Publicado em 19/06/2012 às 06:06

O sentido da vida, segundo Johnny Ramone

johnny 241x300 O sentido da vida, segundo Johnny Ramone

Quando se fala sobre personalidades dos componentes de bandas eternas como Beatles e Ramones, as histórias são gravadas em pedra. Paul era o bom moço; George, o místico caladão; John, o irônico; e Ringo, o sortudo. Ramones tinha Dee Dee (baixista) como junkie de plantão, Joey(vocalista) como mais acessível e injustiçado e Johnny (guitarrista) como o redneck escrotão.

A auto-biografia do último, Commando, recém lançada, não serve para dourar a pílula. Ainda bem.
Dizem que “The KKK Took my Baby Away” (algo como “a Ku Klux Klan levou embora minha garota”) foi composta por Joey em “homenagem” ao “amigo” (muitas aspas necessárias neste parágrafo) guitarrista que roubara-lhe a namorada. Um cara que conheceu ambos e a história desmentiu pra mim, dizendo que Joey compôs para o pai dele, que não aprovara seu namoro com uma negra. Enfim...

Johnny não era KKK, mas tangenciava. Escreve sem papas, e ao final do livro não dá pra dizer que você o admira, mas ao menos tira o chapéu para sua franqueza e clareza ao falar sobre a história de duas décadas da banda mais importante e querida do punk rock.

Nos anos finais, os integrantes não se falavam. Entravam nos ônibus de turnê, subiam aos palcos, um gritava 1-2-3-4, faziam o serviço e cada um ia pro seu quarto.

Tem muito mais no livro, mas separei algumas aspas de Johnny que ilustram o título deste post.
“Eu era uma pessoa horrível.” (sobre sua personalidade)

“Se os Beatles tocavam meia hora, a gente deveria tocar 15 minutos.” (em relação à curta duração dos shows)

“Blondie era uma banda de abertura, e Talking Heads não era exatamente rock´n´roll.” (sobre a turnê com as duas bandas)

“Debbie Harry (vocalista do Blondie) queria dividir 50/50 (o lucro com ingressos). Falei: - ‘Ninguém está aqui para vê-los.’ Nunca me dei muito bem com ela mesmo.” (sobre a turnê com Blondie)

“Gravamos o primeiro disco na ordem em que costumávamos tocar as músicas nos shows.” (falando a rapidez com que gravaram o primeiro disco)

“Eu tinha que ser bem escroto mesmo, pois vivia com três disfuncionais.” (sobre a dinâmica na banda)

“Basicamente, tiramos tudo o que era blues e deixamos só a parte rock.” (fórmula dos Ramones)

“Quando fomos fazer uma turnê de sete semanas na Europa com Talking Heads existiam dois fatores de stress: Europa e Talking Heads.”
“Quando fomos para a França foi o mais próximo na vida que cheguei do suicídio.”

“Johnny Rotten (vocalista do Sex Pistols) me perguntou o que achava deles, e disse que achava que eles fediam.”

“Não é bom abrir para o Black Sabbath. Bom é abrir para Foreigner, Tom Petty, afinal quem liga para esses caras a ponto de atirar coisas no palco (na banda de abertura)?” (sobre terem recebido latas e garrafas na cabeça ao abrirem para o Sabbath)

“Com o (excêntrico) produtor Phil Spector fizemos a pior coisa de nossas vidas: ‘Baby, I Love You’, no End of the Century.”

“Sou a favor da pena de morte. Deveria ter um pay per view (das execuções) e o dinheiro iria para as famílias das vítimas.”

“2263 shows.” (em seus diários registrou todos)

“Joey (Ramone) foi a pessoa mais difícil com quem já lidei na vida.”

“Eu escrevi o livro do punk. Eu decido o que é punk. Se estou dirigindo um Cadillac, isso é punk.” (ao ser abordado – e questionado - dirigindo um Cadillac)

“A maior banda americana – além dos Ramones – é The Doors.”

3 Comentários

"O sentido da vida, segundo Johnny Ramone"

19 de June de 2012 às 06:06 - Postado por Luiz Cesar Pimentel

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Comentários
  • Paulo
    - 21 de junho de 2012 - 20:01

    tem um livro que narra essas bebedeiras do Jim, mas pelo que consta o cara era um escroto quando ficava bêbado e era violento com as mulheres, palavras do Danny Fields, também gosto do Doors, mas o livro " mate-me se puder", traz um retrato nada lisonjeiro do Jim

    Responder
  • Caio
    - 19 de junho de 2012 - 23:08

    Ainda sou mais o Joey

    Responder
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