Publicado em 08/09/2017 às 00h20

Suge Knight: o homem que quase matou o rap

 Suge Knight: o homem que quase matou o rap

Marion “Suge” Knight é uma figura que rondou e assombrou o cenário do rap nos últimos trinta anos. Apesar de Suge ser um apelido inspirado em Sugar Bear (ursinho fofo, em tradução livre), o empresário sempre foi o oposto disso. Perigoso, ameaçador e violento, poucas vezes uma figura importante do mercado musical causou tanto impacto negativo na história de um segmento.

Homem por trás do sucesso de Tupac Shakur, ele é possivelmente também responsável pela morte do cantor. Segundo o documentário Tupac e Biggie(Disponível na Netflix), existe uma teoria — bem fundamentada, inclusive — de que Suge teria armado a emboscada que colocou fim à vida do rapper. O motivo? Ele embolsou milhões de dólares que pertenciam a Tupac e posteriormente desmascarado.

Quando foi cobrado e ameaçado com a quebra de contrato, organizou uma equipe composta parcialmente por policiais de Los Angeles e até inimigos pessoais para forjar o assassinato do rapper como se fosse fruto de uma briga de gangues.

Ou seja: Notorious Big, adversário histórico de Tupac e apontado como mandante do crime, não teve absolutamente nada a ver com isso. Mas Suge Knight armou uma situação para que assim parecesse. Tanto que, alguns meses depois, encontrou uma forma de também mandar matar Biggie.

 

  Suge Knight: o homem que quase matou o rap

 

De uma só vez, ele forjou a suposta vingança dos amigos de Tupac e arranjou um álibi contra as acusações de ser o responsável por matar o próprio pupilo. O documentário mostra toda essa rede se conexões que investiga a participação dele nos dois assassinatos.

Snoop Dogg (que foi descoberto por Suge em 1993), concede entrevista no filme e diz que não resta nenhuma dúvida sobre isso. Para ele Suge é o único culpado. Mas assim como mostrou a série Making a Murderer, quando a polícia está envolvida em crimes nos Estados Unidos, as investigações não evoluem e se mantém obscuras. Até hoje as mortes dos dois astros são grandes mistérios para a Justiça. Mesmo com todas as provas apresentadas.

Em Straight Outta Comptom, o belo filme que conta história do grupo NWA, fica mais claro ainda o quanto Suge é uma pessoa descontrolada. Antes de se tornar um dos homens mais poderosos do rap, ele trabalhou como segurança de Bobby Brown e traficante (função que provavelmente nunca largou). Mas ele queria mais. E rondou os bastidores da fama até conseguir encontrar alguma oportunidade que rendesse milhões. E conseguiu isso quando o NWA tinha se tornado um fenômeno nos Estados Unidos.

 

 Suge Knight: o homem que quase matou o rap

 

No filme, ele já e retratado como o homem e violento e frio que pode estar por trás das mortes de big e tupac. Em uma cena, e revelada a surra que Eazy E leva ao tentar se desligar do selo de Suge.

De Dre, que também integrava o NWA, teve mais sorte. Quando notou que estava senso roubado e pediu para sair da Death Row “só” perdeu os direitos sobre o que havia criado até ali. O que não era pouco, já que a carreira solo do rapper foi um enorme sucesso logo de cara.

O mais impressionante é que mesmo com esse histórico ele conseguiu se aproximar de outros rappers e nunca tenha ficado preso por longos períodos. Pessoalmente, ele também se envolveu em diversas encrencas e crimes. É possível que tenha inclusive assassinado uma namorada, que, chamada para depor contra ele numa acusação de agressão, nunca mais foi encontrada.

Ironicamente, no início de 2015, ele foi à uma premier do filme Straight Outta Comptom em Los Angeles e se envolveu em mais uma confusão. Na saída, brigou com dois homens e matou um deles atropelado. O advogado de defesa alega que foi um acidente. Mas com o histórico dele, fica difícil convencer o júri com essa justificativa. (publicado originalmente no Medium em 17 de fevereiro de 2016)

Publicado em 07/09/2017 às 00h10

Live Nation contrata diretor brasileiro e expande operações no País

Alexandre Faria 00004 Live Nation contrata diretor brasileiro e expande operações no País

Líder mundial de entretenimento ao vivo, a Live Nation anunciou no fim de agosto a contratação de Alexandre Faria para ocupar os postos de vice-presidente e diretor de aquisição e talentos.

Com passagens pela T4F, Cie Brasil e Mercury Concerts, o executivo soma 25 anos de carreira na área e experiência na produção de shows de nomes como U2, Pearl Jam, Foo Fighters, Coldplay, EDC, Maroon 5, Black Sabbath, Madonna, One Direction, Justin Bieber, Metallica, Roger Waters, entre outros.

Agora, nessa posição estratégica, ele pretende explorar o potencial do país como líder regional de shows ao vivo, tanto para expandir a atuação nesse mercado, como para diversificar a atuação da Live Nation no Brasil e cartela de clientes que atuem como patrocinadores. Faria estará baseado em São Paulo e se reportará a Bruce Moran, Presidente da Live Nation para a América Latina.

Em entrevista ao R7, ele adianta como será a atuação da empresa no curto prazo, com a realização de shows de Coldplay, U2, Bruno Mars, John Mayer e Depeche Mode.

R7 — Qual foi a intenção da empresa ao te contratar?

Alexandre Faria — O objetivo era ter alguém com conhecimento do mercado local nessa posição e não depender de alguém com uma visão externa. Como sempre, estamos focados em turnês de nomes internacionais, mas não descartamos atuar com artistas brasileiros também.

R7 — E como seria a parceria com eles?

Faria — A ideia é criar projetos de turnê mais atraentes, às vezes até reunindo dois grandes nomes num mesmo projeto. Hoje, já fazem bastante isso em alguns estilos, tanto aqui quanto lá fora.

R7 — No exterior, vocês atuam no gerenciamento de carreiras e até na área fonográfica. Essas divisões serão implantadas aqui?

Faria — Em um primeiro momento, não. Estamos só focados no mercado de shows ao vivo.

R7 — Qual a principal dificuldade para contratar artistas estrangeiros hoje?

Faria — Temos três clientes no negócio: o artista, o público e o patrocinador. Existe o desafio de agradar todos eles, que só voltarão a fazer negócios se a experiência for positiva. E um dos pontos a nosso favor é que, pode parecer clichê, mas o público brasileiro é realmente diferenciado e mais "quente" que o europeu e americano. Isso faz o músico querer voltar. Mas a logística ainda continua sendo o grande problema por aqui. O nosso país, especificamente, é muito grande e qualquer turnê realizada aqui precisa ser muito bem planejada do ponto de vista logístico, tanto para evitar problemas, como para não gerar custos desnecessários aos artistas, que sempre contam com grandes equipes. Só o U2 viaja com 300 pessoas, por exemplo. E isso não é barato.

R7 — Mas a América do Sul hoje já não é mais descartada das turnês mundiais como antes. Por quê?

Faria — Isso porque melhoramos muito estruturalmente. Os shows se profissionalizaram, assim como os fornecedores de equipamentos, empresas de venda de ingressos e profissionais envolvidos na área. Temos uma rede hoteleira melhor e veículos mais modernos. Tudo isso conta. Às vezes, doenças endêmicas afastam os shows, como foi na época do surto de zika vírus. Nenhuma cantora jovem vai querer tocar aqui se isso acontecer. Por outro lado, a nosso favor, a América Latina, ao contrário da Europa, não é alvo de terrorismo. Hoje, muitos artistas têm receio de se apresentar em Paris e Londres, por contas dos recentes ataques. Aqui existe a violência urbana, claro, mas é diferente.

R7 — Há muita reclamação sobre as mesmas cidades receberem os shows dos artistas internacionais em todas as turnês. O que tem a dizer sobre isso?

Faria — Novamente, é uma questão de logística. Rio e São Paulo quase sempre estão inclusos no roteiro. E aí com esses locais sendo as bases, Salvador e Recife ficam distantes, entendeu? Para facilitar, basicamente contamos com apresentações em Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília. Outras localidades, acabam se tornando mais raras mesmo, porque prolongariam e encareceriam a estadia das equipes no Brasil.

R7 — O que vocês fazem a respeito das reclamações sobre preços de ingressos e "leilão" entre produtoras para trazer artistas?

Faria — Nós somos donos de diversas turnês e isso facilita o agendamento de shows por aqui. E concorrência por shows de grandes artistas é normal no mundo todo. Não particularidade do nosso mercado. Quanto aos ingressos, tentamos oferecer diversas faixas de preço, mas ainda temos obrigação de vender 40% dos bilhetes a estudantes. Isso acaba criando essa impressão de que o tíquete médio no Brasil é caro, quando na verdade não é. Por aqui, ainda tentamos criar parcerias com patrocinadores para que o valor final seja um pouco menor, pelo menos entre 10 e 20% abaixo do que é praticado na Europa e Estados Unidos.

Publicado em 04/09/2017 às 11h15

Morte de Walter Becker coloca fim ao Steely Dan, grupo que soube como poucos misturar rock e jazz

steelydanpressimagecrop Morte de Walter Becker coloca fim ao Steely Dan, grupo que soube como poucos misturar rock e jazz

Nenhuma outra banda soube explorar melhor a mistura entre rock e jazz do que o Steely Dan. Formada em 1971 por Donald Fagen e Walter Becker, que morreu no último domingo (3), o grupo é uma referência quando o assunto é fundir estilos com sofisticação e mesmo assim soar pop.

A banda teve uma carreira cheia de altos e baixos, inclusive por conta do vício em drogas de Becker. O duo, inclusive, até voltou a se reunir após a primeira separação, em 1981, e a lançar músicas novas, mas o que importa sobre o Steely Dan foi feito nos anos 70, como os clássicos álbuns Aja e Pretzel Logic.

Aja (1977), inclusive, foi gravado por grandes músicos do jazz, jazz-rock e da soul music, como Larry Carlton, o saxofonista Wayne Shorter, os bateristas Steve Gadd, Rick Marota e Bernard "Pretty" Purdie e o baixista Chuck Rainey. O disco vendeu mais de um milhão de cópias e consolidou a dupla como grandes compositores e músicos de estúdio. Desse disco, vale ressaltar as faixas Black Cow, Josie e Deacon Blues.

Mas esse não é o único álbum que mostra o perfeccionismo dos dois em estúdio. Menos jazz e mais rock, Pretzel Logic (1974) ainda é lembrado nos Estados Unidos por faixas como Rikki Don't Loose That Number, Any Major Dude Will Tell You e a faixa título, que continua a ser um dos maiores hits deles até hoje.

Nesse projeto a banda também conta com o apoio de grandes músicos, caso do baterista Jeff Porcaro, que futuramente seria consagrado nas baquetas do Toto. Foi também nessa época que Fagen e Becker resolveram fazer menos turnês para se especializar cada vez mais em atingir a excelência em estúdios. Não à toa, os discos da banda se tornaram referência quando o assunto é produção musical.

Dessa maneira, ouvir a discografia do Steely Dan é muito mais que um exercício para conhecer a banda, mas também tomar conhecimento dos trabalhos iniciais de músicos virtuosos que se tornariam consagrados no rock e no jazz ainda na década de 70.

Uma pena, porém, que ouvir essas músicas ao vivo nunca foi muito acessível, mesmo quando a banda estava no auge. Agora com a morte de Becker, infelizmente essa oportunidade não existirá mais. Os dois até estavam animados em voltar a tocar juntos, mas os problemas de saúde de Becker já haviam obrigado Fagen a se apresentar sozinho com o Steely Dan no início de agosto deste ano.

Resta torcer para que o pianista continue a excursionar com a banda Nightfliers, com quem apresenta músicas de sua carreira solo. Vontade de retornar aos palcos parece que ele tem. E inclusive, um novo disco pode estar por vir. Segundo o músico, ele já estaria escrevendo algumas faixas para o quinto álbum solo, sucessor de Sunken Kondos (2012). Mas não existe previsão para o lançamento ainda. "Eu tenho algum material novo. Não tivemos a chance de fazer muitas coisas, mas na estrada, eu estou esperando para mostrar aos caras algumas coisas novas que eu escrevi, e será divertido desenvolver isso com uma banda porque geralmente falando nos últimos anos, a maneira como eu trabalho é geralmente sozinho e fazendo arranjos sozinho, ou com Walter. Será divertido realmente ter uma banda para experimentar essas coisas. Não acho que faço isso desde o início dos anos 70, provavelmente", disse el em entrevista à Billboard pouco antes da morte de Becker. Resta saber se ele manterá essa ideia mesmo sozinho.

 

 

 

Publicado em 28/08/2017 às 11h25

Se Pabllo Vittar incomoda tanto, é sinal de que está no caminho certo

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Pabllo Vittar pode até lamentar o fato de sua conta no YouTube ser invadida por um hacker. Afinal, o dano é considerável e o clipe de K.O., com mais de 100 milhões de visualizações, foi removido do canal oficial da cantora.

Mas se ela incomoda a ponto de alguém se dar ao trabalho de invadir o seu perfil e promover conteúdo relacionado ao deputado federal Jair Bolsonaro, isso prova que Pabllo tem feito tudo certo na carreira nesse pouco mais de um ano de exposição em nível nacional.

Porque não existe nada mais preocupante para um artista do que ser ignorado pela imprensa, pelos fãs e até mesmo pelos haters.

Na cultura pop, muitas vezes o ódio funciona com efeito inverso e alimenta ainda mais o culto em torno do artista. Exemplos sobre isso não faltam. Basta analisar como os fã-clubes de Anitta, Taylor Swift e outras cantoras pop se estruturam para combater quem detesta seus ídolos.

O grande problema nessa invasão é que as pessoas que não gostam de Pabllo Vittar acreditam que, por isso, ela também não deve existir.

Esse medo de conviver com o diferente e subversivo existe desde que Elvis, que hoje parece a coisa mais brega do mundo, apareceu na TV rebolando como um negro e hipnotizando milhões de adolescentes.

Lobo solitário, Bolsonaro sonha com a glória

Esse tipo de atitude tem como intenção desautorizar a cantora de ter o próprio trabalho. É aquilo: se eu não gosto, não deve existir. Mais ou menos como você chegar no seu trabalho de manhã e um desafeto estar sentado no seu lugar. Felizmente, o mundo não funciona assim.

O pior de tudo é que atitudes do tipo podem aumentar nos próximos meses e com a aproximação das eleições de 2018. Essas atitudes são puramente políticas e ideológicas.

A indústria cultural nacional se transformou em um eterno debate aberto após a polarização política. Se de um lado, temos a exposição de artistas misóginos, homofóbicos e racistas, de outro a tática é constranger a pessoa cuja ideologia ou orientação sexual incomoda. Aconteceu com Pabllo, aconteceu com Tico Santa Cruz (que teve o Facebook invadido no mesmo dia) e vai acontecer com outras pessoas.

Apesar de tudo, ela perde muito pouco com isso e ainda prova que sua condição de minoria fragilizada na sociedade não é exagero, como pregam alguns. 100 milhões de visualizações ela recupera. No longo prazo, nem vai fazer falta. E mesmo com clipe fora do ar, não tem como interromper o sucesso de K.O., que toca em todo canto do Brasil. É aceitar ou assumir o recalque indiretamente com essas atitudes, que inclusive são ilegais.

Publicado em 26/08/2017 às 10h02

Novo disco dos Tribalistas prova que a banda não precisava ter voltado

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É até compreensível que o retorno dos Tribalistas tenha sido tão festejado pelos fãs. Afinal, o grupo ficou inativo durante 15 anos. Porém, esse longo período e tudo que ele representa na história da nossa música e do País é exatamente o que faz com que o trio formado por Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown soe tão diferente entre o primeiro e o segundo disco.

Enquanto o projeto de estreia primava por uma MPB radiofônica, o novo álbum se arrasta em músicas com arranjos pouco inspirados e letras engajadas ideologicamente, como Diáspora (sobre refugiados pelo mundo), Um Só (sobre as diferenças na sociedade) e Lutar e Vencer (sobre resistência das minorias).

Por isso, quem esperava um trabalho que repetisse a elegância daquele CD que vendeu 2 milhões de cópias em 2002, pode esquecer. Por um lado, é bom, já que não teremos que aturar uma nova Já Sei Namorar, típico caso de música excelente, mas que tocou até saturar e começar a incomodar.

Por outro, não atende as expectativas dos fãs, que terão que aprender a digerir um álbum quase hermético e demasiadamente focado na introspecção. As exceções ficam por conta de Aliança, Feliz e Saudável, Ânima e Fora da Memória. As quatro se destacam por trazer o DNA presente no trabalho anterior.

E para por aí. Mas talvez os Tribalistas quisessem mesmo inovar e lançar algo completamente diferente do disco que os consagrou. E conseguiram. E mudar é saudável. O problema é que nem sempre é para melhor.

Mas também não tinha como ser diferente. No primeiro CD, o controle era totalmente focado nos três. Nesse álbum, a participação de músicos jovens na maioria das composições afetou o resultado final e descaracterizou o que poderia ser um projeto que colocaria a MPB novamente no mainstream.

Publicado em 21/08/2017 às 10h41

Anitta grava clipe com diretor acusado de abusar sexualmente de jovens modelos

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O novo clipe de Anitta (Vai Malandra) ainda nem foi lançado, mas já causou comoção na internet. Gravado no Morro do Vidigal, o vídeo teve as primeiras imagens de bastidores divulgadas no domingo (20) e viralizou por mostrar a boa forma da cantora vestindo apenas um biquíni de fita isolante. Aparentemente, o vídeo vai apostar bastante na sensualidade dela e dos atores escalados.

Não poderia ser diferente. Afinal, quem está por trás do clipe é o renomado fotógrafo e diretor Terry Richardson, que já trabalhou com gente como Rihanna, Amy Whinehouse e Barack Obama. O norte-americano ficou conhecido internacionalmente pelos ensaios ousados e vídeos musicais que exploram a nudez feminina, como o mundialmente famoso Wrecking Ball, de Miley Cyrus.

Mas a fama de Terry é proporcional às polêmicas em que ele está envolvido. O fotógrafo foi acusado em 2014 de assediar inúmeras modelos.

Jamie Peck, por exemplo, foi fotografada por Richardson quando tinha 19 anos. Ela contou ao site The Gloss que Terry a fez dançar nua durante uma sessão. Em outra, ele teria tirado a roupa também, pedindo que ela o fotografasse enquanto mexia em seu pênis. "Na segunda sessão as coisas ficaram realmente estanhas. Expliquei que estava menstruada e, por isso, não gostaria de tirar a calcinha. Ele insistiu para que eu ficasse nua e ainda pediu para que tirasse meu absorvente interno", comentou à época.

A modelo Rie Rasmussen endossa as acusações e diz que muitas jovens não têm coragem de negar os pedidos de Terry com receio de perder trabalhos.

mc5 Anitta grava clipe com diretor acusado de abusar sexualmente de jovens modelos

"Ele manipula as meninas para que tirem as próprias roupas e se deixem fotografar em poses que irão envergonhá-las depois. Elas ficam com medo de dizer não porque foram indicadas para o trabalho por suas agências e são muito jovens para se defender", afirmou em entrevista ao The New York Post.

À época, o site Jezebel reuniu diversas acusações semelhantes sobre o comportamento de Rihardson, inclusive relatos em que ele teria obrigado mulheres a praticar sexo oral contra a vontade em sessões fotográficas.

O que causa estranheza é a equipe de Anitta sequer ter levado em consideração o histórico do profissional antes de chamá-lo para dirigir o clipe. É claro que, com a intenção de conquistar o mundo, a cantora enxerga nessas parcerias a possibilidade de ganhar os holofotes da imprensa internacional. Afinal, por mais problemático que Richardson seja, ele ainda é um dos fotógrafos mais requisitados do mundo, seja na indústria musical ou em editoriais de moda.

No entanto, cantoras que trabalharam com ele, cortaram relações e até deixaram de lançar clipes dirigidos por Richardson com medo da repercussão negativa que isso teria.

É o caso de Lady Gaga, que gravou o  vídeo de Do What U Want com ele. Pelas fotos de bastidores, o vídeo, como quase tudo no trabalho do americano, apostaria na estética soft porn. Mas até hoje, o projeto, feito na mesma época das acusações, está engavetado. E nunca deve ser lançado. Apesar dessa decisão da diva, o livro de fotos que Gaga fez com ele continua à venda, inclusive no Brasil.

Miley Cyrus, que gravou clipe e fez ensaio polêmico com Richardson, simplesmente rompeu relações com o profissional após as acusações de assédio. Ao ser questionado sobre todas essas alegações, ele apenas disse que se tratavam de 'histórias fabricadas e cheias de ódio'. E nunca mais se posicionou sobre os casos.

Se Anitta tinha a intenção de criar polêmica com seu novo clipe, com certeza está no caminho certo. Os figurinos e a locação já estão dando o que falar. E a parceria com o Terry Richardson não passará despercebida, seja pelo clipe ousado que vem por aí, seja por esse passado obscuro do profissional. Resta saber como ela se posicionará quando essas acusações vierem à tona, principalmente em um momento em que ela é considerada um ícone do empoderamento feminino. E não vai demorar até ser questionada pelos fãs, que nas redes sociais já estranham e torcem o nariz para essa parceria.

 

 

 

Publicado em 17/08/2017 às 09h03

Spotify exclui do catálogo músicas que promovem discurso de ódio e que defendem supremacia branca

3048852 poster p 1 spotify discover Spotify exclui do catálogo músicas que promovem discurso de ódio e que defendem supremacia branca

O Spotify resolveu tirar músicas que promoverm discurso de ódio do seu catálogo. A medida, anunciada na quarta-feira (16), foi influenciada por críticas dos usuários da plataforma de streaming e também por um levantamento feito pela ONG Southern Poverty Law Center acerca de grupos de música simpáticos ao racismo e à supremacia branca.

"Conteúdo ilegal ou materiais que promovem o ódio ou incitam violência contra raça, religião, orientação sexual não serão tolerados", diz anúncio publicado pela empresa na revista Billboard americana.

Os recentes confrontos raciais de Charlottesville, nos Estados Unidos, e o crescimento de grupos pró-Trump tornaram a conotação desse tipo de conteúdo ainda mais agressiva.

"Estamos felizes por terem nos alertado quanto ao conteúdo em questão — já removemos grande parte das bandas 'de ódi'’, mas seguimos revisando todo nosso acervo", se posicionou o Spotify.

O site Digital Music News listou 37 bandas que disseminavam mensagens de ódio, mas até o momento apenas dez delas foram excluídas: Ad Hominem, Freikorps, Geimhre, Grand Belial’s Key, Ravens Wing, Selbstmord, Standarte, The Spear of Longinus, No Remorse e Endless Pride.

A maioria desses grupos são marginais, com poucos ouvintes.  Há quem defenda que a exclusão dessas músicas fere a liberdade de expressão e promove censura. Segundo a mídia americana, grupos como a União Americana pelas Liberdades Civis provavelmente defenderiam uma grande porcentagem dessas bandas, mesmo que pessoalmente as desprezassem.

Além disso, uma lista de reprodução Spotify possui uma coleção de músicas de marcha nazista. Isso também poderia ser considerado tecnicamente como uma "banda de ódio", embora muitos defendam sua presença no Spotify como uma "coleção histórica importante".

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Publicado em 16/08/2017 às 12h46

Nem Beyoncé, nem Lady Gaga: Madonna nunca será superada como a cantora pop mais influente

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Todo ano surge uma nova Madonna. É assim desde o início da década de 80. Inclusive, é impossível esquecer uma capa da revista Bizz que apostava na cantora Patsy Kensit como substituta da musa norte-americana com o seguinte título: "Se cuida, Madonna, Patsy vem aí". A inglesa caiu no anonimato e hoje é mais conhecida por ser ex-mulher de Liam Gallagher, vocalista do Oasis.

Madonna nunca conseguiu ser substituída pelo simples fato de que todas as alternativas e apostas posteriores ao seu surgimento foram produzidas exatamente com o objetivo quase impossível de desbancar a loira como ícone da cultura pop. Ou seja: na maioria dos casos, não existia muita legitimidade conceitual e quem estava à frente do projeto não tinha nem a consciência de carreira e de produzir polêmicas, factóides e inovações estéticas como Madonna e toda sua equipe fizeram em quase 40 anos de carreira.

Isso é fruto, basicamente, de uma personalidade inquieta, que não se acomoda e nem se repete. Uma ouvida rápida na discografia da cantora demonstra que, entre um trabalho e outro, ela buscou inovar, se conectar com o que estava em evidência no momento (inclusive ao contratar dançarinos), mas quase nunca entregar algo derivativo e que poderia ser feito por qualquer outra cantora a não ser ela.

Basicamente, nesse sentido, Madonna seguiu os passos de David Bowie, que ficou conhecido como camaleão não só pelas mudanças no visual, mas por nunca lançar discos que repetissem a mesmo fórmula. E, claro, por ter a consciência que a música pop se torna ainda mais forte quando acompanhada de outros itens, como figurinos marcantes e shows que entregam para o público uma experiência inigualável. Tanto em uma carreira quanto em outra, essas ideias nunca foram deixadas de lado.

E Madonna, por surgir na época da MTV, foi além e explorou como poucos a venda da própria imagem em clipes que não eram encarados como meros acessórios para a divulgação da música. Pelo contrário, esses vídeos foram tão importantes quanto os singles. Não à toa, os três minutos de imagens em Like a Virgin, Like a Prayer, Frozen, Take a Bow ou What Feels Like For a Girl não foram esquecidos por quem teve a oportunidade de assistir quando foram lançados.

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Essa personalidade se refletiu na inquietude da vida de Madonna. O que fica claro é que a carreira sempre esteve à frente dos planos. E, bom, nenhum relacionamento durou muito. O mais marcante foi com o então bad boy de Hollywood, Sean Penn. Os dois ficaram conhecidos pelo casamento intenso e que terminou, entre outros motivos, após o ator colocar a cabeça dela dentro de um forno.

Depois dele, vieram diversos famosos e anônimos como o jogador de basquete Dennis Rodman, os rappers Tupac e Vanilla Ice e o DJ e modelo brasileiro Jesus Luz. Com o diretor inglês Guy Ritchie, ela sossegou durante oito anos e chegou a constituir família. Mas após o fim, ambos se ofenderam pela imprensa e disseram se sentir encarcerados. Mesmo quando estava bom, estava ruim.

Apesar de ser a Rainha do Pop, Madonna tem uma vida e uma carreira que destoa completamente desse título de nobreza. A subversão da cantora nem combina com algo tão conservador e antiquado.

Essa postura de nobreza talvez combine melhor com Beyoncé e Jay Z, que se posicionam como o casal real da música pop mundial. Inclusive construindo um império profissional e pessoal que não é abalado por nada. Nem por críticas e nem por infidelidade. O interesse de ambos é claro: juntos, eles são mais fortes e podem lucrar como bem entender, inclusive patenteando os nomes dos filhos, que devem ser os primeiros na linha de sucessão de Justin Bieber e Taylor Swift. Afinal, se Beyoncé seguir os passos do pai, certamente criará os filhos para trilhar os mesmos passos dela rumo ao estrelato.

Obviamente que Madonna também soube ganhar todo centavo que estavam interessados a pagar por qualquer coisa que tivesse a assinatura dela.

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E isso não é errado. Afinal, ela está na pista para negócios. Mas na medida do possível para os padrões do show business, manteve a ética e poucas vezes se contradisse. Um dos poucos casos que arranham levemente a imagem dela foi retratado no documentário Strike a Pose, que conta a história dos sete dançarinos contratados para a turnê Blonde Ambition. No filme, disponível na Netflix, a maioria dos profissionais dessa equipe demonstra mágoa com a cantora, por não terem sido pagos pela participação no filme Na Cama com Madonna e serem desprezados por ela logo após o fim da turnê.

A atitude, claro, não é o que se espera de Madonna. Até porque remunerar os dançarinos não seria um problema pra ela. Mas, se comparar com Beyoncé, que lança um disco sobre representatividade e ao mesmo tempo explora trabalhadores do Sri Lanka que fabricam peças de sua grife, o que Madonna fez é só mais um dos milhares casos de desacordos contratuais no milionário mundos dos negócios do entretenimento. Muito pouco para abalar a imagem de ícone pop incontestável e figura feminina empoderadora e que jamais será alcançada ou superada. Inclusive musicalmente. Apesar de não ser tão boa cantora como Beyoncé, Madonna acumula uma dezenas de hits que vão de balada romântica a rock'n roll, passando por dance music. Versátil e oportunista no que realmente importa.

Assim como Bowie, Cher, Michael Jackson, Beatles e Elvis, ela integra o seleto grupo de figuras icônicas da cultura pop que influenciam a criação cópias derivadas e produzidas em série que jamais atingirão o nível da original.

 

Publicado em 15/08/2017 às 11h21

Com disco pop, dançante e criticado, Arcade Fire tem tudo para ser o novo Coldplay

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O Arcade Fire lançou um disco ruim? É o que o mundo está dizendo. Ok, talvez não seja a pior coisa feita em 2017. A verdade é que o projeto frustrou as expectativas de parte do público e da crítica.

Afinal, trata-se de uma das bandas mais aclamadas dos anos 2000, com três CDs elogiados no currículo: FuneralNeon Bible e The Suburbs. E Everything Now fica muito aquém desses projetos, soando de forma derivativa. Parece até outra banda. Mas não de forma elogiosa. A intenção de criar algo mais pop e dançante talvez tenha tido como inspiração o Talking Heads ou Peter Gabriel.

Porém, o resultado ficou parecido com um disco mais lento do Imagine Dragons ou qualquer uma dessas bandas que parecem feitas por publicitários para emplacar músicas em comercial de loja de departamento e do jogo Fifa.

Apesar da recepção mista, a banda não tem do que reclamar. O disco atingiu o topo das paradas britânicas. O que talvez prove que deixar de fazer discos relevantes para enveredar por caminhos mais pop, como Coldplay e U2 já fizeram, seja uma saída para quem acumula anos de estrada.

Coldplay new songs 2017 2018 list upcoming latest albums Com disco pop, dançante e criticado, Arcade Fire tem tudo para ser o novo Coldplay

Nessa mudança de caminho, o Arcade Fire entendeu que não adianta agradar o público novidadeiro a todo custo. Acontece que até a vontade e a inspiração de se superar simplesmente podem nem existir mais. Basta ver os últimos trabalhos dos Strokes para perceber como uma banda que já foi apontada como salvação dor rock pode se perder e ficar irrelevante em três ou dois discos.

E tem outra coisa. Se a banda tem mais de dez anos, parte do público ávido por exclusividade vai se desinteressando à medida que o grupo se torna algo parecido com um clássico. É nesse momento que, mercadologicamente, uma das alternativas é assumir que o melhor é cativar quem ainda gosta de você e se tornar acessível para as rádios. Com essa abordagem, o Arcade Fire pode virar um novo Coldplay, que quanto mais eletrônico e pop fica, mais se afasta dos admiradores iniciais. A relevância entre os fãs exigentes pode acabar aos poucos, mas as grandes turnês, segundo os números conquistados desde o lançamento, aparentemente estarão garantidas.

 

Publicado em 31/07/2017 às 11h48

Clipe de Anitta seria melhor se fosse gravado nos Lençóis Maranhenses com direção do Kondzilla

major lazer anitta pabllo vittar sua cara Clipe de Anitta seria melhor se fosse gravado nos Lençóis Maranhenses com direção do KondzillaMuita expectativa foi criada para o lançamento do clipe da música Sua Cara, parceria entre Anitta e Pabllo Vittar com produção do Major Lazer. Nunca antes na internet brasileira, fãs e haters de um cantora pararam tudo que estavam fazendo para ver um lançamento no YouTube.

Gravado no Marrocos, o vídeo era aguardado como um novo Thriller, Californication ou Justify My Love. Não é para menos. A cantora prometeu que entregaria um clipe inovador. Ou pelo menos acima da média.

Mas o resultado final é, no mínimo, decepcionante em vários aspectos. Com uma edição desleixada e uma montagem que não faz sentido, Sua Cara mistura referências demais e não cumpre nem o papel de contar uma história e nem de ser um projeto abstrato com certo valor artístico.

Em menos de três minutos, o vídeo mistura imagens de pilotos de quadriciclo no deserto, closes nas partes íntimas de Anitta e Pabllo com aquela técnica de zoom rápido usado no Domingo Legal nos anos 90 e rápidas imagens de Diplo mostrando o tanquinho.

A parte mais marcante porém, é a que traz a cantora fazendo dança do ventre com um top cropped da Adidas, num mix de referências que deixaria qualquer analista de pós-modernidade confuso sobre se houve ou não a tão temida apropriação cultural, inimiga declarada de qualquer lacre.

Aliás, a locação no deserto do Saara não influenciou em nada o resultado final do vídeo, que poderia ter sido gravado nos Lençóis Maranhenses com direção de Kondzilla tranquilamente. E ainda ficaria melhor.

Aliás, até a música poderia soar menos genérica e derivativa se, em vez de ter sido feito na linha de montagem do trio Major Lazer, recebesse produção de ícones brasileiros do pop/funk como Dennis DJ e Pereira Detona Funk.

Mas apesar de estar longe de ser a melhor coisa que Anitta fez na carreira, isso no fundo não vai afetar o projeto dela de se transformar em estrela internacional (nem que seja apenas na América Latina).

É inegável: Anitta cresceu muito. E como qualquer ícone, vai cometer erros e amargar fracassos. Faz parte do jogo. E costuma ser saudável e uma espécie de aprendizado, inclusive. A questão é que música para dançar e pop de consumo rápido também podem ser memoráveis e não apenas um acessório irrelevante no contexto da lacração.

Madonna, Cher e Beyoncé comprovam isso. Anitta poderia aprender com elas a tentar ser sempre referência e não apenas mais uma diva pop com músicas sem identidade e que poderiam ter sido gravadas por qualquer cantora, como os últimos três lançamentos dela. Afinal, quem consegue superar esse desafio no pop, dura mais de uma geração. Do contrário, a fama vai até seu último fã sair da casa dos pais. No máximo.

 

Helder Maldonado

Sou Helder Maldonado, escrevo sobre música, cinema e teatro desde 2006. Atualmente trabalho como repórter do R7. Tive passagens pelo IG, Revista SUCESSO e publicações da Editora Escala. Este blog surgiu com o intuito de revelar as novidades do showbusiness e criar matérias e análises especiais sobre o mercado do entretenimento.

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