maxresdefault 1 Além de inconstitucional, proibir funk é jogar contra a economia

A constituição de Direitos Humanos e Legislação Participativa vetou pela rejeição da sugestão legislativa que tinha como objetivo criminalizar o funk no último dia 17.

A proposta foi considerada inconstitucional e rejeitada pela Comissão e agora deixa de tramitar no Senado. O senador Romário ressaltou que a proposta que recebeu mais de 20 mil apoios no portal e-cidadania cerceia a livre manifestação cultural e de pensamento.

O ex-jogador ainda comentou que outros gêneros de origem popular, como samba e jazz, sofreram resistência semelhante no passado. E que seria uma inutilidade coibir a cultura de massa, que sempre encontra maneira de se manifestar.

O Baixinho estava correto em suas colocações. E ainda é preciso ir além. Afinal de contas, o funk hoje é uma das segmentos que mais crescem no mercado musical brasileiro, ficando atrás apenas do sertanejo e do gospel.

Além da geração de empregos diretos e indiretos, o gênero, antes marginalizado, criou toda uma indústria ao redor e impulsiona os setores de confecção, beleza e cosméticos e de lazer.

Só o principal diretor de vídeos do segmento, Kondzilla, fatura mais de R$ 1 milhão por mês gravando e distribuindo clipes em seu canal de YouTube, um dos dez mais populares do mundo.

Além disso, ele tem sido sondado por marcas como Bradesco, Nike, O Boticário e PepsiCo para trabalhos. Anitta vai pelo mesmo caminho, fazendo branded content em seus clipes e lucrando alto em parcerias com empresas que nunca antes haviam se relacionado com artistas de funk, rap ou pagode.

Anitta também passou a ser um dos símbolos de um movimento de legitimidade na propaganda, juntamente com a cantora Karol Conka.

Esse movimento representa uma busca de dialogar com o público final. Segundo pesquisa realizada pela Outdoor Social, o brasileiro não se sentia representado na publicidade que vinha sendo feita no País.

A reclamação tem fundamento. Afinal, as periferias movimentaram mais de R$ 141 bilhões só em 2016. É um potencial de consumo nada desprezível para o mercado. Ainda mais levando em conta que a ostentação do funk influencia o consumo de marcas antes exclusivas às classes altas.

Segundo o Instituto que mapeou essa tendência, após o crescimento do País nos últimos anos, famílias ascenderam e, mesmo após a crise, não deixaram de consumir marcas preferidas.

Dessa maneira, fica claro que proibir qualquer manifestação popular em um país massivamente composto pelas classes C, D e E não só é inconstitucional, como também é uma maneira de jogar contra a economia do país. Que, convenhamos, não vive seu melhor momento.