nós, metaleiros, protestamos desde antes de ser cool
somos contra o tóXXXico e temos que conviver com nossos pais, afinal eles nos colocaram no mundo.
somos contra o tóXXXico e temos que conviver com nossos pais, afinal eles nos colocaram no mundo.
Tudo bem que a música anda tão chocha que "disco do ano" ganhou significado um tanto relativo. Mas como estamos tratando de Black Sabbath, a dimensão de terem feito um disco tão bom como "13" aos 45 anos de carreira é altamente relevante.
Black Sabbath, para quem gosta de música pesada, tem importância semelhante à dos Beatles ou Elvis. Já faleceram e renasceram algumas vezes. Na maioria, sem brilhantismo.
A única que deu certo foi quando da saída de Ozzy Osbourne, em 1978, e contratação de Ronnie James Dio. Depois disso, só furos com Ian Gillan e Tony Martin. Mesmo a volta com Dio para a formação que levou o nome Heaven & Hell não foi essa Coca-Cola toda.
Daí minha felicidade imediata quando anunciaram a volta em 2011 e, cinco minutos depois, aflição. Se fosse mais um furo, desta vez seria com a formação clássica.
Fiquei aliviado quando ouvi "13". Gostar ou não da música que fizeram é subjetivo, mas uma coisa dá pra cravar: a mágica do Black Sabbath está aí.
Dá uma olhada na música que abre o disco, "End of Beggining", em apresentação no seriado "CSI":
Black Sabbath - End of Beggining (no CSI) por luizcesar no Videolog.tv.
Talvez coubesse uma interrogação ao final do título. Não sei se é a história mais incrível do universo musical, mas não consigo lembrar de outra que a supere. Vou tentar resumir. E você pode assistir o vídeo abaixo e entender (se falar inglês, pois está sem legenda). Só o que não sei é pq raios demorei tanto a assistir o documentário que ganhou o Oscar em fevereiro deste ano.
Sixto Rodriguez é o protagonista – filho de mexicano com ascendência indígena por parte de mãe, era um cantor no final dos 60 em Detroit, nos EUA. Foi descoberto se apresentando em um bar por um produtor da Motown, a lendária gravadora da cidade. Nos anos seguintes, gravou dois discos. E simplesmente ninguém comprou os discos, ninguém sequer ouviu falar do cara. Apesar de maravilhosos. O cara é um bardo no nível de Van Morrison ou Bob Dylan.
Mas tipo ninguém mesmo deu a menor pelota pros discos ou para a música do cara.
Isso nos EUA. Pois na África do Sul, que vivia sob apartheid, começou a nascer um culto mítico em torno de Rodriguez. Os entrevistados dizem que não havia uma coleção de discos de vinil pop que não contemplasse um ou os dois discos dele. Vendeu meio milhão de discos por lá nessa época – era maior que Elvis e Beatles e Rolling Stones no país. Juntos.
A informação da vendagem não chegava aos EUA, onde ele tocou a vida trabalhando em construção, demolição, hard working, como dizem. Tudo era meio pirateado. E alguém inventou a história na África de que Rodriguez tinha se suicidado no palco – tacara combustível no próprio corpo e ateara fogo. Outra versão dizia que ao final de um show, ele simplesmente dissera: “Thanks for your time. That´s it” e metera uma bala nos cornos.
Até que todo mundo começou a perceber que não sabiam absolutamente nada do cara. De onde ele era, o que tinha acontecido de verdade. Nada. Um estudioso da obra encontrou uma pista em uma música, de um bairro de Detroit. Assim, chegou a uma das três filhas de Rodriguez e ao pai.
Uma turnê foi armada, e a caçula dele diz que esperava um show num bar para umas 20 pessoas, se tanto. Foram 6 apresentações sold out para 5 mil pessoas na primeira visita dele ao país. Ao subir ao palco, não conseguiu abrir a boca durante 10 minutos enquanto era ovacionado.
Basicamente, é essa a história. Fica mais legal ainda quando se sabe que o diretor filmou a maior parte num iPhone, e quando passara quatro anos no projeto, entregou os pontos porque igualmente começou a lhe faltar dinheiro pra comer. Foi oferecido para o festival de Sunset, escolhido para abrir a cerimônia inicial e nem chegara à metade já tinha levantado recursos para ser finalizado.
Tudo o que escrevi acima não estraga o prazer de se assistir ao documentário. Assista, por favor.
Segue matéria do “60 Minutes” sobre.
Slayer.
Pois é, o movimento tem até site oficial: http://www.nationaldayofslayer.org/
Dia Mundial é licença poética minha.
Existe desde 06/06/2006 - sacou o triplo 6 da data?
Pois é.
Regras são simples:
Listen to Slayer at full blast in your car.
Listen to Slayer at full blast in your home.
Listen to Slayer at full blast at your place of employment.
Listen to Slayer at full blast in any public place you prefer.
E é proibido o uso de fones de ouvido. Afinal as pessoas precisam celebrar o dia do Slayer de forma participativa.
Ah, 4 minutos e 17 segundos é a duração de "Raining Blood".
Olha um vídeo que o Kerry King fez na madrugada da Alemanha, onde estão em turnê, sobre a data.
Um dos shows mais icônicos da música pop completa 30 anos hoje – o concerto do U2 em Denver (Colorado), que virou o disco “Under a Blood Red Sky” e o filme “Live at Red Rocks”.
Nos 80, quando foi lançado, todo mundo tinha esse disco. Todo mundo mesmo. Ele catapultou o U2 ao estrelato com, principalmente, a versão abaixo de “Sunday Bloody Sunday”. Uma das imagens da década é a de Bono segurando a bandeira branca, cantando a música, numa clara transformação do grupo em ícones pacifistas.
O U2 tinha “Boy”, lançado em 80, “October”, em 81, e recém lançado “War”, que trazia, além de “Sunday...”, “New Year´s Day”.
Quatro anos depois o grupo lançou “The Joshua Tree” e se tornou o maior do mundo. Isso é outra história. Bacana é ver a energia dos caras. Há distantes 30 anos.
Aqui, na versão kindle.
Não li, mas um ensaio sobre o movimento do início dos 70 acho bem difícil que não valha dois contos.
Valeria só pela foto abaixo, do então menino Sid Vicious indo para um concerto de David Bowie, em 1973.
Tinha um cinema chamado Cine Rock Show, no shopping Call Center, na nobre Faria Lima, ao lado do Shopping Iguatemi, em São Paulo, no começo dos 80. Cinema é licença poética minha, pois era uma salinha com umas 30 cadeiras de plástico que passava filmes em VHS numa projeção de tela. Nesse cenário foi onde vi alguns dos shows que mais me marcaram na vida. O top foi quando passaram o US Festival 83 (The Heavy Metal Day).
O line up desse dia do festival era Mötley Crüe (antes de lançarem o “Shout at the Devil”), Triumph, Ozzy Osbourne, Judas Priest, Scorpions e Van Halen. Pensa numa época em que os únicos shows de rock que já tinham acontecido aqui eram Van Halen e Kiss, super restritos. Ainda mais pro moleque que eu era.
Vejo hoje os vídeos com emoção parecida. Pois comparando aos shows que assisto hoje, dá pra ver uma tremenda diferença de postura dos músicos – assiste os vídeos abaixo e vai entender. Os caras estão tocando, se divertindo e sabem que são rockstars. E [é demais assistir a um show de um cara quando ele sabe que é especial. Maioria dos shows que vou hoje os caras parecem que estão fazendo um favor enorme de estarem ali.
Separei alguns momentos que tatuaram na minha memória, como o Rob Halford (Judas Priest) entrando no palco por uma porteira de Marshalls que se abrem, o Ozzy gordão, zoado, entrando com uma fantasia de índio e resgando esta no riff de Paranoid, a diversão do Van Halen no palco, os pulos, a primeira apresentação de “Shout at the Devil”, o Triumph no auge tocando “Allied Forces”...Ou o Kevin Dubrow (Quiet Riot) carregando de cavalinho o Carlos Cavazo durante o solo de guitarra de “Cum on Feel the Noize”...
Assiste que você não vai se arrepender.
Judas Priest – You´ve Got Another Thing Coming
Ozzy Osbourne – Paranoid
Ozzy Osbourne – Mr. Crowley e Crazy Train
Mötley Crüe – Shout at the Devil
Van Halen – Pretty Woman
Quiet Riot – Cum on Feel the Noize
Triumph – Allied Forces
Impossível não reparar nas estreias e ações promocionais das apostas do cinema nacional (e teatro) nos cadernos culturais hoje – dois filmes ancorados na Legião Urbana (“Somos Tão Jovens” e “Faroeste Caboclo”), uma adaptação de Nelson Rodrigues, “Bonitinha mas Ordinária”, e em seu primo distante, o teatro, algumas várias peças do próprio Nelson, como “As Noivas de Nelson Rodrigues” e “O Casamento”.
Nada contra o dramaturgo e escritor. MUITO pelo contrário. Se for culpar alguém por ter decidido fazer jornalismo, seria ele. Li absolutamente tudo o que escreveu na adolescência, e reli desde então várias vezes. Mas será que não tem ninguém escrevendo nada legal no país? Ou é isso ou é mais um filme do Bruno Mazzeo.
Enquanto isso, na sala de justiça dos seriados americanos, a criatividade rola solta. Acaba de sair por aqui a primeira temporada de “Girls” em DVD. Não é o melhor nem um senhor seriado, mas é bem nota 7 e dá clara ideia de que as antenas estão muito melhor posicionadas por lá.
São quatro meninas que, grosso modo, acabam de invadir o mundo adulto, do “se virarem sozinhas”, e se consideram indignas do amor, mas correm atrás dele como se fosse o último copo d´água fresquinho em calor desértico. O roteiro trafega, assim, entre a devassidão e romantismo e elocubrações sobre o valor do que querem para o resto da vida.
Tá, é bem mais legal que a descrição que fiz no parágrafo anterior.
É coalhado de referências pop, bons diálogos, personagens consistentes e situações verossímeis. Não está no meu top 5, mas como com a escassez de produtos se torna cada vez menos útil a ida ao cinema, meu top 5 de programas que acompanho cresceu para mais de Top 10. Girls incluso.