
Nomes de pessoas como Robert Parker e Jancis Robinson ou até mesmo de revistas como Wine Spectator, Wine Enthusiast, Decanter e Wine Advocate são bem familiares aos apreciadores de vinho e normalmente acabam virando referências para estas pessoas. Afinal, estas pessoas ou veículos passam suas vidas todas degustando vinhos e atribuindo notas a eles. Em sua grande maioria, as notas vão até um máximo de 100 pontos. No caso da Revista Decanter, a nota máxima são as famosas 5 estrelas e para Jancis Robinson, são 20 pontos.
Isto posto, vamos a uma reflexão. É normal e natural que algumas pessoas ou instituições queiram avaliar os vinhos que bebem.
Afinal, há tantas opções no mercado que muitas vezes não sabemos se o vinho é bom ou não. Mas se alguém já tiver tomado e dito o que achou, seja com comentários ou por meio de notas e critérios, muitas vezes estas avaliações acabam facilitando a vida de quem quer comprar um vinho desconhecido. Quem é que gosta de vinhos que nunca ficou em dúvida entre um vinho e outro na estante de uma loja ou na carta de um restaurante e de repente viu que um deles tinha uma pontuação maior que o outro e acabou levando este mais pontuado? São poucos os apreciadores de vinho que nem assim se deixam levar por pontuações. E não acho isto errado. Aliás, não acho nenhum dos casos errados, até porque eu não sou melhor do que ninguém para julgar as preferências de cada um. Mas precisamos olhar com cuidado e critério estas pontuações para não virarmos pessoas totalmente dirigidas por pontuações. Uma nota alta atribuída a um vinho pode mudar a vida deste vinho, do produtor e da importadora para sempre.
Seja para o bem ou para o mal e posso dizer que já vivenciei casos emblemáticos neste mundo do vinho. Um caso foi de um vinho, que prefiro não falar qual, que comprei um determinado dia e até onde eu sabia, ele não tinha nenhuma pontuação expressiva. Passaram-se alguns meses e sai na mídia que aquele vinho, daquele mesmo ano havia acabado de ganhar 91 pontos do Robert Parker. Fiquei feliz, pois havia comprado sem conhecer por indicação do vendedor da importadora e meses depois ele havia sido condecorado com esta alta pontuação. Aproveitei para beber o vinho e realmente era delicioso. Havia me custado por volta de uns R$ 90,00 na época e depois de terminar com a garrafa, passei na importadora e procurei o vendedor, agradecendo a indicação e querendo comprar mais algumas garrafas. E qual não foi minha surpresa quando ele disse que restavam apenas algumas poucas garrafas e que o preço "infelizmente" havia subido para R$ 160,00. Fiquei indignado e obviamente nunca mais voltei. É aí que paro e me pergunto: Por que Robert Parker, Jancis Robinson e as revistas de maior reputação tem o poder de quase dobrar o valor de um vinho, da noite pro dia? Pela reputação que construíram ao longo do tempo? Sim! Mas isto é certo? Não na minha opinião. Por um simples motivo: Parker por exemplo, gosta de vinhos com madeira bem presente na maioria dos casos. Mas isto não quer dizer que o vinho é bom ou ruim. É apenas uma questão de estilo, de gosto. Posso achar maravilhoso um vinho que a Wine Spectator deu 85 pontos e achar um outro vinho que ela deu 95, uma bomba! Tudo isto por um motivo muito simples: Vinho é algo extremamente pessoal! O melhor vinho para mim é aquele que eu gosto, não necessariamente o que tirou 99 pontos. Meu gosto pode não bater com o gosto dos avaliadores. Assim como o gosto de vocês pode não bater com o meu e quando eu indicar um vinho não quer dizer que este vinho seja ótimo. Significa apenas que para o meu gosto, ele é bom! Se vocês gostarem, ótimo. Se não gostarem, vão atrás de outro estilo, outro tipo que lhes agradem.
Minha conclusão é a seguinte: Pontuações e avaliações são importantes e fazem o mercado se agitar, se movimentar em busca de melhores vinhos. Mas elas nunca devem ser usadas como único fator de compra. Precisamos comprar e beber o que nós gostamos e não o que os especialistas falam para nós gostarmos. E a culpa não é de quem avalia ou influencia, mas de quem usa estes artifícios como único argumento de compra. Altas pontuações devem ser indicadores de que dentro daquela garrafa há um líquido sério, bem feito. E jamais deveriam ser fatores de inflação e malandragem, como aconteceu no meu caso e em outros inúmeros que já vi por aí... Portando, valorizem seu próprio gosto!
CHEERS!!
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