Megadeth 2 Metal Open Air: o festival brasileiro em que as bandas não foram

Quem vê a organização de festivais como Rock In Rio e VillaMix, não imagina que num passado recente o Brasil foi sede de um dos mais desastrosos eventos de música da história mundial.

O Metal Open Air, realizado em abril de 2012, foi um espetáculo de desorganização e cancelamento de shows por falta de estrutura.

Realizado a 30 quilômetros de São Luís, no Maranhão, o projeto era pretensioso e conseguiu reunir bandas como Megadeth, Venom, Anthrax, Symphony X, Blind Guardian, Saxon e o Rock'n Roll All Star com Charlie Sheen como mestre de cerimônia. Além de mais uma dezena de nomes médios e pequenos do heavy metal nacional e estrangeiro, que tocariam nos dias 20, 21 e 22 de abril.

Apesar de longe dos grandes centros, o evento empolgou os fãs do gênero, que encararam horas de estrada e voos para asssitir uma maratona de apresentações que aconteceria em uma área originalmente usada como pasto.

Tudo confirmado, bandas no Brasil, porém, a cada hora, uma nova má notícia sobre o MOA surgia na imprensa e redes sociais.

Primeiro, os fãs reclamaram de ter que se instalar em estábulos, sem banheiro e sem eletricidade. Mas isso não os desanimaria, caso os shows acontecessem. Mas com a estrutura que foi oferecida para esses grandes nomes da música pesada, os cancelamentos e desistências começaram a ser noticiados em sequência.

A Negri Concerts, responsável pelo MOA, também foi acusada de desonrar o pagamento dos cachês e isso também afetou as apresentações. A sucessão de trapalhadas foi tanta que o visto da banda Venom foi emitido para ela se apresentar na África do Sul e não no Brasil.

Num total de 47 grupos no evento, 30 cancelaram as apresentações, sendo praticamente mais de 60% do festival comprometido.

Estrutura Metal Open Air Metal Open Air: o festival brasileiro em que as bandas não foram

Heroicamente, o Megadeth e Symphony não deixaram os fãs na mão e encararam uma estrutura que eles não deviam ter contato desde o começo da carreira.

Almah, Shaman e Korzus tocaram de graça também. E outras bandas menores encararam esse desafio, já que nem geradores suficientes existiam no local.

Após o fracasso do festival, o organizador do evento, Felipe Negri, publicou no Facebook que havia sido sequestrado a mando do produto local Natanael Junior, da Lamparina Produções, parceira no evento. Um ano depois,  o Ministério Público do Estado do Maranhão denunciou os produtores. Nas redes, um acusou o outro de descumprir os acordos.

Na ação, também foi solicitado o pagamento de indenização por dano moral coletivo no valor de R$ 2 milhões ao Fundo Estadual de Proteção e Defesa dos Direitos Consumidor.

Mas independente das indenizações pagas, nada vai ser suficiente para compensar a decepção dos fãs de heavy metal que foram até São Luis acompanhar um festival que não aconteceu como o anunciado. O desespero dos fãs em matérias da época é tocante, embora toda essa trapalhada tenha gerado memes que até hoje são compartilhados em grupos e páginas de metal no Facebook. Foi triste e catastrófico, mas até nessas condições o brasileiro sabe ter humor.