o principe que podia ser rei 6002 Ronnie Von: bom moço ou roqueiro psicodélico?

Ronnie Von – O Príncipe que Podia Ser Rei. Esse é o nome da biografia escrita com deliciosa narrativa por Antonio Guerreiro, CEO do Portal R7 e Diretor Geral de Novas Mídias da Rede Record, e Luiz Cesar Pimentel, Diretor de Conteúdo do R7, cujo lançamento acontece na sexta (1), às 19h, na Fnac da av. Paulista.

O livro é uma obra para fãs e para os que pouco conhecem a vida e a carreira do cantor e apresentador, que por sua inteligência, cultura e carisma podia ter sido rei, como diz o título, ou ter inúmeras outras profissões.

Sim, ele poderia ter seguido a carreira de piloto de avião. Poderia ter sido tradutor, economista, diplomata ou apenas um incrível pai de família – este último cargo cumprido com aguerrido amor e dedicação, ao ponto de receber homenagem no Dias das Mães.

É interessante como os dois autores conseguiram traçar uma trajetória de Ronnie Von casando-a a momentos históricos do nosso País [e ao contexto mundial] e a figuras políticas e celebridades que jamais se poderia imaginar terem ligação com ele.

Mesmo nascido em uma família abastada, Ronnie Von enfrentou diversas dificuldades e muitos altos e baixos em sua bem-sucedida carreira artística – e vida amorosa.

O cabeludo que levava mulheres à histeria [não, não estamos aqui falando de Roberto Carlos, mas de Ronnie Von], o príncipe de olhos sedutores e de uma delicadeza vocal que poucos cantores conseguem expressar, teve como sua primeira grande paixão musical nada menos que Beatles.

Aparentemente, o quarteto do rock inglês parece combinar pouco com estilo que marcou a carreira de Ronnie Von, mas é aí que você, leitor, será pego de surpresa com todas as histórias que Guerreiro e Pimentel majestosamente imprimiram à biografia.

Sabe quando a gente lê um livro, sem parar de virar as páginas, tentando diminuir o ritmo por lamentar seu fim? Então, assim é Ronnie Von – O Príncipe que Podia Ser Rei (ed. Planeta). Delicioso, divertido e bem-escrito.

Leia a seguir entrevista com os autores:

Blog - Por que Ronnie Von?

Guerreiro - Sou amigo de Ronnie há muitos anos, trabalhamos um bom tempo na mesma emissora e o personagem em si sempre pareceu fascinante para mim. Como bem diz o Barcinski na quarta capa do livro, ele é Gatsby e Hughes ao mesmo tempo.

Blog - Como foi a escolha da narrativa rápida e de parágrafos curtos, alguma intenção especial para contar as histórias tão ricas e frequentes da vida dele?

Guerreiro - Decidimos por uma novela sem stock shots. Não haveria espaço para uma pan da baía de Guanabara, por exemplo. É texto, texto, fato, fato. Se não tivéssemos escolhido este caminho seria impossível entregar o livro porque para onde quer que você olhe na vida do Ronnie há sempre uma boa história para contar.

Blog -  Quanto tempo demorou para captar todas as entrevistas?

Guerreiro - Entre a ideia inicial e a publicação foram dois anos, mas de entrevistas, creio que 18 meses.

Blog - Você diz que um livro não se termina, apenas se entrega. Acha que terminou?

Guerreiro - Obviamente que não. Sempre peço mais 30 páginas e mais prazo para a Planeta (rs).

Blog - Ronnie passou por rejeição da família quando optou pela carreira artística, como você viu isso ao escrever?

Pimentel - No caso dele foi bom, porque, como diz o Guerreiro, ele é príncipe desde que nasceu, com todas facilidades que o sangue nobre propiciam - não fosse o embate, a rejeição, talvez o resultado do trabalho artístico dele não seria tão relevante. Talvez. Mas prefiro acreditar nisso. E também dá um bom tempero para a história.

Blog - O príncipe poderia ter sido piloto de avião, economista, tradutor ou diplomata e enfrentou resistência por parte da família para se tornar cantor.  Como e quando venceu essa resistência, na sua visão?

Guerreiro - Quando o sucesso chegou até ele. Sim, o sucesso veio muito mais atrás de Ronnie do que Ronnie o buscava. A partir do momento em que ele chegou a este ponto na carreira, as resistências sumiram

Blog - Inspirado pelos Beatles, Ronnie estaria mais para John Lennon ou Paul Mccartney? Por quê?

Guerreiro - Prefiro deixar as análises musicais para o Pimentel, que foi quem cuidou de toda a trajetória profissional do Ronnie no livro, mas ele é Mccartney, sem dúvida.

Pimentel - Para os dois. Ele tem aquele temperamento conciliador, à McCartney. Mas não fosse o espírito rebelde, de mudar pra São Paulo com mala, cuia e esposa, à Lennon, a coisa não viraria. Uhn, pensando bem tem um pouco do espírito divertido do Ringo também, e a alma espiritual do George.

Blog - No contexto dos eventos históricos, em que momentos o cantor teve mais sucesso e por quê?

Guerreiro - Quando assina com a TV Record e a rivalidade com Roberto explode torna-se quase impossível viver no Brasil e não saber quem é Ronnie Von.

Blog - Vi sua afeição pelo artista ligada à sua mãe na visita à TV Gazeta, passagem emocionante no epílogo, como foi essa lembrança?

Pimentel - É a única tristeza que trago do trabalho todo, ter perdido pai e mãe durante o processo e eles, que estavam provavelmente mais empolgados que eu, não verem o resultado final. Mas, enfim, é a vida. Ou o contrário disso.

Blog - A carreira como apresentador deu ao cantor um público mais diverso e numeroso do que a trajetória como cantor? A interseção entre as duas resultou num novo público para os shows, discos etc.?

Guerreiro - Naturalmente ele abre o leque quando decide tornar-se apresentador. Sobre a interseção, serviu para que Ronnie virasse um fenômeno cult. Há camisetas da Cavalera com seu rosto estampado, o culto sobre os seus discos psicodélicos e uma juventude que poderá conhecer melhor quem é Ronnie, a partir de agora.

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