O ritual de se tomar um vinho merece atenção em alguns detallhes. Dois destes "detalhes"são extremamente importantes para poder tirar o máximo de sua experiência com o vinho. Estou falando em como usar os nossos "sentidos" e também da escolha correta das taças.
Para podermos apreciar corretamente um vinho temos que usar três sentidos: visão, olfato e finalmente o paladar, nesta ordem. A visão nos dirá o que é o vinho (tinto, branco, rosé, espumante...) e se o vinho se encontra em condições de ser tomado (alguns vinhos podem estar turvos e isto, com exceção dos tintos de guarda mais velhos, pode denunciar um vinho já passado, estragado). O olfato nos dirá mais um pouco sobre as condições do vinho. Ele pode apresentar no nariz aromas indesejáveis e que denotem algum defeito. Mas se o vinho estiver bom, o nariz poderá nos trazer aromas agradáveis, de frutas, flores, minerais, vegetais e outras coisas mais. Aqui está um problema que muita gente enfrenta: Não conseguir distinguir alguns aromas e achar que quem consegue, é fresco ou metido. Isto também é potencializado por alguns exagerados que insistem em dizer que sentem aromas do “orvalho da primeira manhã de primavera” ou outros aromas estranhos e quase indecifráveis. Mas isto, se levado a sério com treino e prática, é facilmente aprendido e torna o ritual de se tomar um vinho ainda mais delicioso. E por último, o paladar é o sentido final que usamos, sendo este o mais importante. Aqui, vale uma observação: Muitas pessoas fazem “biquinho” ao tomar vinhos e depois fazem “bochecho” com o líquido na boca. O biquinho é para mandar mais oxigênio para dentro da boca e assim dar mais sabor ao vinho. E o bochecho é necessário para fazer o vinho passear por todas as partes da boca, pois é sabido que em cada parte da boca e principalmente da língua, sentimos os sabores (amargo, azedo/ácido, salgado e doce) . Mas há muita gente que acaba exagerando na dose e pode passar por mal educado por fazer barulhos indesejáveis... então, delicadeza e sutileza são palavras importantes de lembrarmos!
Dito isto, vamos agora às taças. Tenho certeza que se fizerem um teste, colocando um bom vinho numa taça adequada e este mesmo vinho numa taça qualquer, a maioria esmagadora das pessoas vai sentir uma diferença nítida no vinho, seja no olfato, seja na boca. E por isto é importante que as taças certas sejam escolhidas para cada tipo de vinho. E acreditem, cada uma tem seus motivos. Basicamente, um apreciador de vinhos precisa ter quatro taças em casa: Uma para vinho branco (que pode ser usada também para rosés), duas para tintos e uma para espumante. Tendo estes quatro tipos já pode-se considerar que beberá os vinhos adequadamente. Mas saibam que tem empresas especializadas em taças que possuem cerca de 400 tipos de taças, variando de acordo com as uvas e as regiões. Então, para quem quiser, o céu é o limite. Idelamente elas são feitas de cristal (com 24% de chumbo) ou semi-cristal (com 10% de chumbo). Quanto mais chumbo, acrditem, mas leve e melhor a taça. As de vidro não levam chumbo.
Sobre os tipos:
O vinho tinto precisa de espaço para respirar e exalar seus intensos aromas e sabores. Por este motivo, a taça tem bojo (corpo) grande, permitindo que o vinho respire e “passeie”pela taça ao ser girado. Aliás, girar o vinho é algo importantíssimo pois ele passa a ter mais contato com o oxigênio, agita suas partículas e libera os aromas mais facilmente. Mas cuidado para este hábito não se tornar um “tique” e ficar girando a taça por horas e horas pois é desnecessário e chega a ser deselegante. E nunca se gira espumantes! Nunca! Por dois motivos: Perde-se o gás e este mesmo gás se encarrega de liberar os aromas!
Voltando à taça dos tintos, há dois formatos básicos e mais conhecidos: Bordeaux (Bojo mais alongado, estreito e boca mais fechada para evitar a dispersão de aromas destes vinhos que são mais encorpados) e Borgonha (Bojo mais curto, largo e que dá mais espaço para o oxigênio interagir com o vinho e liberar seus aromas, geralmente mais delicados).

Vinhos Brancos
Por serem vinhos menos complexos (Precisam de menos contato com oxigenio) e serem bebidos em temperaturas mais baixas (coloca-se menos quantidade para não esquentar muito rapidamente), seu corpo é menor do que as taças para vinho tinto. Pode-se também ser usada para vinhos rosés.

Espumantes
A chamada de “flûte” (flauta em francês) serve para concentrar as borbulhas, pois a taça é fina e direciona a efervescência e os aromas para o nariz e na boca, ao ser tomada, dá aquela sensação de cremosidade que o gás proporciona.

Façam os testes! Degustem com calma e prestando atenção nos sentidos e escolham as taças corretamente. Vocês verão que o vinho vai ficar muito mais gostoso e divertido!
CHEERS!!