Publicado em 09/10/2017 às 11h46

O que o mau desempenho do novo clipe de Luan Santana diz sobre sucesso no YouTube?

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O novo clipe de Luan Santana, Acertou a Mão, demorou quase 24 horas para atingir um milhão de visualizações. A marca, isoladamente, não é ruim. Mas quando se trata de uma das principais estrelas da música nacional, pode sim acender um sinal de alerta.

Afinal, qualquer funkeiro que nunca apareceu no Faustão atinge essa mesma marca com certa facilidade e em até menos tempo. Mas aí, temos um pequeno dilema que se repete com frequência no mercado nacional: vale mais a pena ter números expressivos na web ou ter um planejamento a longo prazo para manter uma carreira sólida?

Empresários e produtores divergem sobre isso. Alguns acreditam que é válido investir até mesmo na compra de visualizações no YouTube para tentar emplacar um artista.

Isso porque ainda existem contratantes que se deixam levar pelos números atingidos nas redes sociais como se fosse garantia de êxito nas bilheterias. O grande problema é quando essa fama digital não tem conexão com o mundo real. Afinal, do que adianta ter milhões de views no YouTube, se o show não lota?

Essa tática pode gerar um semestre de valorização do cachê e interesse do mercado, mas quando a má reputação do artista começa a circular, logo a verdade vem à tona.

Ações integradas entre mídias digitais, TV, rádio e fãs clubes, - além de paciência para crescer nas primeiras semanas de lançamento da campanha - demoram, mas é a única maneira de emplacar e manter uma carreira em um mercado tão concorrido como o nosso.

Hoje em dia, se tornou prática no nosso mercado cobrar resultados dos vídeos nas primeiras 24 horas de lançamento. Por mais que, comparado a outros artistas, o desempenho de Luan pareça ser ruim, o canal dele tem 5 milhões de inscritos. Ou seja: 20% deles viram o clipe.

Muitas vez, um vídeo lançado no canal do Kondzilla atinge a mesma quantidade de visualizações em um dia, mas o canal tem 20 milhões de inscritos. Proporcionalmente, é bem menos, mesmo que seja óbvio o relevante impacto que o produtor de vídeo tem no meio do funk. Mas nem isso garante sucesso a quem divulga seus trabalhos por lá.

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Se for para comparar com artistas sertanejos, vale citar o exemplo de Henrique e Diego e o sucesso de Suite 14, que tem 210 milhões de visualizações e foi o hit sertanejo com melhor desempenho no Youtube entre 2014 e 2015. Três anos depois, a dupla não conseguiu superar esse hit e nem manter o tamanho que o mercado acreditava que eles tinham.

Luan, que nunca teve um hit como esse no YouTube, há uma década é um dos nossos mais conhecidos astros do pop na música nacional.

Portanto, é preciso separar o que é realidade de ilusão no mercado. Luan pode não atingir os números de astros emergentes e funkeiros, mas continua como um dos principais cachês e dono de uma agenda de 200 shows por ano. Afinal, ele já é um nome estabelecido e no nível de Zezé, Leonardo e Bruno e Marrone. Não pode se acomodar, é verdade. Mas precisa se incomodar com o lançamento de um single que não é um estouro? Nem tanto.

A verdade é que a preocupação dele é bem menor do que qualquer cantor que atingiu 100 milhões de visualizações em uma única música e desapareceu em seguida.

 

Publicado em 08/10/2017 às 00h30

Terence Trent D’Arby “morreu” e agora se chama Sananda Maitreya

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Na segunda metade dos anos 80, Terence Trent D'Arby foi lançado como um artista que tinha condições de rivalizar em sucesso e importância com Michael Jackson, Prince e George Michael.

A aposta pretensiosa até que surtiu resultado inicialmente. O primeiro disco dele, Wishing Well, de 1987, foi um verdadeiro fenômeno que lhe rendeu prêmios no Grammy, fortuna e reconhecimento em nível mundial.

Mas o astro pop andrógino que por dois anos foi um dos principais nomes do pop, "morreu". Mas essa morte aconteceu lentamente e foi influenciada pelo fracasso dos trabalhos posteriores.

Logo no segundo álbum, Neither Fish Nor Flesh, Terence não conseguiu repetir o mesmo êxito e foi sendo esquecido à medida que seus singles iam caindo de posição nas paradas de sucesso ao longo dos anos.

A morte metafórica do músico foi consumada com novos CDs que ninguém ouviu ou elogiou. E assim, o próprio Terence forjou um "suicídio", se matando e abandonando todas as lembranças da época em que foi um grande astro da indústria. Em 2001, trocou o nome e passou a se chamar Sananda Maitreya.

Em entrevista ao The Guardian, ele diz que não gosta de falar muito sobre o passado e que uma série de sonhos e orientações espirituais o influenciaram a tomar essa decisão.

Ao contrário de Prince, que em uma determinada dos anos 90 época mudou um nome para um símbolo e passou a ser chamado de O Artista pela imprensa, Terence nunca mais voltou atrás e mantém essa decisão pouco comum no show business há uma década e meia.

Ele acredita que o antigo nome influenciava negativamente a vida e a carreira. Mas desde que assumiu a nova persona, ele se esforça para fingir que o que aconteceu com ele antes de 2001 não tem ligação com o seu eu atual.

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Mas sendo Sananda ou Terence, a verdade é que o artista não tem atingido resultados muitos satisfatórios do ponto de vista comercial.

No Twitter, ele soma 3,4 mil seguidores e no Facebook, 25 mil. Mesmo assim, continua a produzir e a arriscar. O próximo disco, programado para sair em 13 de outubro, é Prometheus & Pandora. Triplo, o projeto e tem nada menos que 53 músicas, de gêneros como rock, blues, soul, funk e r'n'b. As faixas têm todos os instrumentos tocados por ele.

Morando em Milão com a esposa, aos 55 anos o americano de Nova York aposta na Europa como um novo mercado a explorar. Para ele, o continente é mais receptivo às experimentações do que os Estados Unidos.

Apesar de todas as declarações dele, os fãs ainda se questionam se Terent tomou essa decisão ao fracassar como novo ídolo pop que superaria MJ e Prince (o que o teria deixado envergonhado). Ou se, de fato, o seu nome de batismo atrapalhava a vida e a carreira (versão que o artista prefere usar ao ser questionado sobre a decisão de mudar o nome).

Publicado em 03/10/2017 às 09h01

Com streaming, Bieber e Drake podem superar números de Elton John e Beatles

elton john Com streaming, Bieber e Drake podem superar números de Elton John e Beatles

Desde 2015, a execução de músicas nas plataformas de streaming passou a ser contabilizada pela The Official Charts Company (OCC), no Reino Unido.

Além de oficializar essa mídia como uma forma nova e legítima de consumo de música, essa proposta também monitora o impacto do sucesso de artistas como Drake, Ed Sheeran e Justin Bieber.

Surgidos numa época em que quase não há mais consumo de mídias físicas, o sucesso deles sempre era questionado e comparado com os grandes vendedores de discos do passado, como Elton John, Beatles e Michael Jackson, por exemplo.

Para fazer esse comparativo, cada 1oo streamings passa a valer como a venda de um single físico.

O presidente-executivo da Official Charts Company, Martin Talbot, esclareceu a medida em entrevista ao The Guardian. "Claramente, as vendas hoje não são o que foram no ano passado, porque as pessoas estão se movendo para esta nova forma de consumo. Por isso, será cada vez mais difícil vender fisicamente um milhão de cópias; talvez nunca mais vejamos isso. Mas se você contar fluxos do streaming, isso nos permite examinar corretamente quem são os ícones e grandes artistas de hoje", comentou.

Dessa maneira, num futuro próximo, alguma música terá chance de superar sucessos estrondosos do passado, como About The Way You Look Tonight, de Elton John, que teve 5 milhões de singles vendidos.

Um exemplo é One Dance, de Drake. A faixa vendeu apenas 553.973 cópias físicas, mas atingiu o equivalente a 1,8 milhões de cópias, se for levado em contar os dados de transmissão em fluxo contínuo no streaming.

Talbot acredita que os cantores atuais têm muito potencial para superar os hitmakers antigos, já que apenas 1% da população tem acesso ao streaming em 2017.

"Já é incrivelmente popular, mas até agora só está sendo acessado por cerca de 1% da população global, o que lhe dá um indicador de quão enorme pode ser em alguns anos. Estou quase certo de que chegará um momento em que algo será transmitido tantas vezes que vai superar a Candle in the Wind", finaliza.

 

 

Publicado em 30/09/2017 às 12h30

Felipe Neto lança aplicativo para concorrer com o YouTube

felipe neto alcanca 11 milhoes de inscritos no youtube 294967 36 Felipe Neto lança aplicativo para concorrer com o YouTube

Segundo YouTuber mais popular do Brasil com 14 milhões de seguidores, Felipe Neto resolveu dar um passo além e lançar um aplicativo próprio para divulgar sua produção de conteúdo.

Feito em parceria com a FanHero, a plataforma foi lançada no dia 28 de setembro e em 24 horas se transformou no produto mais baixado da Play Store e da App Store das últimas 48 horas, superando Facebook e WhatsApp.

Por trás dessa ideia, está a intenção de rivalizar com o YouTube. Segundo declarações do influenciador digital em entrevista à Veja Rio, o algorítimo do canal de vídeos do Google prejudica a divulgação de diversos produtores de conteúdo no Brasil.

"Eles podem interferir no número de visualizações dos canais e com isso alterar quanto vão pagar a quem produz os vídeos. Existe uma panelinha no escritório do YouTube Brasil que escolhe os canais para divulgar e privilegiar com base no gosto pessoal, e não nos números. Nunca tive reconhecimento ali", acusou o YouTuber na matéria.

Em sua defesa, o YouTube relatou que esse ponto de vista estava equivocado e que não interfere diretamente no modo como os vídeos são divulgados.

Nesse aplicativo, Felipe quer ter um contato mais direto com o fã e oferecer outras interações além dos vídeos que faz para o canal.

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A ideia de peitar uma multinacional gigante impressiona, mas não é nova e nem única. Em 2015, Neil Young lançou o Pono, tocador de músicas que oferecia qualidade de áudio em streaming superior ao do CD e que tinha como meta combater a dominação do iPod.

Inicialmente, o aparelho também foi um sucesso. Em apenas 24 horas, a vaquinha virtual para financiar o projeto feita no Kickstarter levantou os US$ 800 mil necessários para iniciar a produção.

No entanto, o preço salgado para adquirir os álbuns e a baixa capacidade de armazenamento do aparelho, fez com que, dois anos depois, o Pono tenha se tornado mais um daqueles lançamentos que engrossam a lista de novidades tecnológicas que não atingiram a popularidade, como o Mini CD e a fita Betamax.

Outro exemplo de ideia interessante que ficou obsoleta semanas após ser lançada é o formato de CD batizado de SMD (Semi Metalic Disc). Criado e divulgado por Ralf, da dupla com Chrystian, a mídia tinha como objetivo baratear os custos de produção de um disco original utilizando menor quantidade de metal. O produto que era compatível com qualquer aparelho de CD poderia ser vendido, em média, por R$ 5 ao artista e baratearia em até 30% o valor final para o consumidor.

A patente de Ralf foi vendida ainda em 2007 à brasileira Microservice, gigante nacional na produção de mídia física. No entanto, a empresa nunca apostou de fato no formato, até porque as grandes gravadoras não aderiram à ideia e continuaram a lançar CDs tradicionais. Em 2011, quando a Microservice pensou em dar enfoque na divulgação do SMD, as mídias físicas já estavam em plena decadência no País.

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Um caso mais recente da difícil luta contra grandes corporações, mesmo quando há muito dinheiro envolvido, é o Tidal, que surgiu como alternativa aos gigantes Spotify e Deezer. Fundado por Jay Z, o aplicativo oferece lançamentos de grandes astros com exclusividade e melhor remuneração aos artistas. Isso atraiu muita gente.

O disco Lemonade, de Beyoncé, esposa do rapper e empresário, foi lançado por ali como uma maneira de atrair assinantes ao Tidal. Resultado: o disco foi extremamente pirateado nas redes.

Os números apresentados pelo projeto ficam aquém do esperado. Rihanna, que lançou por lá o single American Oxygen, sentiu na pele que a proposta não é das mais positivas, já que a música foi o maior fracasso comercial da história dela.

Outro caso emblemático de que a exclusividade do Tidal não tem funcionado é o caso do lançamento do disco Life of Pablo, de Kanye West. Inicialmente, o álbum seria restrito a essa plataforma. Mas ao não ter o impacto esperado, logo Kanye rompeu o contrato e soltou o CD no iTunes e nas variadas plataformas de streaming. Logo em seguida, a amizade dele com Jay Z acabou e o rapper abriu um processo contra o marido de Beyoncé, exigindo US$ 3 milhões.

Em uma era de onipresença digital, exclusividade é uma aposta anacrônica que pode levar grandes astros à invisibilidade ou irrelevância. Talvez Felipe Neto tenha melhor sorte, mas não deixa de ser uma atitude arriscada.

Publicado em 28/09/2017 às 07h58

Hugh Hefner foi um apoiador do jazz e dos direitos civis e raciais

hugh0 Hugh Hefner foi um apoiador do jazz e dos direitos civis e raciais

Morto na noite de 27 de setembro, aos 91 anos, Hugh Hefner foi uma das figuras mais icônicas da cultura pop. Além de estar por trás da revista Playboy, o que poucos recordam é que o empresário foi um grande entusiasta do jazz e dos direitos civis.

Desde quando ainda dava seus primeiros passos como executivos do setor editorial, ele já apoiava o estilo musical, que era uma das suas grandes paixões.

A primeira edição do Playboy Jazz Festival aconteceu em 1959, na cidade de Illinois, em Chicago. Dizzy Gillespie se apresentou e o acontecimento foi também um grande ponto de encontro para o debate de direitos civis. A renda do primeiro dia foi doado para a Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor. O gesto foi emblemático, principalmente porque parte dos Estados Unidos ainda vivia sob as tensões das leis de Jim Crow, que institucionalizaram a segregação racial, afetando afro-americanos, asiáticos e outros grupos étnicos.

Apesar do sucesso, o evento só foi repetido novamente 20 anos depois. E nunca mais deixou de acontecer anualmente, mas desde então em Los Angeles, na Califórnia.

Pelos palcos onde foi realizado, passaram nomes de peso do estilo, como Herbie Hancock, Al Jarreau, Stanely Clarke, George Benson e Bill Cosby (que foi mestre de cerimônias até surgirem acusações de abuso sexual contra ele, em 2012).

O escritor Patty Farmer retratou esse outro lado de Hefner no livro Playboy Swings, de 2015, que aborda como ele lutou para dar visibilidade aos músicos afro-americanos e jazzistas em geral, seja em eventos que promovem o estilo, em programas de TV ou nas páginas da revista.

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Prova disso é a primeira entrevista da história da Playboy, feita com o lendário Miles Davis pelo jornalista negro Alex Haley. Na conversa, o músico não fala sobre sua obra e sim como ele lidava com a cor da pele e a fama.

A política de inclusão de Hefner se estendeu aos clubes noturnos da Playboy. Quando ele soube que as franquias de Miami e New Orleans estavam impedindo os negros de entrar, tirou dinheiro do próprio bolso para recuperar o controle das casas e acabar com essa orientação.

Apesar de sofrer forte perseguição de determinadas alas feministas, Hefner também usou o Playboy como um veículo para promover o empoderamento feminino.

A revista saiu em favor do aborto muito antes que outros veículos, em 1965. E Hefner estabeleceu uma fundação sem fins lucrativos que apoiou o Instituto Kinsey (uma organização sem fins lucrativos que pesquisa a saúde sexual), centros contra o estupro e a União Americana de Liberdades Civis.

Mesmo sendo uma figura controversa e polêmica, Hefner, ao seu modo, esteve sempre ao lado da eterna luta pelos direitos civis nos Estados Unidos. Foi uma lenda típica dos anos 50, onde homens e mulheres famosos encabeçaram quase todos os assuntos que se tornariam popular nas décadas seguintes.

Publicado em 22/09/2017 às 01h00

Além de inconstitucional, proibir funk é jogar contra a economia

maxresdefault 1 Além de inconstitucional, proibir funk é jogar contra a economia

A constituição de Direitos Humanos e Legislação Participativa vetou pela rejeição da sugestão legislativa que tinha como objetivo criminalizar o funk no último dia 17.

A proposta foi considerada inconstitucional e rejeitada pela Comissão e agora deixa de tramitar no Senado. O senador Romário ressaltou que a proposta que recebeu mais de 20 mil apoios no portal e-cidadania cerceia a livre manifestação cultural e de pensamento.

O ex-jogador ainda comentou que outros gêneros de origem popular, como samba e jazz, sofreram resistência semelhante no passado. E que seria uma inutilidade coibir a cultura de massa, que sempre encontra maneira de se manifestar.

O Baixinho estava correto em suas colocações. E ainda é preciso ir além. Afinal de contas, o funk hoje é uma das segmentos que mais crescem no mercado musical brasileiro, ficando atrás apenas do sertanejo e do gospel.

Além da geração de empregos diretos e indiretos, o gênero, antes marginalizado, criou toda uma indústria ao redor e impulsiona os setores de confecção, beleza e cosméticos e de lazer.

Só o principal diretor de vídeos do segmento, Kondzilla, fatura mais de R$ 1 milhão por mês gravando e distribuindo clipes em seu canal de YouTube, um dos dez mais populares do mundo.

Além disso, ele tem sido sondado por marcas como Bradesco, Nike, O Boticário e PepsiCo para trabalhos. Anitta vai pelo mesmo caminho, fazendo branded content em seus clipes e lucrando alto em parcerias com empresas que nunca antes haviam se relacionado com artistas de funk, rap ou pagode.

Anitta também passou a ser um dos símbolos de um movimento de legitimidade na propaganda, juntamente com a cantora Karol Conka.

Esse movimento representa uma busca de dialogar com o público final. Segundo pesquisa realizada pela Outdoor Social, o brasileiro não se sentia representado na publicidade que vinha sendo feita no País.

A reclamação tem fundamento. Afinal, as periferias movimentaram mais de R$ 141 bilhões só em 2016. É um potencial de consumo nada desprezível para o mercado. Ainda mais levando em conta que a ostentação do funk influencia o consumo de marcas antes exclusivas às classes altas.

Segundo o Instituto que mapeou essa tendência, após o crescimento do País nos últimos anos, famílias ascenderam e, mesmo após a crise, não deixaram de consumir marcas preferidas.

Dessa maneira, fica claro que proibir qualquer manifestação popular em um país massivamente composto pelas classes C, D e E não só é inconstitucional, como também é uma maneira de jogar contra a economia do país. Que, convenhamos, não vive seu melhor momento.

 

 

 

Publicado em 20/09/2017 às 10h22

Metal Open Air: o festival brasileiro em que as bandas não foram

Megadeth 2 Metal Open Air: o festival brasileiro em que as bandas não foram

Quem vê a organização de festivais como Rock In Rio e VillaMix, não imagina que num passado recente o Brasil foi sede de um dos mais desastrosos eventos de música da história mundial.

O Metal Open Air, realizado em abril de 2012, foi um espetáculo de desorganização e cancelamento de shows por falta de estrutura.

Realizado a 30 quilômetros de São Luís, no Maranhão, o projeto era pretensioso e conseguiu reunir bandas como Megadeth, Venom, Anthrax, Symphony X, Blind Guardian, Saxon e o Rock'n Roll All Star com Charlie Sheen como mestre de cerimônia. Além de mais uma dezena de nomes médios e pequenos do heavy metal nacional e estrangeiro, que tocariam nos dias 20, 21 e 22 de abril.

Apesar de longe dos grandes centros, o evento empolgou os fãs do gênero, que encararam horas de estrada e voos para asssitir uma maratona de apresentações que aconteceria em uma área originalmente usada como pasto.

Tudo confirmado, bandas no Brasil, porém, a cada hora, uma nova má notícia sobre o MOA surgia na imprensa e redes sociais.

Primeiro, os fãs reclamaram de ter que se instalar em estábulos, sem banheiro e sem eletricidade. Mas isso não os desanimaria, caso os shows acontecessem. Mas com a estrutura que foi oferecida para esses grandes nomes da música pesada, os cancelamentos e desistências começaram a ser noticiados em sequência.

A Negri Concerts, responsável pelo MOA, também foi acusada de desonrar o pagamento dos cachês e isso também afetou as apresentações. A sucessão de trapalhadas foi tanta que o visto da banda Venom foi emitido para ela se apresentar na África do Sul e não no Brasil.

Num total de 47 grupos no evento, 30 cancelaram as apresentações, sendo praticamente mais de 60% do festival comprometido.

Estrutura Metal Open Air Metal Open Air: o festival brasileiro em que as bandas não foram

Heroicamente, o Megadeth e Symphony não deixaram os fãs na mão e encararam uma estrutura que eles não deviam ter contato desde o começo da carreira.

Almah, Shaman e Korzus tocaram de graça também. E outras bandas menores encararam esse desafio, já que nem geradores suficientes existiam no local.

Após o fracasso do festival, o organizador do evento, Felipe Negri, publicou no Facebook que havia sido sequestrado a mando do produto local Natanael Junior, da Lamparina Produções, parceira no evento. Um ano depois,  o Ministério Público do Estado do Maranhão denunciou os produtores. Nas redes, um acusou o outro de descumprir os acordos.

Na ação, também foi solicitado o pagamento de indenização por dano moral coletivo no valor de R$ 2 milhões ao Fundo Estadual de Proteção e Defesa dos Direitos Consumidor.

Mas independente das indenizações pagas, nada vai ser suficiente para compensar a decepção dos fãs de heavy metal que foram até São Luis acompanhar um festival que não aconteceu como o anunciado. O desespero dos fãs em matérias da época é tocante, embora toda essa trapalhada tenha gerado memes que até hoje são compartilhados em grupos e páginas de metal no Facebook. Foi triste e catastrófico, mas até nessas condições o brasileiro sabe ter humor.

 

Publicado em 16/09/2017 às 00h10

Michael Alago: o cara que descobriu o Metallica e recuperou a carreira de Nina Simone

michael alago james hetfield Michael Alago: o cara que descobriu o Metallica e recuperou a carreira de Nina Simone

Disponível na Netflix, o documentário Who The Fu** Is That Guy retrata a trajetória de Michael Alago, importante produtor e diretor artístico dos anos 80.

Mais conhecido nos bastidores da música americana, o profissional teve um papel crucial na descoberta de bandas novas de heavy metal, além de apostar no resgate de carreiras.

Proveniente de uma família Porto Riquenha, Alago cresceu no Brooklyn, na Nova York do fim dos anos 70 e início dos 80. Esse período ficou conhecido como a época mais barra pesada da cidade e com o maior índice de assassinatos na história.

Mas foi em meio a esse caos que também toda uma cena de músicos e artistas surgiu na região. Bares, teatros e casas de shows lendárias, como Max Kansas City e CBGBs, não existiriam sem que a cidade vivesse esse momento tão conturbado e ao mesmo tempo extremamente criativo.

Inicialmente um mero espectador, aos poucos Alago foi se envolvendo profissionalmente com o circuito. Primeiro, como assistente no Ritz, onde ajudou a escalar artistas para se apresentar e descobrir novos talentos.

E depois como diretor artístico na Electra Records. Foi por lá que ele talvez tenha realizado o maior feito da vida: a contratação e descoberta da banda Metallica. Ele ouviu o grupo californiano através de uma fita K7 demo que chegou em suas mãos. E a partir dali, não teve dúvidas: era o que a gravadora precisava no momento.

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No entanto, essa aproximação de Alago com o metal não foi sempre tranquila. Afinal, trata-se até hoje de um gênero bastante homofóbico. E os músicos não compreendiam como um gay porto riquenho poderia ter interesse neles e na música que faziam. Não à toa o documentário se chama: Quem é esse cara?

Mas aos poucos e provando que entendia bastante de rock, Alago provou que sabia farejar o próximo grande ícone. Foi responsabilidade dele também descobrir bandas como White Zombie, que contratou quando já havia se mudado para a Atlantic Records.

Foi na nova casa também que ele apostou em algo que ninguém mais teria coragem naquele momento: recuperar a carreira da lendária Nina Simone.

Considerada "acabada" pela grande mídia e pela indústria, Simone recebeu a chance de gravar novamente e, com o sucesso da turnê que se seguiu, provou que Alago tinha razão na sua aposta. Esse resgate garantiu a Simone mais dez anos de fama, A Single Woman virou hit e a recuperação do prestígio perdido resultou na redescoberta dessa lenda do jazz.

Em declarações durante o documentário, Alago é elogiado por gente que não costuma falar bem de ninguém gratuitamente, como James Hetfield e Lars Ulrich, ambos do Metallica.

Mas ao mesmo tempo que tinha controle do seu talento para farejar o sucesso, Alago tinha total descontrole da própria vida pessoal. Como um personagem que viveu intensamente os anos 80, Alago seguiu à risca a trinca sexo, drogas e rock'n roll. Depoimentos de amigos mostram que ele passava dias "virado", apenas bebendo e cheirando cocaína.

Por se expôr ao sexo sem proteção, ele descobriu no fim dos anos 90 que também era portador do vírus HIV. No filme, ele conta que no auge do sucesso como profissional de gravadoras, nos 80, era comum andar pelas "áreas gays" de Nova York e atender telefonemas em orelhões.

Geralmente, isso era um sinal de alguém que tinha visto a pessoa da janela e gostado. Então, quem atendia recebia o convite para subir ao apartamento e ter uma relação rápida e sem compromisso. Alago, claro, teve algumas experiências do tipo, como a maioria dos homossexuais que viviam a noite de Nova York dos anos 80.

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A doença mudou completamente a vida dele. Após quase morrer e definhar fisicamente, Alago teve a feliz coincidência dos coquetéis começarem a se popularizar no fim dos anos 90, o que salvou sua vida. E na sequência, ele deu um destino completamente diferente para sua atuação profissional.

Michael Alago deixou de ser profissional da indústria para se tornar um fotógrafo profissional especializado em retratar homens gays musculosos na rua (o que para ele é o tipo físico mais atraente que existe). Essa escolha é até natural, já que desde adolescente ele não andava sem uma câmera na mão, o que ajudou a eternizar momentos ao lado de gente como Bono Vox ainda no início da carreira.

O filme também reúne depoimentos de Jason Newstead, Kirk Hammet, John Lydon, Rob Zombie, além de profissionais da indústria, amigos de e familiares. Basicamente, uma pequena parcela da cultura pop não existiria sem ele. E se existisse, talvez seria bem diferente.

Publicado em 14/09/2017 às 00h20

Deezer aposta no gospel e no sertanejo para crescer no Brasil

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Embora não seja um mau desempenho garantir a segunda colocação no mercado de streaming musical em um País populoso como o Brasil, a Deezer tem como meta o topo desse segmento, que hoje é liderado pelo Spotify.

Para garantir essa meta, a empresa tem se aproximado de festivais populares, rodeios e com os dois gêneros mais consumidos do momento: o sertanejo e o gospel.

A música religiosa, inclusive, foi a grande aposta da Deezer para dar um salto de crescimento. Segundo o diretor geral Bruno Vieira, o estilo passou a ter representatividade digital maior após parcerias com os principais players desse mercado.

— Apesar de enorme e importante, o estilo não havia acompanhado o desenvolvimento das tecnologias de consumo de música. Então começamos a fazer lives, criar conteúdos específicos e mostrar que era possível existir também no streaming. O resultado é que hoje o gospel só fica atrás do sertanejo na Deezer.

O estilo rural representa entre 50 e 60% das músicas consumidas na plataforma. Isso também incentivou a construção de um estúdio na sede da empresa, em São Paulo, para servir de base para ações promocionais das duplas e cantores.

— Notamos que com essa aproximação e geração de conteúdo pro público final, tínhamos uma arma a mais para explorar a exposição da nossa marca.

Terceira maior plataforma de streaming musical em nível global e segunda no Brasil, a Deezer também tem buscado se aproximar de clubes de futebol para uma interação tecnológica que dialogue com os torcedores das equipes. Barcelona, Manchester United e Flamengo já se uniram à empresa para criar músicas comemorativas, playlists temáticas de futebol e relacionadas aos atletas.

Apesar desses investimentos estratégicos, a empresa ainda enfrenta barreiras típicas de qualquer plataforma de streaming no Brasil. Entre elas, estão a lenta conexão wi-fi, alta quantidade de aparelhos de celular com pouca capacidade de memória, resistência ao pagamento por música digital e baixa taxa de uso de cartão de crédito no País.

— Temos que detectar as necessidades locais e resolver essas particularidades, como oferecer pagamento junto com a conta do celular ou via boleto e transferência. Ser o menos elitista possível é o que faz uma empresa com um serviço moderno como o streaming virar hábito de consumo entre os consumidores.

Publicado em 12/09/2017 às 00h10

Em 2017, qual a necessidade de programas de calouros como Popstar?

Popstar Globo elenco Em 2017, qual a necessidade de programas de calouros como Popstar?

Seja no Brasil ou no exterior, é inegável que os programas inspirados nos shows de calouros vivem um bom momento em relação à exposição na mídia e captação de patrocínio.

Mas e a música? Bom, o que deveria ser o assunto principal do formato acaba relegado ao segundo plano. Das edições que o The Voice, Popstar e o Superstar tiveram no Brasil, nenhuma revelou um grande astro. A banda que mais deu certo até agora foi a Malta, que soa como uma versão suave do Nickelback. E isso não é elogio, claro.

Quem mais se beneficia dos programas são os jurados, que aproveitam a vitrine de estar em um grande canal de TV para impulsionar a carreira (que, em alguns casos, carecia desse empurrão para voltar aos eixos).

A falta de sucesso entre os vencedores desses programas não está necessariamente conectada com ausência de talento. Muitos participantes apresentam propostas interessanteS, mas a maioria não sabe o que fazer com essa bagagem quando enfrenta o mercado. Se nos Estados Unidos uma diva inspirada em Mariah Carey pode atingir sucesso no mercado pop, aqui esse tipo de artista não tem espaço na nossa música mainstream. Nunca teve.

No Brasil, os bons cantores não são necessariamente aqueles que atingem notas altas, fazem falsetes com a nossa querida MC Melody ou cantam seguindo a cartilha r’n’b inspirada no soul e no gospel.

Essa fórmula norte-americana aplicada à nossa realidade só cria frustração para quem participa dos programas, além de não trazer novidadeS e nem criar novos ídolos na música nacional para quem acompanha a atração.

Até quando esse tipo de formato vai continuar a não acrescentar nada à nossa música? É difícil dizer. Enquanto as cotas de publicidade forem vendidas, é certo que o The Voice e o Superstar continuam no ar. Só que se alguém quer descobrir música nova ou se tornar um novo astro, o caminho não é esse.

Definitivamente, esses programas só atualizaram um cenário que Raul Gil fez com mais êxito, porque é popularesco sem medo de esbarrar no brega. Não finge possuir um verniz cult que, no fundo, não existe. Pelo menos Raul revelou a simpática Maisa Silva, Robinson Anjinho, Rinaldo e Liriel e Jamile. Alguns deles já viveram momentos melhores, é verdade. Mas e o The Voice que nem isso fez?

Helder Maldonado

Sou Helder Maldonado, escrevo sobre música, cinema e teatro desde 2006. Atualmente trabalho como repórter do R7. Tive passagens pelo IG, Revista SUCESSO e publicações da Editora Escala. Este blog surgiu com o intuito de revelar as novidades do showbusiness e criar matérias e análises especiais sobre o mercado do entretenimento.

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