tribalistas 2017 696x521 Novo disco dos Tribalistas prova que a banda não precisava ter voltado

É até compreensível que o retorno dos Tribalistas tenha sido tão festejado pelos fãs. Afinal, o grupo ficou inativo durante 15 anos. Porém, esse longo período e tudo que ele representa na história da nossa música e do País é exatamente o que faz com que o trio formado por Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown soe tão diferente entre o primeiro e o segundo disco.

Enquanto o projeto de estreia primava por uma MPB radiofônica, o novo álbum se arrasta em músicas com arranjos pouco inspirados e letras engajadas ideologicamente, como Diáspora (sobre refugiados pelo mundo), Um Só (sobre as diferenças na sociedade) e Lutar e Vencer (sobre resistência das minorias).

Por isso, quem esperava um trabalho que repetisse a elegância daquele CD que vendeu 2 milhões de cópias em 2002, pode esquecer. Por um lado, é bom, já que não teremos que aturar uma nova Já Sei Namorar, típico caso de música excelente, mas que tocou até saturar e começar a incomodar.

Por outro, não atende as expectativas dos fãs, que terão que aprender a digerir um álbum quase hermético e demasiadamente focado na introspecção. As exceções ficam por conta de Aliança, Feliz e Saudável, Ânima e Fora da Memória. As quatro se destacam por trazer o DNA presente no trabalho anterior.

E para por aí. Mas talvez os Tribalistas quisessem mesmo inovar e lançar algo completamente diferente do disco que os consagrou. E conseguiram. E mudar é saudável. O problema é que nem sempre é para melhor.

Mas também não tinha como ser diferente. No primeiro CD, o controle era totalmente focado nos três. Nesse álbum, a participação de músicos jovens na maioria das composições afetou o resultado final e descaracterizou o que poderia ser um projeto que colocaria a MPB novamente no mainstream.