23
maio
às 14:54

paul mccartney Paul McCartney faz show e dá aula no Rio

Os portões ainda estavam fechados e a fila contornava o quarteirão. Gente de todas as idades aguardava, ansiosamente, para entrar no estádio que receberia o maior de todos os clássicos: o show do ex eterno beatle, Paul McCartney. E eram exatamente os cinco rapazes de Liverpool que estampavam a maioria das camisas, bandanas, broches e até imãs de geladeira (uma raridade, segundo o vendedor!). A vizinhança inteira se preparou para o evento; os quintais se transformaram em verdadeiros polos gastronômicos: tinha churrasquinho, salsichão, frango empanado, X-tudo, sanduíche, pipoca, brigadeirão... Muitas opções, muita criatividade. Uma senhora abria as portas de sua casa e cobrava dois reais por uma ida ao banheiro, exclusivo para mulheres. Um senhor garantia que a garagem dele era o melhor local para estacionar dois carros. Em outro portão, um barrigudo anunciava que estava vendendo a própria sogra, mas já lamentava que o produto ia encalhar... Definitivamente, o brasileiro é um show à parte – afirmação que seria confirmada nas próximas horas.

No telão, fotos e vídeos de arquivo faziam o público voltar no tempo. Com quinze minutos de atraso o show começou. Sem uma preparação homérica, sem tambores rufando, sem aquele suspense que faz o povo se esguelar para um palco vazio e escuro. A luz só foi diminuir depois que o músico entrou, junto com a banda, acenando para o público delirante. Acostumado com as entradas apoteóticas da grande maioria dos shows, por um momento tive dúvida de que a apresentação realmente estava começando. Mas lá estava Sir Paul McCartney, fazendo suas caras, bocas e poses, para uma multidão em êxtase. Ficou o tempo todo pertinho do público, surpreendendo os presentes com sua humildade. Ao final de cada música, agradecimento e pausa para os aplausos. E a típica pose com o instrumento tocado, claro. Esforçava-se para falar português e arrancava risadas quando agradecia de forma bem carioca: valieu! Se o artista emocionava a multidão com um lindo show, o público também fazia a sua parte: jogava balões para o ar, mostrava placas com partes de canções ( o famoso Na Na Na de Hey Jude), acendia celulares fazendo a platéia se transformar numa grande constelação. E, lá do palco, mas bem mais próximo do que o céu, a grande estrela agradecia as demonstrações de carinho: os balões foram incríveis e os cartazes memoráveis, dizia ele, em sua língua. E até a vaquinha de pelúcia que foi jogada no palco teve seus minutos de fama. Paul McCartney tocou por mais de duas horas, sem interrupções para trocas de roupas, sem mudanças cenográficas, sem beber água! Ele parava para observar o público (que dificilmente ficava na escuridão total), fazer suas poses e receber o novo instrumento. Apenas em Live and Let Die, houve uma pirotecnia, com explosões no palco e fogos de artifício que dava vontade de abraçar todo mundo e desejar feliz ano novo. Ao final dessa canção, o próprio balançou a cabeça, divertido, como se reclamasse do barulho da explosão e dos fogos. Jogo cênico, claro, mas que retratava bem o que o público testemunhava: o show já estava completo apenas com Paul, seus músicos e sua platéia. Saiu e voltou duas vezes, uma delas carregando a bandeira do Brasil. Cheio de energia, parecia não querer parar, como aquele ator iniciante que fica no palco até a cortina se fechar completamente. Mas não havia cortina entre Paul e seu público. Ele acenou e agradeceu a todos (inclusive aos produtores), antes de se despedir com um até breve. Simples assim. Simplesmente inesquecível.

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01
março
às 10:10

Captura de tela 2011 03 01 às 09.29.20 Seu Alípio e os blocos de Carnaval

O Carnaval se anuncia com toda sua festa, energia e vibração. Para muitos, é o momento mais esperado do ano; a verdadeira despedida das férias, o momento de beijar todas as bocas, abraçar todos os corpos, esvaziar todos os copos... A rima é liberada e contagia: Olha a cabeleira do Zezé, será que ele é... Alalaô-ô-ô-ô-ô-ô-ô, mas que calô-ô-ô-ô-ô... O fato é que após o Carnaval é que o ano verdadeiramente começa, na opinião de uma grande maioria.

– Uns desocupados, isso sim! – resmungou Seu Alípio, com o jornal nas mãos. – Ainda é véspera de Carnaval e o povo já está nas ruas!

Não é que Seu Alípio seja contra a festividade. Ele até que gosta de uma comemoração, mas acha que o povo brasileiro exagera um pouco.

– É você quem está exagerando... – disse Dona Clélia, a esposa.

A tranquila senhora tem passagem garantida para o céu, com estadia cinco estrelas, banhos diários de sol e passeio ilimitado pelos cantos de cá, até mesmo em alta temporada, como feriado de Carnaval. Quando o marido ligava o falador, Dona Clélia simplesmente abduzia. Foram anos desenvolvendo essa técnica: ela concordava ou discordava com a cabeça e Seu Alípio nem notava que ela estava longe...

– Olha essa foto com a orla da praia lotada! E esse bando de homem que só se diverte vestido de mulher? Essas garotas que passam de mão em mão como se fossem álcool em gel?! Isso não é exagero, Clélia?

E Dona Clélia apenas fez que sim com a cabeça, mas a caixa de Pandora já estava aberta...

– Longe de mim querer ser rabugento – continuou ele. – Já disse que gosto da festa, mas não sou obrigado a vivê-la tão intensamente! Não se pode ir na rua comprar um pão que algum homem vestido de mulher mexe com você! Ou então vem alguma criança com aquela maldita serpentina em spray e te enche de espuma, sem o menor respeito! Isso quando não sacodem seu carro se você der o azar de passar em algum bloco. Estou exagerando, Clélia?

E Dona Clélia apenas fez que não, lembrando das festas no clube em mil novecentos e lá vai marchinha.

– A baixaria já começa com a garota sambando pelada na TV, de cinco em cinco minutos, em qualquer horário do dia. Você sai na rua e parece que ela se multiplicou!!! Será que apenas eu me choco com isso? Você não fica chocada, Clélia?

E Dona Clélia fez que não. Ele continuou:

– Nos blocos também impera a pouca vergonha! É perereka sem dono...

– Que isso, Alípio ?! – assustou-se Dona Clélia, voltando rapidamente ao presente.

Calma, calma, sua piranha!

Os olhos arregalados da senhora diziam mais que qualquer palavra. Havia lança-perfume no lenço daquele cidadão?! O que ele pretendia com aquela agressão verbal?!

Só o cume interessa – continuou ele.

– Alípio José! – exclamou Dona Clélia, desenterrando o segundo nome do marido, o que ela só fazia quando estava verdadeiramente nervosa. – Você me respeite que eu não quero mais...

Pinto na perereca! – completou.

Pausa para digerir a informação. Foi o suficiente para a distinta senhora deixar o marido sozinho, ainda com o jornal na mão.

– Eu não estava exagerando?! Eu avisei que é uma baixaria!!! – gritou ele, vitorioso, para o interior da casa. – E está só começando, a lista dos blocos é enorme...

**Seu Alípio é aposentado, síndico do prédio
e detesta a ala das baianas pois ataca sua labirintite.

Se você, como eu, não é como Seu Alípio e quer acompanhar os blocos de rua do Rio de Janeiro, veja a lista completa dos blocos AQUI.

E para entrar no clima da folia...

Até a próxima!

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