(fujo hoje do assunto que mais domina este espaço, música e cultura pop, para uma reclamação paulistana)

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Aberta não, escancarada eu diria

Detesto carros.

Minto.

Detesto trânsito, na verdade. Carro é apenas o mensageiro.

Detesto em especial o trânsito de São Paulo. Já dirigi por aí em cidades suficientes para saber que com a mesma quantidade de tráfego (Los Angeles, por exemplo), São Paulo consegue ser 17 vezes mais estressante quando o assunto é dirigir.

Trânsito por sí já é o mais próximo que a Terra pode chegar do inferno. Afinal, causa sensação de anonimato nas pessoas. E quando anônimo, o ser humano tem o hábito de mostrar seu pior lado.

Ontem foi o exemplo definitivo para mim.

Entre o trabalho e minha casa tudo aconteceu.

Até um restaurante, trajeto de não mais que cinco quilômetros, contei três passagens que ofereci e parei em todas as faixas de pedestre e cumpri todas as normas. Nada mais que minha obrigação. Aí fui tentar estacionar na Praça Buenos Aires, coração do nobre bairro de Higienópolis. Para fazer a manobra, devem ter passado uns 70 carros pelo menos que não se dignaram a esperar os 10 segundos que me tomariam dar uma ré para a vaga.

Estacionei, desci, comi e quando voltei, o vidro menor do banco do passageiro estava quebrado. Som estava lá, frente do som também, GPS também, mas o ser tinha arrancado o som do painel e imagino que tenha se assustado com algo e deixou tudo ali, em cima do banco. Mas levou meu estepe.

E deixou a porta aberta.

A essa hora, umas 21h, a Praça Buenos Aires é movimentadíssima.

O que me leva a crer que ninguém estava nem aí com a “gente diferenciada” que arrombou e roubou do meu carro.
Chego em casa e tem uma multa me esperando. Eu teria andado na contramão na Praça Charles Miller, a umas duas quadras da Buenos Aires, em uma quinta-feira às 12h21.

Praça Charles Miller é um bolsão de estacionamento em frente ao Pacaembu. Logo, não é um local onde você anda na contramão. Ainda mais em uma quinta-feira, quando o local é tomado por uma feira de frutas e legumes.

Mas segundo um guarda, eu consegui fazer isso, o que me confere uma falta gravíssima, de sete pontos e muitos reais de punição.

Eu pergunto: tem um guarda para enxergar e me punir por isso mas não tem um ser vivo (não digo nem guarda) para ver um arrombamento de carro com roubo de um estepe na mesma área?

Em que cidade eu moro?

Bom, estou vendendo meu carro. Mas, como ainda acredito na honestidade, devo dizer para o amigo que lê este post: não é um bom negócio comprá-lo.

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Prometo consertar até a venda