justin Justin Bieber e a eterna dificuldade de ser um popstar adolescente

Justin Bieber reconhece que fazer sucesso muito cedo não é saudável e nem recomendável. Em entrevista à revista Billboard, em 2015, ele comentou que preferia ter conhecido a fama após ter virado adulto. "Algumas coisas acabaram com a minha confiança nas pessoas. Situações acontecem e mancham a sua mente. Comecei a ficar muito emotivo, achava que as pessoas estavam me julgando o tempo todo. Eu saí vivo, mas estava prestes a deixar a fama me destruir", disse à época.

Não é à toa, que a trajetória do cantor seja marcada por polêmicas e altos e baixos. A notícia bombástica mais recente do músico foi a decisão de cancelar 15 shows da turnê Purpose, que já dura dois anos. Nesse período, Bieber pretende descansar e se dedicar à religião, já que ele tem frequentado a igreja pentecostal Hillsong, que atrai diversos jovens e hipsters em mais de 15 países.

Esse novo direcionamento impressionou quem ainda tem em mente um Bieber que se envolve em brigas de bar e é banido de países por se envolver em encrencas e pequenos delitos. Mas observando o que ele já dizia há dois anos, fica claro que o músico ensaiava alguma atitude desse tipo há anos. "Olhe as estatísticas, quantos astros adolescentes cederam e acabaram ficando loucos. É porque é um estilo de vida horrível", declarou, quase como um pedido de socorro.

Isso, inclusive, coloca mais uma incógnita na história: será que Bieber volta a ser um cantor pop ou vai enveredar pela música gospel de agora em diante? A mídia estrangeira cogita até que o cantor estaria com a intenção de abrir a própria unidade da igreja, em algum lugar ainda não revelado, e ser uma espécie de patrono mundial da Hillsong, assim como tom Cruise é da Cientologia.

Porém, essa mudança repentina na carreira não é exclusividade do músico. Outros nomes que se destacaram bastante na infância e adolescência, não conseguiram continuar fazendo o que os tornou famosos. Recentemente, Aaron Carter, irmão de Nick, do Backstreet Boys, foi abordado pela polícia por supostamente dirigir embriagado e sob efeito de maconha, que ele usa com receitas médicas contra a ansiedade. Desde que estourou como cantor no início dos anos 2000, tem sido assim a vida de Aaron, que mistura prisões, discos fracassados, esquecimento e experiências de quase morte.

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Mas talvez o caso mais emblemático do tipo seja o de Macaulay Culkin, ator mirim mais festejado e famoso da história de Hollywood. O astro, que começou a carreira no fim dos anos 80, acabou tendo uma vida que poderia ser transformado em um roteiro mais emocionante que qualquer filme que ele vier a ser escalado com o recente anúncio de retomada de carreira. Culkin praticamente gabaritou na prova da ex estrela mirim que se torna garoto problema: foi preso, lutou contra o vício, foi flagrado com a aparência lamentável e esteve envolvido em projetos artísticos que não deram em absolutamente nada. Ao menos deve ter sobrado grana da fama dos anos 90 para bancar esse estilo de vida.

O deslumbramento causado pela fama conquistada muito cedo transforma esses astros em adultos problemáticos e, em vários casos, fracassados. Basta lembrar que no início dos anos 2000 qualquer pessoa apostaria que Lindsay Lohan seria uma estrela incontestável no cinema e na música. E hoje ela nem sequer é lembrada como artista. No fim, ser um sucesso tão jovem acaba sendo uma forma para estruturar a família financeiramente (que não raro fica com parte relevante do que a criança ganha sem consentimento, como já vimos em diversos exemplos).

O artista mesmo, se transforma apenas em um ícone que o público que invariavelmente vai falhar, desistir ou definhar publicamente em algum momento. Talvez para se prevenir disso, Bieber pretenda abandonar o cenário antes de se tornar mais uma vítima da fama precoce. As declarações que deu em 2015 sinaliza isso. E nem há como criticá-lo, se for o caso.