Publicado em 26/08/2017 às 10h02

Novo disco dos Tribalistas prova que a banda não precisava ter voltado

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É até compreensível que o retorno dos Tribalistas tenha sido tão festejado pelos fãs. Afinal, o grupo ficou inativo durante 15 anos. Porém, esse longo período e tudo que ele representa na história da nossa música e do País é exatamente o que faz com que o trio formado por Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown soe tão diferente entre o primeiro e o segundo disco.

Enquanto o projeto de estreia primava por uma MPB radiofônica, o novo álbum se arrasta em músicas com arranjos pouco inspirados e letras engajadas ideologicamente, como Diáspora (sobre refugiados pelo mundo), Um Só (sobre as diferenças na sociedade) e Lutar e Vencer (sobre resistência das minorias).

Por isso, quem esperava um trabalho que repetisse a elegância daquele CD que vendeu 2 milhões de cópias em 2002, pode esquecer. Por um lado, é bom, já que não teremos que aturar uma nova Já Sei Namorar, típico caso de música excelente, mas que tocou até saturar e começar a incomodar.

Por outro, não atende as expectativas dos fãs, que terão que aprender a digerir um álbum quase hermético e demasiadamente focado na introspecção. As exceções ficam por conta de Aliança, Feliz e Saudável, Ânima e Fora da Memória. As quatro se destacam por trazer o DNA presente no trabalho anterior.

E para por aí. Mas talvez os Tribalistas quisessem mesmo inovar e lançar algo completamente diferente do disco que os consagrou. E conseguiram. E mudar é saudável. O problema é que nem sempre é para melhor.

Mas também não tinha como ser diferente. No primeiro CD, o controle era totalmente focado nos três. Nesse álbum, a participação de músicos jovens na maioria das composições afetou o resultado final e descaracterizou o que poderia ser um projeto que colocaria a MPB novamente no mainstream.

Publicado em 21/08/2017 às 10h41

Anitta grava clipe com diretor acusado de abusar sexualmente de jovens modelos

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O novo clipe de Anitta (Vai Malandra) ainda nem foi lançado, mas já causou comoção na internet. Gravado no Morro do Vidigal, o vídeo teve as primeiras imagens de bastidores divulgadas no domingo (20) e viralizou por mostrar a boa forma da cantora vestindo apenas um biquíni de fita isolante. Aparentemente, o vídeo vai apostar bastante na sensualidade dela e dos atores escalados.

Não poderia ser diferente. Afinal, quem está por trás do clipe é o renomado fotógrafo e diretor Terry Richardson, que já trabalhou com gente como Rihanna, Amy Whinehouse e Barack Obama. O norte-americano ficou conhecido internacionalmente pelos ensaios ousados e vídeos musicais que exploram a nudez feminina, como o mundialmente famoso Wrecking Ball, de Miley Cyrus.

Mas a fama de Terry é proporcional às polêmicas em que ele está envolvido. O fotógrafo foi acusado em 2014 de assediar inúmeras modelos.

Jamie Peck, por exemplo, foi fotografada por Richardson quando tinha 19 anos. Ela contou ao site The Gloss que Terry a fez dançar nua durante uma sessão. Em outra, ele teria tirado a roupa também, pedindo que ela o fotografasse enquanto mexia em seu pênis. "Na segunda sessão as coisas ficaram realmente estanhas. Expliquei que estava menstruada e, por isso, não gostaria de tirar a calcinha. Ele insistiu para que eu ficasse nua e ainda pediu para que tirasse meu absorvente interno", comentou à época.

A modelo Rie Rasmussen endossa as acusações e diz que muitas jovens não têm coragem de negar os pedidos de Terry com receio de perder trabalhos.

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"Ele manipula as meninas para que tirem as próprias roupas e se deixem fotografar em poses que irão envergonhá-las depois. Elas ficam com medo de dizer não porque foram indicadas para o trabalho por suas agências e são muito jovens para se defender", afirmou em entrevista ao The New York Post.

À época, o site Jezebel reuniu diversas acusações semelhantes sobre o comportamento de Rihardson, inclusive relatos em que ele teria obrigado mulheres a praticar sexo oral contra a vontade em sessões fotográficas.

O que causa estranheza é a equipe de Anitta sequer ter levado em consideração o histórico do profissional antes de chamá-lo para dirigir o clipe. É claro que, com a intenção de conquistar o mundo, a cantora enxerga nessas parcerias a possibilidade de ganhar os holofotes da imprensa internacional. Afinal, por mais problemático que Richardson seja, ele ainda é um dos fotógrafos mais requisitados do mundo, seja na indústria musical ou em editoriais de moda.

No entanto, cantoras que trabalharam com ele, cortaram relações e até deixaram de lançar clipes dirigidos por Richardson com medo da repercussão negativa que isso teria.

É o caso de Lady Gaga, que gravou o  vídeo de Do What U Want com ele. Pelas fotos de bastidores, o vídeo, como quase tudo no trabalho do americano, apostaria na estética soft porn. Mas até hoje, o projeto, feito na mesma época das acusações, está engavetado. E nunca deve ser lançado. Apesar dessa decisão da diva, o livro de fotos que Gaga fez com ele continua à venda, inclusive no Brasil.

Miley Cyrus, que gravou clipe e fez ensaio polêmico com Richardson, simplesmente rompeu relações com o profissional após as acusações de assédio. Ao ser questionado sobre todas essas alegações, ele apenas disse que se tratavam de 'histórias fabricadas e cheias de ódio'. E nunca mais se posicionou sobre os casos.

Se Anitta tinha a intenção de criar polêmica com seu novo clipe, com certeza está no caminho certo. Os figurinos e a locação já estão dando o que falar. E a parceria com o Terry Richardson não passará despercebida, seja pelo clipe ousado que vem por aí, seja por esse passado obscuro do profissional. Resta saber como ela se posicionará quando essas acusações vierem à tona, principalmente em um momento em que ela é considerada um ícone do empoderamento feminino. E não vai demorar até ser questionada pelos fãs, que nas redes sociais já estranham e torcem o nariz para essa parceria.

 

 

 

Publicado em 17/08/2017 às 09h03

Spotify exclui do catálogo músicas que promovem discurso de ódio e que defendem supremacia branca

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O Spotify resolveu tirar músicas que promoverm discurso de ódio do seu catálogo. A medida, anunciada na quarta-feira (16), foi influenciada por críticas dos usuários da plataforma de streaming e também por um levantamento feito pela ONG Southern Poverty Law Center acerca de grupos de música simpáticos ao racismo e à supremacia branca.

"Conteúdo ilegal ou materiais que promovem o ódio ou incitam violência contra raça, religião, orientação sexual não serão tolerados", diz anúncio publicado pela empresa na revista Billboard americana.

Os recentes confrontos raciais de Charlottesville, nos Estados Unidos, e o crescimento de grupos pró-Trump tornaram a conotação desse tipo de conteúdo ainda mais agressiva.

"Estamos felizes por terem nos alertado quanto ao conteúdo em questão — já removemos grande parte das bandas 'de ódi'’, mas seguimos revisando todo nosso acervo", se posicionou o Spotify.

O site Digital Music News listou 37 bandas que disseminavam mensagens de ódio, mas até o momento apenas dez delas foram excluídas: Ad Hominem, Freikorps, Geimhre, Grand Belial’s Key, Ravens Wing, Selbstmord, Standarte, The Spear of Longinus, No Remorse e Endless Pride.

A maioria desses grupos são marginais, com poucos ouvintes.  Há quem defenda que a exclusão dessas músicas fere a liberdade de expressão e promove censura. Segundo a mídia americana, grupos como a União Americana pelas Liberdades Civis provavelmente defenderiam uma grande porcentagem dessas bandas, mesmo que pessoalmente as desprezassem.

Além disso, uma lista de reprodução Spotify possui uma coleção de músicas de marcha nazista. Isso também poderia ser considerado tecnicamente como uma "banda de ódio", embora muitos defendam sua presença no Spotify como uma "coleção histórica importante".

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Publicado em 16/08/2017 às 12h46

Nem Beyoncé, nem Lady Gaga: Madonna nunca será superada como a cantora pop mais influente

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Todo ano surge uma nova Madonna. É assim desde o início da década de 80. Inclusive, é impossível esquecer uma capa da revista Bizz que apostava na cantora Patsy Kensit como substituta da musa norte-americana com o seguinte título: "Se cuida, Madonna, Patsy vem aí". A inglesa caiu no anonimato e hoje é mais conhecida por ser ex-mulher de Liam Gallagher, vocalista do Oasis.

Madonna nunca conseguiu ser substituída pelo simples fato de que todas as alternativas e apostas posteriores ao seu surgimento foram produzidas exatamente com o objetivo quase impossível de desbancar a loira como ícone da cultura pop. Ou seja: na maioria dos casos, não existia muita legitimidade conceitual e quem estava à frente do projeto não tinha nem a consciência de carreira e de produzir polêmicas, factóides e inovações estéticas como Madonna e toda sua equipe fizeram em quase 40 anos de carreira.

Isso é fruto, basicamente, de uma personalidade inquieta, que não se acomoda e nem se repete. Uma ouvida rápida na discografia da cantora demonstra que, entre um trabalho e outro, ela buscou inovar, se conectar com o que estava em evidência no momento (inclusive ao contratar dançarinos), mas quase nunca entregar algo derivativo e que poderia ser feito por qualquer outra cantora a não ser ela.

Basicamente, nesse sentido, Madonna seguiu os passos de David Bowie, que ficou conhecido como camaleão não só pelas mudanças no visual, mas por nunca lançar discos que repetissem a mesmo fórmula. E, claro, por ter a consciência que a música pop se torna ainda mais forte quando acompanhada de outros itens, como figurinos marcantes e shows que entregam para o público uma experiência inigualável. Tanto em uma carreira quanto em outra, essas ideias nunca foram deixadas de lado.

E Madonna, por surgir na época da MTV, foi além e explorou como poucos a venda da própria imagem em clipes que não eram encarados como meros acessórios para a divulgação da música. Pelo contrário, esses vídeos foram tão importantes quanto os singles. Não à toa, os três minutos de imagens em Like a Virgin, Like a Prayer, Frozen, Take a Bow ou What Feels Like For a Girl não foram esquecidos por quem teve a oportunidade de assistir quando foram lançados.

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Essa personalidade se refletiu na inquietude da vida de Madonna. O que fica claro é que a carreira sempre esteve à frente dos planos. E, bom, nenhum relacionamento durou muito. O mais marcante foi com o então bad boy de Hollywood, Sean Penn. Os dois ficaram conhecidos pelo casamento intenso e que terminou, entre outros motivos, após o ator colocar a cabeça dela dentro de um forno.

Depois dele, vieram diversos famosos e anônimos como o jogador de basquete Dennis Rodman, os rappers Tupac e Vanilla Ice e o DJ e modelo brasileiro Jesus Luz. Com o diretor inglês Guy Ritchie, ela sossegou durante oito anos e chegou a constituir família. Mas após o fim, ambos se ofenderam pela imprensa e disseram se sentir encarcerados. Mesmo quando estava bom, estava ruim.

Apesar de ser a Rainha do Pop, Madonna tem uma vida e uma carreira que destoa completamente desse título de nobreza. A subversão da cantora nem combina com algo tão conservador e antiquado.

Essa postura de nobreza talvez combine melhor com Beyoncé e Jay Z, que se posicionam como o casal real da música pop mundial. Inclusive construindo um império profissional e pessoal que não é abalado por nada. Nem por críticas e nem por infidelidade. O interesse de ambos é claro: juntos, eles são mais fortes e podem lucrar como bem entender, inclusive patenteando os nomes dos filhos, que devem ser os primeiros na linha de sucessão de Justin Bieber e Taylor Swift. Afinal, se Beyoncé seguir os passos do pai, certamente criará os filhos para trilhar os mesmos passos dela rumo ao estrelato.

Obviamente que Madonna também soube ganhar todo centavo que estavam interessados a pagar por qualquer coisa que tivesse a assinatura dela.

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E isso não é errado. Afinal, ela está na pista para negócios. Mas na medida do possível para os padrões do show business, manteve a ética e poucas vezes se contradisse. Um dos poucos casos que arranham levemente a imagem dela foi retratado no documentário Strike a Pose, que conta a história dos sete dançarinos contratados para a turnê Blonde Ambition. No filme, disponível na Netflix, a maioria dos profissionais dessa equipe demonstra mágoa com a cantora, por não terem sido pagos pela participação no filme Na Cama com Madonna e serem desprezados por ela logo após o fim da turnê.

A atitude, claro, não é o que se espera de Madonna. Até porque remunerar os dançarinos não seria um problema pra ela. Mas, se comparar com Beyoncé, que lança um disco sobre representatividade e ao mesmo tempo explora trabalhadores do Sri Lanka que fabricam peças de sua grife, o que Madonna fez é só mais um dos milhares casos de desacordos contratuais no milionário mundos dos negócios do entretenimento. Muito pouco para abalar a imagem de ícone pop incontestável e figura feminina empoderadora e que jamais será alcançada ou superada. Inclusive musicalmente. Apesar de não ser tão boa cantora como Beyoncé, Madonna acumula uma dezenas de hits que vão de balada romântica a rock'n roll, passando por dance music. Versátil e oportunista no que realmente importa.

Assim como Bowie, Cher, Michael Jackson, Beatles e Elvis, ela integra o seleto grupo de figuras icônicas da cultura pop que influenciam a criação cópias derivadas e produzidas em série que jamais atingirão o nível da original.

 

Publicado em 15/08/2017 às 11h21

Com disco pop, dançante e criticado, Arcade Fire tem tudo para ser o novo Coldplay

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O Arcade Fire lançou um disco ruim? É o que o mundo está dizendo. Ok, talvez não seja a pior coisa feita em 2017. A verdade é que o projeto frustrou as expectativas de parte do público e da crítica.

Afinal, trata-se de uma das bandas mais aclamadas dos anos 2000, com três CDs elogiados no currículo: FuneralNeon Bible e The Suburbs. E Everything Now fica muito aquém desses projetos, soando de forma derivativa. Parece até outra banda. Mas não de forma elogiosa. A intenção de criar algo mais pop e dançante talvez tenha tido como inspiração o Talking Heads ou Peter Gabriel.

Porém, o resultado ficou parecido com um disco mais lento do Imagine Dragons ou qualquer uma dessas bandas que parecem feitas por publicitários para emplacar músicas em comercial de loja de departamento e do jogo Fifa.

Apesar da recepção mista, a banda não tem do que reclamar. O disco atingiu o topo das paradas britânicas. O que talvez prove que deixar de fazer discos relevantes para enveredar por caminhos mais pop, como Coldplay e U2 já fizeram, seja uma saída para quem acumula anos de estrada.

Coldplay new songs 2017 2018 list upcoming latest albums Com disco pop, dançante e criticado, Arcade Fire tem tudo para ser o novo Coldplay

Nessa mudança de caminho, o Arcade Fire entendeu que não adianta agradar o público novidadeiro a todo custo. Acontece que até a vontade e a inspiração de se superar simplesmente podem nem existir mais. Basta ver os últimos trabalhos dos Strokes para perceber como uma banda que já foi apontada como salvação dor rock pode se perder e ficar irrelevante em três ou dois discos.

E tem outra coisa. Se a banda tem mais de dez anos, parte do público ávido por exclusividade vai se desinteressando à medida que o grupo se torna algo parecido com um clássico. É nesse momento que, mercadologicamente, uma das alternativas é assumir que o melhor é cativar quem ainda gosta de você e se tornar acessível para as rádios. Com essa abordagem, o Arcade Fire pode virar um novo Coldplay, que quanto mais eletrônico e pop fica, mais se afasta dos admiradores iniciais. A relevância entre os fãs exigentes pode acabar aos poucos, mas as grandes turnês, segundo os números conquistados desde o lançamento, aparentemente estarão garantidas.

 

Publicado em 31/07/2017 às 11h48

Clipe de Anitta seria melhor se fosse gravado nos Lençóis Maranhenses com direção do Kondzilla

major lazer anitta pabllo vittar sua cara Clipe de Anitta seria melhor se fosse gravado nos Lençóis Maranhenses com direção do KondzillaMuita expectativa foi criada para o lançamento do clipe da música Sua Cara, parceria entre Anitta e Pabllo Vittar com produção do Major Lazer. Nunca antes na internet brasileira, fãs e haters de um cantora pararam tudo que estavam fazendo para ver um lançamento no YouTube.

Gravado no Marrocos, o vídeo era aguardado como um novo Thriller, Californication ou Justify My Love. Não é para menos. A cantora prometeu que entregaria um clipe inovador. Ou pelo menos acima da média.

Mas o resultado final é, no mínimo, decepcionante em vários aspectos. Com uma edição desleixada e uma montagem que não faz sentido, Sua Cara mistura referências demais e não cumpre nem o papel de contar uma história e nem de ser um projeto abstrato com certo valor artístico.

Em menos de três minutos, o vídeo mistura imagens de pilotos de quadriciclo no deserto, closes nas partes íntimas de Anitta e Pabllo com aquela técnica de zoom rápido usado no Domingo Legal nos anos 90 e rápidas imagens de Diplo mostrando o tanquinho.

A parte mais marcante porém, é a que traz a cantora fazendo dança do ventre com um top cropped da Adidas, num mix de referências que deixaria qualquer analista de pós-modernidade confuso sobre se houve ou não a tão temida apropriação cultural, inimiga declarada de qualquer lacre.

Aliás, a locação no deserto do Saara não influenciou em nada o resultado final do vídeo, que poderia ter sido gravado nos Lençóis Maranhenses com direção de Kondzilla tranquilamente. E ainda ficaria melhor.

Aliás, até a música poderia soar menos genérica e derivativa se, em vez de ter sido feito na linha de montagem do trio Major Lazer, recebesse produção de ícones brasileiros do pop/funk como Dennis DJ e Pereira Detona Funk.

Mas apesar de estar longe de ser a melhor coisa que Anitta fez na carreira, isso no fundo não vai afetar o projeto dela de se transformar em estrela internacional (nem que seja apenas na América Latina).

É inegável: Anitta cresceu muito. E como qualquer ícone, vai cometer erros e amargar fracassos. Faz parte do jogo. E costuma ser saudável e uma espécie de aprendizado, inclusive. A questão é que música para dançar e pop de consumo rápido também podem ser memoráveis e não apenas um acessório irrelevante no contexto da lacração.

Madonna, Cher e Beyoncé comprovam isso. Anitta poderia aprender com elas a tentar ser sempre referência e não apenas mais uma diva pop com músicas sem identidade e que poderiam ter sido gravadas por qualquer cantora, como os últimos três lançamentos dela. Afinal, quem consegue superar esse desafio no pop, dura mais de uma geração. Do contrário, a fama vai até seu último fã sair da casa dos pais. No máximo.

 

Publicado em 28/07/2017 às 00h00

Justin Bieber e a eterna dificuldade de ser um popstar adolescente

justin Justin Bieber e a eterna dificuldade de ser um popstar adolescente

Justin Bieber reconhece que fazer sucesso muito cedo não é saudável e nem recomendável. Em entrevista à revista Billboard, em 2015, ele comentou que preferia ter conhecido a fama após ter virado adulto. "Algumas coisas acabaram com a minha confiança nas pessoas. Situações acontecem e mancham a sua mente. Comecei a ficar muito emotivo, achava que as pessoas estavam me julgando o tempo todo. Eu saí vivo, mas estava prestes a deixar a fama me destruir", disse à época.

Não é à toa, que a trajetória do cantor seja marcada por polêmicas e altos e baixos. A notícia bombástica mais recente do músico foi a decisão de cancelar 15 shows da turnê Purpose, que já dura dois anos. Nesse período, Bieber pretende descansar e se dedicar à religião, já que ele tem frequentado a igreja pentecostal Hillsong, que atrai diversos jovens e hipsters em mais de 15 países.

Esse novo direcionamento impressionou quem ainda tem em mente um Bieber que se envolve em brigas de bar e é banido de países por se envolver em encrencas e pequenos delitos. Mas observando o que ele já dizia há dois anos, fica claro que o músico ensaiava alguma atitude desse tipo há anos. "Olhe as estatísticas, quantos astros adolescentes cederam e acabaram ficando loucos. É porque é um estilo de vida horrível", declarou, quase como um pedido de socorro.

Isso, inclusive, coloca mais uma incógnita na história: será que Bieber volta a ser um cantor pop ou vai enveredar pela música gospel de agora em diante? A mídia estrangeira cogita até que o cantor estaria com a intenção de abrir a própria unidade da igreja, em algum lugar ainda não revelado, e ser uma espécie de patrono mundial da Hillsong, assim como tom Cruise é da Cientologia.

Porém, essa mudança repentina na carreira não é exclusividade do músico. Outros nomes que se destacaram bastante na infância e adolescência, não conseguiram continuar fazendo o que os tornou famosos. Recentemente, Aaron Carter, irmão de Nick, do Backstreet Boys, foi abordado pela polícia por supostamente dirigir embriagado e sob efeito de maconha, que ele usa com receitas médicas contra a ansiedade. Desde que estourou como cantor no início dos anos 2000, tem sido assim a vida de Aaron, que mistura prisões, discos fracassados, esquecimento e experiências de quase morte.

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Mas talvez o caso mais emblemático do tipo seja o de Macaulay Culkin, ator mirim mais festejado e famoso da história de Hollywood. O astro, que começou a carreira no fim dos anos 80, acabou tendo uma vida que poderia ser transformado em um roteiro mais emocionante que qualquer filme que ele vier a ser escalado com o recente anúncio de retomada de carreira. Culkin praticamente gabaritou na prova da ex estrela mirim que se torna garoto problema: foi preso, lutou contra o vício, foi flagrado com a aparência lamentável e esteve envolvido em projetos artísticos que não deram em absolutamente nada. Ao menos deve ter sobrado grana da fama dos anos 90 para bancar esse estilo de vida.

O deslumbramento causado pela fama conquistada muito cedo transforma esses astros em adultos problemáticos e, em vários casos, fracassados. Basta lembrar que no início dos anos 2000 qualquer pessoa apostaria que Lindsay Lohan seria uma estrela incontestável no cinema e na música. E hoje ela nem sequer é lembrada como artista. No fim, ser um sucesso tão jovem acaba sendo uma forma para estruturar a família financeiramente (que não raro fica com parte relevante do que a criança ganha sem consentimento, como já vimos em diversos exemplos).

O artista mesmo, se transforma apenas em um ícone que o público que invariavelmente vai falhar, desistir ou definhar publicamente em algum momento. Talvez para se prevenir disso, Bieber pretenda abandonar o cenário antes de se tornar mais uma vítima da fama precoce. As declarações que deu em 2015 sinaliza isso. E nem há como criticá-lo, se for o caso.

 

Publicado em 26/07/2017 às 00h00

Ed Sheeran representa, sozinho, 10% das vendas da indústria musical britânica

ed sheeran Ed Sheeran representa, sozinho, 10% das vendas da indústria musical britânica

A obra de Ed Sheeran divide opiniões. Os fãs adolescentes não admitem qualquer crítica ao cantor, porém os críticos não compreendem tamanho êxito do ruivinho de 26 anos.

Independente da opinião que se tenha sobre ele, é impossível ignorar que, sozinho, o compositor tem causado impacto mercadológico relevante na indústria musical, em especial no Reino Unido.

Ed, sozinho, representa 11% do consumo de música por lá. 16 das 20 músicas de seu novo disco, Divide, atingiram o top 20 de plataformas de streaming como Spotify e iTunes na época do lançamento. Sozinho, o álbum é o produto cultural mais vendido no Reino Unido, com 2 milhões de unidades. Logo em seguida, surge o filme Star Wars: Rogue One, assistindo por 1,8 milhões de pessoas.

Além disso, o êxito do disco ajudou a gerar o primeiro aumento de vendas físicas em discos no Reino Unido em uma década. Em 2017, o setor cresceu 2,5%. Além de Ed, por lá há ainda outro responsável por isso: a volta do consumo de discos de vinil, mídia que cresceu 37% nesse primeiro semestre.

Quando Divide foi lançado, Ed Sheeran atingiu o topo também das paradas na Estados Unidos, Alemanha, Irlanda, Itália, Holanda, Nova Zelândia e Suécia.

E existe toda uma mística e identificação a respeito do sucesso do cantor. A imagem de Ed causa empatia em quem o admira. Afinal, ele está longe de parecer um popstar tradicional. A imagem que vende é de uma pessoa normal, acessível e até um pouco desleixada, que faz com que o fã acredite que também pode chegar lá.

Mas não é bem assim. Ed pode de fato ser talentoso para criar hits. Mas não surgiu do nada. Filho de um curador de arte e de uma design de jóias, o compositor se destacou inicialmente como compositor de trilhas e músicas para outros artistas. Impressionado com o talento, Elton John o contratou para o selo Rocket Music.

E se Elton enxergou alguma coisa na produção dele, é porque realmente existe. Mesmo que não seja tão claro assim. Mas é impossível ignorar que a música dele conseguiu ser o exemplo de algo que não agride ninguém e que sequer é muito notada quando toca como som ambiente em restaurantes ou bares. Faça o teste.

É mais ou menos o caminho seguido por Bryan Adams nos anos 80 e 90, só que ainda mais inofensivo e nada surpreendente. E, diferente do canadense, o inglês se transformou em um mega artista na era do streaming. Hoje é possível ser gigante e mesmo assim ser um mero desconhecido para a maioria das pessoas. Bryan Adams viveu o auge das vendas físicas e dos sucessos ditados pelas rádios. Impossível não conhecer uma música dele, até porque não existiam alternativas.

Sheeran também gera muitas críticas e observações pertinentes, inclusive de gente de dentro da indústria. Morrissey, que não poupa ninguém, não acredita que exista algo pior no pop do que ele. "É muito raro que uma gravadora faça algo pelo bem da música. Assim, somos alimentados com força, com Ed Sheeran e Sam Smith, o que pelo menos significa que as coisas não podem piorar. É triste , No entanto, não há nenhuma espontaneidade agora, e tudo parece ser inabalável", detonou o ex-líder do Smiths.

E não é de hoje que a música britânica é dominada por cantores pop românticos. James Blunt também dominou as paradas do Reino Unido seguindo estilo parecido com o de Sheeran.

Mas o reinado dele, pelo que se vê em shows es estádio lotado ao redor do mundo, deve persistir por mais tempo que o de seus antecessores. No entanto, é pouco provável que Ed vá arriscar perder o trono das paradas para fazer música menos derivativa, ainda que ele possa ter recursos para isso. Apesar da falta de imaginação na produção dele, a indústria agradece. E investe nele e na divulgação da imagem de bom moço de Ed. Quando se trata de grana, o importante é não mexer no que tem dado resultados (muito) bons para uma indústria que perdeu o protagonismo até para a de games ao redor do mundo.

 

Publicado em 22/07/2017 às 00h00

Chester Bennington foi o último rockstar a dialogar e entender os anseios da adolescência

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O Linkin Park pode não representar nada para quem já passou dos 40 anos ou despreza bandas com grande popularidade. Mas para quem foi adolescente o início dos anos 2000, eles foram o icônicos.

Com 70 milhões de álbum vendidos pelo mundo, o sexteto californiano conquistou o coração da juventude e também o ódio dos headbangers, que os consideravam muito "leves", "comerciais" e "pop".

Ao surgir com o aclamado e ultra popula Hybrid Theory, lançado há 17 anos, eles apresentaram uma mistura de rap, efeitos eletrônicos e heavy metal em singles que alternavam momentos de agressividade e calmaria. Essa mistura, que já havia sido testada por outras bandas nos anos 90, é o que fez muita gente se aproximar do heavy metal em um período onde o gênero começava a se tornar conservador e sem renovações estéticas.

A interação dos vocais de Chester Bennington e Mike Shinoda são uma parte interessante do estilo de música do Linkin Park, com Bennington sendo considerado o vocalista principal e um dos berros mais lembrados do rock e Shinoda, como "vocalista rapper"

Além da parte instrumental e técnica, é preciso ressaltar que as letras de Chester Bennington, morto nessa semana, e Mike Shinoda dialogavam abertamente com um público que enfrentava os anseios e dúvidas comuns à adolescência.

Bennington descreveu o processo de composição do primeiro álbum para a revista Rolling Stone, em 2002. E fica claro que tudo foi baseado em experiências pessoais.

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"É facil cair naquela cilada — 'pobre de mim, pobre de mim', é dai que canções como Crawling vem: 'Eu não posso me aguentar'. Canções como essa falam sobre assumir a responsabilidade pela sua situação. Em 'Crawling', eu não falo 'você' em nenhum momento. É sobre eu ser o motivo de estar como estou. Tem alguma coisa que me agarra e me puxa para baixo", comentou à época, já dando sinais de um certo incômodo com a própria existência.

Até por falar com esse público e tentar dar resposta a ele, músicas da banda foram incluídas em trilhas sonoras no cinema e os clipes não saíram da programação da MTV por anos. Essa fase inicial também rendeu prêmios do Grammy e no VMA para a banda. O sucesso ainda foi repetido com o segundo disco, Meteora, que incluía hits como Faint e Breaking the Habbit.

Com o amadurecimento da geração que cresceu com o Linkin Park, a banda foi mudando e também perdeu a relevância que conquistou nos primeiros cinco anos. Não que tenha se tornado obsoleta ou decadente. Longe disso. Mas mesmo os integrantes passaram a se envolver em projetos paralelos, como o Dead by Sunrise, banda solo de Chester.

Shinoda, por sua vez, colaborou com o Depeche Mode na remixagem de Enjoy The Silence, além de montar o Fort Minor. Os próximos projetos do Linkin Park, que estrearam bem nas paradas, já traz a banda flertando cada vez mais com a música eletrônica e se distanciando do nu metal. Esses projetos são marcados pelo peso, mas não nas guitarras e sim nas ambientações soturnas.

A mudança de direcionamento foi arriscada, mas com uma recepção positiva entre os fãs, que continuaram lotando estádios para ver o Linkin Park onde quer que fosse. No festival Maximus, que aconteceu no Brasil em maio, 40 mil pessoas lotaram Interlagos para assistir principalmente a banda.

Headliner de uma noite que ainda tinha o Slayer, o grupo viu uma plateia recheada de adolescentes que enfrentaram as rodas de pogo e o 2 horas do trash metal do jurássico grupo americano. Nas redes sociais, essa experiência foi tratada com ironia à época. Posts de jovens que perderam a mãe nessa confusão que precedeu a apresentação do Linkin Park viralizaram nas redes.

Com esses prints que invandiram as redes sociais, ficou claro que o Linkin Park ainda dialogava com os jovens após quase 20 anos de existência. Um feito no mínimo relevante, principalmente num momento onde jovens dão preferência para divas pop e astros do rap e funk como representantes dos seus anseios. O que prova que Chester Bennington foi o último rockstar a dialogar e entender os anseios da adolescência e nunca perdeu essa essência.

Publicado em 21/07/2017 às 00h00

Conheça Terry Kath, do Chicago, o guitarrista que Jimi Hendrix dizia ser melhor que ele

Kath Conheça Terry Kath, do Chicago, o guitarrista que Jimi Hendrix dizia ser melhor que ele

A banda Chicago não chega a ser desconhecida no Brasil, mas também está longe de ser uma das mais populares por aqui. Hits como If You Leave Me Now, Hard To Say I'm Sorry e You're The Inspiration fizeram muito sucesso nos anos 80 e ainda hoje tocam frequentemente em rádios adultas, como Alfa FM e Antena 1.

O que pouca gente sabe é que o grupo, que ficou marcado pelas baladas românticas, é extremamente popular nos Estados Unidos e teve início no fim dos anos 60, como uma banda que revolucionou a cena com uma mistura de rock pesado e instrumentos de sopro habitualmente utilizados no jazz.

Formado na cidade de mesmo nome por estudantes de música, fizeram parte do movimento contra-cultural de Illinois e estrearam com um ambicioso disco duplo em 1969, quando ainda atendiam pelo nome de Chicago Transity Authority.

O álbum se destacou principalmente pelo trabalho do vocalista e guitarrista Terry Kath, que tinha a capacidade de cantar, tocar a base e os solos da música, numa coordenação invejável até mesmo para músicos profissionais.

Chicago Documentary 2 Conheça Terry Kath, do Chicago, o guitarrista que Jimi Hendrix dizia ser melhor que ele

Não à toa, um dos maiores admiradores do líder do Chicago à época era ninguém menos que Jimi Hendrix. Segundo declaração de Walt Parazaider, saxofonista da banda, no documentário Now More Than Ever (disponível na Netflix),  o lendário guitarrista foi assistir uma apresentação do grupo e rasgou elogios. "Walt, os metais soam como pulmões. E o seu guitarrista é melhor que eu", teria dito Hendrix naquela ocasião.

Logo em seguida, ele convidou a banda para abrir seus próximos shows. A parceria se tornou em uma turnê que fortaleceu o nome do Chicago nos Estados Unidos.

Se Terry foi maior que Hendrix, isso é subjetivo. Mas a verdade é que nos anos posteriores, ele provou que era elogiado pelo talento e não sem razão.

Em 25 or 6 to 4, um dos primeiros sucessos da banda, o músico executa um solo de guitarra que foi considerado um dos mais técnicos do período.

Em Free Form Guitar, presente no primeiro álbum do Chicago, Terry experimenta uma técnica que ficaria bastante popular posteriormente com Eddie Van Hallen: o tapping com duas mãos (onde as cordas são marteladas com os dedos).

Além do desempenho como instrumentista, Terry foi admirado por gente como Chris Cornell como um grande vocalista, inclusive de baladas, entre elas Colour My World.

Muitos músicos contemporâneos acreditam que ele pode ter sido um dos músicos mais subestimados da geração. Opinião que foi emitida por exemplo por Joe Walsh, do Eagles. Jeff Lynne, da Electric Light Orchestra, comenta que ele foi o guitarrista mais rápido que já viu.

No documentário que conta a trajetória dessa banda que teve 21 sucessos no top 10 norte-americano, ao menos existe a tentativa de fazer justiça ao legado de Terry e colocá-lo na posição que sempre deveria ter ocupado: a de um herói da guitarra influente até hoje.

Chicago resize 12 Conheça Terry Kath, do Chicago, o guitarrista que Jimi Hendrix dizia ser melhor que ele

Apesar de ter acumulado uma década de sucesso ininterrupto no início da trajetória do Chicago, Terry teve um final pra lá de trágico e inusitado. Em 1978, durante uma brincadeira com um amigo, o músico disparou um tiro acidental contra a própria cabeça com uma arma que ele acreditava estar descarregada. Terry tinha apenas 31 anos e deixou a esposa e uma filha de dois anos.

Apesar de perder a principal referência da banda, o Chicago continuou com substitutos de Terry na guitarra e revezando integrantes originais no vocal. A fase posterior da banda, no entanto, foi marcada por muitas trocas de formação, desavenças entre os integrantes e surpreendentemente ainda mais sucesso.

Nessa época, eles ficaram marcados pelas baladas melosas cantadas por Peter Cetera, o que também modificou o público do Chicago. Ao notar o quanto se destacava com os hits que levavam sua voz, Cetera logo abandonou o grupo para seguir carreira solo, que ficou marcada principalmente pela música Glory of Love, trilha sonora de Karate Kid II.

 

 

Helder Maldonado

Sou Helder Maldonado, escrevo sobre música, cinema e teatro desde 2006. Atualmente trabalho como repórter do R7. Tive passagens pelo IG, Revista SUCESSO e publicações da Editora Escala. Este blog surgiu com o intuito de revelar as novidades do showbusiness e criar matérias e análises especiais sobre o mercado do entretenimento.

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