
Uma mistrura de sensações e culturas pode resumir bem o dia de hoje. Começando o dia tratando de 2 países que são ícones e espelho do tradicionalismo e que ao mesmo tempo vem se modernizando para não não ficarem para trás e produzirem cada vez mais vinhos bons e reconhecidos. Este cenário espelha bem o atual momento que vivem Espanha e Portugal.
A Espanha é o país de maior área plantada de vinhedos do mundo. Tem apenas 2 tradicionais regiões reconhecidas como DOCa (As únicas duas por enquanto), como o Priorato, que produz excelentes vinhos no nordeste do país (Catalunha) principalmente à base de Granacha e Cariñena, mas que tem mostrado vinhos de excelente qualidade quando mistruam estas 2 uvas às tradicionais Cabernet Sauvignon e Syrah. a outra DOCa é a região mais famosa da Espanha, a Rioja, no norte do país. Lá, assim como na maioria do país, a Tempranillo reina entre as uvas tintas, sobrando ainda algum espaço para a Granacha aparecer na Rioja Baja. De lá saem alguns dos melhores vinhos espanhóis, sejam eles, Jovens, Crianzas, Reservas ou Grand Reservas. Os brancos são em sua maioria feitos com Viura e Malvasia, mas esta é uma terra de tintos! Mas não é só porque são apenas 2 Regiões DOCa que não existe mais nada bom na Espanha. Pelo contrário, pois é inadimissível falar de Espanha e não falar da Ribeira del Duero, no centro-norte do país, onde são produzidos vinhos maravilhosos, também à base de Tempranillo, mas aqui estes vinhos são mais encorpados, mais intensos pois a região é mais quente e a esta uva desenvolveu uma casca mais grossa, o que dá mais cor e estrutura ao vinho. Além da Ribeira, temos 2 outras regiões lá por perto, às margens do Rio Douro, que fazem bons tintos: Toro e Rueda. E para terminar ainda falta citar outras regiões como Navarra, ao norte da Rioja, Valdepeñas no centro-sul e Valencia, no litoral do mediterrâneo.
Pegando um barco e passeando pelo lindo Douro, atravessamos a fronteira e paramos em Portugal. E a primeira parada é no final do rio, já no oceano Atlântico na mais famosa região de vinhos brancos de Portugal, com os Vinhos Verdes. Lá, estes aromárticos e refrescantes vinhos feitos com a uva Alvarinho tem fama mundial. Voltando um pouco pelo Rio, no sentido da Espanha, saímos da região do Vinho Verde e vamos para a mais famosa das DOC´s de lá, o Douro. Vinhos estruturados, intensos, com vinhedos plantados nas encostas do Rio fazem desta paisagem uma das mais bonitas do mundo do vinho. Alí, a Touriga Nacional tem seu destaque, acompanhada de perto pela Touriga Franca, Tinta Roriz, tinto Cão e Tinta Barroca. Descendo um pouco, passamos pelo Dão, região importante e localizada a 80 km do Douro. Alí, juntam-se as citadas acima, a Alfrocehiro e Jaen. Colado ao Dão, a região que tem um Rei soberano: A Bairrada do competente Luis Pato, que anda fazendo maravilhas por aqueles lados. Descendo mais, Passamos pelo Ribatejo, terra de muitas plantações e vinhos mais comerciais, até chegarmos a outra importante região, o Alentejo. Lá, a sudeste de Lisboa, Aragonez, Tricadeira e Castelão são os destaques de uma região emergente e que tem produzido vinhos muito bem feitos, potentes, com taninos balanceados e muita estrutura. Para terminar a parte Ibérica, uma degustação de 1 Alvarinho e mais 5 tintos, sendo 2 portugueses e 3 espanhóis.
Depois disto, um choque de culturas. Vamos ao novo mundo! Não vou detalhar cada país pois ficará cansativo, mas vale um destaque especial para os Estados Unidos, com seus vinhedos no famoso Napa Valley, além dos Pinot Noirs do Oregon (Acima do Napa) e até os Merlots, Pinot Noirs Riselings e Chardonnays de Nova Iorque. Sim, o estado de Nova Iorque também produz vinhos e são muito bem feitos. A região ainda é pequena, mas promete crescer! Além dos Estados Unidos, um foco na Australia, país que tem suas plantações localizadas quase que totalmente no sul do país, desde a região sudoeste pero de Perth, onde há o Margaret River que produz bons blends bordaleses e bons Semillóns e Chardonnays até o extermo sul, onde se localizam os principais vinhedos do país, como nas regiões de Clare Valley e seus Rieslings, Adelaide Hills e seus Chardonnays e as 2 mais famosas do país dos cangurus, o Mc. Laren Vale com seus Shiraz e Cabernets potentes e frutados e Barossa, o coração da produção vinícola australiana, com Shiraz e Grenache reinando por alí. Um pouco mais ao sul, vale destacar também a fria região de Coonawara (Cabernet Sauvignon) e Yarra Valley com seus ótimos Pinot Noirs.
Além de Estados Unidos e Austrália, ainda viajamos pela Nova Zelâdia e seus Sauvignon Blancs que estão virando bench-mark desta uva, Argentina e seus malbecs, Chile a a carmenère e Uruguai a a Tannat. Infelizmente o Brasil ainda não entrou na pauta do WSet, mas tenho certeza que em breve nossos espumantes estarão nos livros e aulas!
O saldo de vinhos do dia, segue o mesmo dos outros: Mais 18 pra conta. E amanhã tem o último dia antes da temida e complexa prova (sábado)...
CHEERS!!