É incrível como calhou de trabalhar tanto nesses dias onde muita gente anda meio parada. Não tenho tido tempo pra nada. E amanhã será igualzinho a hoje, ou pior.
Por outro lado, se não tenho isso, enlouqueço. Fazer o que se gosta é mesmo um privilégio. É um tipo de cansaço orgulhoso, reconfortante – se é que um cansaço pode ser reconfortante.

A Clara, minha leitora mais assídua, sugeriu ontem que eu falasse sobre esse lance de se ver na TV. Sobre como é ver-se e ouvir-se na televisão.
Quando me vi nas primeiras vezes, há muito tempo atrás, achei minha voz horrível. Apesar disso, assistia a tudo com excitação e espanto. Parecia-me ser uma coisa ao mesmo tempo tão próxima e tão exterior a mim. E no fundo é isso mesmo.
Depois de um tempo, o hábito fez desaparecer o espanto e tudo ficou tão comum que deixou todas as surpresas de lado. Hoje, quando vejo alguma coisa minha, (e vejo pouquíssimo), analiso de forma diferente.
Se sou crítico? Dolorosamente crítico.
Mas não sofro mais com os descontentamentos que uma cena possa me provocar. E, algumas vezes, consigo até achar coisas muito boas.
Esse 2010 tem me dado a chance de rever - com o distanciamento dos anos - dois trabalhos antigos. Ana Raio e Zé Trovão, de 1990 e Malhação, dos primeiros anos de 2000. Quer dizer: atualmente posso me ver com 32 anos, com 42 e em Ribeirão do Tempo, com 52.
Ou seja: motivos para deprimir não faltam. Que novinho, que bonitinho, que pele rosadinha... até o branco dos olhos era mais brilhante.
De resto, como resultado artístico, eu gosto muito mais de ver agora do que gostei na época em que foram exibidos originalmente.
Ou seja, meninos e meninas, é a mesma coisa com todo mundo: a gente se acostuma com tudo, para o bem e para o mal.
Fazer o quê?