16
julho
06h52

 

A Armadilha

Olha só que legal foi esse meu domingo, Dia do Homem:

Tive o dia de folga, com planos de trabalhar só de noite, no teatro. Mas eu sou um cara que acorda cedo, então passei a manhã fazendo pequenas coisinhas em sem fazer muito barulho pra não acordar a Jararaca e nem a filha - uma jararaquinha em formação.

Elas acordaram lépidas, bem tarde, com a seguinte proposta, saída da boca da filha:

- Vamos fazer o seguinte, pai...você não tem que consertar o telefone?  Então....eu e a mamãe vamos com você ao Shopping pra você consertar o telefone..." .

O italianinho, um ingênuo, quase ficou emocionado com a proposta. Ainda mais quando a proposta veio complementada por um sorriso singelo:

- Depois que você consertar o telefone a gente almoça juntinhos, nós 3..."

A vítima chega ao shopping com as víboras e recebe o primeiro golpe,  vindo da boca da  Jararaca Rainha:

-  Faz assim, ó: vai lá na Nextel ver o lance do telefone que, enquanto isso, a gente vai dar uma voltinha por aí. Quando você tiver terminado, liga  que a gente vem encontrar você.

Viraram as costas e se foram.

Sabe qual foi a primeira coisa que descobri assim que elas se perderam no meio da multidão?

NÃO TEM LOJA DA NEXTEL NO BARRA SHOPPING!

Fiquei sozinho naquele shopping imenso e lotado, SEM TELEFONE.

Tentei reencontrá-las em vão. Sai andando pelos corredores, buscando entre as pessoas, mas nada. Acabei me sentando num lugar e pedi um café. E fiquei mexendo com as configurações do BlackBerry em busca de um milagre. Tomei outro café.

Acontece um fenômeno engraçado com artistas: se você vai andando SEM PARAR, meio rápido, parece que você tá ocupado, atrasado e não dá tempo para que o pessoal se mobilize pra te parar para uma foto ou um autógrafo. Quando a pessoa se restabelece daquele sustinho por ter visto UM ARTISTA, você já tá meio longe... Agora, se você fica parado, ou pior, senta pra tomar um café, isso encoraja as pessoas a se aproximarem e, em geral, todo mundo é muito simpático e amoroso.

Assim que sentei pra tomar café, chegou um, depois outro, uma e depois outra.

Eu percebi que não poderia ficar ali muito tempo e, AO MESMO TEMPO, não tinha pra onde ir.

Acabei indo prum canto do estacionamento externo pra continuar mexendo com o celular.

Agora você acredite se quiser. Eu esperei tanto pelas cobras venenosas que estavam dando sua voltinha que, depois de umas duas horas e meia eu CONSERTEI SOZINHO AS CONFIGURAÇÕES DO CELULAR.  Ou pelo menos consegui fazer com que fosse possível telefonar praquela dupla peçonhenta.

Eu já tinha tentado de orelhões, mas elas estavam incomunicáveis.

Quando consegui falar, me pareceu que elas sequer notaram a minha ausência e nem sentiram a minha falta.

Ainda esperei mais uns 40 minutos até elas saírem da loja com sacolas nas mãos.

Elas me olharam indiferentes, me mandaram carregar as sacolas e eu quase perco a hora do teatro.

E o ingênuo caiu mais uma vez na armadilha de ir ao shopping com mulher.

Dia do Homem... sei.

 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitter
  • Digg
  • Netvibes
  • Facebook
  • Google Bookmarks
Ir para a home do site
Todos os direitos reservados - 2009- Rádio e Televisão Record S/A
exceda.com