Publicado em 23/12/2012 às 06:06

“Se eles se moverem, mate-os”

stevesam “Se eles se moverem, mate os”
(Steve McQueen, Ali MacGraw e Sam Peckinpah, nas filmagens de 'Os Implacáveis')

Na real, a frase fica melhor em inglês: “If they move, kill´em”. Causa uma certa dubiedade, dá pra ser lida também como: “mate tudo o que se move”. É a primeira frase do magistral “Meu Ódio Será Sua Herança” (“The Wild Bunch”), dita por William Holden. E também o melhor título de biografia do mundo, do diretor Sam Peckinpah, que assina o filme.

Escrevo tudo isso por ter encontrado uma entrevista desse meu diretor preferido (ao lado de Billy Wilder) concedida em 1976 à TV britânica. Peckinpah se coloca de forma brutal. Assim como o fazia em seus filmes. A violência, que encharcava seus trabalhos e à qual se referia como catártica, lhe valeu apelido de “Bloody Sam”.

À época, tinha recém lançado o quinto filme de sequência dos meus preferidos. A fila começa justamente com “Meu Ódio Será Sua Herança”, em 1969, que traz, além de William Holden, Ernest Borgnine em um dos papéis principais. Dois anos depois, “Sob o Domínio do Medo” (“Straw Dogs”), com Dustin Hoffman.

Em 1972, o ator perfeito para seus filmes, Steve McQueen, estrelando ao lado da atriz mais bonita à época, Ali MacGraw, “Os Implacáveis” (“Getaway”). “Pat Garrett e Billy the Kid” é a pérola de 1973, com atuação e trilha-sonora de Bob Dylan (é desse filme “Knockin´on Heaven´s Door”). E fecha em 1974 com “Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia” (“Bring me the Head of Alfredo Garcia”).

Para não pular um ano entre 1969 e 74, dá pra encaixar “A Morte Não Manda Recado” (“The Ballad of Cable Hogue”), em 1970. E na entrevista, ele está prestes a lançar “A Cruz de Ferro” (“Cross of Iron”). E na entrevista, em 22 minutos de papo, puxa garrafa térmica de café, acende um cigarro e abre uma garrafa de uísque.

Fala aberta e diretamente sobre violência, diz que a de seus filmes não são páreo para as dos noticiários e se compara a uma boa prostituta. Sua tese é que boas prostitutas te dão a impressão de que é importante que você se mantenha vivo, enquanto a má prostituta faz você pensar que desperdiçou seu dinheiro. “I´m a good whore”, diz.

Vale assistir não só a entrevista, mas ao menos os cinco filmes que coloquei mais pra cima. Pode me cobrar depois.

entrevista com Sam Peckinpah por luizcesar no Videolog.tv.

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