
Como sempre foi, este blog é aberto para os amigos escreverem, comentarem e fazer o que quiseresm! Até falar mal (se não tiver palavrões...), o espaço tá aberto, afinal esta é a função de um blog e particularmente do EnoDeco! O texto abaixo foi escrito pelo grna de amigo e enófilo Edgard Calfat, um cara que realmente gosta e sabe o que é vinho bom! Ele comentou de uma degustação que fizeram, achei bacana e ele acabou fazendo um texto para compartilhar com todos! Ed, valeu e sempre que quiser, pode escrever mesmo!
CHEERS!!
"Semana passada tivemos mais um jantar, ocasião em que juntamos a “turma do vinho” sem um tema específico. Fomos no Piseli, com o serviço impecável do Fernando (um dos sommeliers do lugar). Todos os vinhos estavam ótimos, como de praxe com essa turma, mas com duas grandes surpresas.
Começamos com uma Champagne Ruinart Rosé. Impecável e perfeita para o início da noite. Na sequência veio a 1ª grande surpresa: Sol de Sol Pinot Noir 08. O conhecido e reconhecido ícone sul-americano da uva Chardonnay Sol de Sol lançou sua 1ª safra de Pinot Noir. Grande surpresa, pelo que poderia ser um outro vinho desta vinícola tão gabaritada. Mas a surpresa para por aí...um Pinot muito sutil, de cor bem clara – lembrando muito mais um bourgogne na cor e um neo-zelandês mediano no aroma e paladar – diferente dos potentes Pinots chilenos. O que alguns poderiam chamar de feminino, refinado, sutil, etc, nesse caso eu chamaria de quase inexpressivo. Pelo preço, há opções bem melhores, tanto no Chile quanto na Argentina.
Depois abrimos juntos o San Pedro Cabo de Hornos 03 e o Santa Rita Casa Real 03, ambos possivelmente entre os top ten chilenos. Por serem da mesma safra a comparação foi pertinente. No início o estilo parecia o mesmo, ainda que cada um com suas características. Depois de 30 min no decanter, o Cabo de Hornos se destacou pela elegância, ainda que muito potente, enquanto o Casa Real além de ligeiramente mais complexo, estava extremamente intenso e persistente.
Terminamos a noite com a maior surpresa de todas. O vinho veio com o rótulo coberto, o que, é verdade, já induz a pensarmos que se trata de um grande vinho. Todos suspirando e arriscando palpites diversos...Chile, Argentina, Austrália e até Portugal. Gafes à parte, nesse caso elas foram aceitáveis...era um brasileiro: Miolo Sesmarias 2008. O melhor brasileiro que já provei. Soube nessa noite que esse vinho venceu em degustação às cegas com outro grupo o Almaviva e o Clos Apalta. Pode parecer um exagero, mas o fato é real e o vinho, apesar de incríveis 270,00, merece ser provado. No mínimo para muitos saírem da ignorância sobre o potencial dos vinhos nacionais.
- Sol de Sol Pinot Noir 2008
- Sta Rita Casa Real 2003
- Cabo de Hornos 2003
- SESMARIAS 2008