24
dezembro
06h30

Quando eu era menino, mas bem menininho mesmo, eu adorava o Natal. E tinha razões pra isso. A família toda, os tios, os primos, todos, todos,  íamos pra casa do meu avô. Lá, como em toda casa de italianos, tudo girava em torno da comida, muita comida.


As mulheres começavam a preparar a ceia muito tempo antes – com certa ajuda dos homens. Era macarrão feito à mão, um a um, que depois eram colocados – pelos homens – sobre uma mesa para secar até o dia da ceia. E eram doces típicos italianos, e uma infinidade de coisas pra comer que só de pensar ainda consigo sentir o cheiro gostoso que vinha da cozinha.


No dia 24 todos se reuniam e ríamos, e brincávamos e – mais do que tudo – comíamos feitos doidos, e com um prazer inacreditável. E tomávamos vinho feito em casa pelo meu pai. (Hoje em dia quem faz vinho pra família é meu irmão. E é bom e chique, pode acreditar!).


Até as crianças eram liberadas pro vinho, com certa preparação. Só de falar ainda sinto o gosto. As mulheres colocavam um pouco de vinho num copo com açúcar e completavam com água. Nós bebíamos aquilo com voracidade e pedíamos mais. Delícia!


Depois de empanturrados, começava brincadeira: De repente, meu avô sumia. As crianças ficavam ansiosas porque sabiam que, em pouco tempo, ele reapareceria vestido de Papai Noel. E ele ficava a cara do Papai Noel, com seus cabelos brancos e aquela barriguinha espetacular.


Durante muitos anos, se alguém me perguntasse se eu conhecia o Papai Noel, eu diria, sem pestanejar: - Papai Noel é meu avô!


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