Depois de trabalhar por mais de 20 anos como doméstica, Clementina de Jesus - finalmente - foi descoberta por Hermínio Bello de Carvalho e começou, embora tardiamente, uma carreira de sucesso aos 63 anos.
Dividiu o palco com quase todos os maiores compositores e cantores do séc. XX e era, ao mesmo tempo, uma mulher muito simples, mas que despertava, sem esforço, um respeito quase monárquico.
Uma grande dama do samba, Clementina se preocupava em manter, também, a cultura de sua gente, gravando canções folclóricas e outras tantas que mantinham vivas sus origens africanas, visto que ela própria era neta de escrava.
Eu gosto de muitas coisas da Clementina, mas sempre ofereço a quem a conhece pouco essa música do link abaixo, porque ela reúne o que há de melhor em samba, em folclore e em imagens africanas de mandinga.
A música fala da história de uma mulher traida que resolve se vingar do marido e coloca, como se diz ainda hoje por aqui, o nome do traidor NA BOCA DO SAPO.
Veja só a mandinga que a mulher traida prepara para seu marido safadinho:
Costurou
na boca do sapo um resto de amor
o resto do prato que o pato deixou...
( O querido Zeca Pagodinho, anos depois, também resolveu gravar esse samba...)
clica...
CLEMENTINA NASCEU EM 7 FEVEREIRO DE 1901.
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E em Salvador, gente?
Alguém tem noticias quentes de Salvador?
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Adendo ao post
(Isso já publiquei faz tempo, mas cai bem a propósito com a música da Clementina e com os comentários sobre o post de hoje.)
O sapo, o dinheiro e o golpe
Um sapo. Tinha cara de sapo, o menino.
Nada mais que um sapo coaxando desde o nascimento. Feio e sem graça, o garoto cresceu naquele clima de rejeição, coitado. Acontece que, junto com a carênciae a extrema feiúra, desenvolveu-se nele uma inteligência desproporcional, se comparada à da maioria dos comuns. Com o tempo, o menino virou uma sumidade. Havia pouca coisa que ele
não dominasse do conhecimento humano, desde as coisinhas simples do cotidiano às intrincadas discussões da metafísica.
Sua inteligência só tinha paralelo na sua falta de atributos físicos.
Como a primeira impressão é a que fica,o Mércio - (olha só a sina do garoto) -, o Mércio nunca encontrou sua alma
gêmea, seu chinelo velho, sua almofadinha de conforto nessa vida humana, tão cheia de necessidades afetivas. E olha que ele tinha uma queda pela Dora, que, claro, “não ia dar bola prum sapo”, como dizia a moça, rindo e humilhando.
Depois dos cursos básicos de formação, aqueles que um pai não tem coragem de negar nem a um sapo, o garoto foi largado
só, diante de uma vida que se desenhava quase impossível. Então descolou um lugarzinho num mosteiro, o que, aliás, pareceu uma boa solução para os parentes que ainda ousavam reconhecer esse parentesco indesejado. Trancado lá por obra da compaixão dos franciscanos, o menino realizava pequenos trabalhos em troca de comida e de um catre onde dormir. A descoberta da biblioteca do mosteiro mostrou ao Mércio que, se quisesse um relacionamento leal, deveria abraçar os livros.
Durante os anos de mosteiro e sem esperanças de conquistar a Dora, que insistia em ficar indignada com a paixão
do Mércio, o rapaz namorou os livros e as enciclopédias, beijou almanaques e acariciou publicações raras. Junto com a vida adulta veio o conhecimento e a visão crítica do mundo. Ao contrário de reconfortá-lo, a consciência das coisas
deu-lhe a certeza de um horizonte sem amor e mostrou-lhe, também, as possibilidades financeiras de seu cérebro privilegiado. Daí pra frente foi fácil. Virou o tal. Ganhava muito criando soluções para empresas, bolando
planos estratégicos, analisando crises e propondo soluções. Pra ele, era um divertimento ganhar dinheiro. A princípio, só dava as caras nos lugares em caso de extrema necessidade. Procurava resolver tudo recluso em seu cubículo. Depois
que a fama se espalhou, não sobrou outra opção senão franquear sua cara de sapo à sociedade. Mudou-se do mosteiro,
comprou um carro, um pequeno apartamento e umas roupinhas também. A fama de sua competência se espalhou com o vento e, depois de um espanto inicial com sua aparência realmente deficitária, as pessoas até conseguiam conviver com ele.
Quando tomavam conhecimento do dinheiro que estava ganhando, algumas menininhas até chegavam a dizer que “ele nem é tão feio assim!”...
O Mércio podia ser um sapo, mas tinha se tornado um cara competente e culto. E mais:- estava ficando rico, o danado.
E como as notícias correm e certas mulheres têm o faro bem apurado quando o assunto é grana, o perfume do sucesso
chegou às narinas de Dora que, inclusive, já estava noiva de um cidadão lá.
Aquele sapo de antigamente pareceu transformar-se num príncipe aos olhos de Dora, que o tempo havia transformado
numa oportunistazinha. Ela pediu um tempo ao noivo. Disse que tava em crise e que precisava “pensar”. Começou a cercar o Mércio e a demonstrar um carinho quase obsceno. E olha que a Dora nem era essa maravilha toda não. Não era uma
sapa, mas tava longe de ser uma beldade.
O fato é que o Mércio caiu na rede feito um peixe-sapo.
Casaram-se. Dora, içando a bandeira de um futuro confortável sobre a cara disforme do Mércio, tratou logo de arranjar um filho. Nascido o rebento, (um pequeno girino, coitado!), ela já pensa em separação. Só tá esperando o Mércio ficar ainda mais rico pra provocar um divórcio litigioso.
Dora finge uma paixão enquanto o Mércio pensa ser amado.
Tá cheio de casos assim, sabia? O que prova que sapo, mesmo inteligente e culto, fica cego por uma perereca.











