21
novembro
09h09

Se eu fosse vereador, deputado, senador – ou se fosse mesmo um presidente, um primeiro ministro - talvez um ditador feroz fosse mais apropriado - eu assinaria imediatamente um decreto instituindo a Lei do Buraquinho na Cortina nos teatros de todo o Brasil.
Sempre achei muito excitante poder ver o público entrando no teatro e tomando seus lugares. O burburinho do público, a expectativa – e a expectativa é do público e dos atores também. Tudo isso estimula e faz o coração bater mais forte nos minutos que antecedem o terceiro sinal e o inicio do espetáculo.
Pra mim, o espetáculo começa antes mesmo do terceiro sinal, quando posso olhar o público pelo buraquinho da cortina e iniciar um processo de sedução que poderá levar a todos, público e atores, a momentos de sublime felicidade.
Acho mesmo que o sucesso de um espetáculo cabe naturalmente aos artistas envolvidos na criação, mas cabe também ao público. E é curioso o fenômeno teatral: há um pacto implícito entre palco e platéia. O público sabe que vai viver uma mentira, que se houver morte, será morte representada. Se houver paixões, ódios, insensatez ou grandes atos de generosidade humana, tudo será representado. Cabe ao ator mentir com tanta verdade que o público – mesmo ciente da mentira – se emocione com tudo aquilo.
E como é inexato, cada espetáculo é uma experiência nova, jamais igual ou repetida. Por isso não existe monotonia em longas temporadas teatrais. Cada dia é um dia e cada espetáculo é novo, por mais parecido que tenha sido com o anterior.
Ontem no Teatro do Leblon, mesmo depois de quase 150 representações de Doidas e Santas, saímos renovados e bastante excitados. Tivemos, mais uma vez, teatro lotado, público inspirado e inteligente, e uma relação cênica que fluiu com tanta naturalidade e força que catalisou as emoções de todos.
E, quer saber? É uma sensação realmente espetacular.
Viva!

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