hugh0 Hugh Hefner foi um apoiador do jazz e dos direitos civis e raciais

Morto na noite de 27 de setembro, aos 91 anos, Hugh Hefner foi uma das figuras mais icônicas da cultura pop. Além de estar por trás da revista Playboy, o que poucos recordam é que o empresário foi um grande entusiasta do jazz e dos direitos civis.

Desde quando ainda dava seus primeiros passos como executivos do setor editorial, ele já apoiava o estilo musical, que era uma das suas grandes paixões.

A primeira edição do Playboy Jazz Festival aconteceu em 1959, na cidade de Illinois, em Chicago. Dizzy Gillespie se apresentou e o acontecimento foi também um grande ponto de encontro para o debate de direitos civis. A renda do primeiro dia foi doado para a Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor. O gesto foi emblemático, principalmente porque parte dos Estados Unidos ainda vivia sob as tensões das leis de Jim Crow, que institucionalizaram a segregação racial, afetando afro-americanos, asiáticos e outros grupos étnicos.

Apesar do sucesso, o evento só foi repetido novamente 20 anos depois. E nunca mais deixou de acontecer anualmente, mas desde então em Los Angeles, na Califórnia.

Pelos palcos onde foi realizado, passaram nomes de peso do estilo, como Herbie Hancock, Al Jarreau, Stanely Clarke, George Benson e Bill Cosby (que foi mestre de cerimônias até surgirem acusações de abuso sexual contra ele, em 2012).

O escritor Patty Farmer retratou esse outro lado de Hefner no livro Playboy Swings, de 2015, que aborda como ele lutou para dar visibilidade aos músicos afro-americanos e jazzistas em geral, seja em eventos que promovem o estilo, em programas de TV ou nas páginas da revista.

76930942 image 54f73318d2718 Hugh Hefner foi um apoiador do jazz e dos direitos civis e raciais

Prova disso é a primeira entrevista da história da Playboy, feita com o lendário Miles Davis pelo jornalista negro Alex Haley. Na conversa, o músico não fala sobre sua obra e sim como ele lidava com a cor da pele e a fama.

A política de inclusão de Hefner se estendeu aos clubes noturnos da Playboy. Quando ele soube que as franquias de Miami e New Orleans estavam impedindo os negros de entrar, tirou dinheiro do próprio bolso para recuperar o controle das casas e acabar com essa orientação.

Apesar de sofrer forte perseguição de determinadas alas feministas, Hefner também usou o Playboy como um veículo para promover o empoderamento feminino.

A revista saiu em favor do aborto muito antes que outros veículos, em 1965. E Hefner estabeleceu uma fundação sem fins lucrativos que apoiou o Instituto Kinsey (uma organização sem fins lucrativos que pesquisa a saúde sexual), centros contra o estupro e a União Americana de Liberdades Civis.

Mesmo sendo uma figura controversa e polêmica, Hefner, ao seu modo, esteve sempre ao lado da eterna luta pelos direitos civis nos Estados Unidos. Foi uma lenda típica dos anos 50, onde homens e mulheres famosos encabeçaram quase todos os assuntos que se tornariam popular nas décadas seguintes.