Esta semana o Papo-Vinho é com o Jeriel, do www.blogdojeriel.com.br um blogueiro atuante e que faz parte da diretoria da SBAV, uma das mais atuantes entidades do mercado. Espero que gostem e agradeço ao Jeriel pela disponibilidade!

CHEERS!!
Como começou sua história com o vinho?
Na época da Faculdade (Direito - Mackenzie), trabalhava no caixa de um restaurante muito famoso que não existe mais (Bayuvar). Vendia-se muito vinho e vez por outra provava os que faziam parte da carta: Chateauneuf-du-Pape, Dão, chilenos (Concha y Toro, Cousiño-Macul, Santa Helena) e na época o único argentino conhecido era o Don Valentin. Em casa, meu pai de vez em quando abria uma garrafa de vinho, sempre nacional da Serra Gaúcha: Cabernet Franc ou Merlot.
Qual a sua leitura sobre o nível dos blogs de vinho atualmente?
Ótima. Temos blogueiros de alto nível, gente muito séria que sabe o que está escrevendo. Acredito que uma das funções dos blogs é auxiliar na divulgação dos vinhos produzidos aqui no Brasil (alguns blogs são especializados somente em vinhos nacionais) e dos importados. Recentemente, este mesmo EnoDeco, divulgou em primeiríssima mão a importação de vinhos da Noza Zelândia por preços razoáveis por uma grande rede de supermercados. Essa é, para mim, uma das principais funções dos blogs: noticiar fatos do mundo do vinho com agilidade, simplicidade e clareza, porque hoje em dia com a internet as pessoas estão ávidas por informações.
Você costuma trocar ideias com outros blogueiros de vinho ou vocês se consideram concorrentes?
Sim, com alguma frequência. Acredito nessa interação. Concorrência existe em todo lugar, mas acredito mesmo que no atual momento seria mais oportuno os blogueiros agirem em conjunto para ganhar mais visibilidade, porque muitos "agentes de mercado" e até o público estão preocupados com nossas opiniões.
Teve alguma decepção com algum vinho ou algo relacionado ao mundo do vinho?
Nada digno de nota.
O que vc acha que falta para um real amadurecimento ao mundo do vinho?
De maneira geral falta um pouco mais de transparência. Explico: as pessoas não sabem exatamente porque o vinho custa tão caro no Brasil, existe muito preconceito contra vinho branco, muita demagogia em torno de vinhos orgânicos, biodinâmicos (não sou contra, mas há vinhos muito mais caros sem a correspondente qualidade) e finalmente aqui em São Paulo muitos só querem consumir vinhos do Velho Mundo porque são melhores. Em recente viagem ao Uruguai tive a oportunidade de "redescobrir" os vinhos desse país "esprimido geograficamente" pelo Brasil e pela Argentina. Muitos dos vinhos que bebi, às cegas, passariam por vinhos europeus. No meu blog, vinhos da América do Sul recebem o mesmo tratamento dos Europeus.
Qual vinho vc já tomou que mais marcou a sua vida?
Posso citar vários, mas o Château Mouton Rothschild realmente confirmou toda sua fama nas três oportunidades que pude prová-lo. Mas há também Supertoscanos e Superchilenos que decididamente gosto.
Que vinho é o seu sonho de consumo?
Alguns Californianos de produtores "garagistas". São os vinhos que menos conheço, mas vez por outra um amigo viaja e traz algumas garrafas e toda vez fico surpreendido com o altíssimo nível alcançado, porque conseguem fazer caldos tão bons quanto os melhores franceses, italianos, espanhóis, etc. O último que tomei foi o "Pahlmeyer Napa Valley 2004" (não é considerado garagista). Perguntei para um importador quanto custaria para trazer para o Brasil e ele me disse que cerca de R$ 1.000......algo desanimador....mas o vinho é inesquecível, com seus 15,2% de álcool parecendo 12%, com sua fruta copiosa causando uma sensação interminável no palato, enfim, uma grande pena que os produtores americanos não se preocupem com o Brasil, porque realmente a produção norte-americana é impressionante.
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