paulo9 Acusado de racismo, Paulo Gustavo faz pedido de desculpas

Paulo Gustavo caracterizado de Ivonete

A internet não perdoa. O ator Paulo Gustavo foi acusado de "racismo" após voltar a interpretar a personagem Ivonete, uma divertida negra que mora na favela, e faz muito sucesso no programa "22o Volts", do Multishow.

A confusão começou quando Paulo retornou ao ar com a personagem, que, em sua caracterização, tem o rosto pintado de marrom.

Paulo foi chamado pelos internautas de "racista" por fazer "blackface", isto é, pintar o rosto de negro para satirizar e ironizar com trejeitos de pessoas negras.

O ator foi duramente atacado em suas redes sociais e resolveu escrever um pedido de desculpas no Facebok.

No texto carta, ele reconheceu que cometeu um equívoco e disse também que acompanha a longa discussão sobre o blackface, que, segundo ele é "muito maior do que eu, minha carreira, minha personagem e o 220 volts".

Ele ainda alegou que que a Ivonete não é uma caricatura da mulher negra e disse que não queria magoar ninguém.

Paulo Gustavo falou também que sofre preconceito por ser gay assumido.

Ivonete também está presente no espetáculo "220 volts". Porém, no teatro, Paulo Gustavo não pinta o rosto de preto.

Recentemente, o humorista Eduardo Sterblitch foi acusado de "racismo" por se pintar de preto para viver o personagem Africano, no programa "Pânico". O personagem e o ator deixaram o programa.

O cantor Michel Teló sofreu a mesma acusação após pintar o rosto para uma campanha.

Sterblicth e Teló se desculparam publicamente pelo ocorrido, mas foram achincalhados nas redes sociais.

Você acha que um artista pintar o rosto de preto é racismo?

Confira abaixo o pedido de desculpas de Paulo Gustavo:

Nesses últimos dias li, ouvi, pensei e entendi que há uma longa discussão sobre o uso de "blackface" muito anterior e muito maior do que eu, minha carreira, minha personagem e o 220 volts, por isso decidi refazer a Ivonete sem que ela pareça uma caricatura risível da mulher negra. Ela não é. Ivonete é esperta, crítica, consciente e questionadora. É uma brasileira que passa por todas as dificuldades absurdas que todos passamos como a falta transporte eficiente, sistema de saúde precário, violência, etc etc etc... Ela se revolta, reclama, exige, sofre, mas não perde o rebolado, mantém-se de cabeça erguida, forte, guerreira e sobretudo alegre. Mas o blackface historicamente remete a experiências que são dolorosas para muitas pessoas e, mesmo não sendo a intenção, eu peço desculpas se ofendi ou magoei alguém. Eu posso pintar minha pele, posso fingir, representar, tentar dar voz a essa mulher, mas eu nunca saberei de verdade como é ser uma mulher negra. Nos textos, a alegria da personagem não fazia dela uma alienada, mesmo assim eu compreendi que a negra animada é um estereótipo que os movimentos negros combatem com razão pois na vida real, muitas vezes, não é nada engraçado. Apesar de conhecer e adorar muitas Ivonetes, ser negro no Brasil é difícil sim. Como ser mulher também é difícil; como ser gay também é difícil. Tanto na minha arte quanto na minha vida pessoal tenho feito o que posso pra tentar transformar o mundo num lugar melhor. Casei com o Thales, assumi isso publicamente, mudei minha certidão. Entendo que temos um grande processo de conscientização sobre o racismo, o machismo e a homofobia no Brasil e ele vem passando por etapas dolorosas. Eu não quero de forma alguma ser agente dessa dor, corroborar com preconceitos e manter o status quo de uma sociedade que necessita melhorar. Todos nós precisamos conversar e pensar mais a respeito. Eu tenho feito isso. Eu e a Ivonete.

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