“Um dos raciocínios mais notáveis, senão o mais notável, nas obras de Marx e Engels sobre a questão do Estado é a seguinte passagem na carta de Engels a Bebel de 18 de março de 1875…

O Estado popular livre transformou-se no Estado livre.Em seu sentido gramatical, um Estado livre é aquele Estado que é livre em relação a seus cidadãos, portanto, um Estado com governo despótico. Dever-se-ia ter deixado de lado todo esse palavreado sobre o Estado, sobretudo depois da Comuna, que já não era um Estado em sentido próprio. O Estado popular foi sobejamente jogado em nossa cara pelos anarquistas, embora já o escrito de Marx contra Proudhon (trata-se da obra Miséria da Filosofia) e, mais tarde, o Manifesto Comunista digam de maneira explícita que, com a instauração da ordem socialista da sociedade, o Estado dissolve-se por si só (sich auflöst) e desaparece. Não sendo o Estado mais que uma instituição transitória, da qual alguém se serve na luta, na revolução, para submeter violentamente seus adversários, então é puro absurdo falar de uma Estado popular livre: enquanto o proletariado ainda faz uso do Estado, ele o usa não no interesse da liberdade, mas para submeter seus adversários e, a partir do momento em que se pode falar de liberdade, o Estado deixa de existir como tal. Por isso, a nossa proposta seria substituir , por toda parte, a palavra Estado por Gemeinwesen [comunidade], uma boa e velha palavra alemã, que pode muito bem servir como equivalente do fracês comunne [comuna].”

Trecho do livro O Estado e a Revolução, de Vladímir Ilicht Uliánov, o Lênin (1870-1924), que foi o mais importante líder revolucionário do século 20 e chefe de Estado soviético. Foi também o principal dirigente do evento que inaugurou uma nova etapa da história universal, a Revolução Russa de 1917.

Vale demais a leitura, escritos que inspiraram a articulação do internacionalismo socialista e aprofundaram os estudos sobre o capitalismo, os efeitos do desenvolvimento desigual, o imperialismo e o Estado.

lenin O legado de ideias de igualdade e liberdade de Lênin

O Estado e a Revolução
Tradução de Edições Avante! e Paula Almeida
216 páginas
R$ 39
Editora Boitempo