wash11 Mick Jagger tem de rebolar bem mais do que eu, diz Olivetto

O bicho papão das novas mídias não assusta Washington Olivetto, 63. Homem de criação na publicidade há mais de 40 anos, o pai do garoto Bombril ainda aposta nas "mil e uma utilidades" da TV como o caminho para a sobrevivência do veículo.

Publicitário premiado, corintiano roxo e escritor,  o presidente da agência W/McCann fala ao blog KTV sobre o futuro da televisão e da publicidade audiovisual.

Olivetto aposta no potencial revolucionário da TV, na conquista do público jovem e no poder agregador das novas mídias. Para ele, em um mercado cheio de dúvidas é preciso buscar o popular. Vence quem tiver atitude e tocar as pessoas, sem temer o novo.

"Não dá para ter medo das redes sociais. Elas sempre existiram. Só que em vez de Twitter, era a porta da vizinha, na rua, onde as pessoas passavam rapidinho e sabiam tudo o que estava acontecendo", diz Olivetto.

Como você encara essas mudanças que vêm atingindo o mercado audiovisual, com a TV enfrentando a forte competição de novas mídias?

Washington Olivetto - A TV, quando quer, é revolucionária.  Sempre foi e sempre será. Veja o que uma greve de roteiristas fez no EUA? Parou tudo.  Quem têm boas ideias segue adiante, por isso essa busca da TV por grandes autores. O que não se pode perder de vista é a cultura popular. Ser popular é o caminho. Mas falo de um popular que toque as pessoas, não do popular vulgar.

Você acha que a TV como conhecemos vai acabar?

Acabar? Não. O Brasil digital já é gigante. Mas há regiões nesse país sem energia elétrica, acredita? Fizemos uma ação comercial em uma cidade no Piauí que não tinha luz. Levamos o Natal iluminado para a criançada de lá...Foi uma loucura. Então, eu estou falando desse país cheio de competência e de diferenças. A TV brasileira tem muita qualidade. Foi criada por gente como o Boni, o Daniel Filho, que sempre souberam o que é o popular de bom gosto. E esse ainda é caminho.

Mas a maneira de ver TV está mudando...

Sim. Está deixando de ser gregário (que levam as pessoas a se juntarem). As pessoas assistem TV no celular, no computador. Mas isso não pode ser um problema. A W/Brasil (antiga agência de Olivetto) foi a primeira agência a ser toda informatizada. E se você olhar bem, não é tudo tão novo assim (risos). As redes sociais já estavam aí. Era a porta da vizinha onde as pessoas passavam e conversavam um pouco. O Instagram também. Era aquele casal de amigos chato que viajava e depois fazia um jantar em casa para mostrar na parede os slides da viagem (risos). Esse é o pai do Instagram. Os valores são os mesmos, o público continua aí.

E o que é a busca do popular para você?

Entrar para a cultura popular é dar tudo ao alcance do público, simplificar. Ninguém quer ler bula. As pessoas não querem complicações. Tem uma história assim: um bilionário, de 50 anos, entra em um bar chique em Nova York e pede um Dry martini. Do seu lado senta um loira linda, de uns 30 e poucos anos, e também pede um Dry martini. Eles se olham e ele diz: "Quer dormir comigo?". E ela fala: "Na minha casa ou na sua?", e ele responde : "Se vamos começar a discutir eu não quero mais (risos)". Se as pessoas estão assim na vida, imagina para consumir TV, publicidade...

Muitos dizem que o intervalo comercial vai sofrer com o consumo de  vídeos on demand, programação gravada, o telespectador podendo escolher o que quer ver e quando quer ver...

O controle remoto está há muito tempo na mão das pessoas. Mas a única certeza que tenho nesse mercado é que o que vale é uma grande ideia e saber ela como vai chegar ao seu público. E não adianta ficar discutindo isso no mercado publicitário.

Por que?

Ortopedistas quando se encontram, falam sobre cirurgia de tíbia. Cada um conta como foi a que fez. Publicitários falam de publicidade que fizeram ou viram. Então, publicitário que anda com publicitário faz publicidade ruim. Faz publicidade que já foi feita, sem novidade, sem atitude.

Alguns executivos de TV reclamam que está cada vez mais difícil prender a atenção do público jovem. Como fisgar essa audiência ?

O público jovem sempre foi uma prioridade. Me lembro do programa "Divino Maravilhoso", da TV Tupi, no final dos anos 1960, com Caetano, Gil, Gal...Aquilo já era de olho no público jovem, no novo, como falar com esse público. Essa busca não mudou. E o segredo é o mesmo: ter atitude.

Mas você não fica assustado com tantas mudanças?

Não. Se você tem coragem, tem atitude, não vai se perder. Mick Jagger tem atitude. Acha que ele está assustado com as novas mídias, com as mudanças? E olha que o Mick Jagger tem de rebolar bem mais do que eu ... (risos).

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