Alexandre Faria 00004 Live Nation contrata diretor brasileiro e expande operações no País

Líder mundial de entretenimento ao vivo, a Live Nation anunciou no fim de agosto a contratação de Alexandre Faria para ocupar os postos de vice-presidente e diretor de aquisição e talentos.

Com passagens pela T4F, Cie Brasil e Mercury Concerts, o executivo soma 25 anos de carreira na área e experiência na produção de shows de nomes como U2, Pearl Jam, Foo Fighters, Coldplay, EDC, Maroon 5, Black Sabbath, Madonna, One Direction, Justin Bieber, Metallica, Roger Waters, entre outros.

Agora, nessa posição estratégica, ele pretende explorar o potencial do país como líder regional de shows ao vivo, tanto para expandir a atuação nesse mercado, como para diversificar a atuação da Live Nation no Brasil e cartela de clientes que atuem como patrocinadores. Faria estará baseado em São Paulo e se reportará a Bruce Moran, Presidente da Live Nation para a América Latina.

Em entrevista ao R7, ele adianta como será a atuação da empresa no curto prazo, com a realização de shows de Coldplay, U2, Bruno Mars, John Mayer e Depeche Mode.

R7 — Qual foi a intenção da empresa ao te contratar?

Alexandre Faria — O objetivo era ter alguém com conhecimento do mercado local nessa posição e não depender de alguém com uma visão externa. Como sempre, estamos focados em turnês de nomes internacionais, mas não descartamos atuar com artistas brasileiros também.

R7 — E como seria a parceria com eles?

Faria — A ideia é criar projetos de turnê mais atraentes, às vezes até reunindo dois grandes nomes num mesmo projeto. Hoje, já fazem bastante isso em alguns estilos, tanto aqui quanto lá fora.

R7 — No exterior, vocês atuam no gerenciamento de carreiras e até na área fonográfica. Essas divisões serão implantadas aqui?

Faria — Em um primeiro momento, não. Estamos só focados no mercado de shows ao vivo.

R7 — Qual a principal dificuldade para contratar artistas estrangeiros hoje?

Faria — Temos três clientes no negócio: o artista, o público e o patrocinador. Existe o desafio de agradar todos eles, que só voltarão a fazer negócios se a experiência for positiva. E um dos pontos a nosso favor é que, pode parecer clichê, mas o público brasileiro é realmente diferenciado e mais "quente" que o europeu e americano. Isso faz o músico querer voltar. Mas a logística ainda continua sendo o grande problema por aqui. O nosso país, especificamente, é muito grande e qualquer turnê realizada aqui precisa ser muito bem planejada do ponto de vista logístico, tanto para evitar problemas, como para não gerar custos desnecessários aos artistas, que sempre contam com grandes equipes. Só o U2 viaja com 300 pessoas, por exemplo. E isso não é barato.

R7 — Mas a América do Sul hoje já não é mais descartada das turnês mundiais como antes. Por quê?

Faria — Isso porque melhoramos muito estruturalmente. Os shows se profissionalizaram, assim como os fornecedores de equipamentos, empresas de venda de ingressos e profissionais envolvidos na área. Temos uma rede hoteleira melhor e veículos mais modernos. Tudo isso conta. Às vezes, doenças endêmicas afastam os shows, como foi na época do surto de zika vírus. Nenhuma cantora jovem vai querer tocar aqui se isso acontecer. Por outro lado, a nosso favor, a América Latina, ao contrário da Europa, não é alvo de terrorismo. Hoje, muitos artistas têm receio de se apresentar em Paris e Londres, por contas dos recentes ataques. Aqui existe a violência urbana, claro, mas é diferente.

R7 — Há muita reclamação sobre as mesmas cidades receberem os shows dos artistas internacionais em todas as turnês. O que tem a dizer sobre isso?

Faria — Novamente, é uma questão de logística. Rio e São Paulo quase sempre estão inclusos no roteiro. E aí com esses locais sendo as bases, Salvador e Recife ficam distantes, entendeu? Para facilitar, basicamente contamos com apresentações em Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília. Outras localidades, acabam se tornando mais raras mesmo, porque prolongariam e encareceriam a estadia das equipes no Brasil.

R7 — O que vocês fazem a respeito das reclamações sobre preços de ingressos e "leilão" entre produtoras para trazer artistas?

Faria — Nós somos donos de diversas turnês e isso facilita o agendamento de shows por aqui. E concorrência por shows de grandes artistas é normal no mundo todo. Não particularidade do nosso mercado. Quanto aos ingressos, tentamos oferecer diversas faixas de preço, mas ainda temos obrigação de vender 40% dos bilhetes a estudantes. Isso acaba criando essa impressão de que o tíquete médio no Brasil é caro, quando na verdade não é. Por aqui, ainda tentamos criar parcerias com patrocinadores para que o valor final seja um pouco menor, pelo menos entre 10 e 20% abaixo do que é praticado na Europa e Estados Unidos.