Publicado em 10/09/2012 às 12:35

Um bate-papo com o vocalista do Suede para começar o dia

brett anderson 4 Um bate papo com o vocalista do Suede para começar o dia

Há uns dois anos e pouco, entrevistei Brett Anderson pelo telefone. Ele não tinha voltado ainda com sua banda mais famosa, Suede, e estava com shows solo marcados para o início de 2010 no Brasil.

Os shows não aconteceram por problema com a organização (que não aconteceu igualmente).

Enfim. Resgatei a entrevista não-publicada agora, que o Suede voltou e são das atrações principais do Festival Planeta Terra.

Considero a atração principal, e único motivo para que eu vá ao festival.

Segue a conversa:

(...) Hoje falei com o vocalista e líder da minha banda preferida do britpop. Entrevistei-o pelo telefone. Foi uma pequena saga.

- “Pode ser sexta, às 10h (horário de Londres)?”, perguntei à agente.

- “A essa hora senhor Anderson estará levando his boy (que entendo ser seu filho) à escola. Marcamos às 11h.”, devolveu.

E eu nem sabia o que era mais estranho – a imagem do cara levando o filho à escola ou o fato de ele ter um filho.

Foi a segunda vez que o entrevistei. A primeira foi quando eu era da revista [ ] ZERO. Em ambas, ele foi solícito, e frio.

Desta vez o problema era maior. À época da primeira, estava lançando o último disco do Suede, “A New Morning”. Agora, eu tinha que falar sobre Suede e já imaginava que as perguntas sobre a ex-banda não seriam recebidas com flores. Enfim, era meu trabalho perguntar e não supor.

Não foram bem recebidas mesmo. Mas falou até sobre possível retorno da banda, e disse que deve tocar músicas suedianas nos shows brasileiros (que não aconteceram). No Chile, em junho deste ano (2009), tocou diversas: “Everything Will Flow”, “Filmstar”, “Can´t Get Enough”, “Trash”, “Beautiful Ones”, “Pantomine Horse”, “So Young” , “Saturday Night”...

Enfim, uma boa e apropriada maneira de começar uma sexta-feira chuvosa em São Paulo.

Você nunca veio ao Brasil com o Suede. Agora virá em carreira-solo. Mas deve imaginar que a expectativa por conta do Suede é enorme. Como você encara isso?

Sim, eu vou com a turnê do meu disco novo (Slow Attack) e não como ex-líder do Suede. Por isso prefiro me ater a responder sobre meu trabalho atual.

De qualquer maneira eu entendo que as pessoas façam essa referência com alguma das bandas que participei (Suede e The Tears). É compreensível.

Slow Attack é um disco diferente de tudo o que você fez nas bandas anteriores, com muito piano, arranjos de cordas. Como foi a elaboração do trabalho?

Gosto de ter a liberdade de gravar da maneira que quiser, poder fazer discos completamente diferentes. Tenho muita dificuldade de fazer o mesmo tipo de música de novo e de novo. Por isso as pessoas podem até estranhar, ou achar diferente do que fiz anteriormente, mas é um tipo de liberdade musical que quero ter.

E já que você vem com a turnê desse disco, o que as pessoas podem esperar dos shows?

Vou com banda – não vai ser uma apresentação piano e vocal. Mas não preparei set-list. Não trabalho com coreografia. É muito da interação com a plateia, do que as pessoas esperam e pedem.

E elas podem esperar músicas do Suede, como você tocou este ano no Chile? (em junho deste ano, tocou em Santiago diversas músicas do Suede, como “Everything Will Flow”, “Filmstar”, “Can´t Get Enough”, “Trash”, “Beautiful Ones”, “Pantomine Horse”, “So Young” e “Saturday Night”)

Sim, como te falei não preparei set-list, nada. Mas não tenho problemas em tocar músicas do Suede, se a platéia quiser.

E existe chance de reunião do Suede?

Prefiro não falar sobre isso. Mais uma vez, prefiro me ater às perguntas sobre o trabalho novo e a turnê sul-americana (ele tocaria também na Argentina). Mas sobre reunião do Suede não digo que sim nem que não. Nunca se sabe.

Ok. Mesmo sendo líder das bandas pelas quais passou, imagino que seja lançar um álbum por um grupo e lançar um com seu nome, solo. Como você encara isso?

Sim, mesmo sendo líder, é diferente você estar em uma banda com um guitarrista, um baixista, um baterista e ter que pensar na participação de todos quando vai compor. Usando meu nome, eu tenho a liberdade de fazer e compor como bem entender. Aliás, em janeiro começo a gravar um disco novo.

Dois meses apenas depois do lançamento de Slow Attack? Pode adiantar como vai ser?

Claro. Minha ideia é entrar em estúdio com banda – desta vez vou gravar com banda – e compor a partir de longas jam sessions.

Pode vir algo na linha de jazz, improviso, ou com banda você foca mais em rock?

Acredito que ficará mais rock. Mas pode ter muito de jazz, sim. O baterista que convidei é especialista em jazz. Pode dizer que será algo como art rock (rock com influência de música experimental).

O que você anda ouvindo que o levou a essa idéia?

Na verdade as influências não vêm do que ando ouvindo, de bandas novas. O que ando ouvindo de grupos mais novos é Bat for Lashes, Midlake. Mas também tenho ouvido bastante coisa antiga, como P.I.L. E influências podem vir de coisas de centenas de anos atrás, literalmente, como música clássica.

Em 2009 fez 15 anos da explosão do britpop, quando bandas como Oasis, Blur e Suede estouraram mundialmente após o grunge. Quais são suas melhores lembranças dessa época?

Eu não tenho nenhuma boa lembrança dessa época. Gosto de viver o que estou vivendo agora, e não ficar falando do passado. É tão maçante ficar lembrando deste ou daquele período.

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"Um bate-papo com o vocalista do Suede para começar o dia"

10 de September de 2012 às 12:35 - Postado por Luiz Cesar Pimentel

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