Publicado em 25/06/2012 às 06:01

A história da música está morrendo

metallica A história da música está morrendo

Escrevo isso sem muita convicção da frase (propositalmente dramática para o título). Mas tenho convicção em dizer que a música não mais se importa em deixar legado relevante. Por quê? Neste ponto parto para o que me levou a essa consideração.

Estava jantando enquanto lia uma revista. Faço isso desde moleque. Meus pais sempre disseram que não “fazia bem”. Não sei o motivo prejudicial até hoje, mas enfim. Continuo fazendo. E lia uma revista Mojo antiga com matéria sobre a volta do Pavement, em 2010.

O grupo deixou de existir em 1999, após passarem a década como uma das principais bandas indies do mundo. Era grande admirador enquanto estavam na ativa e fui no show brasileiro que fizeram quando voltaram. Mas o mais significativo é a explicação do líder do grupo, Stephen Malkmus, quando do retorno. “Faz 10 anos, o relógio da nossa relevância está correndo. Se o Velvet Underground tivesse voltado em 1981 (pouco mais de uma década após o término) seria esquisito. Mas eles demoraram muito pra voltar. “ O grupo voltou para uma turnê em 1993.

Aí deixo a mesa e encontro o show do Metallica do dia anterior em Atlantic City na íntegra na internet. É um grupo que gosto do mesmo jeito, 30 anos depois que os descobri. E tocam nesta série de apresentações dois álbuns clássicos, meu segundo favorito, Ride the Lightning (1984), e um que nem sou muito fã, Black Album (1991). No sábado, em Atlantic City, tocaram o disco de 1984 na íntegra. Daria tudo para ver isso à época e dei um play ontem.

Lembrei quando consegui comprar o disco. Acho que em 1985. A opção era conseguir o disco importado. Bem caro. Ou então a salvação, que veio numa pirataria da loja Woodstock, que sabe-se lá como, conseguiu alguma empresa que fez cópias em vinil no começo dos 80 por preço bem mais acessível.

São 48 minutos divididos em oito músicas, quatro do lado A e quatro do lado B. A dinâmica era essa, de aquisição e na forma como se ouvia. Sei assobiar cada solo dessa porcaria.

Voltemos ao título deste post.

Quem deixa um legado assim para daqui 10, 20 ou mesmo 30 anos? Será preciso um retorno ao dar valor pela dificuldade imposta pela conquista (no caso, comprar um disco)? Será preciso compositores que garantam a relevância em forma de discos e não de hits de consumo instantâneo? Ou de mecenas que garantam a continuidade da história da música?

Não sei.

Sei que tudo o que vejo é que a música respira hoje por aparelhos. Celulares.

Assista aí ao show de sábado. O disco está ensanduichado no meio da apresentação e do final para o começo. Mas vale assistir a tudo. Afinal, abrem com a primeira música do primeiro disco, “Hit the Lights”, do Kill´em All. E depois da primeira música não consegui pensar em mais nada.

Metallica ao vivo no Orion Festival por luizcesar no Videolog.tv.

Relação de músicas

1. ‘Hit the Lights’
2. ‘Master of Puppets’
3. ‘The Four Horsement’
4. ‘Sad But True’
5. ‘Hell and Back’
6. ‘The Call of Ktulu’
7. ‘Creeping Death’
8. ‘Escape’
9. ‘Trapped Under Ice’
10. ‘Fade to Black’
11. ‘For Whom the Bell Tolls’
12. ‘Ride the Lightning’
13. ‘Fight Fire With Fire’
14. ‘Nothing Else Matters’
15. ‘Enter Sandman’
16. ‘Battery’
17. ‘One’
18. ‘Seek and Destroy’

1 Comentário

"A história da música está morrendo"

25 de June de 2012 às 06:01 - Postado por Luiz Cesar Pimentel

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Comentários
  • Thiago Furlan
    - 3 de julho de 2012 - 4:01

    Achei q era o único que fazia isso de ler e comer e levava bronca dos pais...ahhaha! Agora continuo fazendo, mas a revista é o celular! Quanto à relevância da música: o mundo e o mercado de hoje não estão fragmentados demais pra que haja bandas gigantes como as que já houveram? Ainda há muita música boa sendo feita, mas dá pra imaginar o Decemberists tendo o mesmo impacto que o REM, ou o Mastodon como o Slayer? Há muito mais bandas, todas ganhando menos, vendendo menos, cada uma com seu público mais fechado. isso é resultado do mp3 - agora eu posso ouvir o que eu QUISER e não o que o rádio me impõe, o que o clipe me mostra. É bom, mas apesar de ser fácil conseguir as músicas, agora a música não vem mais até você como antes. Não sei dizer se é bom ou ruim. Acho que um dia paramos no meio termo.

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