Kath Conheça Terry Kath, do Chicago, o guitarrista que Jimi Hendrix dizia ser melhor que ele

A banda Chicago não chega a ser desconhecida no Brasil, mas também está longe de ser uma das mais populares por aqui. Hits como If You Leave Me Now, Hard To Say I'm Sorry e You're The Inspiration fizeram muito sucesso nos anos 80 e ainda hoje tocam frequentemente em rádios adultas, como Alfa FM e Antena 1.

O que pouca gente sabe é que o grupo, que ficou marcado pelas baladas românticas, é extremamente popular nos Estados Unidos e teve início no fim dos anos 60, como uma banda que revolucionou a cena com uma mistura de rock pesado e instrumentos de sopro habitualmente utilizados no jazz.

Formado na cidade de mesmo nome por estudantes de música, fizeram parte do movimento contra-cultural de Illinois e estrearam com um ambicioso disco duplo em 1969, quando ainda atendiam pelo nome de Chicago Transity Authority.

O álbum se destacou principalmente pelo trabalho do vocalista e guitarrista Terry Kath, que tinha a capacidade de cantar, tocar a base e os solos da música, numa coordenação invejável até mesmo para músicos profissionais.

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Não à toa, um dos maiores admiradores do líder do Chicago à época era ninguém menos que Jimi Hendrix. Segundo declaração de Walt Parazaider, saxofonista da banda, no documentário Now More Than Ever (disponível na Netflix),  o lendário guitarrista foi assistir uma apresentação do grupo e rasgou elogios. "Walt, os metais soam como pulmões. E o seu guitarrista é melhor que eu", teria dito Hendrix naquela ocasião.

Logo em seguida, ele convidou a banda para abrir seus próximos shows. A parceria se tornou em uma turnê que fortaleceu o nome do Chicago nos Estados Unidos.

Se Terry foi maior que Hendrix, isso é subjetivo. Mas a verdade é que nos anos posteriores, ele provou que era elogiado pelo talento e não sem razão.

Em 25 or 6 to 4, um dos primeiros sucessos da banda, o músico executa um solo de guitarra que foi considerado um dos mais técnicos do período.

Em Free Form Guitar, presente no primeiro álbum do Chicago, Terry experimenta uma técnica que ficaria bastante popular posteriormente com Eddie Van Hallen: o tapping com duas mãos (onde as cordas são marteladas com os dedos).

Além do desempenho como instrumentista, Terry foi admirado por gente como Chris Cornell como um grande vocalista, inclusive de baladas, entre elas Colour My World.

Muitos músicos contemporâneos acreditam que ele pode ter sido um dos músicos mais subestimados da geração. Opinião que foi emitida por exemplo por Joe Walsh, do Eagles. Jeff Lynne, da Electric Light Orchestra, comenta que ele foi o guitarrista mais rápido que já viu.

No documentário que conta a trajetória dessa banda que teve 21 sucessos no top 10 norte-americano, ao menos existe a tentativa de fazer justiça ao legado de Terry e colocá-lo na posição que sempre deveria ter ocupado: a de um herói da guitarra influente até hoje.

Chicago resize 12 Conheça Terry Kath, do Chicago, o guitarrista que Jimi Hendrix dizia ser melhor que ele

Apesar de ter acumulado uma década de sucesso ininterrupto no início da trajetória do Chicago, Terry teve um final pra lá de trágico e inusitado. Em 1978, durante uma brincadeira com um amigo, o músico disparou um tiro acidental contra a própria cabeça com uma arma que ele acreditava estar descarregada. Terry tinha apenas 31 anos e deixou a esposa e uma filha de dois anos.

Apesar de perder a principal referência da banda, o Chicago continuou com substitutos de Terry na guitarra e revezando integrantes originais no vocal. A fase posterior da banda, no entanto, foi marcada por muitas trocas de formação, desavenças entre os integrantes e surpreendentemente ainda mais sucesso.

Nessa época, eles ficaram marcados pelas baladas melosas cantadas por Peter Cetera, o que também modificou o público do Chicago. Ao notar o quanto se destacava com os hits que levavam sua voz, Cetera logo abandonou o grupo para seguir carreira solo, que ficou marcada principalmente pela música Glory of Love, trilha sonora de Karate Kid II.