wine Brands.

Preço Aproximado: R$ 62,00

 

 

Esta correria do nosso dia-a-dia nos faz refém de nossas agendas cheias e muitas vezes, cansativas! E fazia tempo que eu não indicava um vinho na coluna mais lida e tradicional do blog. Mas antes tarde do que nunca e aqui estou de volta, desta vez, para não passar muito tempo de novo sem postar algo no "Vinho da Semana". E para comemorar, vou falar de uma recente descoberta que me deixou muito feliz. Não só pelo preço, que parece bem justo, mas pelo corte inusitado deste vinho.

 

 

Geralmente estamos mais acostumados a tomar vinhos 100% Chardonnay, que o brasileiro gosta muito ou mais recentemente, 100% Sauvignon Blanc, uma uva que o brasileiro está começando a descobrir melhor. Mas um vinho francês, composto por estas 2 variedades e a pouco mais de R$ 60,00, merece um destaque. Este vinho, de rótulo irreverente e chamativo, é um vinho feito na região do Languedoc, sudeste da França e muito bem equilibrado. Se tiver que o resumir em uma palavra, eu diria "frescor". Isto porque ele não passa por barrica e preserva sua fruta, sejam elas as mais intensas e cítricas que vem da Sauvignon Blanc, até as mais "doces" como abacaxi e pêssego, vindas da Chardonnay. Este vinho é muito bacana e perfeito para estes dias quentes. E se tomarem acompanhando um queijo ou um prato leve de frutos do mar, melhor ainda!

 

 

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Publicado em 13/10/2014 às 12h17

3 Ventos e 4 Safras de Eolo.

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A Vinícola argentina Trivento é parte do gigante grupo Concha y Toro e tem uma boa penetração no mercado brasileiro. Trivento quer dizer "3 ventos" que são ventos muito comuns em Mendoza durante diferentes épocas do ano.

Os vinhos deles já são vinhos conhecidos, principalmente em sua linha Reserva e a Golden Reserve. Mas existe o vinho ícone da bodega, o EOLO, que é um vento, ooops, um vinho feito desde 2005 e comandado pela enóloga Victoria Prandina, que esteve aqui no Brasil e num delicioso almoço comigo e com o amigo Didú Russo. Estiveram também o Gerente da marca aqui no Brasil, Lucas Ribeiro e a subgerente de marketing lá de Mendoza, Silvina Barros. Neste privilegiado almoço, pudemos provar os safras 2007, 2008, 2009 e 2010 do Eolo.

Como sempre, vou fazer comentários gerais ao invés de fazer algo mais técnico comparando safra a safra.
Feitos 100% com Malbec de vinhedos de 102 anos, exceto o 2008 que tem 2% de Petit Verdot e 5% de Cabernet Sauvignon, são vinhos extremamente gastronômicos, com excelente acidez. E evolução deles é lenta, tanto na cor, como no nariz e na boca. O 2007 por exemplo, que tem 7 anos de garrafa, parece um 2011, 2012 na cor. No nariz e na boca já começa a mostrar um pouco de frutas secas, mas algo muito sutil. E acidez muito presente ainda!
Já o 2008, mesmo com pequenas parcelas de outras uvas, já se mostra um ponto fora da curva com um "verde" que faz toda a diferença na fruta madura sempre presente no Malbec.
O 2009 e 2010 são bem típicos Malbecs de alta gama, com muita feita e madeira bem integrada! As safras disponíveis no Brasil são a 2009 e 2010 e valem R$ 420,00.
Sem dúvida uma bela experiência que mostra a consistência e know-how do Grupo VCT desde suas faixas mais baratas até este ícone maravilhoso, o Eolo. Bons vinhos e bons ventos para todos!!!

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Publicado em 07/10/2014 às 10h56

Entraram Depois das Estrelas e Não Fizeram Feio!

IMG 1656 199x300 Entraram Depois das Estrelas e Não Fizeram Feio!

 

Depois de uma vertical de Cobos (Veja post anterior), coitado do vinho que chegasse depois. É como colocar uma banda iniciante para tocar depois dos Beatles. No começo, achei que mataríamos os Bramares que nos estavam reservados, mas terminando a degustação, cheguei a conclusão que eles não fizeram feio, mesmo depois das estrelas que entraram antes e deram um show e empolgaram a platéia.

 

O Bramare Malbec Uco 2011 foi colocado ao lado do irmão Bramare Malbec Lujan 2011 para provarmos as diferenças de terroirs. E eles cravaram muito bem as diferenças que geralmente encontramos entre malbecs destas 2 regiões. O Uco é mais elegante, menos "bomba de fruta" que o Lujan. Isto se deve muito ao fato do Vale do Uco ser uma região mais alta e mais fria. E nas minha andanças pela Argentina, tenho visto muito que esta diferença é cada vez mais latente. E isto é bom, pois mostra a diversidade de terroirs que os hermanos podem explorar!

 
No show de hoje, os iniciantes fizeram bonito, tocaram muito bem, foram afinados e também empolgaram o público!

 

 

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Publicado em 02/10/2014 às 11h44

A Diversidade Argentina a Passos Largos – Premium Tasting 2014

Foto 89 Copy 300x199 A Diversidade Argentina a Passos Largos   Premium Tasting 2014

 

No último dia 17 de Setembro, tivemos a honra de termos no Brasil o Premium Tasting Argentina, evento já tradicional em Mendoza, criado em 2011 e que pela primeira vez na história saiu de sua cidade de origem para aportar em outra cidade e a cidade escolhida foi São Paulo. Ponto para a Wines of Argentina, que teve a idéia de passear com um dos principais eventos do calendário vinícola argentino!

 

 

Em Mendoza, o evento consiste numa degustação às cegas por jornalistas, sommeliers, enólogos e formadores de opinião, dos vinhos mais bem pontuados (92+) por Robert Parker e Stephen Tanzer.  Aqui no Brasil, o formato foi mantido, mas ao invés de incluirmos os vinhos de Tanzer, foram degustados os vinhos premiados com troféus no Argentina Wine Awards, o mais importante concurso argentino que acontece anualmente em Fevereiro. A idéia de trocar pelos ganhadores do AWA é a de promover cada vez mais fora da Argentina este importante e reconhecido concurso.

 

 

 

Porém, antes do Premium Tasting, na véspera, aconteceram 4 Master Class conduzidas por alguns dos mais premiados enólogos argentinos sobre diferentes temas. Alejandro Vigil , enólogo-chefe da Catena Zapata, falou e mostrou em profundidade e comparativamente as diferenças entre Cabernet Francs e depois entre Chardonnays que são feitos com uvas cultivadas em diferentes altitudes. Depois, Jose Luis Mounier, enólogo da Tukma, um novo e grande projeto em Salta, falou sobre os vinhos do norte/nordeste argentino e suas principais diferenças e características. Depois de Mounier, entrou Daniel Pi, enólogo-chefe do Grupo Trapiche, um dos maiores do mundo,  mostrando os ganhadores dos troféus regionais do AWA 2014, categoria nova que foi criada este ano. E por fim, Sebastian Zuccardi, atual terceira geração da família que criou e comanda a Bodega Familia Zuccardi, mostrou com muito conhecimento e sabedoria, as diferenças de terroirs de Mendoza em seus Malbecs e Bonardas. Sem dúvida, 4 aulas, que mostraram aos presentes, que a Argentina é muito mais que a Malbec e que as investigações, estudos e constantes melhorias estão sempre em pauta para os Hermanos.

 

Foto 66 Copy 300x199 A Diversidade Argentina a Passos Largos   Premium Tasting 2014

 

 

No dia principal, uma degustação às cegas conduzida por Susana Balbo (Presidente da Wines of Argentina e proprietária da Dominio del Plata), Suzana Barelli (Editora de Vinhos da Revista Menu) e Guilherme Correa (Sommelier-Chefe da Importadora Decanter) surpreendeu muita gente. Não só pela qualidade dos vinhos que já era o esperado. Mas a maioria dos presentes pôde ter contato com uma realidade cada vez mais latente da Argentina, que é a sua diversidade de estilos e uvas. Os já conhecidos Cabernet Sauvignon fizeram coro com grandes Cabernet Francs (que estão ganhando fama rapidamente), grandes blends de diversos tipos e estilos e outros grandes varietais, que andam se destacando por lá. E claro, não dá pra deixar de lado os grandes Malbecs, estes já bem conhecidos por aqui e pelo mundo todo.

 

 

Difícil aqui destacar um ou outro vinho. Prefiro me ater ao fato que já é realidade, de que a Argentina, que tão bem fez a fama com seus Malbecs, caminha a passos largos, para fazer mais fama ainda com seus outros vinhos. Sem dúvida, é o país da diversidade e da qualidade, cada vez mais consistente!

 

foto 159 300x199 A Diversidade Argentina a Passos Largos   Premium Tasting 2014

 

 

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Publicado em 30/09/2014 às 10h22

A Educação do Vinho Começa a Ficar Mais Acessível.

Fotolia 6086774 XL 1024x685 300x200 A Educação do Vinho Começa a Ficar Mais Acessível.

 

Costumo dizer que o mundo do vinho ainda precisa de muita coisa, muita mesmo, para poder se profissionalizar e sair da mesmice que o assola há algum tempo por conta de mensalidades retrógradas de gente que acha que fazer as mesmas coisas irá trazer resultados diferentes. Precisamos de sangue novo, de idéias novas, modernas, atualizadas. Precisamos ir buscar o consumidor de cervejas especiais e outras bebidas e mostrar que o vinho é uma bebida acessível a todos. Sim, o vinho no Brasil é caro, mas quem quiser começar bebendo vinhos de R$ 15,00 pode começar a ter boas noções do que é esta santa e mágica bebida. Mas precisamos tirar a gravata do vinho, como dizem por aí corretamente. E tem gente boa fazendo acontecer.

 

 

Paulo Brammer e Thiago Mendes, fazem parte desta nova safra, assim como eu, de pessoas que querem fazer coisas novas no mundo do vinho e não se contentam com o que temos. Moraram muito tempo em Londres, onde completaram os níveis 1, 2, 3 e 4 do renomado Instituto WSET e voltaram ao Brasil para fundar a Eno Cultura com o intuito de ajudar no progresso da indústria estabelecendo o conhecimento através da educação.

 

 

A atual iniciativa deles é louvável e merece todos os elogios: Esta semana acabam de lançar um projeto social destinado a pessoas de baixa renda para formação de sommelier e serviço de vinhos. De acordo com Paulo, “O movimento em prol da responsabilidade social ganhou forte impulso nos últimos anos e o nosso foco principal seria realmente formar futuros profissionais da indústria do vinho e entregar um sommelier júnior com formação no WSET (Wine & Spirit Education Trust) Nível 2 para um restaurante de sorte!”. O projeto é destinado a profissionais do setor de hospitalidade como garçom e barman ou pessoas que estejam interessadas em iniciar nessa profissão que não tenham renda para se formar.

 

 

Na primeira fase, que foi realizada ontem, 29 de setembro, foram disponibilizadas 15 vagas para 4 horas de aulas com os temas história da profissão, introdução ao vinho, introdução ao serviço de vinho, introdução à harmonização de vinho e comida, degustação de 6 vinhos e avaliação final com prova de múltipla escolha de 25 questões. Na segunda fase, os dois alunos com a melhor avaliação serão contemplados com uma uma bolsa de estudos na Eno Cultura para frequentar o curso da WSET Nível 1. O curso WSET Nível 1 será realizado nos dias 20, 21 e 22 de outubro em 2 horas diárias. Os dois alunos serão avaliados com uma prova de múltipla escolha e aquele que se sair melhor, ganhará uma bolsa de estudos na Eno Cultura para o curso WSET Nível 2.  Na terceira e última fase, a Eno Cultura garante uma vaga de trainee sommelier no restaurante Le French para o candidato aprovado e devidamente certificado com WSET Nível 2. Com a cozinha comandada pelo premiado chef Luiz Emanuel.

 

 

Sem dúvida, uma iniciativa nota 10, que merece todo o reconhecimento do mundo e que surjam mais pessoas como eles, que querem descomplicar, "desenfrescalhar" o vinho e tornar esta bebida mais próxima das pessoas!!! Parabéns meus amigos!!

 

 

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Publicado em 31/08/2014 às 17h09

A Cortiça e seu Ritual de Felicidade.

 A Cortiça e seu Ritual de Felicidade.

 

Um verdadeiro desafio foi proposto a alguns blogeuiros, para que escrevessem um texto sobre como a cortiça está presente em nosso dia-a-dia. E desafio dado, é desafio cumprido. Mas confesso que não foi fácil escrever algo original, que fosse ao mesmo tempo informativo, criativo e que prendesse a atenção do leitor de uma forma descomplicada, leve, sem ser técnica, mas informativa. Espero ter conseguido no texto abaixo. Mas se me vale um consolo, pelo menos para mim, foi uma divertida e informativa tarefa!

 

Rolhas, para quem?

Rolhas para o vinho, rolhas para mim, rolhas para você, rolhas para quem quer rolhas, mesmo sem saber que quer rolhas.

E quem quer rolhas? Todo mundo. Mesmo sem saber, todo mundo quer rolhas. Afinal, todo mundo quer salvar o planeta, todo mundo quer um mundo mais sustentável, certo?  Mas não é qualquer rolha, e sim a de cortiça, 100% natural, 100% ecológica, 100% reutilizável, 100% reciclável. Ou seja, rolha é 100%.

 

100% rolha de cortiça, aquela que faz as nossas vidas 100% mais felizes ao abrir um vinho. O ritual que começa no momento em que abro minha adega, deslizo prateleira por prateleira, até achar aquela garrafa que vai olhar pra mim e naquele momento sorrir, me fazendo retribuir seu sorriso e assim tirá-la de seu descanso. Descanso que também tem o sobreiro (Quercus Suber L.) nos seus 25 anos de vida, quando só então é realizado o primeiro descortiçamento por alguém altamente capacitado, que saiba como tratar bem esta nossa querida e essencial árvore. Mas engana-se quem acha que o sobreiro é danificado ou cortado para se extrair a cortiça. Ela se regenera, e depois, 9 anos depois, um novo descortiçamento é realizado. E é aí que o sobreiro descansa novamente. Assim como os vinhos em nossas adegas.

 

Então vamos voltar a falar do ritual de abertura que começamos lá em cima. Ao ser sorridentemente retirada da prateleira que descansou em minha adega, aquela garrafa de vinho já está proporcionando outros sorrisos que não o meu. As pessoas que estão à minha volta também sorriem. Um ritual alegre, feliz, em que sorriem as pessoas, sorri a garrafa e sorri o saca-rolhas, que acaba de sair da gaveta para fazer o que ele faz de melhor: Primeiramente, conversar com minhas mãos, e depois, delicadamente, conversar e extrair a rolha de cortiça.

 

E por que ele sorri ao ver uma rolha de cortiça? Porque é só com ela que eles conseguem perfeita sintonia, que sua espiral consegue um fluido movimento de descida e depois, de subida. Um movimento lento, minucioso, que atrai todos os olhares dos presentes. Mas sorriso do saca-rolhas não é completo quando ele se depara com outras rolhas, como as sintéticas, afinal, seu movimento delicado, minucioso e fluido, fica mais complexo, mais duro e difícil de ser realizado. E quando a rolha é de vidro ou aquela sorridente garrafa vem com tampa de rosca, nosso amigo saca-rolhas simplesmente é esquecido dentro da gaveta. Triste para ele. Triste para nós.

 

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Assim como é triste para nós, sabermos que quem opta pelas rolhas de sintéticas de plástico emite 10 vezes mais CO2 na atmosfera e quem opta pelas tampas de rosca de alumínio, 26 vezes mais! E se lembrarmos então que esta história de 4.000 anos da cortiça passa pelo Montado de Sobro, que é um dos mais ricos ecossistemas do mundo, abrigando mais de 160 espécies de aves, 24 de répteis e anfíbios e 37 de mamíferos e fixando mais de 140 milhões de toneladas de CO2 por ano, vemos que a nossa alegria, a alegria do saca-rolhas e da garrafa que está sendo aberta é real, genuína e muito mais profunda do que imaginamos.

 

Montado 300x160 A Cortiça e seu Ritual de Felicidade.

 

Finalizando a abertura da sorridente garrafa, aquele líquido que alí está e que tanto anseia por sair de lá, vai provocar outros sorrisos, agora nas taças que serão enchidas pelo néctar de Baco. E depois, ao ser levado à boca, certamente continuará causando sorrisos bobos, fáceis e cada vez mais deliciosos naqueles que estiverem alí, bebendo seu vinho. Afinal, o vinho alí presente e que estava naquela simpática garrafa, foi também muito favorecido por ter uma rolha de cortiça 100% natural. Isto porque ela permite que exista uma micro oxigenação que para aquele vinho, assim como para muito outros, foi extremamente benéfica. E isto não seria possível com outros tipos de vedação.

 

Analisando toda a situação e todo o ritual, vê-se que esta tal de cortiça, indispensável para nós enófilos e cada vez mais apreciada por arquitetos, engenheiros, estilistas, decoradores, artistas e muitos outros, causa sorrisos que muitas vezes não paramos para pensar em sua profundidade e significado. E assim será com todos aqueles que optarem por ela, 100% natural. 100% Felicidade.

 

wine couple 300x250 A Cortiça e seu Ritual de Felicidade.

 

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Publicado em 25/08/2014 às 15h01

À luz de uma Vertical de Cobos.

 
Não é todo dia que se tem uma tarde iluminada. Não só pela linda luz do sol da tarde que batia na enorme e famosa Figueira que faz do restaurante Figueira Rubayat um dos mais bonitos da cidade. A tarde foi iluminada pela presença de Paul Hobbs, um dos grandes enólogos da atualidade, consultor de mais de 30 vinicolas ao redor do mundo e que é também proprietário de 3 vinícolas, sendo 2 na Califórnia e 1 na Argentina, que é de quem falaremos. A Viña Cobos tem alguns dos vinhos mais desejados e pontuados da Argentina, o Cobos Malbec, além de outros maravilhosos, como os Bramares e os Felinos.

 
E a luz da tarde começou com a simpatia de Paul contando sobre seus primeiros passos em solo argentino, na Catena Zapata, fazendo o famoso vinho Alamos Malbec (sem que Nicolás Catena soubesse), e depois o desejo de ter seu próprio projeto. Com ajuda de contatos de sua esposa Mariella, que é Argentina, achou 2 sócios para iniciar o projeto em 1997.

 
Em 1999, seu primeiro vinho, o Cobos Malbec 1999 recebeu nada menos que 92 pontos de Robert Parker. E depois disto a coisa decolou.

 
Mas vamos à luz do que tornou esta tarde especial: a vertical de Cobos 2009, 2010 e 2011, que vem de uvas proveniente de vinhedos com mais de 85 anos de idade. Como faço geralmente os relatos de verticais, não vou me ater tecnicamente vinho a vinho, mas vou traçar um panorama geral. E vou falar que são vinhos bem diferentes.

 
O Cobos 2009 tem o nariz mais complexo, com madeira, frutas pretas e violeta, além de um herbáceo mais forte e um final longo de frutas secas. Talvez, um pouco evoluído demais para um vinho de 5 anos deste porte. Já na boca, o 2010 ganha do 2009 por ser mais intenso, com final ainda mais longo e parece ter mais guarda que o 2009. Mas se falarmos em equilíbrio, sem dúvida, o 2011 dá um show. Intensidade à flor da pele, acidez, taninos, final, nariz... Tudo nos levando a um vinho iluminado, como tenho dito desde o começo.

 
Claro que o preço de R$ 1.099,00 para os 3 vinhos, limita o acesso a eles. Mas de fato estamos falando de um vinho único, de enorme guarda e que tem tudo para estar um néctar dos Deuses daqui a uns 10 anos.

 

Depois ainda tivemos 3 Bramares, mas que falarei num outro post, para que as luzes do show de hoje fiquem só para o Cobos.

 

 

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Perfil

André Rossi (Déco), 37 anos, é formado pelo instituto inglês Wine & Spirits Education Trust (WSet) nos níveis 1 - Foundation, 2 - Intermediate e 3 - Advanced, cursados em Nova York. Atualmente está cursando o quarto e último nível do WSET, o “Diploma”.

É também um dos únicos cinco Brasileiros residentes no país a ser credenciado como Professor deste mesmo WSet, tendo sido aprovado pelo WSet Educator Training Program 2011, em Nova York.

Editor e Idealizador do Blog EnoDeco, que é hoje o blog oficial de vinhos do portal R7, um dos blogs de vinho mais acessados do Brasil, e que já foi indicado pelo Guia 4 Rodas 2009 como um dos 10 melhores eno-blogs do Brasil.

Colunista da Revista Cool Magazine, da Revista Online Bloggers e também Editor de Vinhos da 4a. Edição do Flavour Guide , projeto anual do crítico gastronômico Josimar Melo. É jurado e avaliador de vinhos de vários eventos e revistas especializadas.

Há 2 anos é o Relações Públicas da Wines of Argentina (WofA), associação das melhores e principais vinícolas argentinas, sendo o responsável pela comunicação, eventos, degustações e todas as ações que a WofA faz em todo o Brasil, para divulgar e comunicar o vinho argentino por aqui.

Foi o ganhador do concurso “Meu Vinho com Susana Balbo” que foi disputado por 30 blogueiros e jornalistas de vinho, onde o principal objetivo era fazer o seu próprio vinho, usando 5 variedades disponibilizadas pela mais importante e premiada enóloga argentina, Susana Balbo. Seu vinho foi escolhido entre os 30 competidores, numa degustação às cegas pela enóloga e sua equipe, tendo um vinho assinado em conjunto com Susana, o Dominio del Plata Essential Limited Edition 2011.

É Publicitário de formação e foi Diretor de Atendimento de grandes agências como W/Brasil e Lew’Lara/TBWA, tendo passado também por Young & Rubicam, DPZ, Leo Burnett e Publicis. Antes disto, trabalhou na área de marketing da importadora Expand.

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