Publicado em 23/04/2015 às 05:26

“A 1ª vez que fui ao Brasil não consegui acreditar.” O maior guitarrista do mundo, Yngwie Malmsteen, em entrevista exclusiva

Yngwie Malmsteen “A 1ª vez que fui ao Brasil não consegui acreditar.” O maior guitarrista do mundo, Yngwie Malmsteen, em entrevista exclusiva

Soube que você está atualmente em estúdio gravando disco novo, e é difícil imaginar qual tipo de inovação você pode trazer ao estilo neoclássico, porque parece que você já atingiu todas as possibilidades humanas com a guitarra nesse estilo (risos). O que podemos esperar desse trabalho?
Eu nunca começo um álbum pensando “vou fazer isso, vou fazer aquilo”. O meu método de composição vem muito do improviso e sempre é algo que acontece naturalmente, espontâneo, da alma. Não penso previamente sobre o caminho a seguir. E de qualquer maneira não vou tentar mudar o que faço e costumo fazer, mas garanto que existem boas composições (no trabalho novo).

Você já afirmou que há dois pontos decisivos na sua carreira: o dia em que você viu Jimi Hendrix botando fogo na guitarra pela TV, no dia que ele morreu (e foi quando você decidiu que queria também ser músico), e a primeira vez em que você ouviu Nicolo Paganini. Tem algum outro momento que você se lembre que tenha ajudado a moldar quem você é?
Eu descrevo bastante este processo no meu livro, "Relentless", com bastante detalhes. Comecei no caminho do rock´n´roll, quando vi Hendrix na TV, ele ateando fogo à guitarra e quão legal o rock parecia. Só que no caminho você percebe que o rock se mostra algo até relativamente simples. De repente descobri a música clássica e a possibilidade de incorporá-la ao rock, com a intensidade de Paganini. Antes disso quem me deslumbrou foi Bach. Mas Paganini era mais direto e tinha muito mais a ver com a atitude e melodia que queria levar para a música. Incorporar o clássico a um jeito de tocar rock’n’roll sempre foi o meu negócio.

Quando ouvimos ou vendo você tocando há uma sensação de que você pode fazer o que você bem entender com o instrumento, reproduzir numa guitarra qualquer som que surja na sua cabeça. Esta é uma percepção real ou você tem algum ponto fraco na sua técnica?
Bem, todo mundo tem seus pontos fracos, até você. A questão é que sempre fui determinado a conseguir tocar tudo que viesse à minha mente. A sensação que tenho é a de que a ideia vem, e eu preciso tirá-la logo lá de dentro. Isso é fruto de muito trabalho e esforço prévio. Então chegou a um ponto em que se tornou algo que vem de maneira natural. Eu não tenho que pensar. Quer dizer, a maioria das vezes (risos) Mas é claro que sigo o caminho que é natural pra mim. Não vou chegar e espontaneamente pensar numa sequência jazzística, por exemplo.

Se você pudesse escolher um aspecto para melhorar na sua técnica, qual seria ele?
Uhn, sempre tive cuidado especial com vibrato, por exemplo, mas não diria que é um ponto em que precisaria melhorar. Você sabe, estou sempre tocando, o tempo todo, praticando.

Aqui vai uma questão até mais filosófica. Sei que você é um grande fã de coisas antigas, e podemos dizer até fabricadas em um tempo em que as coisas eram feitas para durarem: Ferraris feitas antes de 1990, amplificadores Marshall de determinada época, relógios Rolex, música clássica. É difícil viver em um tempo em que a grande maioria das coisas tende a ser tão efêmera?
Na verdade, não (risos). É ok, acredito que eu simplesmente sei o que quero e não fico com tanta expectativa e entendo que a maioria prefere ir em direção contrária. Acho que todo mundo deve ter o direito de fazer o que quiser. Eu apenas tenho meu jeito particular de fazer as coisas.

Você admira algum artista contemporâneo ou você tem os mesmos ídolos desde sempre?
Eu amo música clássica, ainda adoro as bandas clássicas de rock, mas não me mantenho muito atualizado com as novidades. De qualquer maneira, me parece que as novidades sempre são inspiradas de algum modo no que já foi feito.

Só por curiosidade, quantas Ferraris você tem atualmente?
Tenho 5 no momento.

No seu livro, você admitiu que tem um temperamento explosivo e, abre aspas, “vulcânico”. Você inclusive disse que há o “right way” (jeito certo), o “wrong way” (jeito errado) e o “Yng-way” (jeito Yngwie, numa brincadeira com a pronuncia do nome). Você poderia descrever que jeito é esse?
(gargalha) É a maneira como eu conduzo minha vida desde sempre. Estou convencido de que, se as pessoas aproveitarem o tempo que tem, fazerem o que é de verdade para elas, esta é a coisa mais importante que há na vida. Sei que algumas pessoas trabalham bem com uma complacência grande em relação aos outros, mas eu não sou assim, eu me pareço mais com Bach nesse sentido, eu trabalho só com quem me sinto confortável.

Esta é sua primeira vez em um festival aqui no Brasil, em local aberto, sendo que antes só havia se apresentado em casas de shows. O que as pessoas podem esperar de diferente deste show?
Estou muito animado. Sentindo uma energia positiva. Nem montei set-list ainda (entrevista um mês antes do show), mas que é bom nos festivais são as diferentes possibilidades e público variado, por causa da quantidade de bandas que tocam. Isso também é perigoso, mas não deixa de ser excitante. Vai ser ótimo.

Você se lembra de algum momento importante entre todos os que passou aqui no Brasil?
A primeira vez em que fui ao Brasil, em 1996. Eu não conseguia acreditar naquela plateia. Então pensei “da próxima vez em que eu vier aqui, vou gravar um disco”. Simplesmente não acreditava. Preciso registrar essa audiência.

Provavelmente um dos piores momentos da sua vida foi quando você quase morreu depois de acabar com seu carro em uma árvore. Os médicos chegaram a falar que você clinicamente morreu por um minuto. E depois ficou em coma por uma semana. Aquilo mudou sua vida de alguma maneira?
Na verdade, não, pois não tenho lembrança alguma dos momentos que antecederam e durante esse período em que os médicos disseram que eu estava morto. Acho que facilitou com que superasse rapidamente.

Você abriu as portas da sua carreira mandando uma fita demo para a Guitar Player. É incrível pensar que isso aconteceu apenas 35 anos atrás. Com todos os downloads, streamings, youtubes, mídias sociais você consegue ver a chance de algum grande talento se destacar em meio a essa avalanche de informações, como aconteceu com você?
Quem sabe, né? Mas sei que as coisas ficaram muito mais difíceis em diversos aspectos. As pessoas estão cada vez mais próximas em certo nível, mas também estão ficando cada vez mais distantes. Fisicamente, quero dizer. E isso afeta a maneira orgânica que a arte é feita.

Qual seu solo favorito, tanto seu quanto de outros guitarristas?
O meu melhor solo acredito que será o que tocarei amanhã (risos). De outros artistas, gosto de Jimi Hendrix tocando no (disco ao vivo) “Band of Gypsys”

Você poderia escolher uma das suas músicas das quais se orgulhe de ter escrito?
Putz... Eu deixo você escolher (risos)

Então, “I am a Viking”.
Ok.

E agora sua música favorita de todo o mundo
Capricho número 16 (de Paganini).

Minha frase favorita sobre você vem do filme “Spinal Tap”, quando dizem: “Gosto muito de ele ter colocado o J. (de Johann) entre Yngwie e Malmsteen. Assim não o confundimos com todos outros Yngwie Malmsteens por aí”. Qual é a sua?
Essa é muito boa, engraçada. É minha preferida também.

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"“A 1ª vez que fui ao Brasil não consegui acreditar.” O maior guitarrista do mundo, Yngwie Malmsteen, em entrevista exclusiva"

23 de April de 2015 às 05:26 - Postado por Luiz Cesar Pimentel

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