Publicado em 22/09/2017 às 01h00

Além de inconstitucional, proibir funk é jogar contra a economia

maxresdefault 1 Além de inconstitucional, proibir funk é jogar contra a economia

A constituição de Direitos Humanos e Legislação Participativa vetou pela rejeição da sugestão legislativa que tinha como objetivo criminalizar o funk no último dia 17.

A proposta foi considerada inconstitucional e rejeitada pela Comissão e agora deixa de tramitar no Senado. O senador Romário ressaltou que a proposta que recebeu mais de 20 mil apoios no portal e-cidadania cerceia a livre manifestação cultural e de pensamento.

O ex-jogador ainda comentou que outros gêneros de origem popular, como samba e jazz, sofreram resistência semelhante no passado. E que seria uma inutilidade coibir a cultura de massa, que sempre encontra maneira de se manifestar.

O Baixinho estava correto em suas colocações. E ainda é preciso ir além. Afinal de contas, o funk hoje é uma das segmentos que mais crescem no mercado musical brasileiro, ficando atrás apenas do sertanejo e do gospel.

Além da geração de empregos diretos e indiretos, o gênero, antes marginalizado, criou toda uma indústria ao redor e impulsiona os setores de confecção, beleza e cosméticos e de lazer.

Só o principal diretor de vídeos do segmento, Kondzilla, fatura mais de R$ 1 milhão por mês gravando e distribuindo clipes em seu canal de YouTube, um dos dez mais populares do mundo.

Além disso, ele tem sido sondado por marcas como Bradesco, Nike, O Boticário e PepsiCo para trabalhos. Anitta vai pelo mesmo caminho, fazendo branded content em seus clipes e lucrando alto em parcerias com empresas que nunca antes haviam se relacionado com artistas de funk, rap ou pagode.

Anitta também passou a ser um dos símbolos de um movimento de legitimidade na propaganda, juntamente com a cantora Karol Conka.

Esse movimento representa uma busca de dialogar com o público final. Segundo pesquisa realizada pela Outdoor Social, o brasileiro não se sentia representado na publicidade que vinha sendo feita no País.

A reclamação tem fundamento. Afinal, as periferias movimentaram mais de R$ 141 bilhões só em 2016. É um potencial de consumo nada desprezível para o mercado. Ainda mais levando em conta que a ostentação do funk influencia o consumo de marcas antes exclusivas às classes altas.

Segundo o Instituto que mapeou essa tendência, após o crescimento do País nos últimos anos, famílias ascenderam e, mesmo após a crise, não deixaram de consumir marcas preferidas.

Dessa maneira, fica claro que proibir qualquer manifestação popular em um país massivamente composto pelas classes C, D e E não só é inconstitucional, como também é uma maneira de jogar contra a economia do país. Que, convenhamos, não vive seu melhor momento.

 

 

 

Publicado em 20/09/2017 às 10h22

Metal Open Air: o festival brasileiro em que as bandas não foram

Megadeth 2 Metal Open Air: o festival brasileiro em que as bandas não foram

Quem vê a organização de festivais como Rock In Rio e VillaMix, não imagina que num passado recente o Brasil foi sede de um dos mais desastrosos eventos de música da história mundial.

O Metal Open Air, realizado em abril de 2012, foi um espetáculo de desorganização e cancelamento de shows por falta de estrutura.

Realizado a 30 quilômetros de São Luís, no Maranhão, o projeto era pretensioso e conseguiu reunir bandas como Megadeth, Venom, Anthrax, Symphony X, Blind Guardian, Saxon e o Rock'n Roll All Star com Charlie Sheen como mestre de cerimônia. Além de mais uma dezena de nomes médios e pequenos do heavy metal nacional e estrangeiro, que tocariam nos dias 20, 21 e 22 de abril.

Apesar de longe dos grandes centros, o evento empolgou os fãs do gênero, que encararam horas de estrada e voos para asssitir uma maratona de apresentações que aconteceria em uma área originalmente usada como pasto.

Tudo confirmado, bandas no Brasil, porém, a cada hora, uma nova má notícia sobre o MOA surgia na imprensa e redes sociais.

Primeiro, os fãs reclamaram de ter que se instalar em estábulos, sem banheiro e sem eletricidade. Mas isso não os desanimaria, caso os shows acontecessem. Mas com a estrutura que foi oferecida para esses grandes nomes da música pesada, os cancelamentos e desistências começaram a ser noticiados em sequência.

A Negri Concerts, responsável pelo MOA, também foi acusada de desonrar o pagamento dos cachês e isso também afetou as apresentações. A sucessão de trapalhadas foi tanta que o visto da banda Venom foi emitido para ela se apresentar na África do Sul e não no Brasil.

Num total de 47 grupos no evento, 30 cancelaram as apresentações, sendo praticamente mais de 60% do festival comprometido.

Estrutura Metal Open Air Metal Open Air: o festival brasileiro em que as bandas não foram

Heroicamente, o Megadeth e Symphony não deixaram os fãs na mão e encararam uma estrutura que eles não deviam ter contato desde o começo da carreira.

Almah, Shaman e Korzus tocaram de graça também. E outras bandas menores encararam esse desafio, já que nem geradores suficientes existiam no local.

Após o fracasso do festival, o organizador do evento, Felipe Negri, publicou no Facebook que havia sido sequestrado a mando do produto local Natanael Junior, da Lamparina Produções, parceira no evento. Um ano depois,  o Ministério Público do Estado do Maranhão denunciou os produtores. Nas redes, um acusou o outro de descumprir os acordos.

Na ação, também foi solicitado o pagamento de indenização por dano moral coletivo no valor de R$ 2 milhões ao Fundo Estadual de Proteção e Defesa dos Direitos Consumidor.

Mas independente das indenizações pagas, nada vai ser suficiente para compensar a decepção dos fãs de heavy metal que foram até São Luis acompanhar um festival que não aconteceu como o anunciado. O desespero dos fãs em matérias da época é tocante, embora toda essa trapalhada tenha gerado memes que até hoje são compartilhados em grupos e páginas de metal no Facebook. Foi triste e catastrófico, mas até nessas condições o brasileiro sabe ter humor.

 

Publicado em 16/09/2017 às 00h10

Michael Alago: o cara que descobriu o Metallica e recuperou a carreira de Nina Simone

michael alago james hetfield Michael Alago: o cara que descobriu o Metallica e recuperou a carreira de Nina Simone

Disponível na Netflix, o documentário Who The Fu** Is That Guy retrata a trajetória de Michael Alago, importante produtor e diretor artístico dos anos 80.

Mais conhecido nos bastidores da música americana, o profissional teve um papel crucial na descoberta de bandas novas de heavy metal, além de apostar no resgate de carreiras.

Proveniente de uma família Porto Riquenha, Alago cresceu no Brooklyn, na Nova York do fim dos anos 70 e início dos 80. Esse período ficou conhecido como a época mais barra pesada da cidade e com o maior índice de assassinatos na história.

Mas foi em meio a esse caos que também toda uma cena de músicos e artistas surgiu na região. Bares, teatros e casas de shows lendárias, como Max Kansas City e CBGBs, não existiriam sem que a cidade vivesse esse momento tão conturbado e ao mesmo tempo extremamente criativo.

Inicialmente um mero espectador, aos poucos Alago foi se envolvendo profissionalmente com o circuito. Primeiro, como assistente no Ritz, onde ajudou a escalar artistas para se apresentar e descobrir novos talentos.

E depois como diretor artístico na Electra Records. Foi por lá que ele talvez tenha realizado o maior feito da vida: a contratação e descoberta da banda Metallica. Ele ouviu o grupo californiano através de uma fita K7 demo que chegou em suas mãos. E a partir dali, não teve dúvidas: era o que a gravadora precisava no momento.

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No entanto, essa aproximação de Alago com o metal não foi sempre tranquila. Afinal, trata-se até hoje de um gênero bastante homofóbico. E os músicos não compreendiam como um gay porto riquenho poderia ter interesse neles e na música que faziam. Não à toa o documentário se chama: Quem é esse cara?

Mas aos poucos e provando que entendia bastante de rock, Alago provou que sabia farejar o próximo grande ícone. Foi responsabilidade dele também descobrir bandas como White Zombie, que contratou quando já havia se mudado para a Atlantic Records.

Foi na nova casa também que ele apostou em algo que ninguém mais teria coragem naquele momento: recuperar a carreira da lendária Nina Simone.

Considerada "acabada" pela grande mídia e pela indústria, Simone recebeu a chance de gravar novamente e, com o sucesso da turnê que se seguiu, provou que Alago tinha razão na sua aposta. Esse resgate garantiu a Simone mais dez anos de fama, A Single Woman virou hit e a recuperação do prestígio perdido resultou na redescoberta dessa lenda do jazz.

Em declarações durante o documentário, Alago é elogiado por gente que não costuma falar bem de ninguém gratuitamente, como James Hetfield e Lars Ulrich, ambos do Metallica.

Mas ao mesmo tempo que tinha controle do seu talento para farejar o sucesso, Alago tinha total descontrole da própria vida pessoal. Como um personagem que viveu intensamente os anos 80, Alago seguiu à risca a trinca sexo, drogas e rock'n roll. Depoimentos de amigos mostram que ele passava dias "virado", apenas bebendo e cheirando cocaína.

Por se expôr ao sexo sem proteção, ele descobriu no fim dos anos 90 que também era portador do vírus HIV. No filme, ele conta que no auge do sucesso como profissional de gravadoras, nos 80, era comum andar pelas "áreas gays" de Nova York e atender telefonemas em orelhões.

Geralmente, isso era um sinal de alguém que tinha visto a pessoa da janela e gostado. Então, quem atendia recebia o convite para subir ao apartamento e ter uma relação rápida e sem compromisso. Alago, claro, teve algumas experiências do tipo, como a maioria dos homossexuais que viviam a noite de Nova York dos anos 80.

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A doença mudou completamente a vida dele. Após quase morrer e definhar fisicamente, Alago teve a feliz coincidência dos coquetéis começarem a se popularizar no fim dos anos 90, o que salvou sua vida. E na sequência, ele deu um destino completamente diferente para sua atuação profissional.

Michael Alago deixou de ser profissional da indústria para se tornar um fotógrafo profissional especializado em retratar homens gays musculosos na rua (o que para ele é o tipo físico mais atraente que existe). Essa escolha é até natural, já que desde adolescente ele não andava sem uma câmera na mão, o que ajudou a eternizar momentos ao lado de gente como Bono Vox ainda no início da carreira.

O filme também reúne depoimentos de Jason Newstead, Kirk Hammet, John Lydon, Rob Zombie, além de profissionais da indústria, amigos de e familiares. Basicamente, uma pequena parcela da cultura pop não existiria sem ele. E se existisse, talvez seria bem diferente.

Publicado em 14/09/2017 às 00h20

Deezer aposta no gospel e no sertanejo para crescer no Brasil

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Embora não seja um mau desempenho garantir a segunda colocação no mercado de streaming musical em um País populoso como o Brasil, a Deezer tem como meta o topo desse segmento, que hoje é liderado pelo Spotify.

Para garantir essa meta, a empresa tem se aproximado de festivais populares, rodeios e com os dois gêneros mais consumidos do momento: o sertanejo e o gospel.

A música religiosa, inclusive, foi a grande aposta da Deezer para dar um salto de crescimento. Segundo o diretor geral Bruno Vieira, o estilo passou a ter representatividade digital maior após parcerias com os principais players desse mercado.

— Apesar de enorme e importante, o estilo não havia acompanhado o desenvolvimento das tecnologias de consumo de música. Então começamos a fazer lives, criar conteúdos específicos e mostrar que era possível existir também no streaming. O resultado é que hoje o gospel só fica atrás do sertanejo na Deezer.

O estilo rural representa entre 50 e 60% das músicas consumidas na plataforma. Isso também incentivou a construção de um estúdio na sede da empresa, em São Paulo, para servir de base para ações promocionais das duplas e cantores.

— Notamos que com essa aproximação e geração de conteúdo pro público final, tínhamos uma arma a mais para explorar a exposição da nossa marca.

Terceira maior plataforma de streaming musical em nível global e segunda no Brasil, a Deezer também tem buscado se aproximar de clubes de futebol para uma interação tecnológica que dialogue com os torcedores das equipes. Barcelona, Manchester United e Flamengo já se uniram à empresa para criar músicas comemorativas, playlists temáticas de futebol e relacionadas aos atletas.

Apesar desses investimentos estratégicos, a empresa ainda enfrenta barreiras típicas de qualquer plataforma de streaming no Brasil. Entre elas, estão a lenta conexão wi-fi, alta quantidade de aparelhos de celular com pouca capacidade de memória, resistência ao pagamento por música digital e baixa taxa de uso de cartão de crédito no País.

— Temos que detectar as necessidades locais e resolver essas particularidades, como oferecer pagamento junto com a conta do celular ou via boleto e transferência. Ser o menos elitista possível é o que faz uma empresa com um serviço moderno como o streaming virar hábito de consumo entre os consumidores.

Publicado em 12/09/2017 às 00h10

Em 2017, qual a necessidade de programas de calouros como Popstar?

Popstar Globo elenco Em 2017, qual a necessidade de programas de calouros como Popstar?

Seja no Brasil ou no exterior, é inegável que os programas inspirados nos shows de calouros vivem um bom momento em relação à exposição na mídia e captação de patrocínio.

Mas e a música? Bom, o que deveria ser o assunto principal do formato acaba relegado ao segundo plano. Das edições que o The Voice, Popstar e o Superstar tiveram no Brasil, nenhuma revelou um grande astro. A banda que mais deu certo até agora foi a Malta, que soa como uma versão suave do Nickelback. E isso não é elogio, claro.

Quem mais se beneficia dos programas são os jurados, que aproveitam a vitrine de estar em um grande canal de TV para impulsionar a carreira (que, em alguns casos, carecia desse empurrão para voltar aos eixos).

A falta de sucesso entre os vencedores desses programas não está necessariamente conectada com ausência de talento. Muitos participantes apresentam propostas interessanteS, mas a maioria não sabe o que fazer com essa bagagem quando enfrenta o mercado. Se nos Estados Unidos uma diva inspirada em Mariah Carey pode atingir sucesso no mercado pop, aqui esse tipo de artista não tem espaço na nossa música mainstream. Nunca teve.

No Brasil, os bons cantores não são necessariamente aqueles que atingem notas altas, fazem falsetes com a nossa querida MC Melody ou cantam seguindo a cartilha r’n’b inspirada no soul e no gospel.

Essa fórmula norte-americana aplicada à nossa realidade só cria frustração para quem participa dos programas, além de não trazer novidadeS e nem criar novos ídolos na música nacional para quem acompanha a atração.

Até quando esse tipo de formato vai continuar a não acrescentar nada à nossa música? É difícil dizer. Enquanto as cotas de publicidade forem vendidas, é certo que o The Voice e o Superstar continuam no ar. Só que se alguém quer descobrir música nova ou se tornar um novo astro, o caminho não é esse.

Definitivamente, esses programas só atualizaram um cenário que Raul Gil fez com mais êxito, porque é popularesco sem medo de esbarrar no brega. Não finge possuir um verniz cult que, no fundo, não existe. Pelo menos Raul revelou a simpática Maisa Silva, Robinson Anjinho, Rinaldo e Liriel e Jamile. Alguns deles já viveram momentos melhores, é verdade. Mas e o The Voice que nem isso fez?

Publicado em 11/09/2017 às 00h10

De Mariah Carey a Strokes: músicos foram afetados pelo 11 de setembro

Há 16 anos, acontecia um dos ataques terroristas mais emblemáticos e mortais da história. O atentado às Torres Gêmeas, em Nova York, até hoje persiste como um dos assuntos mais marcantes deste século. Apesar do distanciamento histórico, ainda não foi superado e esquecido.

Além do impacto geopolítico e de gerar uma guerra sangrenta no Afeganistão, o episódio teve influência em diversas áreas da sociedade, inclusive na cultura pop.

Por conta dos atentados, bandas e cantores precisaram mudar estratégia de divulgação de discos, alterar capas e excluir músicas que, de alguma forma, estavam relacionadas com o assunto.

Mariah Carey

Mariah Carey lançou o filme Glitter e sua trilha sonora exatamente na data em que aconteceu o ataque terrorista. Originalmente, o longa deveria estrear em julho, mas um problema de saúde da cantora afetou esse plano inicial e um adiamento precisou ser considerado. Não é possível dizer de forma acertada que o fraco desempenho do projeto está relacionado com o o incidente, mas uma estreia no cinema não comoveu o País naquele momento.

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Strokes

O clássico álbum de estreia da banda nova iorquina, Is This It, continha uma música chamada New York Cops, que ironizava o desempenho desses profissionais. Como ainda não havia sido lançado nos Estados Unidos, o CD teve essa faixa excluída. When It Started substituiu a canção original no álbum.

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Blink 182

No mesmo período, o trio de pop punk planejava lançar o clipe para o single Stay Together For The Kids. Originalmente, o vídeo mostraria cenários destruídos, mas a banda e o diretor acharam melhor amenizar as imagens e excluir uma parte das cenas com escombros.

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30 Seconds to Mars

A banda de Jared Leto precisou alterar a imagem da capa do primeiro disco da banda, que mostrava um avião em chamas com um piloto sendo ejetado. A imagem foi substituída por uma foto de um jovem piloto.

 De Mariah Carey a Strokes: músicos foram afetados pelo 11 de setembro

Dream Theater

No dia 11 de setembro, o grupo de heavy metal lançou o CD Live Scenes From New York, cuja capa mostrava o skyline da cidade e as torres gêmeas em chamas, ao fundo. Imediatamente, a capa foi trocada por uma versão sem relação com os atentados.

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Bush

A banda de Gavin Rossdale precisou trocar a capa de Golden State, que teria a foto de um avião. Para não atrasar o lançamento, o CD trouxe apenas o nome do grupo na arte.

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Rammstein

A banda de heavy metal alemã lançou um dia antes dos atentados o clipe de Ich Will, que mostra cenas de um ladrão com bombas amarradas no corpo. O vídeo teria estreia em 11 de setembro nos Estados Unidos, mas foi cancelado.

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Jimmy Eat World

Também em 2001 o Jimmy Eat World lançou um dos discos mais bem sucedidos do ano: Bleed American. O nome não foi bem aceito após o incidente e o disco foi disponibilizado novamente como Jimmy Eat World e a faixa título, rebatizada como Salt Sweat Sugar.

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Publicado em 09/09/2017 às 00h20

Com sucesso de Despacito, reggaeton se torna estilo que mais cresce no mundo

daddy yankee luis fonsi despacito 2017 instagram foto Com sucesso de Despacito, reggaeton se torna estilo que mais cresce no mundo

O reggaeton ainda não é a música mais consumida do mundo. Porém, nos últimos três anos, é que mais cresceu. Segundo estudo divulgado pelo Spotify, o gênero teve um salto de 119% desde 2014.

Em comparação, a participação do pop cresceu 13% no mesmo período, e a música country 4%.

Essa guinada é considerável, principalmente se levar em consideração que é um estilo produzido quase que exclusivamente por dois países pequenos: Colômbia e Porto Rico.

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Existe uma explicação para esse aumento de interesse pela música latina na plataforma de streaming. A divulgação de uma playlist oficial do Spotify dedicada ao reggaeton (a 3ª mais ouvida no mundo) promove os principais hits desse segmento e ainda ajuda na divulgação de lançamento de novos singles.

Exemplos de faixas que tiveram melhor desempenho apenas sete dias após a inclusão nessa coletânea não faltam. A música Si Ellas Quisiera, de Justin Quiles, saltou 322% após entrar na playlist. Mesmo exemplo de Obsesionado, de Farruko (376%) e Dancing Kizomba, de Alex Veliz (1455%). Mal comparando, estar em uma playlist oficial do Spotify atualmente é tão importante quando ter um clipe bem assistido no YouTube e uma música bastante tocada nas rádios.

br boosts Com sucesso de Despacito, reggaeton se torna estilo que mais cresce no mundo

Porém, como em nenhum lugar fora da Colômbia e de Porto Rico há espaço para um subgênero tão específico, essa foi a maneira encontrada pelos artistas e pela ferramenta para o gênero passar a ser consumido mundialmente e não apenas pelo mercado local.

Hoje, 95% do reggaeton ouvido no Spotify é “exportado”, uma vez que a reprodução acontece majoritariamente fora de seus países de origem.

E o fenômeno mundial Despacito, de Luis Fonsi e Daddy Yankee, não pode ser desprezado nessa história. Combinadas, a faixa original e o remix, com participação de Justin Bieber, contam com mais de 1,3 bilhão de streams até hoje (veja gráfico abaixo).

Enquanto na América Latina ambas as faixas seguiram dentro da taxa esperada, nos EUA os streams da faixa original cresceram após o lançamento do remix, mostrando que quando os artistas latinos se aliam a astros globais, o sucesso é ainda mais garantido.

despacito original remix Com sucesso de Despacito, reggaeton se torna estilo que mais cresce no mundo

 

 

Publicado em 08/09/2017 às 00h20

Suge Knight: o homem que quase matou o rap

 Suge Knight: o homem que quase matou o rap

Marion “Suge” Knight é uma figura que rondou e assombrou o cenário do rap nos últimos trinta anos. Apesar de Suge ser um apelido inspirado em Sugar Bear (ursinho fofo, em tradução livre), o empresário sempre foi o oposto disso. Perigoso, ameaçador e violento, poucas vezes uma figura importante do mercado musical causou tanto impacto negativo na história de um segmento.

Homem por trás do sucesso de Tupac Shakur, ele é possivelmente também responsável pela morte do cantor. Segundo o documentário Tupac e Biggie(Disponível na Netflix), existe uma teoria — bem fundamentada, inclusive — de que Suge teria armado a emboscada que colocou fim à vida do rapper. O motivo? Ele embolsou milhões de dólares que pertenciam a Tupac e posteriormente desmascarado.

Quando foi cobrado e ameaçado com a quebra de contrato, organizou uma equipe composta parcialmente por policiais de Los Angeles e até inimigos pessoais para forjar o assassinato do rapper como se fosse fruto de uma briga de gangues.

Ou seja: Notorious Big, adversário histórico de Tupac e apontado como mandante do crime, não teve absolutamente nada a ver com isso. Mas Suge Knight armou uma situação para que assim parecesse. Tanto que, alguns meses depois, encontrou uma forma de também mandar matar Biggie.

 

  Suge Knight: o homem que quase matou o rap

 

De uma só vez, ele forjou a suposta vingança dos amigos de Tupac e arranjou um álibi contra as acusações de ser o responsável por matar o próprio pupilo. O documentário mostra toda essa rede se conexões que investiga a participação dele nos dois assassinatos.

Snoop Dogg (que foi descoberto por Suge em 1993), concede entrevista no filme e diz que não resta nenhuma dúvida sobre isso. Para ele Suge é o único culpado. Mas assim como mostrou a série Making a Murderer, quando a polícia está envolvida em crimes nos Estados Unidos, as investigações não evoluem e se mantém obscuras. Até hoje as mortes dos dois astros são grandes mistérios para a Justiça. Mesmo com todas as provas apresentadas.

Em Straight Outta Comptom, o belo filme que conta história do grupo NWA, fica mais claro ainda o quanto Suge é uma pessoa descontrolada. Antes de se tornar um dos homens mais poderosos do rap, ele trabalhou como segurança de Bobby Brown e traficante (função que provavelmente nunca largou). Mas ele queria mais. E rondou os bastidores da fama até conseguir encontrar alguma oportunidade que rendesse milhões. E conseguiu isso quando o NWA tinha se tornado um fenômeno nos Estados Unidos.

 

 Suge Knight: o homem que quase matou o rap

 

No filme, ele já e retratado como o homem e violento e frio que pode estar por trás das mortes de big e tupac. Em uma cena, e revelada a surra que Eazy E leva ao tentar se desligar do selo de Suge.

De Dre, que também integrava o NWA, teve mais sorte. Quando notou que estava senso roubado e pediu para sair da Death Row “só” perdeu os direitos sobre o que havia criado até ali. O que não era pouco, já que a carreira solo do rapper foi um enorme sucesso logo de cara.

O mais impressionante é que mesmo com esse histórico ele conseguiu se aproximar de outros rappers e nunca tenha ficado preso por longos períodos. Pessoalmente, ele também se envolveu em diversas encrencas e crimes. É possível que tenha inclusive assassinado uma namorada, que, chamada para depor contra ele numa acusação de agressão, nunca mais foi encontrada.

Ironicamente, no início de 2015, ele foi à uma premier do filme Straight Outta Comptom em Los Angeles e se envolveu em mais uma confusão. Na saída, brigou com dois homens e matou um deles atropelado. O advogado de defesa alega que foi um acidente. Mas com o histórico dele, fica difícil convencer o júri com essa justificativa. (publicado originalmente no Medium em 17 de fevereiro de 2016)

Publicado em 07/09/2017 às 00h10

Live Nation contrata diretor brasileiro e expande operações no País

Alexandre Faria 00004 Live Nation contrata diretor brasileiro e expande operações no País

Líder mundial de entretenimento ao vivo, a Live Nation anunciou no fim de agosto a contratação de Alexandre Faria para ocupar os postos de vice-presidente e diretor de aquisição e talentos.

Com passagens pela T4F, Cie Brasil e Mercury Concerts, o executivo soma 25 anos de carreira na área e experiência na produção de shows de nomes como U2, Pearl Jam, Foo Fighters, Coldplay, EDC, Maroon 5, Black Sabbath, Madonna, One Direction, Justin Bieber, Metallica, Roger Waters, entre outros.

Agora, nessa posição estratégica, ele pretende explorar o potencial do país como líder regional de shows ao vivo, tanto para expandir a atuação nesse mercado, como para diversificar a atuação da Live Nation no Brasil e cartela de clientes que atuem como patrocinadores. Faria estará baseado em São Paulo e se reportará a Bruce Moran, Presidente da Live Nation para a América Latina.

Em entrevista ao R7, ele adianta como será a atuação da empresa no curto prazo, com a realização de shows de Coldplay, U2, Bruno Mars, John Mayer e Depeche Mode.

R7 — Qual foi a intenção da empresa ao te contratar?

Alexandre Faria — O objetivo era ter alguém com conhecimento do mercado local nessa posição e não depender de alguém com uma visão externa. Como sempre, estamos focados em turnês de nomes internacionais, mas não descartamos atuar com artistas brasileiros também.

R7 — E como seria a parceria com eles?

Faria — A ideia é criar projetos de turnê mais atraentes, às vezes até reunindo dois grandes nomes num mesmo projeto. Hoje, já fazem bastante isso em alguns estilos, tanto aqui quanto lá fora.

R7 — No exterior, vocês atuam no gerenciamento de carreiras e até na área fonográfica. Essas divisões serão implantadas aqui?

Faria — Em um primeiro momento, não. Estamos só focados no mercado de shows ao vivo.

R7 — Qual a principal dificuldade para contratar artistas estrangeiros hoje?

Faria — Temos três clientes no negócio: o artista, o público e o patrocinador. Existe o desafio de agradar todos eles, que só voltarão a fazer negócios se a experiência for positiva. E um dos pontos a nosso favor é que, pode parecer clichê, mas o público brasileiro é realmente diferenciado e mais "quente" que o europeu e americano. Isso faz o músico querer voltar. Mas a logística ainda continua sendo o grande problema por aqui. O nosso país, especificamente, é muito grande e qualquer turnê realizada aqui precisa ser muito bem planejada do ponto de vista logístico, tanto para evitar problemas, como para não gerar custos desnecessários aos artistas, que sempre contam com grandes equipes. Só o U2 viaja com 300 pessoas, por exemplo. E isso não é barato.

R7 — Mas a América do Sul hoje já não é mais descartada das turnês mundiais como antes. Por quê?

Faria — Isso porque melhoramos muito estruturalmente. Os shows se profissionalizaram, assim como os fornecedores de equipamentos, empresas de venda de ingressos e profissionais envolvidos na área. Temos uma rede hoteleira melhor e veículos mais modernos. Tudo isso conta. Às vezes, doenças endêmicas afastam os shows, como foi na época do surto de zika vírus. Nenhuma cantora jovem vai querer tocar aqui se isso acontecer. Por outro lado, a nosso favor, a América Latina, ao contrário da Europa, não é alvo de terrorismo. Hoje, muitos artistas têm receio de se apresentar em Paris e Londres, por contas dos recentes ataques. Aqui existe a violência urbana, claro, mas é diferente.

R7 — Há muita reclamação sobre as mesmas cidades receberem os shows dos artistas internacionais em todas as turnês. O que tem a dizer sobre isso?

Faria — Novamente, é uma questão de logística. Rio e São Paulo quase sempre estão inclusos no roteiro. E aí com esses locais sendo as bases, Salvador e Recife ficam distantes, entendeu? Para facilitar, basicamente contamos com apresentações em Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília. Outras localidades, acabam se tornando mais raras mesmo, porque prolongariam e encareceriam a estadia das equipes no Brasil.

R7 — O que vocês fazem a respeito das reclamações sobre preços de ingressos e "leilão" entre produtoras para trazer artistas?

Faria — Nós somos donos de diversas turnês e isso facilita o agendamento de shows por aqui. E concorrência por shows de grandes artistas é normal no mundo todo. Não particularidade do nosso mercado. Quanto aos ingressos, tentamos oferecer diversas faixas de preço, mas ainda temos obrigação de vender 40% dos bilhetes a estudantes. Isso acaba criando essa impressão de que o tíquete médio no Brasil é caro, quando na verdade não é. Por aqui, ainda tentamos criar parcerias com patrocinadores para que o valor final seja um pouco menor, pelo menos entre 10 e 20% abaixo do que é praticado na Europa e Estados Unidos.

Publicado em 04/09/2017 às 11h15

Morte de Walter Becker coloca fim ao Steely Dan, grupo que soube como poucos misturar rock e jazz

steelydanpressimagecrop Morte de Walter Becker coloca fim ao Steely Dan, grupo que soube como poucos misturar rock e jazz

Nenhuma outra banda soube explorar melhor a mistura entre rock e jazz do que o Steely Dan. Formada em 1971 por Donald Fagen e Walter Becker, que morreu no último domingo (3), o grupo é uma referência quando o assunto é fundir estilos com sofisticação e mesmo assim soar pop.

A banda teve uma carreira cheia de altos e baixos, inclusive por conta do vício em drogas de Becker. O duo, inclusive, até voltou a se reunir após a primeira separação, em 1981, e a lançar músicas novas, mas o que importa sobre o Steely Dan foi feito nos anos 70, como os clássicos álbuns Aja e Pretzel Logic.

Aja (1977), inclusive, foi gravado por grandes músicos do jazz, jazz-rock e da soul music, como Larry Carlton, o saxofonista Wayne Shorter, os bateristas Steve Gadd, Rick Marota e Bernard "Pretty" Purdie e o baixista Chuck Rainey. O disco vendeu mais de um milhão de cópias e consolidou a dupla como grandes compositores e músicos de estúdio. Desse disco, vale ressaltar as faixas Black Cow, Josie e Deacon Blues.

Mas esse não é o único álbum que mostra o perfeccionismo dos dois em estúdio. Menos jazz e mais rock, Pretzel Logic (1974) ainda é lembrado nos Estados Unidos por faixas como Rikki Don't Loose That Number, Any Major Dude Will Tell You e a faixa título, que continua a ser um dos maiores hits deles até hoje.

Nesse projeto a banda também conta com o apoio de grandes músicos, caso do baterista Jeff Porcaro, que futuramente seria consagrado nas baquetas do Toto. Foi também nessa época que Fagen e Becker resolveram fazer menos turnês para se especializar cada vez mais em atingir a excelência em estúdios. Não à toa, os discos da banda se tornaram referência quando o assunto é produção musical.

Dessa maneira, ouvir a discografia do Steely Dan é muito mais que um exercício para conhecer a banda, mas também tomar conhecimento dos trabalhos iniciais de músicos virtuosos que se tornariam consagrados no rock e no jazz ainda na década de 70.

Uma pena, porém, que ouvir essas músicas ao vivo nunca foi muito acessível, mesmo quando a banda estava no auge. Agora com a morte de Becker, infelizmente essa oportunidade não existirá mais. Os dois até estavam animados em voltar a tocar juntos, mas os problemas de saúde de Becker já haviam obrigado Fagen a se apresentar sozinho com o Steely Dan no início de agosto deste ano.

Resta torcer para que o pianista continue a excursionar com a banda Nightfliers, com quem apresenta músicas de sua carreira solo. Vontade de retornar aos palcos parece que ele tem. E inclusive, um novo disco pode estar por vir. Segundo o músico, ele já estaria escrevendo algumas faixas para o quinto álbum solo, sucessor de Sunken Kondos (2012). Mas não existe previsão para o lançamento ainda. "Eu tenho algum material novo. Não tivemos a chance de fazer muitas coisas, mas na estrada, eu estou esperando para mostrar aos caras algumas coisas novas que eu escrevi, e será divertido desenvolver isso com uma banda porque geralmente falando nos últimos anos, a maneira como eu trabalho é geralmente sozinho e fazendo arranjos sozinho, ou com Walter. Será divertido realmente ter uma banda para experimentar essas coisas. Não acho que faço isso desde o início dos anos 70, provavelmente", disse el em entrevista à Billboard pouco antes da morte de Becker. Resta saber se ele manterá essa ideia mesmo sozinho.

 

 

 

Helder Maldonado

Sou Helder Maldonado, escrevo sobre música, cinema e teatro desde 2006. Atualmente trabalho como repórter do R7. Tive passagens pelo IG, Revista SUCESSO e publicações da Editora Escala. Este blog surgiu com o intuito de revelar as novidades do showbusiness e criar matérias e análises especiais sobre o mercado do entretenimento.

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