Taylor Swift reputation ART 2017 billboard 1548 Novo disco de Taylor Swift: letras ótimas, músicas nem tanto

Desde que a capa de Reputation foi revelada, ficou claro que Taylor Swift ia ter como foco nas letras o ataque à imprensa de celebridades.

A arte, que traz a cantora ao lado de páginas de jornais, inclusive foi criticada e considerada cafona e clichê por especialistas em design. Afinal, é a mesma estampa usada em guarda chuvas e bolsas falsificadas nas Rua 25 de Março, no centro de São Paulo. Mas talvez ela não saiba disso. Talvez.

No entanto, esse é o assunto que menos importa nesse sexto disco da norte-americana. A expectativa estava mesmo no conteúdo que Taylor iria explorar e em como ela ia soar dessa vez, já que a ex-princesinha do country há muito tempo está imersa no que o pop tem de mais urgente e atual.

E, bom, o som cumpre exatamente o esperado de um disco de diva pop atual: músicas genéricas cheias de sintetizadores e programações que estão em alta nas pistas e FMs. Na parte musical, destacam-se as melodias, que às vezes viram um flow de rap até que digno para uma menina branca da Pensilvânia.

Entre os produtores, está Max Martin, que já assumiu as mesas de estúdio em trabalhos de outros astros pop, como Kelly Clarkson, Katy Perry, Avril Lavigne e Britney Spears.

Mas o álbum tem sim um trunfo e ele está nas letras. Ao contrário da maioria das cantoras de pop, Taylor Swift tem talento quando o assunto é escrever de forma não convencional.

Praticamente todas letras dela usam recursos como ironia, sarcasmo, figuras de linguagem e revelações bombásticas. Nada é óbvio na escrita confessional de Swift, que controla integralmente essa parte do seu trabalho.

Além disso, ela sempre deixa no ar algumas acusações e indiretas para que os fãs tentem desvendar sobre quem ou o que ela está falando. É daí que surgem aquelas teorias de que Taylor lava a roupa suja com seus ex-namorados por meio das letras.

E nesse disco, não poderia ser muito diferente. Em Do Not Blame Me, ela supostamente manda um recado para o ex Tom Hiddleston. Ou talvez Calvin Harris. Fãs ainda não decidiram sobre isso: "Quebro corações por muito tempo e brinco com os caras mais velhas".  Mas ela reconhece também que um dia isso pode dar errado: "Eu acho que vou cair em casa com meus gatos - sozinha".

Taylor também abre o jogo sobre temas que ainda são tabu na indústria: sexo e bebidas alcoólicas. Em Dress, ela comenta sobre "Derramar vinho em uma banheira" e manda um recado para alguém ainda não identificado: "Eu não quero você como um melhor amigo. Só comprei este vestido para que você possa tirá-lo".

O estilo é bem diferente das músicas sobre amor e traição que suas rivais de paradas de sucesso costumam lançar e que, no fundo, parecem que foram feitas em algum gerador de lero lero. Taylor pode não ser nenhuma Joni Mitchell, mas tenta ir além do básico.

Se o título do disco pretendia ser uma crítica à imprensa, Taylor foi no mínimo irônica. Ou inocente. Porque o resultado deixa claro não só que ela gosta de provocar situações para ser o centro das atenções, como sempre soube usar experiências pessoais como material para suas letras e combustível para inflamar assuntos que já estavam quase apagados.

Embora ainda não tenha lançado um disco que seja musicalmente impactante como Beyoncé (2013) ou Lemonade (2016), ela tem melhores ideias e abordagens nas letras que qualquer contemporânea no pop. E isso não é pouco. Só falta ousar e lançar um disco que não seja tão genérico, que poderia ter sido gravado por Rihanna e Katy Perry e ninguém notaria a diferença, porque o som é praticamente o mesmo.