Como é que se conta a história de uma guerra? Pode ser de diferentes formas, diferentes olhares.  Em A Porta dos Leões, de Steven Pressfield, quem conta a história da Guerra dos Seis Dias [quando em 1967 Israel derrotou Egito, Síria e Jordânia e ocupou territórios desses países, além de expulsar mais de 1,6 milhão de pessoas de suas terras, no conflito árabe-israelense mais curto] são israelenses que estiveram no conflito, como pilotos que destruíram a Força Aérea Egípcia, homens que combateram no Sinai e paraquedistas que tomaram a cidade de Jerusalém - onde fica o local mais sagrado para o judaísmo, o Muro das Lamentações.

O trabalho de Pressfield no livro é impressionante, foram cerca de 370 de horas de entrevistas com homens e mulheres que estiveram nos combates contra os países árabes e que relatam com sua visão individual o que e como foi o conflito - para eles uma questão de sobrevivência e de garantir a autonomia de Israel como nação.

A Porta dos Leões traz um foco totalmente pessoal. São 63 entrevistas feitas em Israel, França e nos Estados Unidos. Nos relatos, além de detalhes dos ataques, da explícita vontade de estar na luta e de dar a própria vida por Israel, há fatos como perdas e luto. Ademais, descobre-se na leitura fatos curiosos, como menos religiosidade do que imaginamos em certo nichos da comunidade israelense, a exemplo dos kibutzim, à época.

São 480 páginas em que histórias de vida são o personagem de uma guerra curta, mas não menos sangrenta que outras. Em que a união de um país, cuja força bélica é digna de medalha, conseguiu derrotar seus oponentes de forma fulminante. Como o próprio autor diz, não é um livro de história. “Este livro não tem a pretensão de documentar os ‘fatos’ da guerra. A essência desta narrativa são os testemunhos dos soldados e aviadores, suas lembranças.”

O livro é muito bacana, sobretudo para quem gosta de histórias reais. Não se trata de ser a favor ou contra as iniciativas militares israelenses ou árabes, de ser favorável ou não a quem determinados territórios realmente pertencem, mas de “escutar” o que um dos lados conta a respeito da guerra.

porta Combatentes de Israel relatam a Guerra dos Seis Dias

A Porta dos Leões
Tradução de Leonardo Pinto Silva
480 páginas
R$ 69,90
Editora Contexto