lead 960 800x533 Ícaro: documentário mostra como doping está ligado ao esporte profissional

As constantes superações de recordes nas modalidades esportivas de alto rendimento podem estar mais conectadas ao doping do que à superação de limites.

É o que sugere o documentário Ícaro, produzido e disponível na Netflix. Premiado no festival de Sundance e cotado para o Oscar, o filme dirigido pelo ciclista e cineasta Bryan Fogel leva o espectador a questionar se há de fato justiça no mundo esportivo.

Inicialmente, o filme tinha como objetivo mostrar o próprio diretor como uma cobaia que comprovaria a relação entre o uso de substâncias dopantes proibidas e o alcance de melhores resultados em competições amadoras de ciclismo.

Além disso, Bryan mostraria que é relativamente fácil e comum burlar os exames que detectam doping. Para conseguir atingir seu objetivo, ele procurou auxílio de Grigory Rodchenkov, cientista russo que dirigiu a agência anti-doping do País.

Ele ensina Bryan como realizar os ciclos de consumo de drogas e também explica a maneira correta de armazenar a urina que será usada para fraudar os exames que acontecem após as provas que ele irá participar.

O filme, no entanto, dá uma reviravolta quando o médico fanfarrão é acusado pelo Comitê Olímpico internacional de ter contribuído para que os atletas russos competissem nos jogos Olímpicos de Londres (2012), Pequim (2008) e Sochi (2014) sob a influência de substâncias proibidas e que foram mascaradas com o mesmo método que ele recomendou a Fogel.

Grigory Rodchenkov Ícaro: documentário mostra como doping está ligado ao esporte profissional

Por conta disso, a Rússia foi banida das competições de atletismo nos jogos do Rio, em 2016, e a Wada (Agência Mundial Antidoping) teve sua reputação questionada no mundo todo. Afinal, vários países foram prejudicados nos eventos com essa superioridade russa.

A partir daí, o filme ganha ares de thriller político, com cenas que incluem conspiração, fugas, tensão e mistério. No fim, nem parece um documentário convencional, o que é o principal mérito da produção.

As reviravoltas do filme e o ponto provado por Bryan em entrevistas com outros médicos, deixa um questionamento: existe resultado no esporte de alto rendimento que não esteja conectado ao uso de doping? Com o filme, o espectador fica tentado a não acreditar em superação natural de limites. Principalmente porque a atuação da Rússia nas Olimpíadas desde os anos 80 deixa claro que é possível burlar qualquer exame.