FatsDomino Mezz Pioneiro do rock, Fats Domino abandonou a fama porque refeições das turnês eram ruins

Um dos pilares da criação do rock'n roll nos anos 40, Fats Domino, que morreu nesta quarta (25) foi um dos principais artistas dos Estados Unidos na história e emplacou 37 músicas no top 40 das paradas.

Nascido em 1928, em Nova Orleans, ele se destacou inicialmente com o hit The Fat Man, que é considerado até hoje como uma das primeiras músicas que trazia o carcaterístico piano ritmado do rock.

Nas três décadas em que esteve no auge, rodou o país apresentado sucessos como Ain't That a Shame e My Girl Josephine.

Na fase em integrou o casting da Imperial Records, lançou 60 singles ao todo, sendo que 2/3 deles foram sucesso nas rádios e de vendas. Mas a sorte do cantor começou a mudar em 1962, quando a gravadora foi vendida e ele ficou sem lançar nada até que a ABC-Paramount Records o contratasse no ano seguinte.

No entanto, essas mudanças não agradaram o músico. Primeiro porque ele precisou deixar a cidade natal para começar a gravar em Nashville. A companhia também exigiu que ele trocasse o produtor e parceiro de composição Dave Bartholomew por Felton Jarvis, que mudou completamente sua música.

O resultado dessas mudanças foi o começo de uma fase decadente para Fats. Dos 11 singles que ele lançou no período, apenas um chegou ao top 40.

Apesar disso, a década de 70 foi repleta de shows para o músico, que continuou lotando os locais por onde passou.

Mas, cansado de ter baixa remuneração nas apresentações, nos anos 80 Fats tomou a decisão de parar de excursionar e voltar a morar em sua mansão na periferia de New Orleans.

Fã convicto de comida e da culinária creole, Fats chegou a comentar que o fato de se alimentar mal na estrada também contribuiu para que ele deixasse de viajar para outros estados.

Nem mesmo o convite de tocar na Casa Branca e a indicação ao Hall da Fama do Rock modificaram a ideia dele de viver recluso em seu bairro, por onde era visto constantemente passeando em um Cadillac rosa.

Em 2005, no entanto, Fats deu um susto nos fãs. Com a aproximação do furacão Katrina, ele se recusou a abandonar a própria casa, pois teria dificuldade em transportar a esposa enferma.

Após o desastre natural, mídia chegou a cogitar que ele estivesse morto. Mas em 1º de setembro daquele ano, a CNN reportou que Fats Domino foi resgatado por um helicóptero da guarda costeira. Apesar disso, ele e a família perderam tudo e tiveram que reconstruir a casa em que moravam.

Em reconhecimento à obra e bravura de Fats, o presidente George Bush substituiu a medalha que ele havia recebido de Bill Clinton, em 1998, e a Capitol Records enviou novos discos de ouro pra ele.

Nos últimos anos, o músico ainda realizou shows pelo estado da Lousiana e participou de eventos para a recuperação de Nova Orleans. Apaixonado pela cidade e pelo Estado natal, ele passou praticamente os últimos 40 anos saindo bem pouco dali, apenas quando precisava trabalhar e quando se mudou para Harvey.

A perda dessa figura icônica, excêntrica e marcante pode não significar muito para os mais jovens. Mas são poucos os músicos que são considerados como fundadores e criadores de um estilo tão importante como o rock, além de influenciar gente como Paul McCartney, Elton John e Willie Nelson.

Dos criadores do rock, agora poucos ainda estão vivos. Na verdade, apenas dois deles: Little Richard, que está aposentado e sofre com dores no nervo ciático, e Jerry Lee Lewis, que também saiu de cena. O rock não morreu, mas seus criadores, quase todos, sim.