Publicado em 17/07/2017 às 00h20

Cantores e bandas mais ouvidos nos Estados Unidos são anônimos no Brasil

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O mercado musical norte-americano é o maior do planeta. Além de contar com um público interno que consome bastante, ainda tem o privilégio de ser popular também no exterior. Sendo assim, normal que os discos mais vendidos na história venham principalmente de lá.

Mas mesmo que não contasse com esse êxito fora do seu território, a música norte-americana seria bem sucedida apenas com o interesse dos próprios cidadãos.

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Publicado em 13/07/2017 às 00h30

O rock morreu porque se tornou conservador e acomodado

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Em meados dos anos 90, algumas rádios paulistanas instituíram que 13 de julho começaria a ser o dia Internacional do Rock. A data não foi escolhida por acaso: ela remete ao festival Live Aid, que aconteceu nesse mesmo dia no ano de 1985. Apesar da megalomania da palavra "internacional" na efeméride, ela só é comemorada no Brasil mesmo. E ironicamente, desde que isso passou a existir, o estilo só perdeu espaço nas rádios e no circuito de shows. E não foi só por aqui. Isso é uma tendência mundial.

Não é uma tarefa fácil detectar os motivos que fizeram o gênero perder tanta relevância assim. O que não se pode desprezar, contudo, é que estamos falando de um gênero com 60 anos de existência. Para uma nova geração, soa tão cafona e ultrapassado como bossa nova ou chorinho soava para quem cresceu nos anos 80 e 90.

Mesmo Kurt Cobain, considerado o último grande rockstar, está morto há mais vinte anos. É um ícone bem distante para um millenial bombardeado diariamente por novidades do funk, do pop e de subcelebridades no YouTube e Spotify. Eles mal conseguem assimilar a produção atual, quanto mais buscar tudo o que já foi feito antes. E nem há interesse também. É um mundo novo, com novas formas de consumo e onde o rock não se adaptou completamente, apesar de ainda existir com certa força, principalmente fora do Brasil.

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Mas se for levar em conta os feitos do gênero nas duas últimas décadas, é claro como o pop e o hip hop no exterior, e o funk e o sertanejo aqui, roubaram completamente o protagonismo. Para ter uma ideia, pouco discos do estilo chegaram ao topo da Billboard desde os anos 2000 e se mantiveram lá por mais de uma semana: Hybrid Theory, do Linkin Park, e o homônimo álbum da banda Daughtry, que aqui no Brasil não conhecemos, são alguns deles.

As coisas mais relevantes que chegaram ao mainstream no mesmo período por aqui foram Los Hermanos, que apresentou uma proposta diferente esteticamente, e as bandas da cena emo/hardcore, como Fresno, NxZero e CPM 22, que souberam atingir ao topo no melhor estilo "faça você mesmo". E isoladamente, a Pitty. Mas isso tudo teve seu auge há quase uma década. Desde então, só pequenos êxitos populares, como o surgimento da banda Malta.

Aliás, a banda Malta como um dos últimos respiros populares por aqui, prova o porquê do rock ter perdido a preferência dos jovens e do recorte mais transgressor e subversivo da população. Desde o fim dos anos 90, o que se percebe é que um gênero que representava movimento de resistência cultural, de contestação, foi se transformando cada vez mais em refúgio de conservadorismo e acomodação.

Basta ouvir um disco inteiro da Malta - o que eu não recomendo - e perceber que não soa diferente de nenhuma banda gospel ou dupla sertaneja romântica. Comparação semelhante pode ser realizada no exterior, onde os expoentes são o Coldplay na Inglaterra e o Nickelback e Avenged Sevenfold nos Estados Unidos. Ou seja: grupos que pouco ou nada adicionaram na renovação estética de um estilo que cada vez mais vive de emular o passado num eterno saudosismo cíclico.

A mídia também tem sua parcela de culpa ao tentar, a todo custo, descobrir uma nova salvação para o rock e simplesmente ignorar outras coisas interessantes e subversivas que surgiram em vertentes diferentes. Isso foi a norma, principalmente no início dos anos 2000, quando a imprensa em geral vivia um período de negação e inventava uma nova salvação do rock por semana. A maioria, a gente nem se recorda mais, tipo Jet, The Vines ou The Hives.

Algumas tiveram certo sucesso, mas não cumpriram esse papel de salvador, como Strokes, Kings of Leon, Muse, Queens Of The Stone Age, Foo Fighters, Arctic Monkeys, Franz Ferdinand, White Stripes e Libertines. Até hoje, elas mantém um fio de esperança entre os mais otimistas. Mas salvar mesmo, não salvou nada, pois não ajudaram a cria cenas e movimentos musicais relevantes. Talvez tenham até acelerado a percepção de que, salvo raras exceções, não há muito mais muito a fazer.

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Isso porque inovação mesmo - e isso só foi notado com quase dez anos de atraso -  estava no hip hop, na música eletrônica, no pop e no funk. Foi só quando a mídia abandonou de vez essa busca pelo novo salvador do rock, que ficou claro que os jovens já haviam deslocado o interesse por outros sons e a vanguarda musical há anos não era mais baseada em guitarra, baixo e bateria.

Mas a pergunta clichê é: o rock vai morrer? Não tão cedo. No exterior, festivais do gênero continuam bem e muitas bandas e produtoras se organizam para criar eventos onde possam continuar tocando e excursionando. Alguns desses músicos mantém empregos formais paralelamente. Paciência. São novos tempos. Pouca coisa interessante esteticamente tem sido produzido nesses circuitos, mas é invejável o esforço dos músicos em continuar na ativa mesmo sem o interesses de grandes gravadoras e do público dominante.

Por aqui, a independência também revela poucas e boas bandas, mas a maioria está longe de fazer rock, como o Metá Metá. Ou pelo menos o rock que os tradicionalistas esperam ouvir. Felizmente, produtores de festivais brasileiros notaram já há alguns anos que reclamar de falta de espaço na mídia não ia adiantar nada se eles não se organizassem independentemente para trabalhar com música. No entanto, quem reclama da falta de produção no estilo, costuma desconhecer o que tem sido feito nesse circuito. E se conhecesse, não ia gostar também.

Esse é o tipo de pessoa que espera que a salvação do rock apareça num grande programa de auditório emulando a Legião Urbana para que ela não precise fazer esforço nenhum em conhecer coisas novas e nem para se adaptar a um som diferente. Nesse comodismo, vai continuar ouvindo Tiago Iorc e Henrique e Juliano involuntariamente. Ou pior: banda de motoclube que só copia tudo que já foi feito por outras bandas.

Já os nossos dinossauros dos anos 80, vivem basicamente de shows que parecem baile da saudade ou em eventos corporativos. E claro: de reclamar a perda de espaço. 30 anos após o auge, ícones desses período reclamam que o País e a música mudou. Estranho seria se tivesse tudo igual. E que ainda fossem os preferidos dos adolescentes. Garanto que na juventude, nenhum desses músicos ouvia Nelson Gonçalves e Vicente Celestino, que é o que basicamente o que se tornaram para quem nasceu da segunda metade dos anos 90 pra cá.

 

Publicado em 07/07/2017 às 00h30

Lobão se coloca na posição de vítima em livro que detona Chico e Caetano

0e6cea64 c641 4845 bead 5aaeed6e32db lobaolivrocapaguiarock80 Lobão se coloca na posição de vítima em livro que detona Chico e Caetano

Existe um comportamento comum que se repete nas diversas fases da vida e da carreira de Lobão: ele sempre se coloca no papel de vítima. E nessa condição, cria factoides para combater inimigos que inventa, mas que sequer se importaram com a existência do roqueiro, como Chico Buarque (que, se perguntado, não deve ter certeza se Lobão está vivo ou não).

Essa paranoia de perseguição e síndrome de autoimportância estão presentes no novo livro do músico, Guia politicamente incorreto dos anos 80 pelo rock. Com quase 500 páginas, o projeto serve basicamente para Lobão descontar frustrações e detonar seus alvos prediletos desde que começou a carreira: Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Milton Nascimento e, claro, Herbert Vianna.

Nos 15 capítulos da obra publicada pela editora Leya em parceria com Leandro Narloch, o cantor destila veneno sobre a obra de Chico, avaliando discos do cantor sem nenhum embasamento crítico. Ópera do malandro é rotulado como uma "das mais memoráveis lambanças estético-musicais". Já o samba-enredo Vai passar (Chico Buarque e Francis Hime, 1984), é é avaliado "um sambinha muito do mequetrefe", apenas por que sim.

Essas observações reforçam ainda mais a vontade de causar polêmica gratuita de Lobão, já que álbuns de Chico Buarque nada têm a ver com a história do rock oitentista.

Outro que recebe inúmeras críticas nas páginas do livro é Herbert Vianna, eterno desafeto de Lobão, e pelo menos um compositor de rock mesmo. Na biografia 50 Anos a Mil, o cantor já havia acusado o líder do Paralamas de imitar seu estilo de cantar e se inspirar demais em nomes de músicas dele (como a coincidência entre os sucessos Me Chama e Me Liga).

 Lobão se coloca na posição de vítima em livro que detona Chico e Caetano

Basicamente, em todas as críticas Lobão coloca a culpa em alguém por um eventual fracasso ou sugere que foi boicotado por algumas pessoas da indústria, como Chico e Caetano. O irônico dessa vitimização eterna de Lobão é que o músico parece esquecer que ele mesmo já foi um popstar foi beneficiado por gravadoras, esquemas para tocar em rádio e até mesmo leis de incentivo, quando montou a revista e selo Outra Coisa.

Esse papel de outsider da música nacional não faz sentido principalmente se os números da carreira dele forem levados em conta. Só na década de 80, vendeu mais de 1 milhão de discos. Nos anos 90, o sucesso foi menor, mas seus álbuns mais experimentais (Nostalgia da Modernidade, Noite e A Vida é Doce) tiveram boa aceitação de público e crítica.

Esse êxito não é desprezível, principalmente se for levar em conta que a essa década foi ingrata para quase todo o rock nacional surgido nos anos 80. Ou seja, se Lobão continuasse a fazer o que sabe de melhor, que é música, não estaria na internet criando teorias sobre seu atual fracasso como artista (que, aliás, ele já declarou ser causado de perseguição política, numa autoestima invejável).

Mas nem tudo são críticas negativas no livro. Sobre os amigos, ele rasga seda. E assim, não faltam observações positivas sobre Julio Barroso e Cazuza. O único problema aqui é que as análises não são criteriosas ou rigorosas do ponto de vista técnico. Mas não importa. Essa parte não pode ser desprezada da análise, pois prova que em quase 40 anos de carreira, o cantor só conseguiu manter carinho e respeito por quem infelizmente já morreu.

 

Publicado em 01/07/2017 às 00h10

Marisa Monte é a maior cantora brasileira da história?

monte marisa 5489c9007c3a2 1024x576 Marisa Monte é a maior cantora brasileira da história?

A discussão sobre qual seria a melhor cantora nacional é subjetiva e nunca chega a um consenso. Elis, Gal, Bethânia e Elza sempre se destacam quando o assunto vem à tona. Mas se a conversa for sobre a artista feminina que melhor soube conduzir a carreira, é difícil não chegar ao nome de Marisa Monte.

A artista, que acaba de completa 50 anos de vida e 30 de estrada, conseguiu como poucas criar uma obra admirada pela crítica e ser extremamente popular ao mesmo tempo. E ela leva vantagem sobre as demais cantoras brasileiras, por ser uma das poucas que não se restringe a ser apenas intérprete e se destaca também como compositora com grandes recursos estílisticos e técnicos e empresária artística.

Marisa teve um início de carreira avassaladora e se transformou rapidamente em pop star com música em novela e presença nos programas de auditório. O primeiro álbum dela, MM (1988), vendeu 700 mil cópias, marca surpreendente para um projeto de MPB, mesmo naquela época. O carro-chefe desse sucesso foi Bem Que Se Quis, que poucos sabem, mas trata-se de versão em português do hit E Po Che Fa, do italiano Pino Daniele.

Esse projeto, aliás, prezava por mostrar a versatilidade de Marisa como intérprete, mas não seu talento como compositora. As músicas presentes são versões de grandes clássicos, como Chocolate (Tim Maia), Comida (Titãs) e O Xote das Meninas (Luiz Gonzaga).
Só no disco seguinte, o já clássico Mais, é que ela mostrou suas próprias músicas, como Beija Eu (em parceria com Arnaldo Antunes e Arto Lindsay, produtor do trabalho), Ainda Lembro (dueto com Ed Motta e parceria de composição com Nando Reis, à época seu namorado) e Eu Sei (feita sozinha).

Mas ao contrário da maioria do cantautores, que compensam a falta de técnica vocal com criatividade, Marisa também se destaca pelo timbre e forma de cantar, que à época foi bastante elogiado pela imprensa. Resultado: o projeto vendeu tanto quanto o anterior, atingindo a marca de platina dupla.

O que foi feito por Marisa em seguida tem um cuidado pouco visto na música nacional antes e mesmo depois. Em vez de lançar novos trabalhos em curtos períodos como exige a pressão da indústria, ela preferiu impor um ritmo de trabalho mais lento, com lançamentos a cada três ou cinco anos (período mais longo entre um CD e outro até aqui).

Além disso, ela deu atenção especial para os clipes que gravava, o que resultou em bom posicionamento também na MTV, importante veículo de divulgação audiovisual dos anos 90. Difícil alguém de 30 anos não lembrar dos vídeos de Segue o Seco, Amor I Love You ou Gentileza.
Além de ser essencial para criar e pesquisar novos sons para cada disco, esse espaço de tempo permitiu com que Marisa virasse dona do próprio nariz. Em 98, ela adquiriu todas as fitas matrizes de seus discos, os relançou e abriu um selo, antevendo uma prática que se tornaria comum no Brasil, mas que já era hábito nos Estados Unidos, com artistas como Puffy Daddy, Dr. Dre e Madonna.

Foi através desse selo, batizado de Phonomotor Records, que ela passou a lançar os próprios discos na década seguinte. Essa visão empreendedora e independente deu maior liberdade para que ela pudesse apostar no lançamento de novos artistas e fazer projetos paralelos pela primeira vez na carreira.

Se ela havia sido bem-sucedida sozinha até então, ao lado de Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes, no trio Tribalistas, atingiu um nível de fama que superou tudo que ela havia feito até então. O CD, com uma pegada radiofônica, vendeu nada menos que 1,5 milhão de cópias no Brasil e 1 milhão no resto do mundo. Era impossível andar pela rua no centro de uma grande capital e não ouvir a música Já Sei Namorar ecoando de algum carro ou caixa de som de uma loja.

Curiosamente, apesar do êxito, o grupo não capitalizou em cima com uma turnê e só tocou três vezes junto. Marisa, contudo, interpretou várias dessas músicas na turnê Verdade, Uma Ilusão. No momento, há planos de um segundo volume dos Tribalistas. Os fãs, claro, dessa vez esperam que haja datas de shows.

001 683x479 Marisa Monte é a maior cantora brasileira da história?

E Marisa atingiu esse status se expondo muito pouco. A vida dela é uma incógnita. Tanto é que o filho e os relacionamentos de Marisa nunca foram assuntos constantes na imprensa. O trabalho sempre esteve à frente, mesmo nos momentos em que ela se envolveu com estrelas como Nasi e Nando Reis ou teve seus filhos, Mano Vladimir, nascido em 2002, e Helena, em 2008.

E se isso tudo já não bastasse para provar a condição de maior artista feminina da música nacional, Marisa ainda aproveitou os anos mais recentes de sua carreira para pesquisar sobre o samba, estilo que passou a aparecer com frequência em seu trabalho a partir de Universo ao Meu Redor, de 2006. O interesse pelo estilo rendeu ainda o documentário O Mistério do Samba (2008), que marca a estreia dela como produtora de cinema e rendeu exibição no Festival de Cannes.

Com esse currículo atingido em três décadas, Marisa não só pode ser considerada uma das principais artistas de sua geração, como da história nacional. Se é a melhor cantora do Brasil, é outro assunto. Mas com certeza é uma das poucas que conseguiu unir sucesso comercial, destaque como compositora e habilidade para se tornar e produtora e empresária musical com relevante sucesso em todas áreas. Não se pode desprezar que é um feito e tanto, ainda mais vindo de uma artista que estourou logo no primeiro álbum e nunca se acomodou.

Publicado em 28/06/2017 às 00h30

O Brasil nunca foi o país do rock, nem nos anos 80

10 mini O Brasil nunca foi o país do rock, nem nos anos 80

Nostalgia pode ser perigoso, principalmente quando existe a saudade de um passado que sequer aconteceu. Isso rola bastante quando o assunto é cultura. As gerações podem mudar, mas o batido discurso do "bom era no meu tempo", não muda jamais.

Na atualidade, esse discurso é usado principalmente para criticar o tipo de música que domina as paradas. Não é incomum encontrar pessoas que sentem saudade da época em que o rock dominava as paradas de sucesso no Brasil.

O problema é que essa época não existiu. Obviamente é impossível negar que os anos 80 foram marcados pelo surgimento e sucesso de dezenas de bandas de pop e rock, com destaque para o fenômeno RPM, a atemporal Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Titãs, Ultraje a Rigor, Blitz, Engenheiros do Hawaii e Kid Abelha, principalmente.

Mas eles não eram uma unanimidade, como alguns acreditam. Basta dar uma olhada nas músicas mais tocadas do período e perceber que, embora vivesse bom momento, o rock dividia as paradas de sucesso com estilos como o brega, o samba, a MPB e, claro, o sertanejo.

Não poderia ser diferente. O Brasil sempre foi um país onde a música romântica dominou as paradas de sucesso, independente do segmento em que ela foi gerada. Porém, quanto mais brega ou meloso, melhor. Do contrário, Amado Batista, Fábio Jr e Roberto Carlos não seriam grandes ídolos nacionais.

Nos anos 80, além deles, tivemos astros como Dalto, Rosana, Yahoo, Roupa Nova, Simone, Oswaldo Montenegro, Luiz Caldas, Olodum, Beto Barbosa, Joanna e José Augusto. Todos dividiram o protagonismo com as bandas de rock e venderam muito mais discos.

Nessa mesma época também, o sertanejo começou a ganhar espaço em áreas urbanas, emplacando no top 100 artistas que viriam a estourar definitivamente na década seguinte, como Chrystian e Ralf, Chitãozinho e Xororó, Leandro e Leonardo, Zezé Di Camargo e Luciano, Roberta Miranda e Sula Miranda.

Portanto, a sensação de que aquela década foi dominada pelo rock, é mais levada a sério por quem foi adolescente nos anos 80. Em faixas etárias mais elevadas, o rock não chegou a ter o mesmo impacto e importância.

O trunfo desse período no fundo não foi exatamente ser fértil em rock ou esvaziado de sertanejo, como muitos pregam por aí. Na real, os anos 80 foram interessantes exatamente por conseguir misturar tantos gêneros nas paradas, em programas de TV e na mídia impressa. Em poucos momentos do país se presenciou a convivência e o surgimento de uma infinidade de artistas com propostas diferentes que obtiveram exposição e carreira sólida. Uniu todas as tribos. Diferente de hoje, em que o Brasil vive uma monocultura de sertanejo nos principais veículos de mídia.

Mas vale a pena ter nostalgia? Em um momento onde o acesso a músicas e filmes gerados fora do mainstream está ao alcance um clique, reclamar de falta de variedade no mercado cultural prova apenas a preguiça de quem está descontente. No curto prazo, não veremos mais um top 10 variado como o de 1989 (abaixo), é verdade. Mas há anos também não dependemos apenas das poucas rádios e canais de TV para ouvir música nova. Cada época com suas vantagens. E as atuais são maiores. De longe.

1 - "Bem Que Se Quis" - Marisa Monte

2 - "Deus Te Proteja de Mim" - Wando

3 - "Entre Tapas e Beijos" - Leandro & Leonardo

4 - "Don't Wanna Lose You" - Gloria Estefan

5 -  "Straight Up"- Paula Abdul

6 - "Adelaide" - Inimigos do Rei

7 - "Nuvem de Lágrimas" - Fafá de Belém & Chitãozinho & Xororó

8 - "When I See You Smile" - Bad English

9 - "Adocica" - Beto Barbosa

10 - "Eternal Flame" - Bangles

 

 

 

Publicado em 14/06/2017 às 11h30

Elba Ramalho mostra desconexão com a realidade ao atacar Marília Mendonça e o sertanejo

s Elba Ramalho mostra desconexão com a realidade ao atacar Marília Mendonça e o sertanejoA rixa entre Elba Ramalho e Marília Mendonça, no fundo, tem só uma causa: o medo de perder espaço para novos artistas e tendências. As duas trocaram farpas pela imprensa após Elba dizer que Marília e os sertanejos estariam tomando espaço de artistas locais em festas de São João na Paraíba e outros estados do Nordeste.

Esse receio, contudo, passa longe de ser inédito. Aconteceu a mesma coisa quando o forró eletrônico começou a ganhar destaque e espaço nas festas juninas no fim dos anos 90. E no início dos anos 2000, a mesma reclamação foi repetida, mas dessa vez tendo como alvo o forró universitário, com bandas prioritariamente paulistas. Pouco tem a ver com preservar identidade e raízes.

O surpreendente, nesse caso, é Elba Ramalho, com tantas décadas de carreira, ainda se espantar com as mudanças no mercado e querer combater a renovação da música consumida no País. Como se o povão dependesse de conselhos paternalistas de especialistas sobre o que pode ou não ouvir.

Sertanejo e forró, hoje, formam na prática um mercado comum e até mesmo um som muito semelhante. Até ouvidos treinados mal conseguem discernir um do outro na atualidade. Não é à toa, que artistas como Wesley Safadão, Simone e Simaria e Aviões, que começaram como forrozeiros, hoje transitam bem nos festivais sertanejos e até já são considerados como artistas desse movimento.

E existe outro ponto desse discurso que supostamente defende a cultura nordestina que não faz sentido. Elba Ramalho, Alcymar Monteiro e outros representantes do forró insistem em dizer que as Festas Juninas têm um dono, que seria Luiz Gonzaga. E por isso, haveria obrigação do forró predominar.

Basicamente, o erro aí é não levar em conta que qualquer manifestação popular tem outros donos. Como o povo. E o povo hoje consome Marília Mendonça. E não Luiz Gonzaga. Não é bom e nem ruim. É apenas 2017. Ninguém quer ouvir Asa Branca para a eternidade.

Além do público, vale dizer, apesar de óbvio, que o poder público e a iniciativa privada estão por trás do financiamento desses eventos e têm interesse em transformá-los em referência para o turismo cultural e mercado publicitário.

Sendo assim, a rivalidade entre Caruaru e Campina Grande, que disputam não só o título de maior São João da Nordeste, mas do Brasil, foi ignorada na maioria dos discursos. As festas são muito importantes para a economia local. Em Campina Grande, onde Marília tocou, o evento movimentará este ano R$ 250 milhões (quase 4% do PIB municipal).

Além de impulsionar o turismo e o consumo durante um mês inteiro, gerou interesse do setor hoteleiro, que construiu dois novos hotéis na cidade para receber um público que cresce anualmente. Em Caruaru, 2,5 milhões de pessoas são atraídas ao município de 351 mil habitantes. Ao todo, são gerados 6 mil empregos diretos e indiretos na cidade. Em um momento de crise e taxa de desemprego que chega aos 15%, não é um dado que deve ser desprezado.

Não é à toa que os artistas mais populares da atualidade são contratados. Faz parte do negócio ser atraente. Mas representantes da cultura local não deveriam se incomodar tanto. Ao contrário do que vem sendo publicado por aí, ela não foi desprezada. A preservação da identidade resiste. Em Caruaru, das 400 atrações, 75% são locais. Já em Campina Grande, cada dia é liderado por grandes nomes da música pop nacional, mas garante espaço para várias atrações de forró quase na mesma proporção de CG.

Assim como festas de peão, eventos agropecuários, festas de Carnaval e festivais de pop rock, o headliner sempre será mais importante e a principal aposta para lotar as arenas, independente do estilo. Anitta toca em Salvador. Ivete no Rock In Rio. Mariah Carey em Barretos. Mas isso não exclui o espaço das bandas mais vanguardistas, tradicionais e inovadoras. Elas podem não ser protagonistas, mas não deixam de ser importantes para a pluralidade típica de um evento desse porte no Brasil.

Publicado em 03/06/2017 às 00h30

Cancelamento de Sense8: não existe lacre sem lucro

sense8 season 2 cast netflix 300x201 Cancelamento de Sense8: não existe lacre sem lucroOs fãs de Sense8 foram pegos de surpresa quando a Netflix anunciou que a série seria descontinuada após duas temporadas. É a segunda produção da plataforma de streaming que é cancelada de forma abrupta. Antes, The Get Down também havia saído da grade da produtora.

A repercussão sobre a decisão foi bastante negativas nas redes sociais. Principalmente porque ambas têm enfoque em grupos minoritários da sociedade, como negros e a comunidade LGBT.

Fãs das séries chegaram a acusar a Netflix de preconceituosa. O que pode soar exagerado, já que poucas vezes uma empresa foi tão plural sobre assuntos e abordagens ao criar novos projetos para a TV.

No entanto, Reed Hastings, CEO da Netflix deixou bem claro em entrevista coletiva que a decisão é puramente econômica: ambas eram super produções que não geravam renda para bancar os caros episódios. Basicamente, sem lucro não há "lacre". "Então, nós cancelamos muito poucas séries... estou sempre empurrando o time de conteúdo. Nós temos que assumir mais riscos; você precisa tentar mais coisas malucas. Porque nós deveríamos ter uma taxa maior de cancelamento no fim das contas", declarou em entrevista à CNBC.

E nesse caso não importa a audiência de cada um dos produtos e o prestígio que trazem. Se o custo-benefício não for vantajoso, o cancelamento é certo. E ao contrário de Bloodline e Marco Polo, que tiveram uma temporada de desfecho, nessas séries inclusivas, nem isso foi oferecido aos fãs.
E assim, a Netflix se iguala às grandes emissoras de TV, que nunca pensaram duas vezes antes de tirar do ar o que não fosse lucrativo para a companhia.

 Cancelamento de Sense8: não existe lacre sem lucro

Ninguém rasga dinheiro. Sense8 custava US$ 9 milhões por episódio e foi gravada no mundo todo. Até o Brasil foi escolhido como locação para um dos episódios. Essa ambição das irmãs Wachowski, criadoras da série, transformou a produção na sétima mais cara da história. Só seria sustentável se virasse um sucesso em escala global, como Game of Thrones, que também gera (muito) lucro com licenciamento de produtos. Não era o caso.

The Get Down era ainda mais onerosa: US$ 11 milhões por capítulo e chegou a estourar o orçamento, batendo a casa dos US$ 15 milhões. Se esses custos não forem cobertos e as contas não fecharem, qualquer administrador em qualquer empresa do mundo já acenderia o sinal amarelo.
O que frustra nessas notícias é que as minorias perdem representatividade com a exclusão dos projetos na grade de uma vitrine tão popular como a Netflix. E afinal, é para incomodar mesmo. Segundo levantamento feito pela revista Variety, dos protagonistas das séries programadas para 2017 e 2018, apenas 20% são hispânicos e não-brancos e 35%, mulheres.

O questionamento que fica é: será que a Netflix apostou alto demais nessas produções e ignorou que o mercado publicitário, conservador, ainda tem sérias restrições com produções que fogem dos padrões? Impossível saber. Menos ostentação nas produções já seria uma alternativa para a sustentabilidade comercial. Todos esses debates são válidos, mas nada mais vai garantir a continuação dessas séries. Pelo menos não no curto prazo e não enquanto o mercado publicitário se posicionar a favor de causas inclusivas - e lacradoras - apenas sazonalmente.

Publicado em 31/05/2017 às 00h30

Aos que criticam Anitta: o que vocês faziam melhor que ela aos 24 anos?

18765993 1541075715952985 5735648415957786123 n 300x300 Aos que criticam Anitta: o que vocês faziam melhor que ela aos 24 anos?

Não existe discussão: Anitta é um fenômeno. E talvez o único com potencial para ser um produto tipo exportação da história do pop nacional. Não é exagero. Na participação que ela fez no programa de Jimmy Fallon, ao lado de Iggy Azalea, provou que está pronta para brilhar lá fora também.

Muitas cantoras brasileiras até tentaram seguir o mesmo caminho. Até hoje, todas falharam. E não foi por falta de talento, investimento ou estrutura.

Ivete cogitou a ideia e até gravou DVD no Madison Square Garden. Mas a megalomania do projeto não trouxe retorno. Sandy, nossa primeira popstar, também. Ao lado do irmão, ensaiou uma invasão norte-americana, com divulgação de um CD em inglês no País. Mais uma vez, só brasileiro ouviu. E Claudia Leitte há muito tempo esboça a mesma proposta, mas sem nada de concreto.

Já para Anitta, esse sonho está mais próximo de se tornar real. Aos 24 anos, ela tem as rédeas da carreira na mão desde que rompeu com Kamilla Fialho, empresária que descobriu a cantora e depois foi acusada de explorar a pupila.

Na sequência, ela montou o próprio escritório, que administra com o irmão, e desde então nenhuma decisão sobre a carreira é tomada sem o conhecimento da cantora. Anitta se envolve em todos os contratos de publicidade, direção de clipes e produção de discos e dos shows.
O mais impressionante é a rapidez com que Anitta foi de MC que toca em churrascaria no Rio de Janeiro para o posto de maior estrela do Brasil. Em menos de cinco anos, a cantora atingiu esse status sem depender necessariamente de uma grande gravadora ou de investidor milionário, como os sertanejos. E nos últimos três, independente, conquistou bem mais do que antes.

A mídia não passa um dia sem noticiar algo sobre a cantora. Ela sabe, como poucos, capitalizar em cima das polêmicas em shows e redes sociais, onde ela é bem ativa e próxima dos fãs. Essa onipresença poderia saturar a imagem da artista, mas o efeito é exatamente o contrário e notícias sobre ela nunca saem das mais lidas.

11742721 980302718696957 9207528255401241356 n 300x300 Aos que criticam Anitta: o que vocês faziam melhor que ela aos 24 anos?

Ainda assim, há quem critique e torça contra uma eventual carreira internacional sólida dela nos Estados Unidos e Europa. Anitta, no entanto, sabe que existe o espaço vago para uma estrela latina no mercado norte-americano no momento.

Com Shakira e Ricky Martin já entrando no rol de artistas nostálgicos e que perderam o apelo entre os mais jovens, é bem claro que o primeiro latino que se organizar, tem tudo para virar a nova sensação da música pop por lá. E Anitta nutre esse desejo. E com certeza não está nessa para figurar apenas no top 50 latino . Se fosse para entrar pela porta dos fundos, ela nem sairia do Brasil.

Para quem vê de fora e menospreza a cantora pelas suas origens humildes e estilo musical, pode parecer pouco. Mas Anitta tem apenas 24 anos e é uma mulher num mercado predominantemente masculino e machista. O que ela fez é no mínimo case para estudo em cursos de Administração e Marketing.

Isso é fruto de uma visão estratégica como poucas vezes foi presenciada na história do show business. Basta lembrar que nessa mesma idade, Madonna não tinha gravado nem o primeiro disco. E que artistas como Britney, Mariah ou Celine Dion sempre tiveram um grande figurão da indústria por trás organizando suas carreiras, como o todo poderoso Tommy Motolla René Angelli. E nós, o que fazíamos de melhor que ela nessa mesma idade?

Publicado em 26/05/2017 às 00h10

Eduardo Costa e Leonardo comentam assédio feminino em turnê Cabaré: “Ninguém quer esses ‘véio’ aqui mais não!”

Leoanrdo Eduardo costa single Eduardo Costa e Leonardo comentam assédio feminino em turnê Cabaré: Ninguém quer esses ‘véio’ aqui mais não!

Uma alternativa para driblar a crise no mercado musical tem sido as turnês que juntam dois artistas consagrados. No pagode e no sertanejo, essas reuniões têm se tornado mais comum e já aproximaram Só Pra Contraria e Raça Negra, Péricles e Chrigor, Chitãozinho e Xororó, além de Eduardo Costa e Leonardo, com o projeto Cabaré, que já está no segundo volume.

A aproximação dos dois últimos citados, no entanto, foi a mais natural e aguardada de todas. Amigos pessoais e parceiros profissionais (Eduardo é contratado do escritório artístico de Leo), era questão de tempo para que ambos fizessem um projeto em parceria.

Porém, o que motivou ainda mais esse trabalho que resgata clássicos do sertanejo foi a retração nas agendas dos artistas, fruto da crise econômica que atingiu o país nos últimos anos. Mesmo com três décadas de estrada e reconhecimento nacional, Leonardo diz que teria feito apenas 50 shows em 2015 se não fosse o Cabaré. Pode parecer muito, mas a média para o cenário é de 200 apresentações por ano. “O País está em crise, mas felizmente conseguimos driblar com o Cabaré”, resume Leonardo.

Juntos, Leonardo e Eduardo fazem o que pode ser considerado o primeiro stand up comedy sertanejo. Isso porque o espetáculo não é só musical, mas também conta com espaço para que os dois contem piadas. Muitas delas, recomendadas apenas para adultos. Inclusive, o teor das anedotas chegou a ser questionado por parte do público, que teria se sentido constrangido com alguns palavrões falados pelos cantores. Mas os dois desconversam sobre isso. “É o nosso momento de se divertir cantando! E é tudo no improviso”, minimiza Leonardo.

Na parte musical, Cabaré é uma celebração ao sertanejo dos anos 80 e 90, décadas em que o estilo ficou mais urbano e ganhou as capitais brasileiras. “O primeiro fizemos mais orgânico e intimista, devido ao sucesso resolvemos mexer no cenário e intitular como "Cabaré night club", mas o repertório continua seguindo a linha do modão dos anos 80 e 90”, conta Edu, citando as diferenças dos projetos.

 Eduardo Costa e Leonardo comentam assédio feminino em turnê Cabaré: Ninguém quer esses ‘véio’ aqui mais não!

Convivência, amizade e negócios

Não é segredo para ninguém que Eduardo Costa é um dos maiores admiradores de Leonardo, seu amigo e patrão. Ele conta que durante anos, tentou se encontrar sem sucesso com o sertanejo, nem que fosse para tirar uma foto ao lado dele.

Mas isso só aconteceu quando os caminhos profissionais dos dois se cruzaram. E até por isso, ele diz que conviver tanto tempo com o amigo não acaba originando discussões, como é comum entre pessoas que passam tanto tempo juntos em turnê. “Durante um bom tempo de minha vida, corria atrás do Leonardo para tentar uma simples foto com ele, nunca consegui (rs). E hoje dividir o palco com o meu maior ídolo não tem preço! Eu só largo o Leonardo agora de ele quiser”, diverte-se Eduardo.

Juntos também, os dois são cobiçados nos shows e nas redes sociais pelo público feminino. Mulherengos assumidos, Leonardo e Eduardo colecionam relacionamentos amorosos. Leo já foi casado com uma ex-integrante do Banana Split e com a irmã do cantor Pe Lu, ex-Restart. No entanto, ele diz que sossegou anos quando conheceu Poliana Rocha, sua atual mulher.

Já Edu, teve rolos com Helen Ganzarolli, Lola Melnick, Simone Sampaio, Kamila Simioni e Ana Paula Diniz. Mas eles juram que os tempos de pegador já passou e que hoje as coisas já não são tão fáceis. “Ninguém quer esses ‘véio’ aqui mais não! E eu sou muito bem casado há 20 anos”, resume Leonardo, de 53 anos. 16 anos mais novo, Eduardo pensa em seguir os passos do mentor e patrão e também sossegar. “Eu também sou um homem sério, tô até tentando casar!”, revela, se referindo ao relacionamento com a dançarina Victoria Villarim.

Helder Maldonado

Sou Helder Maldonado, escrevo sobre música, cinema e teatro desde 2006. Atualmente trabalho como repórter do R7. Tive passagens pelo IG, Revista SUCESSO e publicações da Editora Escala. Este blog surgiu com o intuito de revelar as novidades do showbusiness e criar matérias e análises especiais sobre o mercado do entretenimento.

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