Popstar Globo elenco Em 2017, qual a necessidade de programas de calouros como Popstar?

Seja no Brasil ou no exterior, é inegável que os programas inspirados nos shows de calouros vivem um bom momento em relação à exposição na mídia e captação de patrocínio.

Mas e a música? Bom, o que deveria ser o assunto principal do formato acaba relegado ao segundo plano. Das edições que o The Voice, Popstar e o Superstar tiveram no Brasil, nenhuma revelou um grande astro. A banda que mais deu certo até agora foi a Malta, que soa como uma versão suave do Nickelback. E isso não é elogio, claro.

Quem mais se beneficia dos programas são os jurados, que aproveitam a vitrine de estar em um grande canal de TV para impulsionar a carreira (que, em alguns casos, carecia desse empurrão para voltar aos eixos).

A falta de sucesso entre os vencedores desses programas não está necessariamente conectada com ausência de talento. Muitos participantes apresentam propostas interessanteS, mas a maioria não sabe o que fazer com essa bagagem quando enfrenta o mercado. Se nos Estados Unidos uma diva inspirada em Mariah Carey pode atingir sucesso no mercado pop, aqui esse tipo de artista não tem espaço na nossa música mainstream. Nunca teve.

No Brasil, os bons cantores não são necessariamente aqueles que atingem notas altas, fazem falsetes com a nossa querida MC Melody ou cantam seguindo a cartilha r’n’b inspirada no soul e no gospel.

Essa fórmula norte-americana aplicada à nossa realidade só cria frustração para quem participa dos programas, além de não trazer novidadeS e nem criar novos ídolos na música nacional para quem acompanha a atração.

Até quando esse tipo de formato vai continuar a não acrescentar nada à nossa música? É difícil dizer. Enquanto as cotas de publicidade forem vendidas, é certo que o The Voice e o Superstar continuam no ar. Só que se alguém quer descobrir música nova ou se tornar um novo astro, o caminho não é esse.

Definitivamente, esses programas só atualizaram um cenário que Raul Gil fez com mais êxito, porque é popularesco sem medo de esbarrar no brega. Não finge possuir um verniz cult que, no fundo, não existe. Pelo menos Raul revelou a simpática Maisa Silva, Robinson Anjinho, Rinaldo e Liriel e Jamile. Alguns deles já viveram momentos melhores, é verdade. Mas e o The Voice que nem isso fez?