Publicado em 03/06/2013 às 02h16

Cava: Bons Números na Crise. Mas…

 Cava: Bons Números na Crise. Mas...

 

Como comentei no post anterior, as Cavas são uma exceção aos maus números do vinho espanhol. Isto porque se olharmos as exportações, elas aumentaram 6% em 2012 se compararmos com o ano de 2011. E para um mercado que praticamente só teve números negativos, isto é ótimo. E uma das explicações é que aproximadamente 70% da produção é exportada e isto ajuda a salvar um pouco estes números. Os principais mercados são Alemanha, Reino Unido e Bélgica e as cavas jovens correspondem a 86% das exportações, ficando as reservas com 12% e as Grand Reservas com 2%.

 

 

Mas se aprofundarmos estes números, veremos que a realidade não é tãããão boa assim. O primeiro e preocupante dado é que as vendas de cavas baixaram a ponto de chegar nos patamares da década de 80, quando a produção era metade da atual. Ou seja, o que acontece com este excedente? Fica em estoque nas vinícolas. E para vender, eles baixam os preços. Pensando pelo lado do consumidor, ótimo. Mas pensem na cadeia como um todo. Vendendo mais barato, eles precisam pagar menos pela matéria prima. Ou seja, o produtor que continua gastando a mesma coisa, vai receber menos por kilo de uva. E depois de um tempo ele possivelmente não vai aguentar estas condições e vai parar de produzir.

 

 

Outro produto tem a ver com a imagem do produto. De um tempo pra cá, as cavas se popularizaram bastante, sendo inclusive vendida a preços mais baixos. Com isto, grandes e tradicionais produtores, que fazem alguns produtos mais caros, acabam sofrendo com a imagem popular que a Cava está ficando. E uma das formas de se evitar isto é o que a Raventós, um dos grandes e importantes produtores de lá, está fazendo: Saindo da D.O. Cava, por não concordar com as políticas adotadas. E claro que quando um toma esta atitude, começa-se um debate ferrenho para ver o que fazer. E isto enfraquece a cadeia toda.

 

 

Como podem ver, números puros podem nos enganar pois há muito mais por trás de apenas alguns algarismos. É preciso ver o todo para fazer a análise certa

 

 

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Publicado em 02/06/2013 às 10h24

O Vinho na Espanha: Os Números.

 O Vinho na Espanha: Os Números.

 

Continuando minha imersão no mundo do vinho espanhol, a ponto de entender a realidade de mercado deles para mais uma prova que terei pela frente pelo WSET Diploma, agora vou falar dos números espanhóis.

 

 

É inegável que eles são uma das grandes potencias do vinho, tanto em qualidade como em números. Segundo dados da OIV, a Espanha produziu 29,6 milhões de hectolitros em 2012, ficando assim com a terceira colocação no mundo, perdendo da Itália (40 MM Hl) e da França (42 MM Hl). Porém, se os números apontam uma boa colocação, eles escondem uma queda de 11% em relação a 2011, sendo que a produção mundial caiu 6% e a Europa, em crise, 10%. Porém, a Espanha continua sendo o país com a maior superfície de plantada de vinhedos no mundo, com 1.018.000 de hectares, caindo um pouco em relação a 2011, quando tinha 1.032.000 ha. Logo em seguida também vem França e Italia.

 

 

E como anda o consumo de vinho pelos espanhóis. Bom, este também não é um cenário muito animador, já que o país também enfrenta uma crise financeira, junto com outros países da europa. Se no mundo, o consumo de vinho graças a Deus aumentou (+0,6%) e passou para 245 MM de hectolitros, na Espanha ele encolheu e caiu 6%, fazendo da Espanha apenas o oitavo país consumidor de vinho em 2012. Os 5 primeiros são França, Estados Unidos, Italia, Alemanha e China.

 

 

As exportações também caíram, com um preocupante 13% de baixa, seguindo o declínio da maioria dos países produtores, exceto da França, que se destaca com um crescimento de 6%.

 

 

Mas para não falar que os números são todos ruins, os números de espumantes e cavas são animadores: aumento de 11,8 % no consumo em valor e 4,8% em volume. Ou seja, o espanhol está consumindo mais espumante e ele está valendo mais! Mas vamos falar das Cavas num outro post, específico para elas!

 

 

Então, apesar de vermos um movimento legal pró-vinho espanhol no mundo, com novas descobertas, com novas regiões ganhando destaque, se olharmos com profundidade o mercado, veremos que os números são preocupantes. Não só para eles, mas como para o mundo, particularmente o velho mundo, que passa por uma difícil crise econômica.

 

 

 

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Publicado em 22/05/2013 às 09h58

O Vinho na Espanha: Como começou.

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Amigos, como comentei aqui anteriormente no blog, a minha próxima prova nesta dura e árdua jornada do meu curso WSET Diploma, envolve um conhecimento profundo sobre a Espanha e o mercado do vinho deste importante país produtor. Então vamos começar pelo começo (rs)… Mas bem lá do começo, para entender e ver que os altos e baixos da viticultura espanhola é bem mais antigo do que pensamos.

 

 

O começo da vitivinicultura espanhola vem de muito tempo atrás, quando os Fenícios começaram a cultivar as primeiras vinhas, na costa sudoeste da Andaluzia, há mais de 3.000 anos atrás. E depois disto foram para a região que hoje é a famosa região de Jerez, onde plantaram as vinhas num clima quente e que proporcionava a produção de vinhos fortes e doces, que aguentavam as longas viagens deste povo extremamente comercial de espírito. Isto tudo fez com que os vinhos espanhóis fossem uma dos principais ítens de comércio com os povos mediterrâneos e do norte da África.

 

 

Depois, vieram os romanos, que continuaram a produzir vinhos na região, mas que levaram certa dose de evolução à produção de vinho, introduzindo novas técnicas, entre elas o envelhecimento dos vinhos em ânforas de barro e também com  a introdução de resinas e aromatizantes no vinho. Só que o Império Romano caiu e as tribos Bárbaras, que tomaram a região, pararam a produção de vinhos e só foi retomada algum tempo depois, com os Vizigodos, povo que tinha forte influencia dos romanos. Até que os Árabes, no Século VIII, proibiram a produção e o consumo de vinho, por ser uma bebida fermentada e alcoólica, que é proibido pelo Corão. Mas o cultivo da uva continuou para bebidas não alcoólicas e não fermentadas, além de ter também um reforço no monastérios, onde o vinho era produzido para rituais religiosos de dinastias liberais cristãs.

 

 

E assim entramos na história mais recente, quando os reis católicos reconquistaram a Espanha no século XIX e monges e freiras trabalhavam no campo e na produção de vinho, que era usado nos rituais religiosos e também para ser oferecido a a peregrinos e "tabernas" locais. E a emergência local por produtos comerciais, fez com que novas regiões aparecessem e o consumo de vinho aumentasse.

 

 

E tudo parecia perfeito quando a maldita praga da Phyloxera assolou os vinhedos do norte da Europa. Com isto, os franceses migraram para o sul dos Pirineus, cadeia montanhosa que fica na Espanha, e levaram consigo mudas de plantas como Cabernet Sauvignon e Merlot, além de suas avançadas técnicas de cultivo, entre elas o enxerto em pés de uvas americanas, e de produção de vinho. E por alí começaram a fazer vinhos cada vez melhores e o consumo foi aumentando. Mas já no século XX, uma nova baixa aconteceu na região, por conta da Guerra Civil e da Segunda Guerra Mundial. Vinhedos foram abandonados e a Europa estagnou. E o cenário mudou apenas depois dos anos 50, quando houve uma profunda reorganização e modernização de vinícolas e processos.

 

 

Então vemos que os altos e baixos da viticultura espanhola não é de hoje e já tem um histórico de longa data e que pelo jeito, continua até hoje. Mas é inegável que seus vinhos surpreendem cada vez mais e conquistam um número cada vez maior de consumidores pelo mundo.

 

 

Em breve, continuo a falar sobre os dados e fatos do vinho espanhol e a realidade que ele se encontra!

 

 

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Publicado em 13/05/2013 às 10h17

Estudando e Informando: O Renascimento do Vinho Espanhol.

spainish map qs 2010 300x233 Estudando e Informando: O Renascimento do Vinho Espanhol.

 

Amigos, como já escrevi aqui no blog algumas vezes, estou numa dura caminhada para tirar meu próximo certificado do WSET (Wine & Spirits Education Trust), o Diploma (Nivel 4). Das 6 provas necessárias, já fiz 2 e estou indo para a terceira. Provas estas sempre realizadas em Nova Iorque. As provas são práticas e teóricas e envolvem praticamente todas as categorias de vinhos (e também destilados). E esta minha próxima prova será puramente teórica e dividida em duas partes: Uma agora em junho na qual nos é passado um tema específico e precisamos pesquisar e aprofundar, e a prova consiste em algumas perguntas de grande profundidade que só sabemos na hora. Então, há que se esmiuçar o tema e ir preparado para todo tipo de pergunta possível.

 

 

Mas por que estou contando toda esta “chatice” aqui? Só para dizer que estou estudando? ?Não... A introdução foi para dizer que de hoje até o dia 04 de Junho, data da prova, postarei muitas coisas sobre meu tema de estudo, pois acaba sendo um treino e também conteúdo de informação para os leitores do blog.

 

 

E o tema me pareceu bem “apetitoso”... “O Renascimento da Espanha”. Um tema, para mim, extremamente interessante pois há tempos que digo que os vinhos espanhóis tem me encantado muito. Mas como nesta prova, o nível de exigência é grande e a profundidade exigida, também, o tema vai muito além das simples análise dos vinhos espanhóis e de suas regiões. Aspectos de mercado, aspectos históricos e outras coisas deverão ser pesquisadas e aprofundadas.

 

 

Então, a idéia é compartilhar com vcs todas as coisas que eu for encontrando, assim posso estudar e ao mesmo tempo, deixar alguns textos, dados e fatos por aqui para que possam aproveitar! Espero que seja útil! E claro que toda contribuição é bem vinda... icon wink Estudando e Informando: O Renascimento do Vinho Espanhol.

 

 

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Publicado em 28/10/2011 às 17h33

ENODECO: OPERAÇÃO TARTARUGA (POR UM BOM MOTIVO…)

WSET Diploma 212x300 ENODECO: OPERAÇÃO TARTARUGA (POR UM BOM MOTIVO...)



Amigos, ando meio ausente do blog por conta de muitos compromissos, entre eles um novo estudo que resolvi começar, para o último nível do WSET (Wine & Spirits Education Trust), o nível 4, conhecido como Diploma. Este nível é o último desta que é a mais famosa e reconhecida instituição de ensino de vinhos do mundo e é composto por 6 módulos e tem duração de 2 a 3 anos. Como ainda não existe este nível aqui no Brasil, estou fazendo um estudo à distância, on line e então faço as provas em Nova Iorque, onde fiz os outros níveis. Os 6 profundos e intensos módulos deste curso que terei nestes próximos 2-3 anos serão: Mercados, Viticultura e Vinificação, Espumantes, Fortificados, Vinhos Tranquilos (São os vinhos que costumamos beber) e Destilados. Exceto nos 2 primeiros, todas as outras provas são teóricas e práticas, com degustações às cegas e exigem muito, muito estudo.



Contei sobre o WSET Diploma exatamente para justificar minha ausência do blog estes últimos dias e para dizer que dia 10.11 faço a prova de Viticultura e Vinificação e até lá continuarei um pouco ausente, postando na medida do possível, entre um capítulo e outro. E também tirarei uma semaninha para descansar e arejar a cabeça antes da prova...



Na volta, contarei sobre a prova e voltarei à tiva de posts todos os dias como já estão acostumados, inclusive com coluna nova!


Abraços a todos!



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Publicado em 07/09/2010 às 11h51

WSET ADVANCED COURSE – IMPRESSÕES GERAIS.

 WSET ADVANCED COURSE   IMPRESSÕES GERAIS.

Vamos agora às minhas impressões sobre o WSet Advanced Intensive Course aqui em NYC. E aí encerra-se o ciclo WSet aqui no blog.

O curso durou 1 semana, com a prova sendo no sábado. Se o outro foi intensivo, este eu posso dizer que foi algumas vezes mais intensivo. Este é um curso realmente para profissionais, para quem quer e precisa aprender tudo, ou quase tudo sobre vinhos, métodos de produção, mercados, viticultura e destilados. Os detalhes aqui são infinitamente maiores que no outro curso e por isto toda e qualquer pergunta ou dúvida precisa ser esclarecida durante as aulas. As degustações passam a incluir mais aspectos de análise que no Intemediate e são bem completas. E depois de terminarem os dias, era hora de voltar pra casa e estudar para o dia seguinte. As 2 palavra que podem resumir este curso são Detalhes e Profundidade. A prova, foi composta por 50 questões tipo testes, mais 5 questões dissertativas, que tem ítens dentro delas, então dá para facilmente falar que eram umas 20 perguntas e a degustação às cegas de 2 vinhos, que deve conter 21 aspectos a serem analisados no vinho. Não foi fácil! Agora as provas, tanto do Intermediate como do Advanced, vão para Londres serem corrigidas e dentro de mais ou menos 1 mês e meio chegam os resultados do Intermediate e de mais ou menos 2 meses e meio, do Advanced.

Degustei no  total nada menos que 145 vinhos e 10 destilados em 45 intensivas horas de aula. Uma marca que acho que nunca mais vou atingir na vida em tão pouco tempo. A não ser que um dia eu tenha que participar de alguma grande avaliação de vinhos. E precisará ser grande mesmo.

O saldo geral é excelente, espetacular. Uma experiência única que certamente dividirá minha vida em “Antes do WSet” e “Depois do WSet”. Mas uma coisa é importante dizer: Apesar de ficar mais crítico e analítico com relação aos vinhos, um cuidado é preciso e especialmente para mim é essencial: Depois que vc faz cursos bacanas como estes, para vc se tornar um mala, que vai ficar analisando cada gole que toma de vinho com os amigos, ficar comentando os aromas, cor e paldar e que o único assunto no repertório é o vinho, é um pulo, fácil, fácil. Mas como o próprio conceito do blog diz, ele (e eu!) vai continuar a ser um “despretensioso blog sobre vinhos”. Por isto é preciso avaliar bem o ambiente, as situações e as pessoas naquele determinado momento para não exagerar e perder a linha. Então, terei que ficar de olhos bem abertos para que o espírito do enochato passe sempre longe daqui. E o primeiro passo é ter consciência disto...

 

 

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Publicado em 06/09/2010 às 12h23

WSET INTERMEDIATE – MINHAS IMPRESSÕES.

 WSET INTERMEDIATE   MINHAS IMPRESSÕES.

Conforme prometido, vamos às minhas impressões sobre os cursos do WSet (Wine & Spirits Education Trust), uma instituição inglesa, sediada em Londres, e que é apadrinhada por ninguém menos que a famosa crítica inglesa Jancis Robinson.

Sábado foi a prova final do WSet Advanced Course aqui em NYC. E já estou com saudades das aulas, por mais intensivos e cansativos que eles tenham sido, pelo curto espaço de tempo que eles tem neste módulo intensivo. Saio com a sensação de ter aprendido muito e que daqui pra frente o mundo do vinho será visto com outros olhos. Olhos estes mais críticos e analíticos, pois apesar de já saber algumas das coisas que foram passadas, principalmente no Intermediate, o volume e intensidade de tudo que é passado é muito grande. E isto me dá, uma importante bagagem no currículo de ter feito os 2 módulos deste que é um dos mais, se não o mais reconhecido instituto de ensino sobre vinhos do mundo,.

O WSet Intermediate Intensive Course foi bem bacana e durou 3 dias. Alguns assuntos eu já dominava, mas sempre tem coisa nova ou outras visões para se aprender. Este é o segundo nível do curso, sendo que o primeiro é o Foundation, um curso bem básico. Ele é importante para aprender e pegar alguns termos comumente usados no mundo do vinho, bem como começar a ter uma pegada mais profissional, crítica e analítica dos vinhos. Em todas as aulas são degustados 6 vinhos que tem a ver com o tema da aula. No final dete curso, foram degustados 41 vinhos e 4 destildos em 3 dias! A prova  - 50 perguntas tipo testes - foi mais difícil do que eu imaginava, com muitas pegadinhas e detalhes. Um curso bacana para quem quer aprender mais sobre vinhos, com um pouco mais de profundidade do que o normal, mas também para quem quer “fazer carrreira” e depois tentar fazer os outros cursos do WSet – São 4 níveis no total.

Amanhã falarei sobre minhas impressões sobre o Advanced e encerro o capítulo WSet!

 

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Publicado em 04/09/2010 às 19h33

WSET ADVANCED – FINAL EXAM

 WSET ADVANCED   FINAL EXAM

E hoje oficialmente terminou o WSet Advanced Course aqui em NYC no International Wine Center. Vou falar sobre a prova feita hoje e amanhã postarei um balanço geral do curso e minhas impressões.

Coloquei na minha cabeça ontem que não iria dormir tarde para estar descansado para a prova, que começava às 10:00. Pura ilusão... Cheguei em casa ontem do curso, comi alguma coisa por aqui mesmo e comecei a rever alguns pontos que eu ainda sentia necessidade, principalmente a França, que tem um peso grande durante o curso e na prova do Intermediate teve bastante coisa. e aproveitei para ver as coisas das aulas de ontem, os destilados, fortificados e espumantes. O horário que fui dormir? 02:00 da manhã.

Cheguei para a prova 15 minutos antes para me ambientar, relaxar e botar a cabeça no lugar. No metrô fui ouvindo "O Fantasma da Ópera" para relaxar. A prova começou com a degustação às cegas de 2 vinhos, um branco e um tinto. No total, 21 ítens deveriam ser observados e analisados na avaliação, entre eles descobrir a região e a faixa de preço do vinho, além dos ítens dentro de cada categoria da anáilise sensorial (visual, olfativo e paladar). Me senti bem na prova e acho que fiz uma boa avaliação. No final descobrimos que tínhamos um Sauvigon Blanc da Nova Zelândia e um Shiraz da Austrália.

Depois a parte teórica, composta por 5 perguntas dissertativas e 50 testes. A parte dissertativa era meu maior receio pois precisa ser muito objetivo e claro nas respostas, além de saber alguns detalhes que parecem bobos mas que fazem diferença. Pra minha sorte achei esta parte mais tranquila do que eu esperava. são 5 perguntas, mas cada pergunta tem de 3 a 5ítens para responder, então podemos considerar que tínhamos umas 20 perguntas no total. Os temas: "Responsabilidade Social e Bebida", "Pragas e Doenças na Viticultura", "Produção de Espumantes", "Harmonização" e "Espanha e Portugal".

Nas questões de múltipla escolha, 3 perguntas eu realmente não sabia e foram no chute. 35 delas eu fui com segurança, o que não significa que acertei todas e as outras 12 eu tive que pensar mais e alguma ir por exclusão. No geral, acho que deu para ir legal, mas é impressionante como alguns detalhes que achamos que são apenas detalhes, acabam te pegando na curva. E quando o curso é o intensivo como este, isto faz diferença pois o tempo de curso é menor e não dá para passar por tudo nas aulas.

Enfim, chegaram ao fim os 2 cursos e o balanço geral é excelente. Vou falar mais detalhadamente amanhã, mas vale muito a pena. E o Advanced é realmente pra quem quer conhecer bem e dominar o assunto, não para brincar!

Inté amanhã, pois agora é hora de curtir a cidade que nunca dorme. Acho que é por isto que nestes 10 dias de curso eu também mal dormi...

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Publicado em 03/09/2010 às 22h03

WSET ADAVANCED – DAY 5

 WSET ADAVANCED   DAY 5

Hoje foi o último dia do curso icon sad WSET ADAVANCED   DAY 5 e amanhã tem prova! Na verdade, meu plano era terminar hoje, passar mais uns 5 ou 6 dias estudando e depois fazer a prova, o que seria possível! Assim, eu teria mais tempo para estudar e absorver tudo o que foi passado nestes intensos 5 dias, que somaram 45 horas de aula só esta semana, sem contar o curso da semana passada. Mas houve uma mudança de plano no meio do caminho, pois eu precisaria ter avisado com muita antecedência se eu quisesse fazer a prova depois. E achei que chegando aqui isto bastaria, mas não foi possível. Até por conta disto, tive que ficar pelo menos até 01:00 da manhã estudando todos os dias, alguns dias como ontem até às 02:30. Mas hoje vou apenas revisar algumas coisas para estar descansado para a prova. Então, vamos falar sobre o dia de hoje, um dia diferente.

Começando pelos espumantes, o foco certamente não poderia ser outro que não a Região de Champagne. Desde as plantações das vinhas, passando pela elaboração do champagne, fomos a fundo no assunto. E realmente não é por acaso que este tipo de vinho tem a reputação que tem. O trabalho dedicado e meticuloso de cada um que está envolvido na produção do champagne é impressionante e não poderia resultar em um produto de qualidade mediana ou até mesmo boa. É preciso ser ótimo, excelente em todos os aspectos! Desde as mais "comuns" e comerciais como as mais exclusivas e safradas! É realmente um néctar dos Deuses. Depois, passamos por outras regiões que produzem espumantes conforme o mesmo método "tradicional" como os Cremants Franceses, as Cavas Espanholas e o Prosecco e o Franciacorta Italianos. Depois vimos o outro método de produção de espumantes, com as fermentações em tanques. Este método é mais simples, não exige tanto trabalho e cuidado e por isto acaba sendo mais barato e o líquido final não tem a mesma complexidade de aromas e sabores do método tradicional, apesar de produzir bons vinhos. Enquadram-se neles os Espumantes de Asti (Itáila) e os Sekt (Alemanha), entre outros. E vejam só... o Brasil foi citado na aula como um potencial produtor de espumantes de alta qualidade seguindo o método tradicional! Olha só o orgulho!!! Para terminar, degustação de 6 espumantes, sendo 2 deles champagnes.

Depois a aula que, assim como no curso anterior, as pessoas não curtem muito e fazem quase por obrigação: Destilados. Foco no processo de destilação e quando falamos dos produtos em si, destaque para o Whisky, Cognac, Rum, Gin, Vodka e Tequila. É até bacana saber do que cada um é feito e como são feitos, mas na hora de degustar eu realmente não fui feito para isto. Mas com raça e várias caretas feitas por todos na classe, fomos lá!

Para terminar, os vinhos fortificados. Particularmente eu acho esta aula fascinante, pois além de gostar destes vinhos, acho os métodos de produção muito bacanas e diferentes. Falamos dos Vinhos do Porto e seus tipos como Ruby, Tawny, LBV, Vintage, Single Quinta, etc... vinhos estes que eu adoro! Mas também falamos dos Sherrys (Vinhos Brancos e Fortificados), especialidades da região de Jerez (Sul da Espanha). Lá eles produzem vinhos que no Brasil não são tão tomados, mas deveria, pois tem uma variedade muito grande de tipos, desde os mais secos e delicados, e são realmente os vinhos mais secos do mundo (chamam-se FINO), até vinhos mais doces e encorpados que são os  Pedro Ximenez (PX). Estes vinhos tem uma produção extremamente complexa, que passa por "Soleras", que são barricas emilhadas e emparelhadas e eles vão tirando vinho de uma barrica mais nova, passando para outra mais velha e assim por diante. Então, não tem uma safra definida e podemos ter vinhos de mais décadas dentro das Soleras e que depois são misturados com vinhos recentes, e asim por diante. É difcil explicar mais detalhadamente como funciona, mas fica o conceito de que é o processo de produção mais complexo do mundo! E depois passamos também pelos Vinhos Madeira, degustando 3 Sherries, 2 Portos e 1 Madeira.

E foi isto. Um dia bem diversificado para encerrar este curso com chave de ouro. Amanhã, prova! Prova esta que será composta de 50 Testes, 5 Perguntas dissertativas e 2 Vinhos para serem degustados às cegas. Acho que a manhã de sábado promete fortes emoções... Amanhã passo por aqui para contar sobre a prova! E como dizem por aqui, "wish me luck!".

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Publicado em 02/09/2010 às 21h38

WSET ADVANCED – DAY 4

 WSET ADVANCED   DAY 4

Uma mistrura de sensações e culturas pode resumir bem o dia de hoje. Começando o dia tratando de 2 países que são ícones e espelho do tradicionalismo e que ao mesmo tempo vem se modernizando para não não ficarem para trás e produzirem cada vez mais vinhos bons e reconhecidos. Este cenário espelha bem o atual momento que vivem Espanha e Portugal.

A Espanha é o país de maior área plantada de vinhedos do mundo. Tem apenas 2 tradicionais regiões reconhecidas como DOCa (As únicas duas por enquanto), como o Priorato, que produz excelentes vinhos no nordeste do país (Catalunha) principalmente à base de Granacha e Cariñena, mas que tem mostrado vinhos de excelente qualidade quando mistruam estas 2 uvas às tradicionais Cabernet Sauvignon e Syrah. a outra DOCa é a região mais famosa da Espanha, a Rioja, no norte do país. Lá, assim como na maioria do país, a Tempranillo reina entre as uvas tintas, sobrando ainda algum espaço para a Granacha aparecer na Rioja Baja. De lá saem alguns dos melhores vinhos espanhóis, sejam eles, Jovens, Crianzas, Reservas ou Grand Reservas. Os brancos são em sua maioria feitos com Viura e Malvasia, mas esta é uma terra de tintos! Mas não é só porque são apenas 2 Regiões DOCa que não existe mais nada bom na Espanha. Pelo contrário, pois é inadimissível falar de Espanha e não falar da Ribeira del Duero, no centro-norte do país, onde são produzidos vinhos maravilhosos, também à base de Tempranillo, mas aqui estes vinhos são mais encorpados, mais intensos pois a região é mais quente e a esta uva desenvolveu uma casca mais grossa, o que dá mais cor e estrutura ao vinho. Além da Ribeira, temos 2 outras regiões lá por perto, às margens do Rio Douro, que fazem bons tintos: Toro e Rueda. E para terminar ainda falta citar outras regiões como Navarra, ao norte da Rioja, Valdepeñas no centro-sul e Valencia, no litoral do mediterrâneo.

Pegando um barco e passeando pelo lindo Douro, atravessamos a fronteira e paramos em Portugal. E a primeira parada é no final do rio, já no oceano Atlântico na mais famosa região de vinhos brancos de Portugal, com os Vinhos Verdes. Lá, estes aromárticos e refrescantes vinhos feitos com a uva Alvarinho tem fama mundial. Voltando um pouco pelo Rio, no sentido da Espanha, saímos da região do Vinho Verde e vamos para a mais famosa das DOC´s de lá, o Douro. Vinhos estruturados, intensos, com vinhedos plantados nas encostas do Rio fazem desta paisagem uma das mais bonitas do mundo do vinho. Alí, a Touriga Nacional tem seu destaque, acompanhada de perto pela Touriga Franca, Tinta Roriz, tinto Cão e Tinta Barroca.  Descendo um pouco, passamos pelo Dão, região importante e localizada a 80 km do Douro. Alí, juntam-se as citadas acima, a Alfrocehiro e Jaen. Colado ao Dão, a região que tem um Rei soberano: A Bairrada do competente Luis Pato, que anda fazendo maravilhas por aqueles lados. Descendo mais, Passamos pelo Ribatejo, terra de muitas plantações e vinhos mais comerciais, até chegarmos a outra importante região, o Alentejo. Lá, a sudeste de Lisboa, Aragonez, Tricadeira e Castelão são os destaques de uma região emergente e que tem produzido vinhos muito bem feitos, potentes, com taninos balanceados e muita estrutura. Para terminar a parte Ibérica, uma degustação de 1 Alvarinho e mais 5 tintos, sendo 2 portugueses e 3 espanhóis.

Depois disto, um choque de culturas. Vamos ao novo mundo! Não vou detalhar cada país pois ficará cansativo, mas vale um destaque especial para os Estados Unidos, com seus vinhedos no famoso Napa Valley, além dos Pinot Noirs do Oregon (Acima do Napa) e até os Merlots, Pinot Noirs Riselings e Chardonnays de Nova Iorque. Sim, o estado de Nova Iorque também produz vinhos e são muito bem feitos. A região ainda é pequena, mas promete crescer! Além dos Estados Unidos, um foco na Australia, país que tem suas plantações localizadas quase que totalmente no sul do país, desde a região sudoeste pero de Perth, onde há o Margaret River que produz bons blends bordaleses e bons Semillóns e Chardonnays até o extermo sul, onde se localizam os principais vinhedos do país, como nas regiões de Clare Valley e seus Rieslings, Adelaide Hills e seus Chardonnays e as 2 mais famosas do país dos cangurus, o Mc. Laren Vale com seus Shiraz e Cabernets potentes e frutados e Barossa, o coração da produção vinícola australiana, com Shiraz e Grenache reinando por alí. Um pouco mais ao sul, vale destacar também a fria região de Coonawara (Cabernet Sauvignon) e Yarra Valley com seus ótimos Pinot Noirs.

Além de Estados Unidos e Austrália, ainda viajamos pela Nova Zelâdia e seus Sauvignon Blancs que estão virando bench-mark desta uva, Argentina e seus malbecs, Chile a a carmenère e Uruguai a a Tannat. Infelizmente o Brasil ainda não entrou na pauta do WSet, mas tenho certeza que em breve nossos espumantes estarão nos livros e aulas!

O saldo de vinhos do dia, segue o  mesmo dos outros: Mais 18 pra conta. E amanhã tem o último dia antes da temida e complexa prova (sábado)...

CHEERS!!

Perfil

André Rossi (Déco), 37 anos, é formado pelo instituto inglês Wine & Spirits Education Trust (WSet) nos níveis 1 - Foundation, 2 - Intermediate e 3 - Advanced, cursados em Nova York. Atualmente está cursando o quarto e último nível do WSET, o “Diploma”.

É também um dos únicos cinco Brasileiros residentes no país a ser credenciado como Professor deste mesmo WSet, tendo sido aprovado pelo WSet Educator Training Program 2011, em Nova York.

Editor e Idealizador do Blog EnoDeco, que é hoje o blog oficial de vinhos do portal R7, um dos blogs de vinho mais acessados do Brasil, e que já foi indicado pelo Guia 4 Rodas 2009 como um dos 10 melhores eno-blogs do Brasil.

Colunista da Revista Cool Magazine, da Revista Online Bloggers e também Editor de Vinhos da 4a. Edição do Flavour Guide , projeto anual do crítico gastronômico Josimar Melo. É jurado e avaliador de vinhos de vários eventos e revistas especializadas.

Há 2 anos é o Relações Públicas da Wines of Argentina (WofA), associação das melhores e principais vinícolas argentinas, sendo o responsável pela comunicação, eventos, degustações e todas as ações que a WofA faz em todo o Brasil, para divulgar e comunicar o vinho argentino por aqui.

Foi o ganhador do concurso “Meu Vinho com Susana Balbo” que foi disputado por 30 blogueiros e jornalistas de vinho, onde o principal objetivo era fazer o seu próprio vinho, usando 5 variedades disponibilizadas pela mais importante e premiada enóloga argentina, Susana Balbo. Seu vinho foi escolhido entre os 30 competidores, numa degustação às cegas pela enóloga e sua equipe, tendo um vinho assinado em conjunto com Susana, o Dominio del Plata Essential Limited Edition 2011.

É Publicitário de formação e foi Diretor de Atendimento de grandes agências como W/Brasil e Lew’Lara/TBWA, tendo passado também por Young & Rubicam, DPZ, Leo Burnett e Publicis. Antes disto, trabalhou na área de marketing da importadora Expand.

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