04
abril
às 19:04

A busca pela fama não é um assunto inédito neste blog, já que vocês puderam acompanhar algumas aventuras de Karinna com K e dois enes, uma atriz-modelo-e-manequim que faz de tudo para brilhar na carreira artística. Também já escrevi e dirigi uma peça sobre o assunto, em 2006, chamada V.I.P. - Verdades Inquietantes de uma Profissão. Na montagem teatral, quatro tipos bem distintos se encontram na recepção de um teste para novela; um ator conservador de teatro, um ex-reality show, um ator mirim que está desempregado desde que cresceu e um ator de musicais, que almeja o glamour da profissão e a fama pela fama. Por meio dos relatos desses quatro personagens, se desenvolve uma discussão sobre os novos rumos da arte no país. A fama é um objetivo ou uma consequência?

Captura de tela 2011 04 04 às 18.55.20 Que venham os novos ídolos!Com Ícaro Silva, José Loreto e Alexandre Lemos, elenco da montagem teatral de 2006.

O fato é que o assunto rende. E muito! O meio artístico é cada vez mais concorrido e existe uma atmosfera mítica que reforça essa corrida pela oportunidade perfeita. Seja para escrever para a TV, seja para conseguir um papel na novela, seja para fazer uma platéia delirar com a sua música... É grande o leque de talentos em cada canto desse país. Quantos sonhos, quantas esperanças. E tenho que recorrrer ao clichê quando escrevo: Quem acredita - e trabalha duro!!! - sempre alcança.

Quem me acompanha pelo twitter (@GustavoReiz) sabe que sou fã do American Idol. E, como não poderia deixar de ser, também não perco a versão brasileira. A nova temporada de Ídolos está para começar. São milhões de candidatos disputando um lugar ao sol. Ou melhor, ao holofote. Melhor ainda: ao microfone. Talentos incríveis são revelados e as trajetórias de alguns participantes também costumam ser emocionantes. E, claro, sem esquecer das figuras inusitadas que aparecem por lá...

Será que ele voltará?

E, para terminar, a candidata para quem mais torci em todas as edições do programa: Nise Palhares.

Que venham os novos talentos! Sucesso também aos jurados!

PS - Karinna com K e dois enes acaba de me escrever dizendo que se infiltrou das audições do Ídolos. Vamos aguardar o que vem por aí...

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13
março
às 15:58

O Carnaval chegou, foi embora e eu mal vi... Gosto da festa, mas não acompanhei os desfiles e nem arriscaria cantar nenhum samba novo. Ouvi comentários e soube pelas manchetes que a Salgueiro atrasou, que a Viradouro não subiu, que Ana Hickmann caiu, que a Sandy bebeu, que a Hebe beijou, que o Rei emocionou... Manchetes que parecem se repetir anualmente, assim como os dias de folia. Só depois de concluir meu trabalho é que procurei assistir alguns trechos dos desfiles, pela internet. E foi com o enredo do Porto da Pedra que voltei no tempo. "O sonho sempre vem pra quem sonhar", apesar do título meio Lua de Cristal, levou para avenida uma bela homenagem à Maria Clara Machado, fundadora do Tablado e ícone do teatro infantil. Foi emocionante ver aqueles personagens ganharem vida, de forma tão grandiosa. Ao ver Pluft voando sobre aquelas pessoas, rapidamente embarquei nas viagens daquela autora que tanto me fizera sonhar.

Captura de tela 2011 03 13 às 14.07.40 A Clara que faz sonhar...

Comecei a fazer teatro com onze anos, na escola. Participei de mais de vinte montagens como aluno, até que senti necessidade de procurar outros palcos. Busquei cursos no Rio e, como era muito novo e ainda estava na escola, tinha que optar pelos cursos em que eu conseguiria chegar - dependendo do dia, levava quase três horas dentro do ônibus. Por isso, geralmente fazia aulas aos sábados, pela manhã, enquanto meus amigos iam à praia ou dormiam até meio-dia por conta da festa da noite anterior. É claro que eu não perdia as festas, tinha 16 anos! Mas acordava bem cedo, no dia seguinte, aproveitando o ônibus vazio para dar aquela cochilada... Como muitos estudantes de teatro, eu já conhecia o Tablado. Mas achava uma realidade muito distante, já que ouvia tantas histórias de pessoas que vinham de longe e enfrentavam filas quilométricas, relatos de ex-alunos famosos... Havia toda uma atmosfera em volta da famosa escola para atores que, simplesmente, a distanciava de mim. Eu já havia lido e assistido as peças de Maria Clara Machado, como Pluft, o Fantasminha, O Cavalinho Azul, A Bruxinha que era boa, O Rapto das Cebolinhas e muitas outras. Na última, inclusive, está o personagem que tanto me chamou a atenção pela sua construção e, por isso mesmo, que sempre sonhei em interpretar: o vilão Camaleão Alface. O fato é que a oportunidade de entrar no Tablado aconteceu de repente, como as melhores coisas que acontecem em nossas vidas. Além dos meus cursos de sábado, no Teatro do Planetário da Gávea (hoje Teatro Maria Clara Machado!), comecei a fazer outros cursos, a participar de algumas leituras e conhecer mais gente que, assim como eu, se desdobrava em mil para fazer o que gostava. E foi nessa época, após uma apresentação, que surgiu a possibilidade de conseguir uma vaga no Tablado.

Não perdi tempo e, naquela mesma semana, lá estava eu, na famosa rua Lineu de Paula Machado, diante de uma portinha, na frente de uma praça. O muro estava branco, sem indicação nenhuma. Ali era o Tablado. Fui recebido pelo simpático Zé, que me indicou a recepção, onde estava uma senhora que, inicialmente, intimidava um pouco pela seriedade. Mais tarde descobriria que se tratava de Vânia Velloso Borges, primeira atriz a interpretar os personagens femininos da Maria Clara e que trabalhava na administração de O Tablado. Ela pediu que eu esperasse um pouco, enquanto atendia os telefonemas e descartava àqueles que já perguntavam sobre emissoras de TV. Ao ser informado de que deveria subir uma escadinha e ir à secretaria, não imaginava o que me esperava. Ou melhor, quem me esperava. Pedi licença e entrei na salinha, para falar com a Silvia Fucs, administradora e responsável pelas matrículas naquele ano. Mas a minha grande supresa foi que, ao lado da mesa dela, sentada numa poltrona estava ninguém menos que Maria Clara Machado. A própria. Não acreditei quando vi. Claro que eu sabia que ela a fundadora da escola, mas nunca poderia imaginar que ela estaria ali, tão... disponível, tão real. Maria Clara Machado. Uau! A minha primeira reação foi ajoelhar e beijar sua mão. Ela riu e disse que eu era um cavalheiro. Tive raiva de mim por não estar com os livros dela na mochila, para garantir uma dedicatória. Mas saí de lá com algo tão valioso quanto: uma vaga para estudar no Tablado.

A partir daquele dia, os encontros com a Clara se tornaram mais frequentes. Sempre que podia eu inventava uma desculpa para ir à secretaria e trocar umas palavrinhas com ela. Passei a me interessar ainda mais pela sua obra, me envolvi de verdade com aquele universo maravilhoso. Principalmente quando fui convidado a fazer uma peça escrita por ela e que seria dirigida pela Cacá Mourthé, minha professora e sobrinha da autora. Era A Gata Borralheira, onde interpretei o Primeiro Ministro. Aprendi muito com a Cacá e com meus colegas de palco, alguns hoje conhecidos pelo grande público, como Maria Clara Gueiros, Matheus Solano, Leandro Hassum, Cadú Fávero, entre outros tão talentosos quanto eles, que me fazem vibrar com suas conquistas. Foram meses de ensaio e meses em cartaz. Nos dias das apresentações (geralmente aos domingos), lá estava a Clara, observando de perto os resultados de suas criações. É claro que eu chegava mais cedo e ficava por ali, por perto daquela que tanto me inspirava. Foi uma época muito importante para mim. Não levei os livros para a Clara autografar; a convivência naquele lugar marcaria muito mais a minha trajetória profissional, seja como ator ou como contador de histórias. Serei um eterno aprendiz. Ou melhor: serei sempre um amador, como a Clara costumava dizer, fazendo menção ao dramaturgo francês:

O ideal seria que, durante a sua carreira, por maior que o artista fosse, jamais cessasse de ser um amador, se atribuirmos a essa palavra toda a sua plenitude: aquele que ama.
Jacques Copeau

Captura de tela 2011 03 10 às 17.13.53 A Clara que faz sonhar...

Não levei os livros, é verdade. Mas acham mesmo que eu ficaria sem uma foto com a mestra?! Salve Maria Clara Machado!!!

Indico o site de O Tablado, que está repleto de informações e conta com um acervo incrível, com fotos e raridades, como uma página de Maroquinhas Fru-Fru, escrita à mão pela Clara e edições antigas dos Cadernos de Teatro.

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01
março
às 10:10

Captura de tela 2011 03 01 às 09.29.20 Seu Alípio e os blocos de Carnaval

O Carnaval se anuncia com toda sua festa, energia e vibração. Para muitos, é o momento mais esperado do ano; a verdadeira despedida das férias, o momento de beijar todas as bocas, abraçar todos os corpos, esvaziar todos os copos... A rima é liberada e contagia: Olha a cabeleira do Zezé, será que ele é... Alalaô-ô-ô-ô-ô-ô-ô, mas que calô-ô-ô-ô-ô... O fato é que após o Carnaval é que o ano verdadeiramente começa, na opinião de uma grande maioria.

– Uns desocupados, isso sim! – resmungou Seu Alípio, com o jornal nas mãos. – Ainda é véspera de Carnaval e o povo já está nas ruas!

Não é que Seu Alípio seja contra a festividade. Ele até que gosta de uma comemoração, mas acha que o povo brasileiro exagera um pouco.

– É você quem está exagerando... – disse Dona Clélia, a esposa.

A tranquila senhora tem passagem garantida para o céu, com estadia cinco estrelas, banhos diários de sol e passeio ilimitado pelos cantos de cá, até mesmo em alta temporada, como feriado de Carnaval. Quando o marido ligava o falador, Dona Clélia simplesmente abduzia. Foram anos desenvolvendo essa técnica: ela concordava ou discordava com a cabeça e Seu Alípio nem notava que ela estava longe...

– Olha essa foto com a orla da praia lotada! E esse bando de homem que só se diverte vestido de mulher? Essas garotas que passam de mão em mão como se fossem álcool em gel?! Isso não é exagero, Clélia?

E Dona Clélia apenas fez que sim com a cabeça, mas a caixa de Pandora já estava aberta...

– Longe de mim querer ser rabugento – continuou ele. – Já disse que gosto da festa, mas não sou obrigado a vivê-la tão intensamente! Não se pode ir na rua comprar um pão que algum homem vestido de mulher mexe com você! Ou então vem alguma criança com aquela maldita serpentina em spray e te enche de espuma, sem o menor respeito! Isso quando não sacodem seu carro se você der o azar de passar em algum bloco. Estou exagerando, Clélia?

E Dona Clélia apenas fez que não, lembrando das festas no clube em mil novecentos e lá vai marchinha.

– A baixaria já começa com a garota sambando pelada na TV, de cinco em cinco minutos, em qualquer horário do dia. Você sai na rua e parece que ela se multiplicou!!! Será que apenas eu me choco com isso? Você não fica chocada, Clélia?

E Dona Clélia fez que não. Ele continuou:

– Nos blocos também impera a pouca vergonha! É perereka sem dono...

– Que isso, Alípio ?! – assustou-se Dona Clélia, voltando rapidamente ao presente.

Calma, calma, sua piranha!

Os olhos arregalados da senhora diziam mais que qualquer palavra. Havia lança-perfume no lenço daquele cidadão?! O que ele pretendia com aquela agressão verbal?!

Só o cume interessa – continuou ele.

– Alípio José! – exclamou Dona Clélia, desenterrando o segundo nome do marido, o que ela só fazia quando estava verdadeiramente nervosa. – Você me respeite que eu não quero mais...

Pinto na perereca! – completou.

Pausa para digerir a informação. Foi o suficiente para a distinta senhora deixar o marido sozinho, ainda com o jornal na mão.

– Eu não estava exagerando?! Eu avisei que é uma baixaria!!! – gritou ele, vitorioso, para o interior da casa. – E está só começando, a lista dos blocos é enorme...

**Seu Alípio é aposentado, síndico do prédio
e detesta a ala das baianas pois ataca sua labirintite.

Se você, como eu, não é como Seu Alípio e quer acompanhar os blocos de rua do Rio de Janeiro, veja a lista completa dos blocos AQUI.

E para entrar no clima da folia...

Até a próxima!

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22
fevereiro
às 11:07

O meio artístico é concorrido e isso ninguém pode negar. Quem está nessa busca sabe o quanto é difícil dar os primeiros passos para conseguir um lugar ao sol. Ou melhor, um papel na novela, minissérie, comercial... O fato é que em datas e ocasiões festivas como Carnaval, Páscoa, campeonatos esportivos, entre outros, às vezes aparecem algumas oportunidades de trabalho, não só para foliões, coelhinhos da Páscoa e jogadores de futebol, mas também para atores e atrizes. Nesse caso, para uma atriz-modelo-manequim: Karinna com K e dois enes.

O telefone tocou. Quando viu que se tratava de um número não identificado, Karinna já ficou nervosa: acreditava que sua grande oportunidade viria de um número restrito. E, de fato, a ligação era da agência de talentos. Na maioria das vezes não passavam de testes para comerciais ou participação quase sem fala, mas a esperança permanecia viva. Dessa vez, Karinna não precisaria fazer testes, tinha sido aprovada por fotografia. O trabalho não era lá o papel de seus sonhos; passaria o dia no camarote mais badalado de um evento em que muitas celebridades participariam: a final do campeonato brasileiro. A atriz faria uma recepção de luxo e alguns números para entreter os convidados. E foi pensando nos convidados que Karinna aceitou de imediato. Era sua grande chance de se aproximar de diretores, autores, produtores, atores... Levaria milhares de fotos, vídeobooks e não perderia a oportunidade de entregar o material nas mãos daqueles seres quase mitológicos para ela. Chegado o dia do evento, Karinna caprichou no cabelão, puxou daqui, repuxou de lá, deu aquele trato nos fios louros e agora impecáveis. Não carregou na maquiagem mas valorizou o decote. Colocou aqueles óculos escuros que só artistas usam, e partiu para o trabalho. Se ela não conseguisse nenhum contato, não se chamaria Karinna com K e dois enes. Já na entrada avistou um consagrado diretor, que lhe deu uma significativa olhada antes de entrar para o camarote. Sinal de que estava certa em suas convicções. Mas autoconfiança tem limite e a sua fora totalmente derrubada quando recebeu o figurino.

– Eu vou ter que usar isso aqui?!!! – perguntou, chocada.

Era nada mais nada menos, que a fantasia de um urso gigante, o mascote de um dos times finalistas. Uma roupa felpuda que cobria todo seu corpo e um cabeção de animal sorridente que Karinna teve vontade de isolar, como um goleiro faz com a bola ao bater o tiro de meta. Aquele cabeção acabaria com o seu penteado, esconderia totalmente seu rosto e acabaria com todas as suas chances. Caso se negasse, rapidamente surgiria outra pessoa para o maldito papel do ursão, e aí sim suas chances estariam liquidadas. Mas ela era uma atriz, saberia improvisar. Lembrou da Magali dançarina, que virou um fenômeno na internet e foi parar na TV! Ainda havia esperança.

Karinna vestiu a roupa felpuda, o cabeção, e foi para o camarote. Se paraíso existia, para Karinna, ele devia ser bem próximo do que estava diante de seus olhos: um local aconchegante, com comida e bebida liberadas, pessoas fazendo massagem num canto, famosos por todos os lados, flashes, flashes e mais flashes. E não é que, assim que entrou, todos apontaram suas máquinas para ela? Karinna se surpreendeu, ainda mais quando alguns famosos fizeram questão de se aproximar para tirar fotos com ela. Ou melhor, com o urso cabeçudo. No dia seguinte ela estaria em todos os sites, jornais e revistas! Será que os amigos reconheceriam os seus olhos?! Um pouco tímida no começo, Karinna logo se soltou e começou a fazer poses e mais poses. Precisava se destacar.

– Menos, Karinna! – ordenou a supervisora, ao ver que Ursão botava a mão no joelho, dava uma abaixadinha, fazia chão-chão-chão com direito à dedinho na boca.

Foco, é preciso ter foco!, pensava Karinna, quando foi agarrada por um grupo de atores bêbados e animadíssimos, que pulavam a sua volta e até davam tapinhas naquele cabeção. Quando conseguiu se desvencilhar do grupo – nunca pensou que fosse fugir de tal situação! – foi novamente puxada, dessa vez por uma modelo ex-alguma-coisa-ou-de-alguém-nas-horas-vagas-DJ, que quase implorava para que os fotógrafos registrassem a sua presença.

– Pega no meu peito! – ela sussurrou, para Karinna.

Ainda estava em choque com aquela ordem, quando a mulher pegou as duas mãos do bichano e levou aos seus peitos, abrindo aquele riso sacana para os fotógrafos. E só então ela conseguiu flashes, flashes e mais flashes. Karinna fugiu da mulher, principalmente quando avistou o diretor. Ele acenou para ela e riu, parecia até que sabia que por debaixo daquela fantasia havia uma verdadeira estrela a ser descoberta. Com o vídeobook dentro da roupa, Karinna foi até ele. Quando estava bem próxima ao figurão, eis que sai um gol. E novamente os atores bêbados a cercaram, agora levantando-a e jogando para cima.

– Ursão!!! Ursão!!! – gritavam, animadamente, enquanto Karinna se sentia uma jabulani.

Quando foi colocada no chão, ainda tonta, a modelo dos peitos surgiu, empolgada.

– Me pega no colo!!!! – gritou, antes de pular no colo de Ursão.

Karinna não agüentou e as duas foram para o chão. Flashes, flashes e mais flashes. Perturbada, Karinna procurou o diretor e percebeu que ele não estava mais ali. Afastou-se, nervosa, pronta para tirar aquele cabeção e fugir pra bem longe, quando viu novamente o homem, na fila do banheiro. Estava sozinho, era a chance perfeita. Aproximou-se rapidamente, até que ele entrou no banheiro. Era perfeito; tiraria rapidamente aquela roupa e ficaria exatamente na porta, linda, loura e sem pêlos de urso, esperando a sua grande oportunidade. Mas ao tentar tirar o cabeção, a surpresa: ele estava preso por trás e não saía de jeito nenhum. Desespero. Karinna agora era refém de Ursão. Tentava tirar a todo custo, quando a modelo dos peitos e do colo, saiu enlouquecida do banheiro feminino.

– Me ajude a tirar a roupa!! – implorou Karinna, aos berros.

A mulher adorou e rapidamente gritou para os fotógrafos, simulando que estava tirando a roupa do mascote. Flashes, flashes e mais flashes. O diretor saiu do banheiro e, sorrateiramente, afastou-se. O jogo terminou empatado e Karinna permaneceu no zero a zero. No dia seguinte, o urso taradão estava nas capas de todos os jornais populares e dos sites de fofoca. Karinna guardou algumas fotos e sentiu uma pitada de orgulho, daquele que, até então, fora o seu papel de maior destaque. Afinal, ela sabia muito bem que, dentro daquele urso cabeçudo, existia uma estrela pronta para brilhar.

**Karinna com K e dois enes é atriz-modelo-manequim
e está bloqueada no twitter de vários diretores e autores de TV.
Mas ela já está fazendo outro perfil.

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16
fevereiro
às 23:19

Amigos, desculpem o sumiço. Depois do furacão "Sansão e Dalila", após um ano de intenso trabalho, precisei desconectar um pouco. A minissérie foi um sucesso e certamente trará bons frutos a todos que se envolveram nesse projeto tão especial. A resposta do público foi incrível e agradeço bastante por isso! Mas novas histórias estão por vir e novos personagens já batem à minha porta - neste caso, literalmente. Quem não tem uma história de vizinho para contar, não é verdade? Meu último post, por exemplo, foi por causa da obra do vizinho de cima, que já terminou! Pois hoje eu apresentarei quatro vizinhos que me ajudarão a tornar esse blog mais variado. São eles: Seu Alípio, Karinna com K e dois enes, Neidizinha Fofoca e Igor. Antes que perguntem, são personagens fictícios. Mas eles estão por toda parte...

Seu Alípio é aposentado. Seu nome vem do grego e significa “sem tristeza”, mas o cidadão é amargurado e azedo. Quando Seu Alípio acorda de bom humor, dá bom dia no elevador. Quando não respondem, ele repete a saudação, em altos brados e já nervoso. Um conselho: dê bom dia ao Seu Alípio. Outro conselho: dê bom dia ao entrar no elevador. Seu Alípio ouve as notícias pelo rádio e gosta de jogar damas na praça – o jogo! Seu Alípio olha um pouco atravessado para mim e minha esposa, pois não confia muito “nesse povo de televisão”. É o síndico do prédio.

Karinna com K e dois enes é atriz-modelo-manequim. Escreve poesia, é compositora, está pensando em cantar e só quer uma chance de mostrar seu talento. Já foi gordinha, já teve sua fase sarada, já raspou a cabeça, já desceu na boquinha da garrafa e agora condena o rebolation. Karinna com K e dois enes está numa fase Maria Gadú. Karinna com K e dois enes tem grandes planos para si e acredita neles. E garante que, um dia, chegará lá. Já teve bulimia e agora espalha aos quatro ventos que sofre de bullying, mesmo sem ter a menor idéia do que isso significa. Os emails do Viagra, dos alertas que o MSN será pago e as fotos e currículos da Karinna com K e dois enes chegam diariamente à minha caixa de emails. Ela mora no bloco 02 e costuma promover algumas festinhas animadas, para terror de Seu Alípio.

Neidizinha Fofoca é dona de casa, cozinheira de mão cheia e vizinha de olho gordo. Talento nato para a fofoca. Quando uma celebridade casa ela já anota na folhinha, para saber o número exato de dias que aquele matrimônio vai durar. Neidizinha acompanha todas as novelas e é mais fácil um celular pegar no elevador que Neidizinha perder as novelas e programas de fofoca. Ama o Gugu e abriu o coração para uma nova paixão, que atende pelo nome de Rodrigo Faro. Escreve para este autor com certa insistência, pedindo por "Sansão e Dalila 2". Já disse que não seria possível, mas é tão difícil contrariá-la...

Igor não é cigano. É um rapaz que está prestes a fazer dezoito anos, não vê a hora de pegar o carro e todas as mulheres que ele acredita que virão depois de estar sobre as quatro rodas. É um sujeito simpático, popular no cursinho e bem informado – gosta de esportes, gosta de ler, está sempre por dentro dos lançamentos tecnológicos e é o primeiro a saber quando alguma famosa posará nua. Igor já leu meus livros e me escreveu em seguida, apenas para manter contato e, quem sabe, ver alguma de suas aventuras narradas em alguma publicação. Prometeu me mandar alguns vídeos engraçados para que eu postasse aqui. Os primeiros que chegaram são divertidos, mas impublicáveis... Espero pelos próximos. Por sorte, Igor mora no bloco 03 e assiste, pela janela de sua sala e em pay-per-view, todas as festinhas de Karinna com K e dois enes.

É claro que essa lista aumentará, pois convido vocês, amigos e leitores, a se tornarem também personagens desse nosso espaço virtual. Quem disse que a vida não pode ser uma novela? Pois um blog também pode... Aguardem os próximos capítulos!

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08
fevereiro
às 11:08

Tão comum quanto as saudações matinais no Twitter são as reclamações sobre o despertar com barulhos de obra. A constatação de que vivemos numa aldeia global certamente deixaria o teórico canadense orgulhoso, mas será que tal aldeia tem que viver em obra? No momento em que começo minha jornada de trabalho e arrisco escrever algumas linhas, marteladas exatamente em cima do escritório me dão a impressão de que estou numa rave; as batidas incessantes – e há quatro dias – alteram significativamente a trilha sonora e a rotina deste escritor.
Experimento ouvir música de relaxamento, às alturas, nos fones de ouvido, mas descubro que sons da natureza também podem irritar. Penso em bater no teto com um cabo de vassoura, em reclamar pelo interfone, ou no bate-boca acalorado na reunião de condomínio, com direito a opinião dos outros vizinhos, acusação, defesa, plateia, até aposentadas vuvuzelas, se for o caso. Mas o barulho se torna mais alto e abafa todos os pensamentos. Batem tão forte no chão do apartamento de cima que não será surpresa se um pedreiro despencar no meu colo, enquanto tento escrever minhas histórias ou minhas reclamações sobre ele no Twitter. Sim, meus caros, me junto ao grupo. E precisarei de mais de 140 caracteres.

Alguém deve ter inventado que para ser um bom dono de casa, o homem deve saber instalar ventilador de teto, chuveiro elétrico e manusear uma furadeira para as demais instalações. Instigado pelo desafio, cismei em instalar um porta-toalhas na parede do banheiro. Eram nove horas da noite e a vizinha de cima interfonou para reclamar, pois seu bebê estava dormindo e aquela furação certamente iria acordá-lo. Não eram nem dez horas, eu estava coberto pela lei do silêncio. Respirei fundo, peguei novamente a barulhenta máquina e... guardei, já imaginando o bebezinho bocejando e agradecendo ao tio de baixo pela paz de seu soninho. Eu ouviria as reclamações de minha esposa, já que a toalha permaneceria estendida por cima do box, mas teria sido o herói daquele pequeno ser, por um dia.
O fato é que três novos prédios sobem em volta do meu. Um pouco antes das oito horas da manhã toca um alarme, um buzinão-tipo-barcas-saindo, dando início aos trabalhos dos operários. É a hora que levanto, dispensando o despertador do celular. O próximo é ao meio-dia, anunciando um intervalo na obra para o horário de almoço. Uma paz domina o ambiente e corro para o computador, na tentativa de aproveitar aquele tão precioso silêncio. Mas o telefone toca, a fome bate, e lá vou eu, almoçar no mesmo horário que meus companheiros de labuta. Mal passei para o café e eles já retornaram ao trabalho. Sinto-me pressionado e também volto a produzir. Eles nos tijolos, eu nas palavras, a parede que sobe, o personagem que fala, a massa fica pronta, a cena é finalizada. Seguimos sem parar até seis, sete horas. É quando me preparo para sair para minhas aulas e palestras. Quando retorno, depois das dez, muitas vezes vejo o material chegando - caminhões com vergalhões, isso e aquilo. O silêncio impera. O bebê que dorme. A toalha que continua no box. Horário perfeito para a criação.

Nem uma batidinha, nem um buzinão, o telefone não toca, mas a inspiração foge e o sono bate. Vou dormir para levantar cedo. Às vezes, antes do alarme já estou de pé. Quando chove e os trabalhos na obra são interrompidos, me sinto num dia de domingo e o corpo insiste em resistir ao trabalho. Tornei-me um operário, é essa a constatação. E como os prédios que ganham pavimentos, minhas histórias criam corpo, e assim vamos juntos, numa harmonia conquistada.
Mas a obra do vizinho de cima não faz parte dessa rotina. O novo bate-estaca, definitivamente, está fora do tom. Se o sono do bebê está a salvo, a sanidade do escritor está ameaçada. Trabalhadores, uni-vos. No próximo buzinão, atacaremos o intruso. Farei da furadeira a minha arma mais poderosa e só ficarei satisfeito quando toda essa loucura se transformar em produção... Bom dia!

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02
fevereiro
às 19:41

Hoje vai ao ar o último capítulo de Sansão e Dalila. É um dia muito especial para mim, sinto um misto de alegria e tristeza. Alegria pela realização de um belíssimo trabalho, do qual todos nós nos orgulhamos bastante. Alegria pelo reconhecimento do público, que se envolveu com a nossa história e com os nossos personagens. Alegria por mais essa realização da Record e pela confiança dos diretores da emissora nos escritos deste autor. A tristeza... na verdade é saudade. E o autor passa por dois momentos como esse; um quando põe o ponto final no último capítulo e outro quando ele vai ao ar. Como a minissérie é uma obra fechada, minha despedida dos personagens foi em julho, quando encerrei as tramas e selei seus destinos. Algumas mudanças são necessárias, durante as gravações, mas nada que altere significativamente aquela estrutura que já foi fechada. Mas quando começa a exibição... há um emocionante reencontro. Vejo-me novamente com aqueles personagens que agora ganharam vida. O texto agora tem voz, as rubricas têm música, os céus ganharam cores. É um belo reencontro. E a nova despedida já traz a saudade. Dos personagens, das emoções, das surpresas... De esperar o horário diante da TV, de me emocionar com as cenas, de ler os comentários no twitter, de conversar com o diretor ao final de cada exibição... De vibrar com meus atores e ver as palavras ganharem belas formas. Saudade boa, daquela que emociona e faz brotar um sorrisão no rosto.
Missão quase cumprida! Último passo de uma jornada vitoriosa. Muito obrigado a todos que nos acompanharam! E que venham outras!

Aproveitem, assim como eu o farei, o último capítulo de Sansão e Dalila! Hoje, logo após Ribeirão do Tempo!

Captura de tela 2011 02 02 às 13.41.45 O autor e o último capítulo

Captura de tela 2011 02 02 às 13.49.01 O autor e o último capítulo

Captura de tela 2011 02 02 às 13.51.49 O autor e o último capítulo

Captura de tela 2011 02 02 às 13.52.30 O autor e o último capítulo

Captura de tela 2011 02 02 às 14.08.41 O autor e o último capítulo

Captura de tela 2011 01 30 às 12.51.06 O autor e o último capítulo

Captura de tela 2011 01 30 às 12.51.58 O autor e o último capítulo

Captura de tela 2011 02 02 às 13.53.46 O autor e o último capítulo

Captura de tela 2011 02 02 às 14.09.20 O autor e o último capítulo

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30
janeiro
às 13:32

Nos próximos dias 01 e 02 (terça e quarta), a Record exibirá as emoções finais da minissérie Sansão e Dalila. Quem conhece a história bíblica já aguarda pelo final trágico e grandioso, quando o guerreiro hebreu revela a origem de sua força para a filistéia Dalila. Mas quem acompanha as trajetórias de nossos outros personagens também deve estar ansioso para conhecer o desfecho de suas histórias. E posso garantir que muitas surpresas estão por vir!

Reta final de novela ou minissérie, últimas páginas de um livro, último ato de uma peça de teatro... Esse momento é muito curioso na vida de um escritor. Ao mesmo tempo em que ficamos felizes pelo cumprimento daquele trabalho e pela conclusão daquela história, já ficamos com saudades daqueles personagens... E os personagens de Sansão e Dalila, definitivamente, deixarão saudades. Agradeço à Record e ao público, por ter brindado nosso trabalho com o primeiro lugar em audiência! Os próximos capítulos estão imperdíveis!

O final da trajetória de Sansão sempre despertou grande comoção e curiosidade. E enquanto eles não vão ao ar, selecionei algumas representações artísticas dos últimos momentos da trajetória de Sansão, o guerreiro hebreu que derrota exércitos numerosos, mas que sucumbe às armadilhas de uma mulher do povo inimigo: Dalila.

O video abaixo é a cena final da ópera Samson et Dalila (1981) com os espetaculares Plácido Domingo e Shirley Verret:

Não perca os últimos capítulos de Sansão e Dalila! Terça e quarta, logo depois de Ribeirão do Tempo!

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27
janeiro
às 11:59

A retirada das portas de Gaza é uma das passagens clássicas da trajetória de Sansão. Embora a maioria dos filmes não tenha representado tal passagem, é possível encontrar algumas gravuras sobre ela:

Captura de tela 2011 01 27 às 11.25.51 E Sansão carregou as portas de Gaza...

Captura de tela 2011 01 27 às 11.26.30 E Sansão carregou as portas de Gaza...

Captura de tela 2011 01 27 às 11.27.19 E Sansão carregou as portas de Gaza...

O ato de Sansão é muito simbólico, já que ele enfrentaria qualquer exército que tentasse impedir sua saída de Gaza. Mas acredito que, ao retirar as portas de proteção da cidade, Sansão estivesse deixando um recado muito claro aos filisteus: ninguém deveria ser impedido de entrar ou sair de Gaza. E que o Deus dos hebreus era muito mais forte que qualquer muralha ou portão.

"Sansão (...) se levantou, e pegou ambas as folhas da porta da cidade com suas ombreiras, e, juntamente com a tranca, as tomou, pondo-a sobre os ombros; e levou-as para cima, até o cimo do monte que olha para Hebrom".

Captura de tela 2011 01 27 às 10.29.55 E Sansão carregou as portas de Gaza...

Captura de tela 2011 01 27 às 10.27.36 E Sansão carregou as portas de Gaza...

Captura de tela 2011 01 27 às 10.28.26 E Sansão carregou as portas de Gaza...

Captura de tela 2011 01 27 às 10.28.131 E Sansão carregou as portas de Gaza...

Captura de tela 2011 01 27 às 10.30.22 E Sansão carregou as portas de Gaza...

Captura de tela 2011 01 27 às 10.31.11 E Sansão carregou as portas de Gaza...

Captura de tela 2011 01 27 às 10.28.37 E Sansão carregou as portas de Gaza...

"E depois disso, aconteceu que se afeiçoou a uma mulher do vale de Soreque, a qual se chamava Dalila..."

É exatamente neste ponto em que estamos; Sansão voltou para Gaza por Dalila. De agora em diante, a história caminha para o fim... E para seus momentos mais fortes e emocionantes! Não percam!

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24
janeiro
às 15:39

Faltam apenas seis capítulos para o fim da minissérie Sansão e Dalila. Nossos protagonistas já se conheceram, embora não tenham trocado muitas palavras. Mas os olhares, muitas vezes, dizem muito mais...

Captura de tela 2011 01 24 às 00.24.31 Grandes emoções em Sansão e Dalila

Captura de tela 2011 01 24 às 00.25.18 Grandes emoções em Sansão e Dalila

Captura de tela 2011 01 24 às 00.24.55 Grandes emoções em Sansão e Dalila

Captura de tela 2011 01 24 às 00.27.22 Grandes emoções em Sansão e Dalila

Captura de tela 2011 01 24 às 00.25.40 Grandes emoções em Sansão e Dalila

O guerreiro hebreu está em Gaza e pronto para invadir o palácio do príncipe Inárus. Aos que perguntaram sobre a organização política dos filisteus, havia um líder em cada cidade dominada por eles (são os príncipes que estão no palácio). Eram cinco cidades, conhecidas como a "Pentápole Filistina". Na minissérie, o príncipe Inárus é o líder da pentápole e os outros líderes cobiçam seu cargo. Essas rivalidades ficarão mais fortes nos próximos capítulos, já que Sansão está acumulando vitórias e a cortesã Tais está fazendo intrigas para jogar uns contra os outros - e todos contra Dalila. Os homens da cidade já descobriram que Sansão está em Gaza e vão se preparar para entregá-lo. Tal situação resultará em outra passagem clássica da história de Sansão: a retirada das portas de Gaza.

Ótima matéria que foi ao ar ontem, no Domingo Espetacular, sobre o sucesso de Sansão e Dalila:

É reta final! Quem perdeu algum capítulo, ainda dá tempo de assistir! É só clicar AQUI.

Grandes emoções estão por vir, não percam!

De terça a sexta, logo depois de Ribeirão do Tempo.

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