A história está cheia de exemplos de filósofos, escritores e acadêmicos que, apesar de viverem em sociedades democráticas, apoiaram e defenderam princípios totalitários e regimes abomináveis.

Mas com é possível que intelectuais que deveriam estar atentos aos males da tirania traiam os ideais de liberdade dos quais depende sua produção? Como podem assumir posições que, implicitamente ou não, endossam a opressão e o sofrimento humano em ampla escala?

Traçando perfis de seis destacados pensadores do século XX - Martin Heidegger, Carl Schmitt, Walter Benjamin, Alexandre Kojève, Michel Foucault e Jaques Derrida -, o livro A Mente Imprudente explora a psicologia do pensamento político, explicando de que modo os intelectuais que se revelam incapazes de dominar as próprias paixões podem ser arrastados para uma esfera política que mal compreendem.

A obra do professor Mark Lilla mostra um perfil de pensadores que se deixaram iludir de tal maneira por ideologias de sua época que fecharam os olhos ao autoritarismo, à brutalidade e ao terrorismo de Estado.

Em um dos trechos do livro, o que expõe o filósofo francês Michel Foucault ao também filósofo Noam Chomsky, na televisão em 1971, é, no mínimo, surpreendente para seus fãs:

"O proletariado não entra em guerra contra a classe dominante por considerar que essa guerra é justa. O proletariado entra em guerra contra a classe dominante, porque, pela primeira vez na história, quer tomar o poder. Quando o proletariado tomar o poder, é perfeitamente possível que exerça, em relação às classes sobre as quais triunfou, um poder violento ditatorial e até sangrento. Não vejo que objeção poderia ser feita a isso." 


mente Como intelectuais obcecados podem compor o erro do Estado

A Mente Imprudente
Tradução de Clóvis Marques
196 páginas
R$ 39,90
Editora Record