9
janeiro
07h15

A Marininha é uma jovem senhora bem interessante que usa o Jorge. O marido dela viaja muito e, quando o cara viaja, a Marininha busca no Jorge um pouco de atenção pra suprir aquela carência que dá nas tardes de frio, de calor... Na verdade, carência não precisa de previsão meteorológica. Quando bate, a gente ou fica louco e sofre muito ou, mesmo louco, procura um meio de não sofrer demais. Marininha é assim. Quando o marido fica fora, ela liga pro Jorge, que, claro, não se incomoda nem um pouco em abastecer de carinho aquele corpinho carente da moça.
O Jorge sempre comenta que a Marininha é fogo. Meses atrás, depois de uma tarde em que o couro comeu, (mulher trai de tarde!), a Marininha tava contando pro Jorge - em meio a cafunés e lençóis amassados - que andava meio desconfiada que o marido botava chifre nela.
- Olha, Jorge, vou te falar – dizia a Marininha, entredentes -, se eu pego o Esperidião me traindo, eu mato ele. Eu corto os bagos dele.
O Jorge não conseguia compreender a razão de tanta indignação com uma possível traição do marido da Marininha, afinal, ela própria tava ali, peladona com o amante. O fato é que a Marininha queria porque queria saber se o Esperidião andava pulando cerca.
- Escuta aqui, Jorginho, você vai me fazer um favor. Eu quero que você siga o Esperidião e me diga com que mulherzinha ele anda saindo. Não aguento esse tipo de piranha que fica saindo com o marido da gente. Um bando de vagabundas.
O Jorge fez cara de quem não queria, mas não teve jeito. A Marininha deu a entender que ia cortar a ajuda de custo dele. As finanças do Jorge não iam aguentar tamanho desfalque, então ao Jorge não restou outra alternativa senão obedecer.
Dias depois, tava o Jorge no encalço do Esperidião. “O homem é grande!... ”, pensou o Jorge, que é espertinho, mas sempre foi muito carente de coragem. Odeia violência, o Jorge. Basta um ventinho mais forte que o cara sai em debandada. E como não queria correr o risco de um embate físico, optou pela tática da amizade. Bom de lábia que só ele, o Jorge foi chegando e, sem dificuldade, contraiu - veja bem - contraiu! uma ligeira amizade com o marido da Marininha.
Chopp vai, sinuca vem, o Esperidião se revelou um cara pra lá de legal, pensava o Jorge, tentando não remoer remorso por frequentar a cama abandonada do novo amigo. E tinham muitas coisas em comum: ambos eram tricolores, ambos gostavam de sossego e ambos - veja bem - ambos gostavam da Marininha. Só que esse detalhe o Jorge tomou a sábia resolução de não revelar ao Esperidião.
- Minha mulher é minha vida, Jorge! , dizia o Esperidião, animado pela cerveja.
- É?!, concordava o Jorge, meio sem-graça. Mas você não dá umas tacadas por fora? Quer dizer, você não encaçapa a bola sete fora de casa?...
- Como assim?, perguntava o Esperidião, santo de ingenuidade.
- Assim, quer dizer... Você viaja muito... Não dá vontade de cometer um pecadinho por aí? Tem tanta mulher, né, meu amigo?!, dizia o Jorge, buscando intimidade.
- Olha, Jorge, vou te dizer uma coisa:- minha mulher é tudo pra mim. Só penso nela e ela só pensa em mim. Aliás, se eu, algum dia, que Deus me livre disso, se eu fico sabendo de algum deslize dela, eu viro bicho.
Disse isso e, sem querer, trincou o copo de chopp entre os dedos. O Jorge viu que dali não sairia nenhuma confissão, simplesmente porque não havia o que confessar. O que tinha de forte, tinha de casto. O Esperidião era um homem fiel.
Ele foi até a Marianinha e explicou o caso. Disse que o Esperidião era o bambambam da honestidade matrimonial, que ela podia dormir tranquila e tudo o mais.
A Marininha se aconchegou nos braços do Jorge e cochilou feliz.

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