11
setembro
07h56

Peter Arnett é um jornalista americano, ganhador do Pulitzer, que conquistou grande notoriedade cobrindo a Primeira Guerra do Golfo, em 91, ali, no front. Ele mandava matérias e, enquanto falava, as balas e as explosões aconteciam ao fundo, raspando a cabeça do repórter.
No final de 2000, ou início de 2001, Peter Arnett esteve no Brasil dando algumas palestras e eu tive oportunidade de ouví-lo. E ele falava dessa relação estranha entre a política externa americana e os países árabes, falava da profissão de jornalista e terminou dizendo uma frase que pouca gente prestou atenção, eu acho.
Disse ele:
- O serviço secreto americano tem uma lista enorme de possíveis ameaças terroristas, mas tem dado pouca importância a um individuo que eles conhecem bem: Osama Bin Laden.
Peter Arnett tinha estado cara a cara com Bin Laden numa entrevista que deu muito trabalho, com certa dose de perigo etc. Arnett saiu da entrevista com uma estranha sensação...
E como num filme de guerra, e de uma maneira que só parece acontecer no cinema, poucas semanas depois, eu estava numa aula de Teoria da Comunicação quando um rumor de espalhou pelos corredores da universidade, a aula foi interrompida e saimos todos da sala em direção ao pátio, onde, numa TV pendurada da parede, as imagens mostravam - ao vivo - o primeiro prédio do WTC em chamas. E antes de conseguirmos saber ao certo o que era aquilo, vimos o segundo avião se aproximando e se chocando com o segundo prédio, numa cena fantástica e terrível, que parecia - ironicamente - coisa do Spielberg.
Mas aquilo era fato, não imaginação e entretenimento. Os prédios ruiram e levantaram uma nuvem de poeira e escombros que fizeram tremer o sempre inabalável sonho americano.
O resto é a história que, de um jeito ou outro, todos conhecemos nas mais variadas versões. Tem gente que acha que isso não teve nada a ver com Bin Laden, que foi coisa do Bush Filho mesmo...as teorias de conspiração. Eu não boto fé nisso. Foi mesmo Bin Laden, que aprendeu muito sobre armas e conspirações em território americano, treinado por americanos - numa época em que os americanos acreditavam estar treinando um aliado. Deu no que deu.
Trágido, estúpido, sensacional e catastrófico, me parece que o Séc. 21 começou ali, dez anos atrás, no dia 11 de setembro de 2001.
Uma nova relação política parece estar se desenhando agora. A Europa falida, os EUA vivendo uma crise sem paralelo em sua história e ninguém sabe ao certo onde isso vai dar.
Ok, mataram o Bin Laden outro dia - mas quem se lembra mais.
O impacto de 11 de setembro de 2001 vai ficar tremendo dentro de todos nós para sempre.

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