23
novembro
06h52

Saiu dia desses no jornal que cientistas britânicos descobriram a fórmula da felicidade. Não só descobriram como, num gesto de extrema generosidade, botaram na roda, divulgaram.
Segundo eles, a fórmula é simples: Felicidade = P+ (5xE) + (3xH). Ainda explicaram o significado das letrinhas. P significa as características pessoais, a forma de encarar a vida e se adaptar às situações. A letra E é a saúde, situação financeira e amizades. O H é a autoestima, a ambição e o senso de humor.
Os cientistas bolaram um questionário que, respondido e analisado, nos dá os valores exatos das letras. Pronto, eis a receita da felicidade.
Sou admirador da ciência. Sou, na verdade, um fã ardoroso. A ciência é capaz de coisas incríveis que - vamos admitir - facilitam nossa vida para chuchu. Talvez algum dia, a ciência vá descobrir um jeito de inventar uma pílula que nos proporcione diferentes graus de felicidade. Já pensou? Você acorda de manhã e percebe que é um dia legal e você quer ficar muito feliz. Sem problemas. Você toma a pílula Extreme Felicity e pronto. Meia hora depois, você alcança o nirvana, vai aos céus. Noutro dia você tá cansado, tá a fim de ficar apenas plácido, nada de excessos. Vai lá e toma o Medium Felicity. A pilulazinha vai estabilizar sua onda e você vai ficar assim, meio blasê.
Você pode querer também emburacar, ficar deprimido - tem gosto para tudo! Vai lá e toma o Super-Deprimity. Em meia hora, você estará na sarjeta. São 24 horas de efeito garantido ou seu dinheiro de volta.
Ah, a ciência!....
Ainda segundo os estudiosos, existem pessoas que carregam consigo uma tal de hipertimia. Dizem eles que a hipertimia seria assim, como explicar?, uma felicidade congênita. A pessoa nasce assim. Não importa os problemas que enfrente e nem os pés na bunda que leve, os hipertímicos sempre enxergarão o lado bom das coisas. Podem até ficar meio tristinhos, mas infelizes nunca.
Na ponta oposta da hipertimia temos, segundo a ciência, a distimia. O sujeito - ou a sujeita, claro - que tem a danada dessa distimia carrega consigo a triste sina da infelicidade. Os distímicos não seguram a onda. A depressão e o fundo do poço é o carma deles.
A ciência descobre cada coisa!
Remédios pra crescer cabelos, pílulas pra levantar peru, bombas pra crescer músculos, pílulas e mais pílulas. Silicone pra crescer peitos, botox para tirar rugas, cremes e mais cremes milagrosos...
A ciência pode inventar pílulas para quase tudo, mas jamais vai conseguir criar a pílula da paixão e do encantamento, do golpe de mestre e do gol de placa, do insight criativo, a pílula do olhar brilhante e do sorriso aberto, o xarope da genialidade ou a pomada que nos faça românticos ou delirantes de sonhos. E até, por que não?, a injeção das decepções e do amor perdido ou as agulhas da crueldade e da sordidez.
A graça e a tragédia da vida residem, exatamente, na imponderabilidade e no segredo do futuro. A aventura da vida, por mais que tentemos, foge do nosso controle e, quase sempre, somos levados por indecisos ventos rumo à felicidade ou à tristeza, ao éden ou ao caos.
A ciência é uma grande obra dos homens e os homens, senhoras e senhores, são imprecisos e relativos, subjetivos e curiosos, deliciosamente cheios de esperança e que, apesar de racionais, alimentam a ingênua e secreta ilusão de vencer a morte.
Para essa ilusão não há pílula e nem fórmula que dê jeito.
Vixi...

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