Uma Tarde de Grandes Borgonhas.
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Continuando esta coluna que tem como objetivo dar dicas práticas aos leitores sobre os mais diversos assuntos dentro do vinho, hoje vamos falar sobre vinhos de 2 famosas regiões frncesas. Este tema já foi assunto aqui no blog, mas hoje o enfoque é diferente. Não se trata de falar quem é o melhor, mas sim, 2 dicas básicas que ajudarão as pessoas que ainda não tem muita familiaridade com vinhos a distinguir nas prateleiras de lojas e importadoras, um vinho que vem da Borgonha de um vinho que vem de Bordeaux.
A Garrafa: Os Borgonhas, por tradição, tem garrafas mais "gordinhas" ou bojudas como muitos falam. As garrafas de Bordeaux são aquelas mais finas e mais tradicionais que costumamos ver por aí em maior número.
O Rótulo: Os vinhos de Bordeaux são aqueles famosos que trazem em sua grande maioria, ilustrações ou fotos dos Chateaux, onde eles são produzidos. Quando não tazem ilustrações e fotos destes castelos, trazem a palavra "Chateau" seguido do nome da propriedade como principal informação de destaque. Ex: Chateau Margaux, Chateau Haut Brion, Chateau Pétrus, etc... Já os Borgonhas em sua maioria não trazem ilustrações e/ou fotos dos suntuosos castelos ou contruções. São rótulos que tem como informação principal o nome da comuna onde fica a propriedade. Por exemplo: Pullingny Montrachet, Pommard, Vosne-Romané, etc...
Claro que, como costumo dizer, poucas coisas no mundo do vinho podemos falar que não há excessão. Podemos encontrar sim vinhos de Bordeaux que não estejam escritos "Chateau" no rótulo, assim como borgonhas, principalmente alguns mais baratos, que o não tenham o nome da comuna em destaque. Mas a grande maioria tanto de um como de outro, se comporta assim.
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Para muita gente, Bordeaux é a melhor região francesa para vinhos tintos. Para outros, é a Borgonha. E este embate, e esta discussão vivem a esquentar mesas e rodas de amigos que gostam de vinho, particularmente os franceses. Mas quem é que está certo? Quem sai ganhando?
Para começar a discussão, é bom deixar bem claro que prefiro ver estas duas regiões como complementares e não como concorrentes. Explico: São vinhos diferentes em quase tudo: Desde o modo como os rótulos dos vinhos da região são escritos (Bordeaux tem no nome dos Chateaux o principal elemento do rótulo, enquanto que na Borgonha a comuna ou apelação levam o maior peso – vide imagens acima) até com relação às leis, uvas plantadas e permitidas, os métodos de vinificação, o clima e muitas outras coisas. E isto acaba influenciando na principal diferença entre os vinhos destas regiões. Bordeaux é uma região responsável por vinhos mais encorpados, complexos, elegantes e muitas vezes mais difíceis de tomar quando são muito novos. Já a Borgonha faz vinhos igualmente elegantes, mas delicados, sutis, sedutores e muitas vezes mais fáceis de tomar. Fazendo uma comparação, Bordeaux é um homem elegante, requintado e com forte personalidade. Já a Borgonha é uma mulher igualmente elegante, requintada, também com forte personalidade e extremamente sedutora e delicada.
Mas a que se devem todas estas diferenças? São muitos fatores, mas o principal é a localização geográfica destas regiões, o que acaba influenciando nas uvas que são plantadas em cada uma. E com uvas bem diferentes, temos vinhos bem diferentes. Bordeaux por exemplo está localizada na porção centro-ocidental da França, começando no litoral do Oceano Atlantico e descendo pelas margens do Rio Gironde, o famoso rio que divide a região em “Margem Esquerda” e “Margem Direita”. O clima mediterrâneo de lá é quente e úmido e uvas como Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc, entre outras amadurecem bem por lá. Ou seja, é uma região onde predominam as uvas tintas e mais encorpadas. Já a Borgonha, que fica do outro lado do país, na porção centro-oriental do país tem um clima bem diferente. Um clima continental e sensivelmente mais frio que Bordeaux. Com isto, uvas como as plantadas em Bordeaux não amadurecem tão bem, diferente de outras mais delicadas como a tinta Pinot Noir e a branca Chardonnay que reinam aqui, dando vinhos elegantes, delicados e deliciosos. Mas com estilos completamente diferentes dos vinhos de Bordeaux.
Mas além dos estilos e características diferentes, há algo aqui que também conta muito quando rolam as discussões dos adoradores destas duas regiões: O Marketing. Afinal, se de um lado temos os famosos Premier Cru como Chateau Margaux, Chateau Mouton Rothschild, Chateau Petrus, entre outros famosos e caros, do outro lado temos os Grand Crus La Tache, Richebourg, Romanée Saint Viviant, Vosné-Romanée, entre outros. Isto sem falar nos brancos de Chablis e nos Montrachets...
É uma discussão sem fim e que sempre vai existir. Mas para mim, o ponto final é simples: Por que Borgonha ou Bordeaux? Não seria melhor Borgonha & Bordeaux? Assim, quando quisermos um vinho mais delicado, mais suave e mais fácil, ficaríamos com os Borgonhas. E quando quisermos um vinho mais “parrudo”, mais complexo, vamos de Bordeaux. Não fica melhor assim?
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Com um pouco de atraso, mais do que o normal, cá estou eu para relatar o último evento da Confraria dos Publicitários. E foi uma noite cheia de novidades. A começar pela presença de 2 ilustres convidados, que tiveram a honra de participar do jantar, pois pela primeira vez desde que foi criada, a Confraria dos Publicitários teve uma dupla convidada: Marcos Quintella e Fabio Marangoni. E precisamos confessar que eles não decepcionaram. Veremos mais pra frente. E pela primeira vez desde que começou a confraria, tivemos a presença de TODOS os participantes!!
O tema “Borgonha” por si só já era suficientemente desafiador e encantador. A gama de possibilidades era imensa, o que tornava a disputa e o prazer ainda maiores. O local, o Piselli foi escolhido por todos pelo sempre eficiente atendimento do amigo Fernandinho, o Sommelier da casa, além a estupenda comida e serviço que o Juscelino nos presta sempre em todos os seus restaurantes. Mas vamos aos vinhos.
Como de costume, vinhos nas taças (6) e mãos à obra. Depois de beber um, beber o outro, voltar naquele que deixou mais dúvidas e analisar bem os 6 concorrentes, começamos as eliminações. Mas antes, é bom dizer que mesmo o último colocado (primeiro
eliminado) estava maravilhoso e sucitou algumas discussões pois nenhuma eliminação foi unânime. E a primeira maravilha a cair foi o CLOS ST. DENNIS GRAND CRU 2005 do talentoso produtor Nicolas Potel. Os pais da criança eram Fred e Herbert. Depois, veio o quinto colocado, outro gigante da Borgonha, o BEAUNE COUCHERIAS 1er CRU 2007 do produtor Pierre Labet (Outro nome de estrema importância e relevância na região) da dupla Gaion e Duda. Veio então o quarto colocado e ao desvendar a “criança”, mais um susto com o tamanho e importância: Nada menos que um ÉCHEZEAUX FAIVILEY 2003 que foi levado por Marcio e Dado, a dupla que diziam ser a favorita pela força que eles tem e também pelo acúmulo de títulos. Realmente não negaram a força...!
Então ficamos com o pódio final formado: Na terceira colocação outro vinho do mestre Faiviley, mas agora nada menos que um NUITS ST. GEORGES CLOS DE MARECHALE 2003. Um vinho para se tomar de joelhos, uma pérola da Borgonha que foi levada com maestria por Gomez e Rafa. Veio então a revelação da noite, o primeiro colocado. Mas vale dizer que, se não repararam, os convidados haviam emplacado o vinho na final, concorrendo com o vinho levado pelo Edu e por mim. A tensão era grande, pois poderíamos ter a vitória da dupla convidada, o que certamente iria render muito assunto e gozações! E ao ser escolhido o grande vencedor, constatamos: os convidados Quintela e Fabio ficaram com a honrosa e sensacional vice-colocação. O vinho era um monstro e se ganhasse não seria por acaso: CLOS DE LA ROCHE GRAND CRU 1999, do Louis Jadot. E garantindo o bi campeonato para Edu e Eu, um vinho que talvez não tenha tanto sobrenome como Faiviley, Jadot e Potel. Mas o vinho podemos dizer que, junto com o vice-campeão e o terceiro colocado, eram os mais emblemáticos da Borgonha em termos de estilo. Leve, sutil, nariz que não enfraqueceu com o tempo em taça e que desde o primeiro momento, dito pelos participantes, encantou ao primeiro gole: CORTON CLOS DU ROY GRAND CRU 2002 do Antonin Guyon.
Realmente uma noite inesquecível, como muitas outras que já passamos nesta confraria. Mas ainda mais abrilhantada pelos convidados, pelo altíssimo nível dos vinhos e também por outra surpresa: Agora a Confraria dos Publicitários tem uma marca e cada um de nós, um cartão de visitas, como podem ver nas fotos!! Até a próxima, onde certamente teremos mais estórias para contar!!
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Várias degustações feitas em Londres na semana passada começaram a indicar como está a qualidade da safra 2009 na região da Borgonha, França. E realmente as espectativas parecem boas! No geral, a safra apresenta uma grande mineralidade e os vinhos tendem a ser frescos, suaves e saborosos.
Mas parece que os tintos se saíram melhor que os brancos. Isto porque a colheita aconteceu um pouco antes do normal pois os produtores ficaram receosos com o excesso de maturidade das uvas por conta do calor daquele ano. E isto acabou sendo mais benéfico aos tintos do que aos brancos, pois os vinhos estão com uma acidez menor do que o normal, mas nos brancos isto ficaria mais evidente, não fosse esta grande mineralidade, que deixou o vinho mais "vivo e vibrante", o que no final ajudou esta menor acidez. Sobre os tintos, eles parecem muito bons, especialmente os da região de Côtes-de-Nuits, norte da Borgonha. No geral, se forem avaliar a safra como um todo, ela seria avaliada como uma ótima safra, merecendo notas altas e se seguisse a tradição de Bordeaux, preços altos também. Mas, diferentemente desta outra famosa região francesa, os preços não devem disparar conforme dizem os especialistas.
É ver para crer...
CHEERS!!