deadfish 1024x529 Os 20 anos do Dead Fish – Eu estava lá

Para escrever sobre a comemoração da segunda década do Dead Fish, e o DVD 20 Anos – Ao Vivo, tenho que retornar quase 10, para contar a primeira experiência que tive de fato com a banda e que se repetiu nos anos seguintes.

Era inverno de 2004, se não me engano. Já tinha visto shows deles e até acompanhado uma mini-turnê no mesmo ônibus com os gringos do Pulley, em carona até Belo Horizonte. Mas fui para a gravação do DVD MTV Apresenta Dead Fish, no Hangar 110, templo do punk-HC paulistano. Do mezanino, assisti à maior manifestação de delírio coletivo em um show desde sempre. Não coloco coletivo ao acaso.

Em shows de música extrema, o tradicional é ter uma roda de pessoas no mosh e as primeiras fileiras próximas a grade a bater punhos e cabeça ao som. Mas no show do Dead Fish o que via era o público inteiro tomado por convulsão, como se alguém tivesse gritado “tem uma bomba no recinto” e trancado as portas. Desde então, em todos os shows da banda que vou, procuro uma posição de plateia superior para justamente manter um olho no palco e outro no público.

Foi assim no sintomático 11/11/11, data da gravação deste DVD, no Circo Voador. Eles são capixabas, eu sou paulistano, mas voei para o Rio para participar da festa do meu irmão e padrinho Rodrigo Lima e seus comparsas e meus amigos Alyand (Baixo), Philippe (guitarra) e Marcão (bateria).

Queria saber se o público carioca reagiria da mesma forma. Reage. E queria ver a banda repassar os seis discos de estúdio.

Abre com uma paulada do último disco, Contra Todos (2009), “Asfalto”, e logo parte para a que dá título ao meu trabalho favorito deles, “Zero e Um”.

Quando gravaram o último, em 2004, o trabalho de duas guitarras foi o que mais me chamou a atenção. Hoje, Philippe segura a bronca sozinho no palco e não há sinal de vazio de seis cordas nos arranjos das canções ao vivo.

Do tradicional e querido Sonho Médio dispararam a canção homônima, “Paz Verde” e “Mulheres Negras”. Do debute, Sirva-se (1998), “Molotov”.

São 30 músicas no total, em duas horas de apresentação. Trajetória repassada entre constância (difícil pensar que algumas músicas tem quase 20 anos a separá-las na composição) e crocância (da pancadaria explícita de “Old Boy” a punks mais...digamos...amenos).

O DVD fecha com “Afasia”, do mesmo disco, de 2001. Sorte de quem estava lá. Sorte minha.

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