Publicado em 20/04/2016 às 08h30

Aquitania: Uma Pequena Grande Vinícola Chilena.

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A Viña Aquitania já era velha conhecida minha, desde os tempos em que eu nem pensava em trabalhar com vinho. Sempre gostei muito do Sol de Sol Chradonnay deles, que pra mim era o melhor branco chileno que eu conhecia. E por conta disto fui visitar a vinícola em 2006. A Aquitania é uma vinícola pequena para os padrões chilenos. Produz apenas 150.000 garrafas e tem 15 hectares de vinhedos no Vale do Maipo com plantações de Cabernet Sauvignon (15 ha.) e Syrah (3 ha.). Além dos vinhedos no Maipo, onde está Santiago, são mais 18 hectares em Traiguen, sul do Chile com Chardonnay, Pinot Noir e Sauvignon Blanc.

 

Fundada em 1993 por Bruno Prats e Paul Pontallier, enólogos franceses da região de Bordeaux, conhecidos mundialmente e por Felipe de Solminhac, enólogo chileno. Nove anos depois, Ghislain de Montgolfier, enólogo da região de Champanhe se juntou ao trio que hoje faz vinhos com muita classe e estilo e estão, para mim, entre os melhores de lá. Infelizmente acabei indo numa época ingrata “afetivamente” falando, pois 2 dias antes haviam acabado de anunciar o falecimento de Paul Pontalier, motivo pelo qual as bandeiras estavam a meio pau e seus sócios haviam viajado à França.

 

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Mas numa degustação deliciosa, com um cenário encravado nos pés da Cordilheira, pude provar alguns destes vinhos:

 

 

Sol de Sol Chardonnay 2011 – Mantém sua fama e sua qualidade desde que conheço ele. Um vinho bem mineral, com aromas de abacaxi, lima da pérsia e outras frutas cítricas. Fugindo do padrão “Chardonnay Amadeirado”, ele é elegante com madeira presente, mas bem sutil. Lembra um bom branco da Borgonha, pela acidez, mineralidade e pouca madeira.

 

Sol de Sol Pinot Noir 2011 – Um vinho que eu estava curioso para experimentar de novo, pois quando tomei, era outra safra. E ele está maravilhoso, fugindo do estilo “bomba de frutas vermelhas” que os Pinots chilenos em geral tem. Um vinho que tem aromas e sabor a terra, com frutas vermelhas bem sutis e pouquíssima madeira. Estes 5 anos de idade fazem deste vinho algo único, que ainda vai evoluir mais.

 

Lazuli 2011 – O vinho ícone da vinícola, é um Cabernet chileno de corpo e alma sem ser enjoativo. Com muitos aromas verdes típicos da Cabernet, como pimentão, além de fruta preta como ameixa, mas sem a goiaba e a fruta sobre madura que tanto marcaram os vinhos chilenos. Vinho para tomar agora ou guardar mais uns 5 anos pelo menos.

 

Aquitania Reserva Syrah 2015 – Um syrah diferente, sem madeira e bem interessante. Muita fruta vermelha e pimenta do reino e aos que acham que o vinho é simples por não ter aromas e estrutura que a madeira conferem ao vinho, estão enganados. Ele é complexo e fresco, com corpo ligeiramente mais leve que os syrahs mais comuns.

 

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Uma vinícola que sempre tive um carinho muito grande e continuo tendo!

 

Uma vinícola que sempre tive um carinho muito grande e continuo tendo! Os vinhos da Aquitania são importados no Brasil com exclusividade pela ZAHIL IMPORTADORA.

 

 

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Publicado em 18/04/2016 às 08h30

Voltei a Beber Vinho Chileno!

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O título deste post pode parecer loucura, bairrismo, burrice ou até mesmo preconceito. Mas é verdade. Sabemos que os vinhos chilenos no brasil são os mais vendidos e tem quase 50% do Mercado de vinhos importados. Sabemos que eles tem marcas muito conhecidas e consolidadas. Sabemos também que a qualidade destes vinhos é alta. Mas nunca escondi de ninguém que meus últimos 4 anos, com muitas viagens para a Argentina, visitando Mendoza, Salta, Patagonia, La Rioja e San Juan me fizeram ver o vinho chileno de outra forma. Vendo a enorme variedade dos vinhos argentinos, tanto em tipos como estilos, fui aos poucos me enjoando um pouco do jeitão dos vinhos chilenos, com aquela fruta sobre madura e vinhos quase sempre com o mesmo perfil de geleias de goiaba e mentol no nariz e na boca, faltando um pouco de acidez. E os brancos, em sua maioria Sauvignon Blancs, com uma profusão de aspargos e herbáceos. Este, na verdade, foi o estilo de vinho que conquistou o consumidor por aqui e em muitos lugares. Então, por que mudar, não é mesmo?

 

 

Por conta deste meu cansaço, de estar saturado deste estilo de vinhos e por estar descobrindo coisas novas na Argentina, fui me afastando dos chilenos pouco a pouco, até o começo deste ano, que resolve voltar ao Chile para me atualizar um pouco sobre como andavam as coisas por lá. E qual não foi a minha surpresa ao ver no discurso e na prática que as coisas já estão mudando a passos largos e que eles mesmos viram que precisavam mudar. Em 1 semana, não bebi sequer 1 vinho no velho estilão chileno. Todos – digo todos – os vinhos que tomei, em restaurantes ou nas vinícolas, apresentam um novo estilo, mais fresco (mais acidez) e com uma fruta mais equilibrada sem ser tão “geléia”. Isto é resultado de colheitas mais cedo, para que a uva não chegue a um ponto de açúcar muito alto na hora de ser colhida e com isto possa dar vinhos com mais acidez e sabores/aromas menos enjoativos. Isto sem falar nos orgânicos, biodinâmicos e naturais que provei por lá e que realmente me fizeram zerar aquele cansaço do vinho chileno de 5 anos atrás e voltar a procurar e me animar com novas descobertas das terras de Pinochet.

 

 

Os próximos posts que escreverei por aqui serão sobre minhas visitas e descobertas durante esta semana que passei por lá. E espero que embarquem nesta viagem comigo e possam descobrir o que vou chamar de “novo vinho chileno”.

 

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Publicado em 30/11/2015 às 11h19

Espanha: Um País de Vinhos.

WineMap Spain 300x232 Espanha: Um País de Vinhos.

 

O velho mundo do vinho, leia-se Europa, oferece uma variedade de vinhos impressionante, que vai de A a Z em termos de estilo. Os mais famosos França e Itália vivem se degladiando pela liderança na produção de vinhos. Destes 2 países vem os prestigiosos vinhos de Bordeaux, Borgonha, Toscana, Piemonte, entre outras tantas regiões de bons vinhos. Tem um outro país também de enorme e antiga tradição, mas que não tem a força destes 2 primeiros, que é Portugal. De lá vem vinhos como Barca Velha e Pera Manca, entre outros de excelente qualidade.

 

 

Mas tem um outro país que eu sempre falei por aqui e continuo falando, cada vez mais, que tem vinhos de excelente qualidade e com bons preços. Claro que tem aqueles chamados de ícones, com preços altíssimos, mas no geral, os vinhos ESPANHÓIS oferecem ótima qualidade a bons preços. Dentre as regiões mais famosas, Ribera del Duero e Rioja, localizadas no centro-norte do país, produzem os vinhos mais emblemáticos de lá, a maioria destes vinhos à base de Tempranillo (Foto abaixo), uma uva tinta de excelente qualidade e reputação e também de Garnacha (Grenache), uva menos famosa, mas muito difundida e plantada por lá.

 

Tempranillo 214x300 Espanha: Um País de Vinhos.

 

Mas outras regiões também produzem excelentes vinhos e algumas delas, por não serem tão famosas, acabam oferecendo bons vinhos a preços mais em conta. Toro é uma destas regiões. À beira do mesmo Rio Duero que corta as regiões de Ribera del Duero e Rueda, Toro é uma região que vem despontando como grande produtora de vinhos de qualidade. O Pintia, produzido pelo lendário Vega Sicilia, talvez seja o grande expoente de lá. Por falar em Rueda, de lá vem os vinhos brancos mais prestigiosos de lá, feitos com a uva Verdejo (ou também com Viura e Sauvignon Blanc), por conta das frescas noites que colaboram com as uvas aromáticas como estas.

 

A Catalunha não é muito comentada, mas é lá que fica uma das 2 DO's (Denominação de Origem Controlada) da Espanha:  O Priorato. Além do Prioriato, Tarragona, Costers del Segre e Penedés (onde se produzem as famosas Cavas) são as outras regiões da catalunha de maior fama. De lá saem vinhos rosés, brancos e principalmente tintos.

 

 

Castilla-La Mancha é uma região que por muito tempo foi marginalizada e produtora de vinhos de volume, sem tanta qualidade, mas hoje a realidade é outra e os vinhos desta região tem alcançado cada vez mais qualidade. Uma curiosidade: Lá é a terra de origem da uva branca mais plantada no mundo, a Airén. Mas a região tem se destacado mais pelos tintos do que pelos brancos.

 

 

Somontano, Navarra, BierzoRia Baixas e Valencia são outras regiões produtoras e que estão buscando um lugar melhor ao sol, com destaque para Navarra e seus vinhos tintos.

 

Por último, uma região especial, ao sul do país, chada Jerez. De lá saem os famosos vinhos fortificados (maior teor alcoólico) JEREZ ou SHERRY, feitos principalmente com a uva Palomino, nos brancos solos de Albariza. Os Jerez são vinhos fortificados que são apresentados em vários estilos, dependendo do método de produção. Os mais famosos são o Fino, Manzanilla, Oloroso, Amontillado e o PX (Pedro Ximenez), vinho extremamente doce e famoso mundo afora.

 

Depois desta longa introdução, deixarei para um próximo post o relato sobre o evento que fui na semana passada no charmoso Consulado Espanhol aqui em SP, onde pude provar alguns bons e interessantes vinhos da terra das Touradas.

 

 

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Publicado em 23/09/2012 às 12h13

VIAGEM AO VÊNETO: ENTENDA E SAIBA BEBER UM VALPOLICELLA.

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Região Classica de Valpolicella

 

Agora já de volta à realidade, depois desta maravilhosa viagem, vou começar a falar um pouco do que vi por lá, misturando um pouco de história, teoria e prática, assim vocês podem ter uma noção bacana do que vimos por lá e saibam também de detalhes dos principais vinhos que focamos naquela região, que foram: Valpolicella, Ripasso dela Valpolicella, Amarone e Recioto (Região de Verona) e os famosos e tão vendidos Proseccos (Região de Treviso). Aproveito e deixo aqui os links dos blogs dos amigos e companheiros de viagem Alexandre Frias (www.diariodebaco.com.br) e Daniel Perches (www.vinhosdecorte.com.br) que também escreverão textos sobre a viagem!

 

 

Começando por um dos vinhos mais conhecidos da Itália e que ainda carrega um certo preconceito aqui no Brasil, vamos falar dos Valpolicellas. Este vinho, que invadiu as prateleiras dos supermercados há anos atrás com o Valpolicella do produtor “Bolla”, que é um vinho muito comercial e feito em larga escala (quase industrial) ainda sofre de certo preconceito por conta do “efeito Bolla” pois este vinho é muito mais um líquido comercial do que artesanal. Ou seja, de qualidade inferior. Mas os grandes Valpolicellas são muito bons e merecem ser experimentados, sem preconceito. Até pelo custo deles, que geralmente acaba sendo mais acessível.

 

 

Feito principalmente com as uvas Corvina (A “uva-rainha “da região), Rondinella e Molinara, tendo ainda a Corvinone como outra grande uva, os Valpolicellas são vinhos fáceis de beber e para serem bebidos jovens. Geralmente de corpo leve, sem (ou pouquíssima) madeira e muito fresco, são vinhos que lembram cerejas, ameixas, especiarias e às vezes uma pimenta leve.

 

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A uva Corvina, a rainha do Veneto.

Há 3 zonas controladas (DOC) para os Valpolicellas: Valpolicella DOC Classica (Demarcação original as terras que corresponde a 40% das terras e que teoricamente são os melhores), Valpolicella DOC Valpatena e Valpolicella DOC.

 

 

E por último, ainda preciso citar o Valpolicella Superiore, que é um tipo de Valpolicella, mais complexo, que precisa obrigatoriamente envelhecer pelo menos 1 ano antes de ser lançado ao mercado e geralmente é envelhecido em grandes ou pequenos barris de carvalho. É um vinho de mais corpo, mais complexo e por conta disto, acaba sendo um pouco mais caro que os demais.

 

 

Estes foram os Valpolicellas, vinhos que merecem ser experimentados, sem preconceito, pelos que querem um vinho jovem, leve e fácil de beber. Não adianta comprar um vinho deste esperando complexidade e um vinho "meditação". Sabendo o que vem pela frente, qual o estilo de vinho vai beber, tenho certeza que será uma boa escolha. E tem muitos por aí. E se quiserem algo um pouco mais complexo, podem optar pelo Valpolicella Superiore. Aí sim, podem esperar um pouco mais. Mas também sem exageros!

 

 

Logo mais falarei dos Ripassos, Reciotos e dos grandes Amarones.

 

 

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Publicado em 21/02/2011 às 18h35

GEOGRAFIA DO VINHO: MARGEM DIREITA DE BORDEAUX.

bordeaux wine map 300x268 GEOGRAFIA DO VINHO: MARGEM DIREITA DE BORDEAUX.


No post anterior vimos um pouco sobre a margem esquerda de Bordeaux, onde está a maioria dos grandes Chateaux desta famosa região. Agora vamos atravessar o rio e passar para a margem esquerda, onde temos menos nomes importantes, em termos de quantidade, mas em relação à qualidade não podemos dizer que uma margem é melhor que a outra, até porque temos vinhos diferentes em estilo.


Se a margem esquerda do Rio Garonne tem como principal uva a Cabernet Sauvignon, misturada com menores partes de outras uvas como Cabernet Franc e Merlot, a margem direita tem na Merlot a sua principal uva, mas também sendo misturada com outras como Cab. Sauvignon e Cab. Franc, entre outras. Isto quer dizer que os vinhos de lá tendem a ser mais fáceis de beber que os do outro lado, pois a Merlot é uma uva menos austera e mais macia que a Cabernet Sauvignon. Mas tudo depende também de como o vinho foi feito, tempo e barricas, proporções usadas de cada uva e as condições climáticas de cada safra, logicamente. Mas de um modo geral, são vinhos mais macios e mais fáceis.


A principal apelação da margem direita é Saint Emilion AC, uma região quente e que a Cabernet Sauvignon é pouco usada. Lá, os melhores vinhos são os Saint Emilion Grand Cru AC. E dentro desta apelação, há 3 subdivisões: Grand Cru; Grand Cru Classé e Premier Grand Cru Classé (Divididos em A e B). Bagunça, não?


Bem ao lado de Saint Emilion, a oeste, com uma área menor que a vizinha, vem a outra grande apelação deste lado: Pommerol AC. É de lá que vem o famoso e badalado Pétrus e outro bem famoso (menos que o Pétrus), Chateau Le Pin. Estes dois são alguns dos mais caros vinhos franceses e por que não, do mundo! E por fim, ainda mais a oeste, as apelações de Fronsac AC e Canon-Fronsac AC, onde há vinhos não tão famosos e por isto não tão caros como seus vizinhos, mas com excelente qualidade. Por ser uma região menos badalada, vinhos de lá costumam ser bons custo-benefício, mas levando em consideração que para os nossos padrões, ainda são vinhos caros.



Estas foram as principais regiões dentro de Bordeaux. Ainda podemos citar a região que fica entre os Rios Garonne e Dordogne, chamada de  "Entre-Deux-Mers" que é uma região menos nobre e que faz vinhos mais simples, especialmente os brancos feitos a partir da Semmilion e mais recentemente, Sauvignon Blanc ou uma mistura Semillon-Sauvignon. Os tintos de lá são os Premières Côtes de Bordeaux. geralmente mais simples e de custo mais acessível.



De Bordeaux, no próximo post vamos a outra famosa região francesa, pra mim a região mais charmosa e com os vinhos mais sedutores do mundo: A Borgonha! Au revoir...



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Publicado em 31/01/2011 às 22h28

GEOGRAFIA DO VINHO: MARGEM ESQUERDA DE BORDEAUX.

bordeaux map 243x300 GEOGRAFIA DO VINHO: MARGEM ESQUERDA DE BORDEAUX.


A Geografia do Vinho, desta vez na França, começa a passar pelas regiões deste que é o mais famoso país produtor. E nada melhor que começar pela grande região francesa de tintos: Bordeaux. Até por ter tamanha importância, vou dividir o post desta região em 2 partes, para não ficar muito longo.



Bordeaux é uma região predominantemente de vinhos tintos e está situada na parte sudoeste da França, ocupando uma faixa de mais de 120 mil hectares de terras cultivadas. Para se terem uma noção de como é grande, isto corresponde a 4 vezes o tamanho do Napa Valley e mais do que toda a Alemanha! A região é conhecida por seu principal rio, o Garonne e muitas vezes isso é uma referência, pois fala-se muito no mundo do vinho sobre a "Margem Direita"e a "Margem Esquerda". E estas expressões tem um fundamento: As regiões de cada lado do rio tem estilos de vinhos diferentes. Neste post vamos passear um pouco pela margem esquerda.



A margem esquerda é onde se localizam os 5 "Premier Cru": Ch. Lafite-Rotschild, Ch. Mouton-Rotschild, Ch. Latour, Ch. Margaux e Ch. Haut Brion, sendo que destes, os 4 primeiros são do Medóc e o último é da região de Pessac Leognan. As principais denominações de lá são: Medóc, Graves, Pessac-Leognan e Sauternes, sendo que dentro de cada uma destas regiões ficam outras importantes sub-regiões como St.-Estéphe, Paulliac, Haut-Medóc, Margaux, entre outras. As principais uvas das regiões de Medóc, Graves e Pessac-Leognan são Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Merlot, sendo que a Cabernet Sauvignon aqui tem um maior destaque, sendo a base da grande maioria dos vinhos. Ou seja, vinhos mais austeros, mais encorpados e complexos.



Já a região de Sauternes é um caso à parte dentro de Bordeaux. Conhecida por seus excepcionais vinhos de sobremesa, ela é uma região especial, que produz apenas vinhos brancos. E estes brancos são licorosos, doces. É daqui que vem o famoso Chateau d'Iquem, um dos vinhos mais cultuados do mundo e que uma garrafa chega a valer milhares de dólares. E não é fácil fazer este vinho, pois todas as condições precisam conspirar a favor dele. Precisa ter uma alta umidade matinal, com temperaturas frescas e uma tarde mais ensolarada para que a fruta amadureça corretamente. Com estas condições, desenvolve-se um fungo o Botrytis Cinerea, que envolve as uvas, desidratando-as e com isso, deixando a concentração de açúcar dentro da uva ainda maior. E é por isto que os Sauternes são naturalmente doces e não há adição de açúcar ou qualquer outra metodologia que os deixem doces.



Sobre as classificações dos vinhos da margem esquerda, além dos "Premier-Crus", "Segundos-Crus", "Terceiros-Crus", "Quartos-Crus", "Quintos-Crus" e os "Crus-Bourgeois" na região do Medóc; "Premier-Cru" e "Cru-Classé" na região de Graves; "Premier-Cru Superieur", "Premier-Cru" e Segundos-Crus" na região de Sauternes.



No próximo post da "Geografia do Vinho", vamos falar da margem direita do rio...



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Publicado em 03/01/2011 às 06h00

GEOGRAFIA DO VINHO: A FRANÇA E SUAS REGIÕES

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Vamos agora começar a falar da França na geografia do vinho. Este que é o país mais famoso quando o assunto é vinho e não é por acaso, produz alguns dos vinhos mais caros e famosos do mundo. Mas o que precisamos saber e ter em mente é que nem só de vinhos caros vive a França. Há bons vinhos a preços mais baixos e que muitas vezes nos surpreendem.

Neste primeiro post falaremos sobre as regiões em geral e depois entraremos mais especificamente sobre cada uma destas regiões. A diversidade de climas deste país permite que tenham uma enorme gama de vinhos e estilos, desde os delicados e aromáticos brancos do Vale do Loire, até os potentes e saborosos tintos de Bordeaux.

As principais regiões francesas são Bordeaux, onde ficam os famosos e cultuados Chateaux; Borgonha, berço da Pinot Noir e da Chardonnay, com vinhos delicados e elegantes; Champagne, onde são produzidos os espumantes mais famosos e caros do mundo; Rhone, região que tem na Syrah a sua uva principal, entre outras; Vale do Loire e Alsácia, regiões distintas, mas que primam pela qualidade de seus vinhos brancos; Sudoeste, onde nasceram as uvas Malbec, hoje ícone na Argentina e Tannat, ícone do Uruguai e também o Languedoc, região que vem ganhando cada vez mais vinhos de alta qualidade por último o Sudeste, onde fica a Provence, terra de ótimos Rosés e bons tintos.

Acho que deu pra notar que a diversidade realmente é grande e que teremos assunto de sobra por aqui, né? Então nos vemos no próximo post sobre a geografia do vinho!

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Publicado em 01/12/2010 às 12h02

GEOGRAFIA DO VINHO: OUTRAS REGIÕES DA ITÁLIA.

Italy Map 2 238x300 GEOGRAFIA DO VINHO: OUTRAS REGIÕES DA ITÁLIA.


Já passamos aqui na Geografia do Vinho da Itália pelas principais regiões: Toscana (Em 5 posts), Piemonte, Lobardia e Ligúria e Veneto. Agora, vamos às outras regiões, um menos importantes e famosas, mas que contém algumas que estão crescendo de importânica pela qualidade dos vinhos que estão produzindo.


Logo abaixo da Toscana temos o Lazio, região onde fica a capital Roma. Região não muito famosa por seus vinhos, tem no fresco e aromático Frascati o mais mais famoso. Um branco ligeiro, fácil de tomar, apesar da alta acidez e que é uma boa pedida para o verão. As uvas dos Frascatis são Malvasia e Tebbiano.


Mais ou menos na mesma linha, mas na outra costa, tem o Abruzzo, região do Montepulciano D'Abruzzo, um tinto de corpo mediano-encorpado, com acidez elevada, mas bom de beber, até porque seu custo não costuma ser muito alto. Atenção: Cuidado para não confundir Montepulciano D'Abruzzo com Nobile di Montepulciano. O Nobile é o vinho da Toscana, feito na cidade de Montepulciano com a uva Prugnolo (Sangiovese)! O Montepulciano D'Abruzzo é feito em Abruzzo com a uva Montepulciano.


Mais abaixo, a Puglia, região que fica no "salto da bota". Lá a uva Primitivo reina absoluta e os vinhos conhecidos como Primitivo di Manduria começam a dar um sabor especial à região. Um vinho com boa fruta, boa acidez e bom corpo. Alguns exemplares podem ser caros e muito bons.


Na mesma linha, mas na costa leste, a Campania, terra da uva Aglianico. Esta uva faz um vinho encorpado, potente e que precisa envelhecer 3 anos antes de ir ao mercado, o Taurasi. Este vinho é conhecido como o Barolo do sul e tem alguns com preços elevados e excelente qualidade.


E por último a famosa ilha da Sicilia, região que tem se apoiado na uva Nero D'Avola, fazendo vinhos extremamente bem feitos e bons de beber. Estruturados, frutados, intensos e com alta acidez, são vinhos que estão começando a colocar esta ilha no mapa do vinho de verdade!


Bom amigos, terminamos por aqui a Itália e o próximo capítulo da Geografia do Vinho irá para a França, berço dos vinhos mais famosos e caros do mundo!



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Publicado em 02/10/2010 às 12h57

GEOGRAFIA DO VINHO: MONTEPULCIANO E SAN GIMIGNANO.

 GEOGRAFIA DO VINHO: MONTEPULCIANO E SAN GIMIGNANO.

Por conta de outros posts, notícias, degustações e outras coisas, há tempos eu não dava sequencia à coluna “Geografia do Vinho”.  Mas vamos voltar e agora sem um espaço tão grande de tempo entre os temas desta coluna que tem como objetivo cobrir as principais regiões vinícolas do mundo, falando sobre suas principais características e vinhos. A última que fiz foi sobre os Brunellos e seguindo a lógica, vamos para a última parte da Toscana, que são os demais vinhos que não os Chiantis, Supertoscanos e Brunellos, que já falei aqui. Mas isto não significa que estes demais vinhos são vinhos ruins ou piores. Mesmo porque há vinhos muito bons aí no meio. Vamos lá:

Os primeiros que quero falar são os vinhos de Montepulciano. São eles o Vino Nobile di Montepulciano e o Rosso de Montepulciano. Localizada no sul da Toscana, bem próximo a Montalcino, Montepulciano é uma pequena vila charmosa e deliciosa. Tive a oportunidade de conhecer e fiquei apaixonado por suas íngremes ladeiras e estreitas ruas de paralelepípedo. Os vinhedos cultivados por lá são em sua maioria, clones da rainha Sangiovese, por lá chamada de Prugnolo Gentile. O Vino Nobile di Montepulciano é o mais famoso da região e não é por acaso. Um vinho que se assemelha um pouco aos Brunellos com relação ao corpo e à sua intensidade, mas que pode levar ainda 30% de outras uvas que não a Sangiovese (Prugnolo Gentile), o que os fazem também um pouco parecidos comm os Chiantis. O envelhecimento mínimo do vinho em madeira é de 1 ano e é um vinho bem complexo, de bom corpo e boa acidez. O irmão mais novo, o Rosso di Montepulciano é bem mais leve e seu amadurecimento, menor. Ainda em Montepulciano, existe o Vin Santo, uma preciosidade líquida que não tem o prestígio que deveria ter. É um vinho branco (em sua concepçao de uvas, pois ele é de um alaranjado bem forte) muito doce e intenso, feito em sua maioria de Malvasia Branca, Trebbiano Toscano e Grechetto Branco. Seu método de produção também é diferente. As uvas ficam são colhidas e ficam secando em esteiras por mais ou menos 3 meses só então são vinificadas e envelhecidas por 3 anos.

Outro vinho importante que merece ser citados na Toscana é o Vernaccia di San Gimignano, única DOCG de vinhos brancos da Toscana, feito com a uva vernaccia e é um vinho bem agradável e saboroso, com a tópica acidez dos vinhos italianos.

Com isto, encerramos por aqui o longo e delicioso capítulo da Toscana, principal região italiana para produção de vinhos. No próximo post, Umbria, Lazio, Abruzzo e o Sul da bota!

 

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Publicado em 22/02/2010 às 18h04

Geografia do Vinho – Brunello di Montalcino

 Geografia do Vinho   Brunello di MontalcinoBrunellos, ah... os Brunellos. Pra mim, um dos melhores vinhos do mundo. Ele nasceu por volta de 1870, quando Ferruccio Biondi Santi resolveu isolar um clone da uva Brunello (Sangiovese Grosso) da Sangiovese que se faziam os Chiantis e plantou este clone separadamente. Depois de vinificar e amadurecer em barricas, o vinho se mostrou bem diferente dos Chiantis. E mais: Para uma região aonde os vinhos brancos predominavam e quando falávamos em tinto, a referência era o Chianti, um vinho relativamente leve, quando veio este novo “Brunello”, um vinho denso, encorpado, de cor mais escura e aromas profundos, o vinho chamou a atenção.

Mas nem tudo era fácil. Nesta época, parte do processo de produção dos Brunellos, como o longo envelhecimento em barricas, o contato do mosto com as cascas e a limitação do rendimento de cada parreira, não era conhecido e difundido numa região extremamente agrária, quase que uma aldeia, em ao menos, estradas pavimentadas.

Mas o vinho caiu nas graças das pessoas e apenas em 1980, a região foi denominada uma DOCG. Hoje, Biondi Santi é a grande referência quando falamos em Brunello. Seus vinhos estão entre os mais caros e desejados da Itália e até do mundo.

A cidade de Montalcino é uma beleza à parte. É uma ensolarada aldeia medieval, que fica no topo de uma colina, cercada por um muro gigante chamado de Fortezza (Fortaleza em italiano). Para quem for à toscana, vale a visita.

Sobre o vinho: Como disse anteriormente, é um vinho de cor escura, aromas intensos e boca extremamente complexa. Um vinho de meditação e para ser tomado com muitos anos de idade, pois quanto mais velho, melhor ele fica. Ele precisa seguir algumas regras, como o envelhecimento. O Brunello normal precisa envelhecer 4 anos, sendo 2 em barricas e os Riservas, 5 anos, sendo metade do tempo também em barricas.

Há vários bons produtores de Brunellos, mas alguns se destacam, entre eles Argiano, Altesino, Casanova di Neri, Pievi di Santa Restituta e Poggio Antico. Além é claro do lendário e maravilhoso Biondi Santi, que continua produzindo suas preciosidades.

No próximo post, o último sobre a Toscana, falarei dos outros vinhos da região, como o Rosso di Montalcino, o Vin Santo, o Carmignano, o Vernaccia e o Nobile di Montepulciano.

CHEERS!!

Perfil

André Rossi (Déco), 37 anos, é formado pelo instituto inglês Wine & Spirits Education Trust (WSet) nos níveis 1 - Foundation, 2 - Intermediate e 3 - Advanced, cursados em Nova York. Atualmente está cursando o quarto e último nível do WSET, o “Diploma”.

É também um dos únicos cinco Brasileiros residentes no país a ser credenciado como Professor deste mesmo WSet, tendo sido aprovado pelo WSet Educator Training Program 2011, em Nova York.

Editor e Idealizador do Blog EnoDeco, que é hoje o blog oficial de vinhos do portal R7, um dos blogs de vinho mais acessados do Brasil, e que já foi indicado pelo Guia 4 Rodas 2009 como um dos 10 melhores eno-blogs do Brasil.

Colunista da Revista Cool Magazine, da Revista Online Bloggers e também Editor de Vinhos da 4a. Edição do Flavour Guide , projeto anual do crítico gastronômico Josimar Melo. É jurado e avaliador de vinhos de vários eventos e revistas especializadas.

Há 2 anos é o Relações Públicas da Wines of Argentina (WofA), associação das melhores e principais vinícolas argentinas, sendo o responsável pela comunicação, eventos, degustações e todas as ações que a WofA faz em todo o Brasil, para divulgar e comunicar o vinho argentino por aqui.

Foi o ganhador do concurso “Meu Vinho com Susana Balbo” que foi disputado por 30 blogueiros e jornalistas de vinho, onde o principal objetivo era fazer o seu próprio vinho, usando 5 variedades disponibilizadas pela mais importante e premiada enóloga argentina, Susana Balbo. Seu vinho foi escolhido entre os 30 competidores, numa degustação às cegas pela enóloga e sua equipe, tendo um vinho assinado em conjunto com Susana, o Dominio del Plata Essential Limited Edition 2011.

É Publicitário de formação e foi Diretor de Atendimento de grandes agências como W/Brasil e Lew’Lara/TBWA, tendo passado também por Young & Rubicam, DPZ, Leo Burnett e Publicis. Antes disto, trabalhou na área de marketing da importadora Expand.

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