27
julho
07h04

 

Ontem foi dia dos avós, mas só depois de publicado o post me ocorreu contar minha  incrível experiência com minhas avós.

Passei toda minha infância e adolescência muito próximo dos meus avós paternos que, em certo momento, chegaram até a morar com a gente. Já contei aqui que meu avô, já aposentado, trabalhava numa loja no centro de SP e na época de Natal ele ficava na porta da loja vestido de Papai Noel chamando a clientela. Depois, na festa da família, ele sempre levava a roupa pra casa e vestia pra entregar os presentes de todos. Ele ficava a cara do Papai Noel - a cara - perfeitinho.

Minha avó paterna era muito legal, mas era uma mulher conservadora. Jamais acreditou na ida do homem à Lua - (e muita gente, ainda hoje não acredita) - e nunca gostou muito de saber que um neto dela, de 13, 14 anos, se aventurasse nesse negócio de "artista"...

Depois da morte de meu avô Papai Noel, minha avó resolveu voltar pra Itália depois de, sei lá, uns 30 anos de Brasil. E voltou. Foi morar com minha tia, filha dela, na Itália.

Esses são meus avós paternos.

 

Pelo lado da minha mãe, jamais conheci meu avô. Ele morreu prematuramente e minha avó da Itália passou a se vestir de preto até seu último dia. A imagem que tenho dela é essa: um vestido preto, sapato preto, meias longas pretas e um coque nos cabelos grisalhos.

Eu aprendi a falar - e a escrever - italiano lendo as cartas que essa minha avó nos mandava mensalmente. A gente lia as cartas juntos e meu pai nos estimulava a escrever umas palavras pra nonna. E a gente escrevia e ia aprendendo o idioma.

Durante muitos anos nosso pessoal do Brasil ia visitar a turma da Itália. Todo mundo ia, menos eu - o artista. Eu sempre tinha "prioridades": uma peça infantil, um ensaio ali, uma possibilidade acolá....Pensava eu, na minha juventude: - " e se o telefone toca e ninguém  me acha..."   Vê-se que eu nunca fui uma pessoa sensata.

O fato é que todos foram visitar a nonna na itália, menos eu.

Um dia eu fui visitar as avós, ambas na mesma cidade onde nasceram e cresceram meu pais.

As duas avós estavam bem velhinhas, mas a minha nonna conhecida e com quem convivi bastante sequer me reconheceu. Estava velhinha mesmo e balbuciou algumas palavras incompreensíveis - mas não me reconheceu.

Finalmente fui conhecer minha avó materna, que só conhecia por fotografias. Ela estava na cama, quase tão fraca quanto a outra avó, mas, apesar de nunca ter me visto pessoalmente, ela me reconheceu. Havia uma foto minha sobre um móvel.  Ela chegou a sorrir e falou meu nome - e me beijou.

Duas horas depois, morreu, plácida e tranquila, aos 99 anos.

Minha outra avó viveu ainda mais um tempo.

Mas vamos evitar comentar que  "ela só estava esperando conhecer você..." que isso eu já ouvi bastante e não concordo.

Pronto, contei.

 

________

 

Tenhamos todos um lindo dia.

Mais uma sexta-feira, pessoal. Vamos em frente, aproveitar a vida.

 

 

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